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Nota introdutória – Estudos Culturais, Cidadania e Democracia

Nota introdutória – Estudos Culturais, Cidadania e Democracia

A fechar a seção de artigos temáticos, Alexandre Ferreira e Jean-Martin Rabot refle- tem sobre as ambiguidades que atravessam os atuais discursos sobre a música eletró- nica de dança, em particular o house e o techno. É seu propósito tornar visível o carácter socialmente construído de tais discursos. A tecnologia tem um papel central na transfor- mação dos modos de produção e de compreensão da música no século XXI. Mais uma vez, o cerne da questão passa pelo atual regime discursivo, que ao conjugar o arcaísmo e o desenvolvimento tecnológico (Maffesoli, 2000, p. 35), misturando, por exemplo, músicas “populares” com músicas “eruditas”, torna possível novas perceções sobre a música, embora no currículo prevaleçam as formas musicais “eruditas” ocidentais. Aco- lhendo o ponto de vista dos Estudos Culturais, os autores insistem no facto de a música eletrónica de dança poder ser considerada como uma marca de resistência contra a eli- tização da música e contra os poderes e discursos instituídos.
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Diálogos possíveis entre estudos literários e estudos culturais: Teoria Queer e Estética do Efeito

Diálogos possíveis entre estudos literários e estudos culturais: Teoria Queer e Estética do Efeito

Em conclusão, a tese defende que a ideia de mímesis não anula a perspectiva extrínseca da análise literária, mas, ao contrário, colabora com a visão de que através da mímesis é possível compreender que a literatura parte sempre de uma realidade social, que é transposta para o universo diegético através de aparatos estético-ficcionais, possibilitando novas leituras de realidades. Sendo assim, a especificidade da obra literária enquanto fenômeno estético estaria segura sem que seja necessário anular a realidade social, ou seja, o conceito de mímesis por si só já daria conta da parte cultural que a literatura demanda. Por outro lado, os estudos culturais são “culpados” por reduzirem a literatura a mero epifenômeno da sociedade, não sendo capazes de realizar uma apreciação estética do texto.
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Estudos Culturais e Comunicação: transversalidades epistemológicas

Estudos Culturais e Comunicação: transversalidades epistemológicas

Em consonância com o posicionamento de Braga (2010), acreditamos que o lastro epistemológico da Comunicação pode se dar pelo caminho da transversalidade. Frente a esse posicionamento assumimos também, como ponto de partida para a compreensão dos estudos de Comunicação, que reconhecer tal saber como uma área de conhecimento ou como uma disciplina configura-se um processo que passa necessariamente pela instância de sua institucio- nalização. Um rápido olhar à própria constituição dos Estudos Culturais, que delineamos na primeira parte do trabalho, mostra claramente a transversalidade no tocante à concepção teórica alinhada à sua institucionalização, ou seja, a incorporação de tais pressupostos teóricos a um centro de estudos. Nesse raciocínio, cabe perguntar de que forma a Comunicação passa pela transversalidade epistemológica no seu estatuto disciplinar e de que forma isso se transfigura em sua institucionalização? É justamente à guisa dessa resposta que propusemos aqui um olhar para o ementário de um programa de pós-graduação. Nesse sentido, as ementas se configuram como elemento consolidado da institucionalização na medida em que estão inseridas em um contexto mais latu de uma comunidade científica. Se, por um lado, as ementas, como material físico/ concreto, são elementos da institucionalização, seu conteúdo, objetivos, propostas, formas de avaliação e referências bibliográficas caminham para a dimensão do estatuto disciplinar na me- dida em que vão debater temas de cunho epistemológico, teórico/metodológico e empírico.
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Sobre os Estudos Culturais na América Latina

