Neutralidade - internet

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NEUTRALIDADE DE REDES: O FUTURO DA INTERNET E O MIX INSTITUCIONAL

NEUTRALIDADE DE REDES: O FUTURO DA INTERNET E O MIX INSTITUCIONAL

Para entendermos adequadamente o conceito de “neutralidade de redes” e de sua adoção ou não, precisamos antes compreender como funciona a Internet e os sistemas de “banda larga”. As origens da Internet situam-se em um trabalho desenvolvido a pedido da DCA - Defense Communications Agency norte-americana - no intuito de averiguar a robustez do sistema de telecomunicações norte-americano. Ela surgiu a partir da convicção, por parte de um engenheiro da Rand Corporation, Paul Baran, que o sistema de telecomunicações existente na época (pertencente à AT&T, então monopolista do setor nos EUA) seria vulnerável a um ataque nuclear por uma potência inimiga. Esse engenheiro concebeu então um sistema dotado de certo grau de redundância4, que não dependeria de um “centro”. Mais tarde a Defense Advanced Research Projects Agency - DARPA, uma agência de projetos avançados de defesa norte-americana, promoveu o funding necessário para a implementação da Internet - inicialmente, apenas entre instalações militares e universidades e centros de pesquisa norte- americanos
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QUEM É O DONO DA INTERNET? UM ENSAIO SOBRE A NEUTRALIDADE DA REDE  Patricia Martinez Almeida, Vladmir Oliveira da Silveira

QUEM É O DONO DA INTERNET? UM ENSAIO SOBRE A NEUTRALIDADE DA REDE Patricia Martinez Almeida, Vladmir Oliveira da Silveira

Foi o que se viu nesse GT. A originalidade dos trabalhos foi observada pela atualidade dos temas elencados nos artigos. A sessão foi inaugurada com pesquisa sobre a governança global e seus reflexos na justiça ambiental, pesquisa teórica que perpassa os papeis da governança civil, empresarial e pública como indutores da governabilidade e da boa gestão governamental. Os princípios e garantias preconizados no Marco Civil da Internet foram objeto de significativo número de estudos, coligidos no GT, o que denota a importância dessa legislação para a comunidade científico-jurídica. Essas abordagens miraram a Neutralidade da Rede, garantias de privacidade e intimidade, proteção de dados pessoais e decisões judiciais que suspenderam aplicações, com seus reflexos nos usuários. Abordagens inovadoras permearam a reflexão de pesquisadores que escreveram sobre a teoria do Estado na era informacional, direito ao esquecimento e a possibilidade de responsabilização penal de provedores de internet. Também merece destaque artigo que tratou a rede mundial de computadores na perspectiva empresarial, ao tratar de ambientes de coworking, makerspace e hackerspace. A sessão foi encerrada com pesquisa sobre as tecnologias de Big Data e mineração de dados, sob a ótica do direito constitucional, abordagem inédita que trata do exponencial avanço na produção e capacidade de processamento de dados e seus reflexos na dignidade da pessoa humana.
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Alexandre Pontieri, “Marco Civil da Internet – Neutralidade de Rede e Liberdade de Expressão”

Alexandre Pontieri, “Marco Civil da Internet – Neutralidade de Rede e Liberdade de Expressão”

O professor de Direito de Internet e Mídia na Universi- dade de Sussex, no Reino Unido, Christopher Marsden, é co- nhecido por ser um tradicional defensor da neutralidade da re- de, e escreveu em sua obra Net Neutrality: Towards a Co- regulatory Solution que garantia de acesso do usuário à Internet com a Neutralidade de Rede possui dois elementos: um “posi- tivo”, com maior qualidade de serviço, correspondendo a pre- ços maiores, desde que fossem estabelecidos de forma justa e igualitária; e “negativo”, com a prática de degradação intencio- nal do serviço pelo(s) provedor(es) de acesso, com consumido- res que tentassem obter vantagem em suas conexões 5
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A iniciativa brasileira foi recepcionada com entusiasmo por expoentes do setor, como Tim Berners-Lee, que afirmou que a Lei retrata a Internet como ela deve ser: uma rede aberta, neutra e descentralizada, na qual os usuários são as máquinas para a colaboração e a inovação 57 . Da mesma forma, Tim Wu afirmou: “O Brasil tem uma grande reputação de ser um lugar culturalmente vibrante, dinâmico, uma liderança no mundo em várias áreas, com novas empresas, novas ideias... É por isso que a neutralidade de rede é importante. A neutralidade da rede favorece os pequenos. Os comunicadores, os criadores, as pe- quenas empresas, os empreendedores. Limita o poder das gran- des empresas de controlar as pequenas empresas. Considero que o Brasil está crescendo com base no empreendedorismo e nas indústrias criativas. Por isso, é muito importante para o futuro do Brasil, como um centro de inovação em internet no Sul Global, que o país aprove e respeite os princípios da neu- tralidade de rede” 58 .
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Da neutralidade da rede ao feudalismo na rede

