Hermenêutica filosófica

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NOÇÕES DE HERMENÊUTICA FILOSÓFICA EM GADAMER

NOÇÕES DE HERMENÊUTICA FILOSÓFICA EM GADAMER

Portanto, as principais características do método hermenêutico metodológico são: a) segue a metodologia das ciências naturais: conhecer para dominar o seu objeto; b) disseca e analisa o seu objeto, mantendo-o distante de si; c) há uma estrutura dualística de análise: ocorre uma cisão entre sujeito e objeto, corpo e alma, teoria e práxis; d) o homem, como razão pura, é sintético e torna-se o único artífice de sua apreciação, livrando-se de outros campos como a metafísica, a ontologia e tudo mais que não seja pragmático, como no método apre- sentado por Carnap; e) a preocupação primeira dessa hermenêutica é com a validade univer- sal de sua análise pragmática da linguagem, a exemplo do que fez Wittgenstein, ao estudar as regras que regiam os diferentes jogos da linguagem; f) o objeto a ser conhecido é uma joia fixa esperando ser descoberta, em que se parte do ponto zero na sua busca: quer-se extrair o seu sentido, como se isso lhe fosse a essência dele mesmo; g) assim, esse procedimento metodológico precisa se livrar das amarras históricas, políticas ou da moral que lhe impedem a neutralidade, a exemplo de Descartes em seu Discurso do Método; h) a hermenêutica metodológica se preocupa somente com o dito, ou seja, o logos apofântico (apenas nega ou não um fato, sem se preocupar com os seus fundamentos ou condições) ignorando o não-dito, ou o terceiro excluído aristotélico; i) vincula-se à palavra verständnis (entendimento), enquanto que a hermenêutica filosófica à palavra ver-stehen (estar-junto-com, estar-ao-lado-de) (RO- HDEN, 2008).
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Mutação constitucional: fundamentação e limites à luz da hermenêutica filosófica e da teoria estruturante do direito

Mutação constitucional: fundamentação e limites à luz da hermenêutica filosófica e da teoria estruturante do direito

Afirmar que “o reconhecimento do que já estava na própria constituição” afasta a tese de uma mutação constitucional, significa ignorar a possibilidade de perceptíveis mudanças de concretização do ordenamento, em face dos casos analisados no decorrer do tempo. Ou, ainda, pode-se dizer que ignora ignorou a clara diferença dos efeitos produzidos pela história sobre a compreensão da constituição e do caso, em relação a momentos anteriores da tradição jurídica brasileira. A bem da verdade, pode- se dizer que as leituras dworkinianas não invalidam a tese da mutação constitucional concebida no marco da hermenêutica filosófica. Se por via construtivista ou não, o fato é que houve uma mudança de concretização do ordenamento, a qual precisa ser levada a sério como um caso peculiar da interpretação. Além disso, subestimar a importância (ainda que limitada, mas assessória) dos parâmetros metódicos é correr o mesmo risco de decisionismos arbitários por carência de instrumentos de verificação.
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DIALÉTICA, EXPERIÊNCIA E INTUIÇÃO: ENTRE HERMENÊUTICA FILOSÓFICA E FILOSOFIA BUDISTA.

DIALÉTICA, EXPERIÊNCIA E INTUIÇÃO: ENTRE HERMENÊUTICA FILOSÓFICA E FILOSOFIA BUDISTA.

Palmer (1999, pp. 8-9) afirma que a hermenêutica filosófica de Gadamer é uma defesa sistemática das humanidades e a relaciona com as quatro nobres verdades budistas, a saber: (a1) a vida é sofrimento [descrição do problema]; (b1) o sofrimento é causado pelo apego demasiado [causa do problema]; (c1) a liberação/extinção de desejos é possível [solução ao problema]; e (d1) o caminho das oito vias é o modo para proceder. Na hermenêutica gadameriana, o correspondente seria: (a2) as artes, a literatura, a religião, a filosofia e a poesia não são mais valorizadas; (b2) tais áreas não são mais vistas como ‘verdade’, uma vez que a perspectiva cientificista definiu verdade como o que é cientificamente verificável; (c2) é possível uma transformação de nossa compreensão de verdade por meio da percepção da verdade em nossa experiência estética; (d2) o caminho das oito vias inicia-se com a ‘compreensão plena’, assim como a transformação da compreensão de verdade provocada pela experiência estética, seguida de uma adequação ao discurso e à ação, de modo que a aplicação da hermenêutica é explorada, compreendendo- se historicamente, e, de acordo com a oitava via, alcança-se a verdadeira contemplação, em que a mente não distingue binariamente, entre sujeito e objeto – o que lembra a fusão de horizontes [Horizontsverschme1zung] de Gadamer (1990, p. 311).
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A hermenêutica filosófica como filosofia : uma crítica interna ao pensamento de Gadamer