Sobre os Estudos Culturais na América Latina

Em primeiro lugar, porque se está confundindo estudos sobre a cultura com Estudos Culturais. Já analisei este aspecto em detalhes em outros estudos, e apenas relembro aqui que não é suficiente que se fale de cultu- ra – nem quando se pensa a cultura em suas articulações políticas e em uma posição que vai além das discipli- nas – para que a abordagem seja inscrita nos Estudos Culturais. Confundir Estudos Culturais com pensamento crítico cultural, com estudos críticos da cultura ou com teorias contemporâneas culturais é um descuido analítico que opera uma violência epistêmica, geralmente fundada em “simplificações” (para retomar uma expressão de Jesús Martín-Barbero na entrevista citada anteriormente). Portanto, como indica Roberto Follari, “quando se afirma que previamente já se praticavam Estudos Culturais [na América Latina], estamos diante de uma meia-verdade. Estudos sobre a cultura, obviamente, já existiam, e eram feitos pelos mesmos autores que hoje são vinculados aos Estudos Culturais. [...] Falava-se de cultura desde antes, porém se fazia isso de outra maneira” (2003, p. 56). 4
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Estudos culturais: as margens de um programa de pesquisa

Estudos culturais: as margens de um programa de pesquisa

vários posicionamentos no interior da formação discursiva dos estudos culturais (HALL, 2003: 200). Tais posições revelam-se na adoção de distintos discursos sobre o método que, por sua vez, aplicam-se a diferentes problemas-objeto no amplo espectro dos estudos de mídia. Portanto, quando se tem em vista a contribuição metodológica dos estudos culturais para o campo da comunicação, identifica-se uma proposta alinhada a uma teoria social crítica que toma como foco central o texto midiático e seu contexto; uma outra associada a uma teoria interpretativa que se concentra nas audiências; uma terceira que se configura como uma proposta polifônica de elementos de distintas tradições intelectuais que está atenta para a problemática das identidades culturais e uma quarta, que tematiza as relações entre ciência, tecnologia e cultura, desenvolvendo-se, sobretudo, a partir do feminismo e aproximando-se ao problema-objeto da cibercultura. Tal heterogeneidade é na maioria das vezes a motivação que funda a crítica aos estudos culturais. Contudo, neste momento, sem desconhecer esse problema, apenas destaco os distintos aportes que se encontram em evidência nos estudos culturais e repercutem em análises culturais da mídia.
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Imagens periféricas: os Estudos Culturais e o Terceiro Cinema

Imagens periféricas: os Estudos Culturais e o Terceiro Cinema

RESUMO: Este artigo pretende apresentar algumas notas sobre as possibilidades de conexão entre o campo dos Estudos Culturais e o Cinema contemporâneo. A intenção é tanto verificar como a própria configuração do cinema (especialmente aqueles filmes produzidos na periferia mundial ou aquilo que ainda pode ser chamado de Terceiro Cinema) demanda o olhar interdisciplinar que caracteriza a empresa metodológica dos Estudos Culturais, como também encontrar em alguns traços comuns que definem o cinema periférico novos desafios e inquietações para a teoria da cultura contemporânea. Para efetivar essa dupla operação, começaremos por apresentar muito panorâmica e resumidamente o surgimento dos Estudos Culturais e as transformações ocorridas ao longo dos últimos cinqüenta anos na área, associando posteriormente essa trajetória à consolidação progressiva do circuito cinematográfico das margens do capitalismo.
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Notas sobre uma trajetória e os Estudos Culturais