Da neutralidade da rede ao feudalismo na rede

Todavia, os usuários da internet (ainda) não são plebeus 2.0 porque possuem alguma liberdade de escolha no ciberespaço, ao contrário dos plebeus  que  estavam  vinculados  a  terra.  De  fato,  os  internautas  podem  escolher  livremente  o  ciberespaço  no  qual  desenvolverão  as  suas vidas digitais, utilizando as aplicações e serviços que preferem e criando e compartilhando livremente novas aplicações e serviços. Esta é a quintessência  do  direito  humano  à  procurar,  transmitir  e  receber  informações  e  ideias  livremente,  sem  consideração  de  fronteiras.  Essa liberdade é assegurada pelo princípio da neutralidade de rede, que impõe a gestão não discriminatória do tráfego de Internet. Ou seja, as empresas  que  lhe  dão  acesso  à  internet  não  podem  interferir  em  sua  liberdade  de  acesso  e  compartilhamento  de  conteúdos,  aplicações  e serviços.  A  neutralidade  de  rede  é  fundamental  para  proteger  a  liberdade  de  expressão  dos  usuarios,  permitendo­lhes  inovar  e  competir livremente  com  os  'big  players',  em  pé  de  igualdade.  É  por  isso  que  vários  países  protegem  a  neutralidade  de  rede  em  suas  leis  ou regulamentos nacionais.
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Neutralidade da rede, filtragem de conteúdo e interesse público

Neutralidade da rede, filtragem de conteúdo e interesse público

A filmagem escondida de cenas íntimas entre uma famosa modelo brasileira e seu namorado na praia de Cádiz, na Espanha, tornou-se, no início do ano de 2007, um dos assuntos mais debatidos na imprensa nacional. Esse seria mais um típico caso de responsabilidade civil por violação a direitos da personalidade, especialmente a imagem, se não fosse por um inusitado motivo: ao ingressar com medida judicial para obrigar diversos websites na Internet que hospedavam o vídeo a retirá-lo de exibição, a decisão judicial prolatada resultou no bloqueio do acesso de um dos websites mais visitados da Internet mundial para usuários brasileiros. Não apenas a imagem em questão havia sido ampliada. O litígio, então particular, se transformara em questão de interesse público, pois o direito de acesso ao conhecimento, cultura e entretenimento de milhões havia sido restringido indevidamente.
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Neutralidade de rede: uma análise comparativa entre Portugal e Brasil

Neutralidade de rede: uma análise comparativa entre Portugal e Brasil

If throughout its history mankind was built amid power disputes, with the existence of the Internet and the Information Society the scenario would not be different. It is possible to see a displacement of the dispute fields - from the real plan to the virtual plan - in view of the importance that the Internet has acquired in the collective symbolic construction and, consequently, in the current Culture. In this new scenario of disputes, there is a central node that is already the subject of debates among different social actors: network neutrality - the ability to treat all data packets with the same equality, without filters, blocks or degradations, which, in theory, would mean Democracy on the Net. The present paper seeks to compare, from this, how the net neutrality debate unfolds in two countries: Brazil and Portugal (between 2010 and 2017), based on its parliamentary legislations and, when it doesn't exist, in their equivalents initiatives. The work was concentrated on the following legal initiatives: in Brazil, Law 12.965/14, popularly known as Marco Civil da Internet (MCI) and Decree 8771/16, which regulates and establishes exceptions for traffic discrimination; in Portugal, Draft Law 418 / XI - 2ª and Draft Law 103 / XII - 1ª, both presented by the Portuguese Communist Party (PCP) - respectively in September 2010 and November 2011. Although the analyzes were concentrated in measures which were circulated in the national parliaments, was also taken into account the XII / 3th of Bloco de Esquerda, which condemned any initiatives that call into question the principle of net neutrality; Draft Resolution No 264/XI/2 by the Parliamentary Group of the Bloco de Esquerda, entitled "In defense of Internet neutrality" and the most important initiative in Europe on the subject: the European Parliament's resolution 2015/2120, that must be transposed and the 2016-2017 report of the Portuguese National Regulatory Agency, the Autoridade Nacional de Comunicações (ANACOM). In the legislative initiatives indicated above, two lines of analysis were compared: 1) the actors involved in the debate, as well as their respective visions and 2) the concept of net neutrality prevailing in legislative measures. The goal is to understand the context of net neutrality in both countries in this time and why it is treated that way. The comparative analysis was complemented with semi-structured interviews with key actors of the process, providing a clearer view on the subject.
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Arquitetura da rede e regulação: a neutralidade da rede no Brasil