A hermenêutica filosófica como filosofia : uma crítica interna ao pensamento de Gadamer

contra a fenomenologia hermenêutica e a hermenêutica filosófica, isto, pode-se alcançar uma espécie de autoridade criteriosa ou criterial na ontologia mediante o reconhecimento da compreensão do sentido projetado normativamente nos padrões sociais reativos e responsivos tributários do fenômeno comunicacional e justificativo da asserção, consistente em incessantemente “autorizar a prática inferencial e responsabilizar-se pela prática justificacional” (REIS, Róbson Ramos dos. Sentido e verdade: Heidegger e a “noite absoluta”. In Fenomenologia hoje: existência, ser e sentido no limiar do século XXI. Porto Alegre: EDIPUCRS, 2001, p. 336). E conclui Reis, ao apontar que a instituição ontológica do Dasein é o lugar da constituição da verdade do sentido (e do sentido da verdade) a interditar o relativismo (qualquer verdade) e a obturação teológica num absoluto eterno (“a” verdade): “Heidegger não está propondo a relatividade de toda verdade efetiva dos enunciados, mas sim o reconhecimento da pressuposição ontológica que está na base da pretensão de dizer o mundo tal como ele é independentemente dos propósitos do existente humano” (Idem, p. 338). Benedito Nunes igualmente identifica na contextualidade pragmática do quadro referencial ontológico do próprio ser, isto é, no tripé da facticidade antecipadora do compreender hermenêutico (Vorhabe, Vorsicht e Vorfriffen), a condição de possibilidade de se efetuar o módulo crítico de validação da verdade, como uma espécie de técnica hermenêutica de índole histórico-discursiva (Interpretação, discurso e verdade. In Hermenêutica e poesia: o pensamento poético. Belo Horizonte: UFMG, 1999, pp. 80-81).
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Traços da hermenêutica filosófica na educação em ciências: possibilidades à educação química

Traços da hermenêutica filosófica na educação em ciências: possibilidades à educação química

A partir da Hermenêutica Filosófica, encontramos traços que marcam outras disposições frente às questões da Educação em Ciências. Em Ginev (2013), nos modos como textualizamos sobre as redes de práticas científicas à medida que questionamos as brechas dos espaços de representação que reinterpretamos quando nos banhamos nos textos de ciência no Ensino de Ciências. Leiviskä (2013), preocupada com uma Educação em Ciências afastada do dogmatismo da ciência, busca na experiência hermenêutica gadameriana de negação uma superação a partir do estranhamento de nossas pré-compreensões, alertando para a falibilidade e finitude humanas que compõem as práticas científicas. Borda (2007), também se volta para Gadamer e suas disposições atribuídas a um hermeneuta, reivindicando um Ensino de Ciências vinculado à abertura ao novo, à medida que lidamos com viver em dúvida, atentos àquilo que nos estranha mesmo na necessidade de distração, ao mesmo tempo em que buscamos elementos na força de nossas pré-compreensões até que tenhamos a humildade de reconhecer que o outro pode também estar certo. Schulz (2010) busca na perspectiva de linguagem gadameriana a superação de uma linguagem na Educação em Ciências como ferramenta e passível de ser descolada do modo como somos no mundo, mas como modo de dizer sobre si à medida que experiencia o mundo. Sua contribuição está em alertar para a teorização da ciência não como ponto de partida da Educação em Ciências, mas como ponto de chegada em que somos convidados a questionar a ciência como construção histórica.
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Da problemática do método ao método como problema: hermenêutica filosófica e a questão do compreender

Da problemática do método ao método como problema: hermenêutica filosófica e a questão do compreender