Notas sobre uma trajetória e os Estudos Culturais

Ao receber o convite para participar deste dossiê sobre Estudos Culturais, um dos editores, Carlos A. Gadea, sugeriu uma possível linha de intervenção, considerar a maneira como eu ha- via trabalhado a problemática cultural. Resolvi aceitar a suges- tão embora saiba que a auto-reflexão seja sempre algo custoso e incompleto. Mas talvez, através da trajetória de um autor, consi- ga esclarecer ao leitor como as relações que um pesquisador en- tretém com determinados temas, disciplinas ou áreas de estudo, dependem de uma multiplicidade de referências que muitas vezes temos tendência a sublimar. Quando leio sobre a história recente dos Estudos Culturais tenho a impressão que o relato encerra algo de teleológico, eles teriam nascido na Inglaterra (cita-se com profusão os escritos de Raymond Williams ou de Stuart Hall), desenvolvem-se nos Estados Unidos e por fim teriam alcançado a América Latina. Tudo parece ser bem ordenado, com a existência de pais fundadores e um caminho previsível através do qual uma área de estudo teria se estabelecido. Minha impressão é diversa, os estudos sobre a esfera cultural sempre foram múltiplos, como costumo dizer, com “sotaques” diferentes em diversos lugares do mundo, e não tinham entre si nenhuma relação específica. Não havia um denominador comum entre eles e muito menos a intenção de se criar uma área disciplinar. É somente em determinado momento que eles convergem, apenas em parte, para alguns pontos que os aproximam, mais ou menos, à um horizonte compartilhado de interesses. Neste sentido, eu diria que a esfera cultural não é domínio de nenhuma disciplina ou área específica, o que nela encontramos são determinadas questões tratadas de pontos de vista diferentes, algumas vezes afins, capazes de dar conta de certas configurações do mundo contemporâneo. Acrescento ainda uma última observação. A esfera cultural é o cruzamento de diferentes intenções, sociais, econômicas e políticas, com isso quero dizer que a questão do simbólico encontra-se situada em um contexto no qual dife- rentes forças interagem entre si. Parece-me portanto infrutífero afirmar a existência de uma “Teoria da Cultura” como se vê mui- tas vezes em certos manuais disponíveis (sobretudo em língua inglesa). Basta lermos os antropólogos culturalistas norte-ame- ricanos (Franz Boas, Arthur Kröeber, Margaret Mead, etc.) para nos afastarmos desse tipo de concepção, de fato eles acredita- vam na miragem de uma dimensão única, a cultura, enunciada no singular, à qual corresponderia uma teoria sui-generis capaz de decifrar sua personalidade, seu caráter. A crítica que a An- tropologia Social britânica fazia à tal ilusão é sugestiva e pode ser recuperada nos debates atuais. Radcliffe-Brown costumava dizer que não é possível existir uma “ciência da cultura”, pode- -se compreendê-la apenas enquanto elemento de um sistema social mais amplo 2 , a dimensão cultural adquire sentido somente
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Estudos culturais latino-americanos: configurações de um sintagma.

Estudos culturais latino-americanos: configurações de um sintagma.

Essas mesmas e outras inquietações estão também presentes no volume organizado por Santiago Castro-Gomez e Eduardo Mendieta, Teorías sin disciplina (latinoamericanismo, poscolonialidad y globalización em debate). Publicado em 1998 (ou seja, no mesmo ano do simpósio de Pittsburgh), contava com a participação de alguns ensaístas que também estariam presentes no livro coordenado por Moraña (por exemplo, a própria Moraña, Hugo Achúgar, Nelly Richard, Alberto Moreiras), mas dava maior protagonismo a outros autores e a outras perspectivas, delimitadas em particular nos textos de Walter Mignolo, de Castro-Gómez e de Fernando Coronil. Esses autores – e outros como Arturo Escobar, Edgardo Lander, Ramón Grosfoguel, Zulma Palermo ou Catherine Walsh – participam, em diálogo permanente com o pensamento de Anibal Quijano e Enrique Dussel, do grupo de investigação que passaria a se chamar “modernidad/colonialidad”, uma rede de pesquisadores forjada através de vários nodos ao longo do continente (como Duke, Bogotá, Quito, La Paz), que já na sua própria conformação aposta a questionar as fronteiras entre “Norte” e “Sul” e a estabelecer uma crítica da modernidade, dos pressupostos e conclusões dos estudos culturais e pós-coloniais de tradição inglesa e dos postulados do dependentismo. 2
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Os estudos culturais na encruzilhada dos feminismos materiais e descoloniais.