Arquitetura da rede e regulação: a neutralidade da rede no Brasil

Poucos estudos empíricos têm sido dedicados para entender quais as consequências de planos de zero-rating para o desenvolvimento do mercado mobile. Em Ramos (2014d), conduzimos um estudo para identificar o que há de comum entre países em que planos de zero-rating estabeleceram-se primeiro e com mais sucesso, e quais as possíveis consequências dessas práticas. Para responder a essas perguntas, analisamos países em que Facebook, Google, Twitter e Wikimedia Foundation desenvolvem ou desenvolveram entre 2010 e 2014 estratégias de zero-rating em parceria com operadoras locais, coletando dados sobre a penetração da internet móvel nesses países, o nível de desenvolvimento da indústria de tecnologia local, o grau de dominância exercido por esses quatro provedores de aplicações no país e se há ou não um debate regulatório sobre neutralidade da rede e zero- rating no país (a tabela 14 a seguir apresenta um resumo dos principais resultados). Os resultados do estudo apontaram que: (i) há uma posição dominante dos quatro grandes provedores de conteúdo analisados entre os sites mais acessados desses países, o que permite assumir que dar acesso gratuito a usuários desses países tenderá a satisfazer melhor as expectativas que esses usuários possuem sobre quais sites gostariam de acessar na internet; (ii) o número de planos de telefonia móvel ativos nos países analisados é bastante alto, mas a penetração da internet ainda é baixa (em geral, abaixo de 50%), e o preço de um plano de internet no celular é muito caro, custando uma média de 9,76% do PIB per capita (em países como no Congo, esse custo pode chegar a 126% do PIB per capita); (iii) há relevantes barreiras para o desenvolvimento de uma indústria tecnológica local; e (iv) dentre
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O discurso de neutralidade na imprensa

O discurso de neutralidade na imprensa

com o surgimento de alguma tecnologia no processo imediato de informação, são re-vistos antigos conceitos e padrões de qualidade são re-elaborados. É possível perceber o aprimoramento das imagens e gráficos na imprensa, para concorrer com a informação diária, de extrema riqueza visual, na televisão e na internet. Esses avanços e a rapidez na notícia trouxeram para o jornal a necessidade de se renovar e se modernizar. Acompanhando o processo de modernização dos jornais no Brasil (cf. ARBEX JR., 1999), houve não só a divulgação, mas a comercialização das normas de estilo e redação jornalísticas por meio de manuais. Nesses, cria-se um imaginário sobre a função da notícia na vida social, reforçada pela necessidade que se instaurou desse bem de consumo.
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UNIVERSIDADE DE BRASÍLIA FACULDADE DE COMUNICAÇÃO PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO

UNIVERSIDADE DE BRASÍLIA FACULDADE DE COMUNICAÇÃO PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO

que não comprometam a segurança das redes); no acesso móvel (ISPs não podem bloquear sites de Internet legais ou aplicações que concorram com seus próprios serviços de telefonia e videofonia); Não discriminação: nas redes fixas de banda larga, os ISPs não podem praticar discriminações não razoáveis quando transmitem tráfegos lícitos. Usos permitidos e proibidos: seu plano de dados destina-se à navegação na Web, mensagens ou atividades similares em seu dispositivo, e não em qualquer outro equipamento. Salvo se expressamente autorizado no seu plano de dados, outros usos, incluindo, por exemplo, utilizar o dispositivo como modem ou acoplado a computador pessoal ou outro hardware, não são permitidos; utilizar o serviço para conexão com servidores ou aplicativos de computador para transmissões contínuas, como câmeras de vídeo, aquisição de dados automática, máquina-a-máquina ou conexões peer-to-peer (P2P) para compartilhamento de arquivos que são difundidas a vários servidores ou receptores. União Europeia (EU) - Pacote de telecomunicações de 2009: manifesta preocupação com a neutralidade de rede, aceita o gerenciamento do tráfego e impõe regras de maior transparência. Disponível em http://www.anatel.gov.br/ Portal/documentos/sala_imprensa/16-11-2012--15h14min26s-Apres_Antonio_Teixeira_AIN_Neutralidade.pdf. Acesso em 19.12.2012.
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Os acordos de zero-rating e seus impactos concorrenciais: os limites da regulação da neutralidade de rede

Os acordos de zero-rating e seus impactos concorrenciais: os limites da regulação da neutralidade de rede

