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realidade. Complicando a briga [2] [3]

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Círculo de Fogo – A Revolta

Publicado por marcelo Em 3 de abril de 2018 à09 09:33 Em | Comentários Desativados

Aventura é menos eficaz que o original, mas ainda assim diverte

Nem só de filme arte vive o vencedor do Oscar, Guilhermo del Toro (A Forma da Água, 2017). Faz pouco tempo, um dos grandes sucessos, deste diretor, foi Circulo de Fogo (Pacific Rim, EUA, 2013). No longa, Del Toro fez uma imersão ao imaginário de sua infância. Ele constrói uma obra que teve como inspiração as series de Tokusatsu. Para quem não conhece a expressão, Tokusatsu se refere a seriados japoneses, do século passado. Os curtas-metragens eram povoados por monstros colossais que destruíam cidades. Eles eram combatidos por heroicos robôs gigantes. Entre as séries desta linha de ficção cientifica podemos citar Ultraman(1966), Spectreman (1971), Jaspion (1985) e Jiraya (1988), entre tantos outros.

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Chega de papelão

No entanto, ao produzir Círculo de Fogo, Del Toro não elaborou uma obra com prédios de papel, para serem destruídos por criaturas feitas de borracha. No Tokusatsu, os monstros e robôs sempre eram atores, vestindo fantasias toscas, que atacavam cidades em miniatura, para simular uma grande catástrofe. Os efeitos especiais não passavam de faíscas e raios improvisados. Tudo era muito mal elaborado. Del Toro foi na direção contrária disto. Ele utilizou os mais modernos efeitos visuais para criar um mundo perfeitamente povoado por gigantescos Kaijus e Jaegers. Os efeitos visuais, em CGI, eram próximos dos utilizados em Jurassic Park (1993-2017), Senhor dos Anéis (2001-2003), Star Wars (1977-2017) ou qualquer outra franquia que apresente animais inimagináveis convivendo com a

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realidade.

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Prontos para a Caçada

Em Círculo de Fogo, os Kaijus são monstros que surgem em determinada área do Oceano Pacífico. As criaturas enormes, metade dinossauros, metade alienígenas, atacam e destroem cidades

costeiras. Para revidar os humanos criam robôs gigantes tripuláveis. Estes são batizados de Jaegers, ou “caçadores” em alemão. Os androides são a única máquina de guerra que possui força, e poderio de fogo, para combater os Kaijus.

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Além dos efeitos especiais, a película é interessante por outros motivos, Del Toro monta uma história que decifra o inacreditável, dos antigos seriados japoneses. Fornece a eles uma explicação lógica palpável. Por exemplo, o filme mostra porque os robôs são sempre tripulados por dois ou mais pilotos. Ele esclarece que um cérebro apenas não conseguiria comandar tamanho poder. Vem dai a

necessidade de realizar coreografias e gritar o nome do golpe para o androide desferi-lo. Esta movimentação seria o comando para o robô executar determinada função. As vezes penso que seria mais fácil colocar um botão para cada golpe…

Saindo das profundezas

O filme elucida também porque os ataques acontecem apenas em países asiáticos. É lá que está a fenda dimensional, que traz os monstros para a terra. Fica na área mais profunda do Oceano Pacífico. A película dá outros detalhes daquele mundo. Pela primeira vez apresenta o que acontece com o cadáver gigantesco dos monstros, após serem abatidos. A fita mostra que os bichos são valiosos e abastecem um mercado negro sinistro, parecido ao de animais em extinção na áfrica.

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Androides também choram

O mais incrível é que, mesmo nesta ficção irreal, Del Toro consegue colocar sentimento. Ele constrói os personagens humanos, mostrando as dores que estão sofrendo em meio a guerra. O diretor traz a tela o passado dos protagonistas. Isto para explicar os traumas, que os ataques de Kaijus causaram em sua vida. A trajetória espinhosa fornece uma motivação, para que homens e mulheres entrem nos robôs, para combaterem seres gigantescos. Realmente, seria preciso um motivo enorme para entrar em um autômato de metal para combater um dinossauro alienígena.

Máquina sem brilho

Como era de se esperar, quatro anos depois, Circulo de Fogo ganha sua continuação. O novo filme é chamado “Círculo de Fogo – A revolta” (Pacific Rim – Uprising, 2018). Desta vez Del Toro participa apenas como produtor. Isto tira bastante do brilho do filme, sem a criatividade inventiva do mexicano. Mesmo assim a sequência é pura aventura e traz Jon Boyega (Star Wars – Os Último Jedis, 2017)

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liderando uma equipe de jovens pilotos de Jaegers. Estes precisam enfrentar Monstros Kaijus, Jaegers do mal e híbridos dos monstros com os robôs. A fita tem a influência de filmes de pilotos, como Top Gun, e de filmes adolescentes, como Goonies e a série Stranger Things. Há espaço para trazer tanto militares experientes quanto uma meninada curiosa, iniciando a vida de cadetes.

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Transformers versus Kaijus

Existem várias situações que fazem este filme ser bastante diferente do anterior. A primeira delas é que não existe um desenvolvimento grande nos dramas dos pilotos. Isto faz com que se perca um pouco o interesse pelo seu futuro. Outro problema é que a fotografia não privilegia tanto as

proporções realísticas dos monstros e dos kaijus. Fica uma sensação de ambiente falso e falta de profundidade. No primeiro filme não se sentia isto. Assim as lutas entre gigantes passam uma ideia parecida com a do filme Transformers (2007 – 2017), difícil de acompanhar. A fita também abraça muito a cultura chinesa, pois foi no gigante asiático que o primeiro filme fez sua maior bilheteria. A base dos Jaegers, os soldados, os generais, todos são chineses. Em termos de inclusão é uma boa, mas poderia ter dado algum espaço de comando para os americanos. Os monstros são uma ameaça global. Certamente os yankes não abririam mão de capitanear a guerra contra os bichos.

Gerando novos monstros

No entanto nenhuma destas diferenças do original estraga a experiência de “Círculo de Fogo – A Revolta”. Seja pelos efeitos especiais, pela boa trama, ou pelo gosto de voltar a infância, vale a pena assistir, tanto o filme atual, quanto seu predecessor. A franquia é uma ótima diversão para o fim de semana. Comprova que mesmo gênios, como Guilhermo Del Toro, tiveram nos filmes de monstros da infância, uma oportunidade para soltar a imaginação. Certamente, este incentivo a criatividade, no inicio da sua vida, criou o vencedor do Oscar, que hoje todos admiramos. Quem sabe quantas pessoas fantásticas, ainda poderão surgir, apenas assistindo esta divertida história sobre monstros, robôs gigantes e a humanidade se superando mais uma vez.

Trailers

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https://youtu.be/AmJv0QfEO78[7]

Artigo impresso de Atmosfera On.line: https://www.atmosferaonline.com.br

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Referências

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