Gadamer não deixará de se apoiar nesta dinâmica ao sugerir uma produtividade própria à verdade que, em VM, ele sustenta como mais originária, anterior à esfera da objetividade. o traço essencial a tal produtividade consiste no fato de o todo e as partes sempre se repetirem diferentemente, ou seja: o todo se re-integra a cada vez através de suas partes constitutivas que ocorrem sempre de um modo novo, segundo o caráter singular, “aqui e agora”, de cada situação que, por sua vez, é sempre e já compreendida enquanto tal à luz de uma totalidade cambiante, ou seja, uma totalidade que não é jamais a mesma, estática e auto-idêntica totalidade. a produtividade sugerida por Gadamer consiste justa- mente nesta determinação recíproca do todo e das partes que, aliás, é o que o seu conceito de “aplicação” quer dizer. Mais originária do que a aplicação metódica de uma lei ou regra, a aplicação, no sentido gadameriano desta recíproca determinação, diz respeito ao próprio movimento de realização da práxis humana que é o que ele se propõe a pensar em sua hermenêutica filosófica. 14
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Interpretação jurídica e direito à privacidade na era da informação: uma abordagem da hermenêutica filosófica

Interpretação jurídica e direito à privacidade na era da informação: uma abordagem da hermenêutica filosófica

As legislações nacionais e internacionais reiteradamente protegem o direito fundamental à privacidade, porém, por muitas vezes, com enunciados vagos, sem estabelecer critérios claros para proteção, e sobre o que pode ensejar violação a esse direito, principalmente tendo em vista as grandes inovações tecnológicas contemporâneas. Desse modo, o presente trabalho se pergunta: Como o direito à privacidade pode ser interpretado na era da informação? Tem-se como hipótese que a partir da definição de tal conceito poderá se vislumbrar critérios para aferir possíveis violações a esse direito. Para responder tal pergunta, primeiramente, utilizar-se-á como modelo de interpretação a hermenêutica filosófica de Hans-Georg Gadamer. O autor alemão tinha com mote de pesquisa a hermenêutica, o ato de dicção translativa, de decifração da linguagem e da realidade. Nas mãos de Gadamer a hermenêutica deixa de ser uma técnica de encontrar significados ocultos, abandona a metafísica, passando a visar uma interpretação de dar sentido – tendo o mundo por um construído, e não um dado. A partir desse modelo de interpretação, buscar-se-á possíveis significados construídos para o direito à privacidade na sociedade da informação, principalmente no contexto da tradição ocidental, amplamente influenciada pelos valores de individualismo e busca por segurança, advindos da modernidade. Por fim, analisar-se-á a racionalidade que move a proteção ao direito à privacidade no sistema jurídico brasileiro, por meio de enunciados normativos e jurisprudência, verificando se algum significado possível encontrado se adequa a tal racionalidade. Assim, por meio desse caminho, tentar-se-á responder como o direito à privacidade pode ser interpretado na atual era da informação.
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A INVASÃO DA SALA DE AULA PELA FILOSOFIA DA LINGUAGEM: CONTRIBUIÇÕES DA HERMENÊUTICA FILOSÓFICA PARA O ENSINO JURÍDICO

A INVASÃO DA SALA DE AULA PELA FILOSOFIA DA LINGUAGEM: CONTRIBUIÇÕES DA HERMENÊUTICA FILOSÓFICA PARA O ENSINO JURÍDICO

de um iceberg que aponta para as deficiências do paradigma moderno assujeitador, ignorante diante da temporalidade do ser e de suas estruturas prévias de compre- ensão. Por outro, com a virada ontolinguística, a hermenêutica filosófica assoma no contexto de uma nova proposta paradigmática de reabilitação dos pré-conceitos, que reconhece a linguagem como condição de possibilidade dos processos de produção e transmissão do conhecimento, os quais se verificam a partir do círculo hermenêutico e da fusão de horizontes. A seguir, buscar-se-á esclarecer o sentido que esses conceitos adquirem na Filosofia hermenêutica de Martin Heidegger e na hermenêutica filosófica de Hans-Georg Gadamer, a fim de que possam servir de fundamento para se repensar as práticas docentes e a reforma do ensino jurídico.
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Hermenêutica filosófica e hermenêutica jurídica : uma aproximação a partir dos conceitos de Hans-Georg Gadamer

Hermenêutica filosófica e hermenêutica jurídica : uma aproximação a partir dos conceitos de Hans-Georg Gadamer