Os estudos culturais na encruzilhada dos feminismos materiais e descoloniais.

O feminismo contemporâneo representa um grande espectro de discursos sobre as relações de poder a partir da economia política da mulher concebida em toda sua diferença interna (sexual, de gênero, de raça, de classe, de “terceiro mundo” etc.). Esses discursos são muitas vezes antagônicos entre si e não se cristalizam em uma única posição. Não obstante, tal heterogeneidade interna – ou, segundo Audre Lorde, “uma interdependência de forças diferentes” – não foi capaz, até o presente, de fragmentar ou debilitar o ímpeto político do feminismo na luta contra a dominação e a exclusão. Pelo contrário, seu compromisso político tanto em nível da biografia como da teoria constitui a principal diferença do feminismo quanto a outros movimentos sociais ou discursos (inclusive os dos estudos culturais). Tal diferença é produto da necessidade histórica do feminismo, primeiramente, de identificar os pontos de reprodução da subordinação social nas estruturas de desigualdade; e segundo, de construir articulações entre seus diversos sujeitos perseguindo metas políticas específicas (Long, 1996, p. 202). 6
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Antropologia, Estudos Culturais e Educação: desafios da modernidade.

Antropologia, Estudos Culturais e Educação: desafios da modernidade.

emergir outras perspectivas de conhecimento, entre essas, os estudos culturais. Em razão desse contexto, no presente ensaio, busca-se demonstrar que as críticas morais e políticas feitas a partir de uma parcela do que foi e é a antro- pologia gestaram uma cegueira na contribuição desta para com a educação. Ao mesmo tempo, a educação reeditou nos anos de 1990, nas abordagens do multiculturalismo, particularmente americano, os mesmos percalços da cha- mada ciência de serviço da primeira metade do século que passou e da qual a antropologia da educação foi representativa. Como dizem L’Estoile, Neiburg e Sygaud, se a ciência antropológica foi alvo de muitas críticas morais e políticas, não foi, contudo, objeto privilegiado do ponto de vista da análise sociológica, vale dizer, da análise mais crítica e analítica. Sem dúvida, tal ausência repercu- tiu, também, nas especialidades de seu campo, entre elas, a antropologia da educação. Desse movimento geral resultaram equívocos e limites na compre- ensão da antropologia, de seus métodos e de suas categorias ou noções centrais, entre elas, a noção de cultura e seu campo explicativo.
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ESTUDOS CULTURAIS E ESTUDOS DE GÊNERO: PROPOSIÇÕES E ENTRELACES ÀS PESQUISAS EDUCACIONAIS

ESTUDOS CULTURAIS E ESTUDOS DE GÊNERO: PROPOSIÇÕES E ENTRELACES ÀS PESQUISAS EDUCACIONAIS

Enfim, vale grifar que os conceitos e os estudos que aqui foram analiticamente delineados são o que são por serem construídos, constantemente, no movimento da história, da sociedade e da cultura. Por isso mesmo é que tem grande relevância para a pesquisa educacional. No mais, podemos ainda afirmar que os diversos significados hoje atribuídos às infâncias são resultados da produção de processos históricos. Com efeito, poder situá-los numa rede de práticas sociais e culturais de significação, tomando como fundamentos os Estudos Culturais e os Estudos de Gênero, tem nos possibilitado análises que se afastam de versões contemplativas, levando-nos a seguinte proposição: o que torna, em nossas práticas educacionais, algo pensável?
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A paternidade na contemporaneidade: um estudo de mídia sob a perspectiva dos Estudos Culturais.

A paternidade na contemporaneidade: um estudo de mídia sob a perspectiva dos Estudos Culturais.

Os Estudos Culturais têm, nos últimos anos, direcionado seu in- teresse às questões da subjetividade e identidade e para os textos culturais e midiáticos que se dirigem ao domínio privado e doméstico (Escosteguy, 2000). Segundo Veiga-Neto (2000, p. 53), “... os Estudos Culturais já esta- beleceram sólidos avanços na compreensão dos novos jogos de poder pe- los quais se estabelecem identidades, significados sociais e culturais e pelos quais estamos, ao que tudo indica, sendo cada vez mais governados”. A cultura tem, na contemporaneidade, papel constitutivo de todos os aspectos da vida social. Os seres humanos utilizam sistemas ou códigos de significado para interpretar, organizar e regular sua conduta, enfim, para dar sentido às próprias ações assim como às ações dos outros: são suas culturas. Assim, uma vez que todas as práticas sociais comunicam signifi- cado, constituem-se como práticas de significação (Hall, 1997).
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Os Estudos Culturais como novas Humanidades

Os Estudos Culturais como novas Humanidades

É meu propósito, neste estudo, argumentar a ideia de que os Estudos Culturais podem ser encarados como novas humanidades. Os Cultural Studies centram a atenção nos estudos ét- nicos, pós-coloniais, comunicacionais, antropológicos, etnográficos e feministas, e apenas “mui- to marginalmente” têm-se interessado pela literatura e pelos estudos literários (Aguiar e Silva, 2008). Mas são precisamente esses domínios, investidos pela ‘Social Science’, e não pelas ‘Arts’, que se constituem como pedra de toque da modernidade. E é neles que se joga, hoje, em grande medida, a ideia que temos do humano. A interrogação que hoje é feita, tanto sobre o humano como sobre a modernidade, tem como pano de fundo a translação tecnológica da cultura, da palavra para a imagem (Martins, 2011a). A minha proposta tem em atenção esse debate, subli- nhando entretanto o compromisso que os Estudos Culturais têm com atual e o contemporâneo, o que também quer dizer, com o presente e o quotidiano.
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Entrevista com George Yúdice  A cultura como recurso - desdobramentos dos Estudos Culturais

Entrevista com George Yúdice A cultura como recurso - desdobramentos dos Estudos Culturais

somente mencionou Renato Ortiz. Não se estendeu para além disso, parecendo-me estar implícita aí a ideia de que o Brasil é cada vez menos conside- rado como parte do que se denomina América Latina, sendo esta considerada como aquela dos países de língua espanhola. O Brasil, talvez por ser falante de língua portuguesa, sugere algo que o distinguiria das demais comunidades latino-americanas. Con- tudo, temos no Brasil já uma produção significa- tiva filiada aos Estudos Culturais, sendo grande parte dela vinculada às aproximações entre os Estudos Culturais e a Educação. Temos utilizado o caractere @ para mostrar que essa relação é complexa e multiface- tada – Estudos Culturais @ Educação. Por sua vez, os Estudos Culturais latino-americanos dedicam-se a outros tantos focos, sendo pouco destacada a produção voltada à educação. Penso que devido a isso ainda sejam poucos nossos interlocutores latino-americanos. Faço esse comentário porque gostaria de ouvi-lo acerca de sua percepção sobre o que estou mencio- nando.
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Sobre a emergência e a expansão dos Estudos Culturais em educação no Brasil