Observamos, assim, que, por vezes, expoentes significativos da literatura especializada lançam mão de diversas fórmulas lógico-formais para explicar suas teorias i . Constatamos, do mesmo modo, ser cada vez mais corrente a utilização, tanto pelos representantes da dogmática jurídica como da jurisprudência, de conceitos que apresentam a sua gênese no universo da hermenêutica filosófica ii . Na convivência flutuante dos diferentes modos de apresentação dessas teorias, em que transparece a eterna disputa entre a segurança jurídica e a necessidade de adaptação, o temor em relação a um possível relativismo infundado no âmbito da justificação das decisões judiciais não resiste à simultânea consciência de que a sobrevivência do direito exige o recurso a certos instrumentos (princípios, valores, métodos) como formas de abertura e flexibilização hermenêutica.
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TEORIA DA DECISÃO JUDICIAL  DOS MÉTODOS TRADICIONAIS DE INTERPRETAÇÃO À HERMENÊUTICA FILOSÓFICA  Shary Kalinka Ramalho Sanches

TEORIA DA DECISÃO JUDICIAL DOS MÉTODOS TRADICIONAIS DE INTERPRETAÇÃO À HERMENÊUTICA FILOSÓFICA Shary Kalinka Ramalho Sanches

As discussões filosóficas ocorridas no século XX sobre a hermenêutica jurídica não chegaram ao Brasil senão após o advento da Constituição de 1988. Até então, rara exceção, o que se verificava era o debate sobre os métodos clássicos de interpretação em Savigny e Ihering. O ideal de garantismo dos novos direitos conquistados pela recente Carta fez com que, paulatinamente, novos debates fossem incorporados ao cenário nacional ampliando os horizontes paradigmáticos. Como pesquisa bibliográfica, terá como fonte referencial doutrinas nacional e alienígena sendo seu objetivo percorrer o caminho teórico desde os cânones clássicos de interpretação em Emilio Betti até a hermenêutica filosófica de Hans- Georg Gadamer. Classifica-se como uma pesquisa qualitativa- exploratória na medida em que persegue o aprofundamento na hermenêutica ocidental desde o século XIX até o Brasil contemporâneo, organizando conceitos e períodos de forma a promover uma maior familiaridade com o recorte temático.
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Open Hermenêutica filosófica literária em diálogo com a teologia: o problema do mal na Trilogia Cósmica de C. S. Lewis

Open Hermenêutica filosófica literária em diálogo com a teologia: o problema do mal na Trilogia Cósmica de C. S. Lewis

Esta dissertação tem como objetivo estudar o problema do mal através da literatura com o auxílio da hermenêutica filosófica literária. Para desenvolver esse tema, em primeiro lugar, buscamos localizar este estudo dentro das ciências das religiões. Propomos que a hermenêutica pode ser uma mediadora entre filosofia, teologia, ciências das religiões e suas respectivas abordagens à religião. Depois, apresentamos exemplarmente como as discussões da filosofia, da teologia e das ciências das religiões ocorrem dentro da literatura. Mostramos também, brevemente, como o problema do mal se coloca como tema de interesse para a filosofia e para a teologia. No final da primeira parte, introduzimos C. S. Lewis, o autor cuja a obra Além do planeta silencioso é o objeto do nosso estudo e expomos a metodologia dessa dissertação. No segundo capítulo, discutimos panoramicamente o problema do mal na filosofia e na teologia. Em seguida, apresentamos um painel com os principais estudos que examinam a interface entre o problema do mal e as obras de C. S. Lewis. Ao final do capítulo, elencamos as principais categorias/aspectos do problema do mal que são articuladas na abordagem apologética de Lewis em O problema do sofrimento e que ecoam na narrativa ficcional do nosso objeto de estudo. As principais categorias/aspectos do problema do mal que se relacionam com o primeiro volume da Trilogia cósmica são: a onipotência divina, a queda do homem, o sofrimento humano e o sofrimento animal. Para estudar o problema do mal na literatura, buscamos na hermenêutica filosófica literária de Paul Ricoeur um modelo de análise. Abstraímos da obra Tempo e narrativa a tríplice mimese ricoeuriana como roteiro para o estudo de Além do planeta silencioso. Por fim, aplicamos o modelo resultante à análise do primeiro volume da Trilogia cósmica de C. S. Lewis. Em mímesis I, estudamos a ambientação da ficção e os personagens da história. Em mímesis II, localizamos o capítulo da obra onde a narrativa pode ser vista como um todo. Então, descrevemos como as categorias/aspectos do problema do mal são articuladas nessa parte de Além do planeta silencioso, verificamos como a narrativa compartilha elementos do corpo literário da época em que foi produzida e como ela rompe com essa tradição. Em mímesis III, abordamos os valores e as implicações éticas práticas que podem ser verificadas na leitura do livro. C. S. Lewis propõe em sua narrativa uma teodiceia desde um ponto de vista teísta cristão, utilizando-se da ficção para transmitir sua maneira de entender o problema do mal e suas implicações.
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O QUE SIGNIFICA SER ESTADO NUMA EPIFANIA PROCESSUAL PENAL? A HERMENÊUTICA FILOSÓFICA FRENTE O PROCEDIMENTO REPRESSIVO COMO REFÉM IDEOLÓGICO  Bruno Gadelha Xavier