Sobre a emergência e a expansão dos Estudos Culturais em educação no Brasil

Pretendemos, assim, retomar aspectos que caracte- rizaram essa movimentação, bem como apontar ten- dências que marcaram tal encontro, buscando registrar e discutir algumas das direções seguidas pelos estudos conduzidos na interface desses campos. Destacamos a importância desse empreendimento, lembrando a posição de Lawrence Grossberg (2012), que nos convoca a promover análises culturais que exercitem o espírito crítico e mobilizem “ferramentas” que as atualizem frente aos novos territórios de investigação engendrados nas sociedades contemporâneas. Como salientou Grossberg (2008), a prática da autorreflexão se faz necessária quando se pretende dar respostas a certas exigências e restrições que passam a ser associadas a um determinado campo de estudos, bem como quando se busca indicar possibilidades por esse oferecidas, dimensão que, na situação aqui abordada, envolverá a discussão de ações e práticas pedagógicas, por um lado, e, por outro, de questões e categorias analíticas que consideramos estarem posicionadas na intersecção da Educação com os estudos culturais. Lembramos ser essa uma prática avaliativa frequente em textos conduzidos a partir dos estudos culturais, tais como os de Nelson, Treichler, Grossberg (1995), Ferguson e Golding (1997), Johnson (1999), Schulman (1999), Hall (2003), Costa, Silveira, Sommer (2003), Mattelart e Neveu (2004), Grossberg (2008, 2012). Discutimos, então, algumas propostas assumidas nesta prática articulatória 3 que emergiu,
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Estudos culturais, educação e pedagogia.

Estudos culturais, educação e pedagogia.

Também é freqüente, em um continente onde o pensamento social freqüentemente buscou força nos ditames marxistas e críticos, a emergência de um cer- to desconforto em relação ao abandono, pelos EC, de explicações ou totalizantes ou alinhadas ao dis- curso da “libertação”. Nesse diapasão, Castro-Gómez (2000, p. 158), entendendo que a cultura urbana de massa e as novas tecnologias da informação têm sido vistas nos EC latino-americanos como “espaços de emancipação democrática”, levanta a suspeita de que os estudos culturais teriam “hipotecado seu potencial crítico à mercantilização fetichizante dos bens sim- bólicos”. E mais: o crítico atribui aos EC latino-ame- ricanos um novo tabu – o da abordagem da “totalida- de”, seduzidos que estariam pela fragmentação do sujeito, pela hibridação das formas de vida, pela arti- culação das diferenças e pelo desencanto diante das novas metanarrativas. Não se trata, para o autor, de reabilitar as velhas dicotomias da teoria crítica – co- lonizador x colonizado, centro x periferia, opressor x oprimido, centro x periferia – mas, sim, de tornar vi- síveis os “novos mecanismos de produção das dife- renças em tempos de globalização”, através de uma “descolonização” das ciências sociais e da filosofia.
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Os estudos culturais e a crítica literária no Brasil.

Os estudos culturais e a crítica literária no Brasil.

Como se vê, o pós-estruturalismo francês teve sua inserção nesses debates. E revelou uma importância fundamental para Hall, que, ao distinguir as contribuições de Foucault e Barthes na compreensão do discurso, como categoria operacional para a cultura contemporânea, entendia essa corrente como o segundo paradigma do novo campo. A crítica brasileira gozava, portanto, da familiaridade com a corrente francesa ao interagir com as novas perspectivas pertinentes aos estudos culturais. Mas a relação da cultura com o espectro multidisciplinar não metódico desse saber trouxe alguns problemas de percurso, mormente no seu impacto estrutural sobre o meio acadêmico brasileiro, como esclarece a pesquisadora Rachel Lima (2000, 2009, 2010), em análise de consequências posteriores. Entre problemas e pressões em torno da reforma da própria estrutura acadêmica e “uma naturalização da ideia de crise nos discursos produzidos sobre a Literatura Comparada” (Lima, 2010, p. 27), a autora faz alguns balanços do impasse que chega a fragmentar as ações da Associação Brasileira de Literatura Comparada (ABRALIC) na gestão das divergências de tendências da crítica, dividida entre adeptos do “nomadismo da disciplina, como forma de seu vigor” e os “inconformados com a expansão de seu raio de ação e com a incorporação de teorias que desestabilizam os modelos interpretativos antes hegemônicos” (Lima, 2010, p. 27). Contudo, só poderemos nos deter aqui em alguns aspectos de divergências teóricas iniciais sobre a visão culturalista, conforme o que se presta este artigo.
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ESTUDOS CULTURAIS: PROPEDÊUTICA, RIVALIDADES E PERSPECTIVAS

ESTUDOS CULTURAIS: PROPEDÊUTICA, RIVALIDADES E PERSPECTIVAS

Terry Eagleton, em seu livro How to read a poem, observa que os Es- tudos Culturais emergem justamente no fértil terreno abandonado pela críti- ca literária, ou seja, o estudo das relações entre a literatura e a vida. Por que, então, ressentimentos dos teóricos da literatura em relação aos culturalistas? Mais proveitoso seria, para a Teoria da Literatura, após a dolorosa mea culpa, reconhecer os Estudos Culturais como uma área emergente e necessária para o conhecimento da cultura popular – música, poesia, TV, rádio, jornal, arte de rua, hip hop, funk, cinema, internet – do que ser o teórico de um mundo caduco. Fecho essa parte, com outro breve relato de um episódio da vida acadêmica, que presenciei, este em 2009. Em uma reunião sobre linhas de pesquisa de um programa de pós-graduação stricto sensu, uma professora envolvida e comprometida com pesquisas sobre temas ligados à mulher negra no Brasil, ao perceber que alguns dos seus colegas defendiam algumas propostas semelhantes aos estudos de cunho teórico, abstrato e formalista, levantou a sua voz, indignada: “Não quero voltar aos tempos em que se falava e não se dizia nada. O passado nunca mais.”
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Contribuições dos estudos culturais para o currículo da educação física.

Contribuições dos estudos culturais para o currículo da educação física.

A trajetória da capoeira é um bom exemplo. Após anos de luta e marginali- zações, hoje é tratada como símbolo nacional cuja prática invadiu escolas, clubes, academias da elite etc. Isso não foi obra do acaso, mas sim, por meio de lutas por significação. Como artefato cultural, a capoeira fez mais do que ampliar seus espaços atuação, ela propiciou uma ação política da cultura negra. Trata-se de um movimento permanente no jogo do poder cultural que caracteriza a maior parte das práticas da cultura corporal e de seus representantes. Basta que se verifique o modo como as práticas corporais pertencentes a grupos não hegemônicos são incorporadas e aproveitadas pelos setores dominantes. É comum o apagamento da história das lutas e origens de várias manifestações culturais em troca da validação por meio de outros significados propagados pela ciência moderna – alusão dos benefícios à saúde ou ao desenvolvimento motor que a capoeira, algumas brincadeiras ou dan- ças propiciam; a comprovação da ciência ocidental com relação aos fundamentos da yoga ou a valorização da prática do tai-chi para melhorar a concentração nas atividades laborais. Para piorar o quadro, muitas vezes os próprios representantes dessas práticas culturais não percebem as intenções subjacentes às investidas dos grupos em evidência e reproduzem inocentemente seus discursos.
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Desfazendo os nós heteronormativos da escola: contribuições dos estudos culturais e dos movimentos LGBTTT.

Desfazendo os nós heteronormativos da escola: contribuições dos estudos culturais e dos movimentos LGBTTT.

Allan Johnson (1997, p. 204) destaca que uma parte importante da identidade é o eu ideal, que consiste nas ideias de quem deveríamos ser. A partir da reflexão a respeito da expressão coletivos feitos desiguais, de Miguel Arroyo (2010, p. 1381), que nos força a ler na própria expressão os processos históricos de produção-reprodução dessas desigualdades sociais, preferimos utilizar não a ideia de um eu ideal, mas de um eu idealizado ou um eu feito ideal. Assim, colocamos em evidência o processo social e histórico de construção- produção desse ideal. Distintas representações identitárias podem circular no espaço social, mas apenas algumas delas ganham visibilidade, ou seja, negamos a diversidade e passamos a encarar as representações visibilizadas como sendo a realidade. Dessa forma, os grupos culturais ligados a essas representações são vistos como normais e têm a possibilidade de representar não só a si mesmos, como a todos os outros. Eles tornam-se a norma, a referência, o natural, o ideal. Contudo, esse processo não é imune a conflitos interpessoais, tampouco
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