O QUE SIGNIFICA SER ESTADO NUMA EPIFANIA PROCESSUAL PENAL? A HERMENÊUTICA FILOSÓFICA FRENTE O PROCEDIMENTO REPRESSIVO COMO REFÉM IDEOLÓGICO Bruno Gadelha Xavier

Em um segundo momento, vale trazer à baila conclusiva o reconhecer da presença ideológica na definição e aplicação do processo penal. Ora, clara cincada afirmar a inexistência de pré-concepções – de certo prejudiciais – ao pronunciamento jurisdicional (ferindo, dentre outros, a tão prezada igualdade material presente no artigo 5º da Carta Política vigente), Que se relembre, a hermenêutica filosófica gadameriana tem mister importância no primeiro e segundo âmbito de análise, justamente para desconstituir pré-concepções equivocadas e maculadas por ideologias extremistas, de axiomas prejudiciais à uma decisão justa.
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Os juristas sabem do que estão falando ou falam sobre o que sabem? Um diálogo entre Argumentação Jurídica e Hermenêutica Filosófica  Vanessa Nunes Kaut, Vitor Amaral Medrado

Os juristas sabem do que estão falando ou falam sobre o que sabem? Um diálogo entre Argumentação Jurídica e Hermenêutica Filosófica Vanessa Nunes Kaut, Vitor Amaral Medrado

É inegável a relevância das teorias da argumentação jurídica, sobretudo a de Alexy, para a intepretação e aplicação do direito na contemporaneidade. Apesar disso, entretanto, as teorias da argumentação jurídica também estão sujeitas a limitações. Essas limitações, entretanto, não é um argumento razoável para a negação dessas teorias, apesar de alguns autores defenderem, a nosso ver, erroneamente, essa tese. Seja como for, algumas dessas limitações podem ser ao menos parcialmente superadas, ou melhor elucidadas, se levarmos em conta as contribuições de outros projetos filosóficos contemporâneos. Um deles é o da hermenêutica filosófica, sobretudo como elaborada por Gadamer, que propõe uma análise mais detida sobre o processo da compreensão, do qual a intepretação jurídica é parte. Não é possível compreender o Direito sem entendê-lo como uma criação humana, historicamente datado e, assim como todo caso jurídico, e imerso em uma cultura, cheia de pré-concepções e referenciais simbólicos específicos. Nessa medida, vale o ímpeto de pensar a argumentação jurídica e a hermenêutica filosófica como ferramentas complementares, que, apesar de não serem capazes de dar, se tomadas isoladamente, uma solução abrangente e razoável para os casos difíceis, podem juntas oferecer melhores resultados. Em verdade, é possível que nem mesmo se usadas em conjunto, como propomos, essas teorias serão capazes de compreender a interpretação jurídica em toda a sua complexidade. Mas mesmo nesse caso, seria possível dizer que ao menos vislumbramos, como quer Alexy, a melhor solução possível.
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DIÁLOGO ENTRE PENSAMENTO COMPLEXO E HERMENÊUTICA FILOSÓFICA

DIÁLOGO ENTRE PENSAMENTO COMPLEXO E HERMENÊUTICA FILOSÓFICA

No diálogo, a concepção moriniana de “saber” é o fio condutor da abordagem sobre racionalidade, formação humana e inteligência de relações. Neste contexto, enfatiza-se que o aporte comporta uma dimensão epistemológica (conhecimento do conhecimento) e também uma dimensão antropológica (conhecimento do humano), incluindo uma dialógica, no sentido de despertar um “pensar bem” para a vida e as suas complexidades. Já pelo viés da Hermenêutica Filosófica, o diálogo configura-se em sua dimensão ontológica. Assim, se o Pensamento Complexo contempla a realidade mais do existencial epistemológico e a Hermenêutica Filosófica desde o ontológico existencial da compreensão (o ser em projeto, em constituição), conjuntamente constituem base à superação da fragmentariedade dos saberes, possível pela proposição dialógica viva como complexidade. Assim, evidencia-se a não linearidade do conhecimento humano sob o viés complexo e do conceito de antropoiésis como um devir permanente na construção do ser humano, a partir do que se chama de Complexidade Hermenêutica, núcleo originário e originante do diálogo entre Pensamento Complexo e Hermenêutica Filosófica.
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Hermenêutica Filosófica: a linguagem como fundamentação da ontologia ambiental

Hermenêutica Filosófica: a linguagem como fundamentação da ontologia ambiental

O esforço teórico-conceitual que propomos nesta escrita visa fundamentar a linguagem como lugar da experiência ontológica e a possibilidade de fundamentação da ontologia ambiental. Sob a égide da hermenêutica filosófica de Hans-Georg Gadamer (1900-2002), colocamos como hipótese de nossa reflexão a linguagem como resgate da experiência ontológica-existencial esquecida pela filosofia moderna, que na tentativa de enquadrar-se aos objetivos teóricos e metodológicos das ciências particulares com vistas a uma epistemologia da verdade com fundamentos seguros e bem demarcados, objetivou o saber absoluto esquecendo-se da experiência enquanto acontecer finito. A crítica de Gadamer a Hegel (1770-1831) dá-se ao concluir sua dialética e alcançar a ideia absoluta transformando a metafísica em Ciência. Desta forma, objetivamos pensar a vida humana como projeto que revela sua finitude enquanto acontecer que se dá na tensão especulativa, característica do filosofar dialógico, dos limites impostos pela existencialidade humana que busca constantemente a compreensão no movimento dialógico.
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Entre hermenêutica filosófica e hermenêutica jurídica: do caráter produtivo da compreensão a uma crítica ao argumento

Entre hermenêutica filosófica e hermenêutica jurídica: do caráter produtivo da compreensão a uma crítica ao argumento

Todavia, um hermeneuta em particular, mas também jurista e historiador do direito, já havia feito uma relação entre direito e hermenêutica. Era Emilio Betti (1890-1968), italiano, que em 1955, trouxe a público sua teoria hermenêutica na obra Teoria Generale della interpretatzione. Betti, porém, não comungava da herança filosófica da hermenêutica de Gadamer, aquela de Heidegger e de Bultmann que reconhecia o valor do círculo hermenêutico e que defendia, portanto, que a compreensão sempre partia de alguns pressupostos. Mas é, justamente, a partir de Betti e de exemplos de sua obra que Gadamer fará referências importantes à hermenêutica jurídica, inclusive como exemplar para a hermenêutica filosófica. Pois bem. A visão de Betti será, em determinado momento - a ser descrito logo mais - importante para a tese fundamental de Gadamer. Para o propósito deste trabalho, importa, desde logo, salientar pelo menos três características da hermenêutica jurídica que atraíram a atenção de Gadamer e serviram como exemplo para seu projeto de base. Na hermenêutica jurídica: a aplicação do sentido de textos a uma realidade tem um papel central, os efeitos da história são recebidos pela jurisprudência de maneira bastante peculiar e a interpretação que se espera do juiz não é arbitrária, mas justa e equitativa. Essas características da hermenêutica jurídica serão exemplares para as humanidades.
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A hermenêutica filosófica da alteridade: análise fenomenológica da justiça fundada na ética do amor

A hermenêutica filosófica da alteridade: análise fenomenológica da justiça fundada na ética do amor

instrumentalizador dos desejos...180 4.6 A possibilidade do viver na fruição decorrente do relacionamento ético: o bem como face da dignidade no respeito universal...184 4.7 A tolerânc[r]

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O HUMANISMO NA HERMENÊUTICA FILOSÓFICA: PARA ALÉM DO SÓCIOPOLÍTICO- ECONÔMICO

O HUMANISMO NA HERMENÊUTICA FILOSÓFICA: PARA ALÉM DO SÓCIOPOLÍTICO- ECONÔMICO

O homem, imbuído do método hermenêutico, percebe que deve tentar resistir à tenta- ção de substituir essa “postura universal por uma conduta relativa marcada pelas convenções aturdidas da conveniência social, fechando a porta para aquela serenidade d’alma. Sobre isso GADAMER (2002, p. 154) vai falar da relação entre fé (certeza firme e inabalável) e a com- preensão (autêntica, hermenêutica), na qual “pode-se dizer que o si-mesmo dos indivíduos, seu comportamento e sua autocompreensão mergulham numa relação superior que é o verdadeiro fator dominante”. Contudo, tão bem sabe ele que “é difícil, (...), manter essa visão teológica e essa experiência religiosa na autocompreensão interna do homem, enquanto essa estiver sob o domínio da ciência moderna e de sua metodologia” (GADAMER, 2002, p. 155).
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Entre a Pragmática Linguística e a Hermenêutica Filosófica: Hegel e os Desafios de uma Estruturação Linguística da Experiência.

Entre a Pragmática Linguística e a Hermenêutica Filosófica: Hegel e os Desafios de uma Estruturação Linguística da Experiência.

Para além de sua signiicação puramente instrumental, reiicada, objetiicada, favorecida no ocidente (GADAMER, 1999b, p. 174-176), a linguagem tem, para a hermenêutica, especiicidades constitutivas. Primeiramente, o “[...] esquecimento essencial de si mesmo que advém à linguagem”, em virtude do que o “[...] fenômeno da linguagem é tão enigmático, atrativo e fugidio” (GADAMER, 1999b, 233), de maneira que sua concretização efetiva “[...] faz com ela desapareça detrás daquilo que nela se diz.” (GADAMER, 1999b, p.178-179). Em segundo lugar – e de maneira fortemente vinculada ao caráter tanto mais inconsciente quanto mais vivo do ato de linguagem –, está a dimensão primordialmente espiritual, supraindividual da linguagem falada, sua realidade dinâmica, dialógica e lúdica, a qual provoca, frente à aparência de disponibilidade e controle por parte da consciência individual, a “[...] saída extática de si próprio para um nexo dinâmico que desenvolve sua própria dinâmica” (GADAMER, 1999b, p. 180). Sob seu terceiro aspecto especíico e que excede o signiicado puramente instrumental, a linguagem põe em xeque, com sua oniabrangência, a inefabilidade. “A negação da linguagem testemunha sua capacidade de buscar expressão para tudo.” (GADAMER, 1999b, p. 217). Por mais inacabado que seja o diálogo, a linguagem sempre denuncia, em seu “mover-se para trás de si mesma”, paradigmaticamente na poética, a tensão entre o dito e o não-dito como forjadora do sentido poético linguisticamente inacabado 29 .
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Reconhecimento, hermenêutica e processo coletivo: um estudo da luta por reconhecimento e da hermenêutica filosófica como fundamentos para a compreensão e efetivação do processo coletivo

Reconhecimento, hermenêutica e processo coletivo: um estudo da luta por reconhecimento e da hermenêutica filosófica como fundamentos para a compreensão e efetivação do processo coletivo

O direito coletivo, talvez pelo fato de estar inserido em um novo domínio processual, vem sendo frequentemente confundido com defesa coletiva dos direitos 89 . Naturalmente, trata-se de duas coisas completamente diferentes, sendo aquele um direito pertencente a uma coletividade e esta uma forma de tutelar em grupo os direitos individuais de diversas partes. Não obstante a gritante diferença, é compreensível que haja este tipo de equívoco relacionado à linguagem utilizada no tratamento deste novo ramo do processo. Entende-se, pois, que é fundamental no estudo deste tema, antes que se passe a uma análise mais profunda da hermenêutica aplicada a este novo campo, um esclarecimento sobre as diversas nomenclaturas utilizadas. Tal esclarecimento deve iniciar-se através da distinção entre interesses coletivos e direitos coletivos.
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