Houve, entretanto, um processo de fortalecimento dos provedores da rede com a viabilidade deles visualizarem quais aplicações que trafegavam nas redes, de maneira a permitir a possibilidade de interferência na liberdade dos aplicativos 44 . Com o controle do que os usuários acessam, esse redimensionamento da gestão da rede levou a um desvio da compreensão original da internet. Nesse contexto, a neutralidade de rede é uma tentativa de restaurar essa perspectiva inicial de que a inteligência da internet está nas pontas, ou seja, de que a arquitetura da rede deve privilegiar a inovação dos servidores de conteúdo. Nesse sentido, o fato do debate público e legislativo colocar a neutralidade como temática central do Marco Civil da Internet revela uma preocupação com o poder de mercado dos sujeitos envolvidos, em especial das provedoras, o que se desdobra consequentemente em questões concorrenciais.
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Regulamentação da internet: perspectiva comparada entre Brasil, Chile, Espanha, EUA e França.

Regulamentação da internet: perspectiva comparada entre Brasil, Chile, Espanha, EUA e França.

Apesar das diferentes opiniões dos representantes da sociedade civil envolvidos no debate, podemos afirmar que ambos os países apresentam posições mais democráticas em relação ao caráter da regulamentação da internet, possibilitando que ela mantenha o princípio livre, aberto e colaborativo. Por outro lado, Espanha e França se apresentam como os defensores de maior controle dos acessos à rede, e, nos EUA, apesar das grandes barreiras jurídicas para impor o fim da neutralidade de rede, a Comissão Federal de Comunicações está preparando novas formas para acabar com esse princípio. A privacidade, a segurança e a vigilância encontram as posições mais retrógradas nos EUA, seguidos de França e Espanha. Após os atentados de 11 de setembro, os EUA adotaram controle e espionagem cada vez maior da internet e de ligações telefônicas, não somente de seus cidadãos, mas de vários países do mundo, incluindo o Brasil. França e Espanha acompanham os EUA, defendendo a necessidade de maior controle da internet. Em relação à propriedade intelectual, a França é o país que mais se preocupa com o tema, adotando a legislação mais punitiva, e postura similar foi adotada pela Espanha. Nos EUA, essa discussão também é muito polêmica, e verifica-se um conjunto expressivo de iniciativas para ampliar os lucros de provedores de internet e empresas ligadas ao copyright.
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Desafios da administração pública brasileira: governança, autonomia, neutralidade

Desafios da administração pública brasileira: governança, autonomia, neutralidade

um dos elementos de uma construção típico-ideal, cada vez mais distante de qualquer correspondência com o mundo real. E sustento que, ainda que a neutralidade burocrática fosse realmente possível, cabe indagar pelo menos sobre: a) como torná-la uma característica efetiva e consoli- dada do comportamento dos agentes da administração pública; e b) quais as suas conseqüências sob a ótica dos valores democráticos mais amplos. Em seguida, comento rapidamente o processo de mudança do modelo de administração pública; e apresento algumas das características do chamado Modelo de Administração Pública Gerencial que, em lugar da neutralidade, implicam elevado grau de autonomia por parte dos agentes burocráticos — em especial a flexibilidade, a descentralização e horizon- talização das estruturas e a participação dos atores sociais.
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internet Tudo sobre a internet  Vizente Besteirol internet

internet Tudo sobre a internet Vizente Besteirol internet

Quando um não quer dois não teclam!. Quem é vivo sempre fica online![r]

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Sólon e a lei sobre a neutralidade em tempo de stasis

Sólon e a lei sobre a neutralidade em tempo de stasis

Até agora, temos partido do princípio de que a lei sobre a neutralidade é de Sólon, perspectiva que se nos afigura provável; se ainda a não discutimos com mais pormenor, foi porque nos parecia pertinente começar por analisar as implicações decorrentes daquela determinação. Ora acontece que, antes ainda do problema da articulação da disposição com os eventuais ideais pacifistas do estadista, existe uma objecção de certo peso à atribuição da lei a Sólon. Encontra-se no Contra Fílon de Lísias, um discurso escrito alguns anos após 403. A idoneidade de Fílon para integrar a Boule dos 500 é posta em causa, porque ele, entre outras faltas, não tomou parte nos eventos de 404/403, que conduziriam à deposição dos Trinta e à restauração democrática. Em vez disso, optara por abandonar a Ática, não apoiando nenhuma das partes em conflito. 27
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Tolerância e neutralidade na reflexão contemporânea sobre a justiça.

Tolerância e neutralidade na reflexão contemporânea sobre a justiça.

tolerância e a neutralidade nas nossas sociedades democráticas e pluralistas. A razão fundamental dessa rejeição repousa em que a pluralidade mesma de concepções da boa vida – tão exaltada por Mill como materialização concreta da liberdade de experimentação humana –, em um contexto de instituições livres, acolhe visões de mundo portadoras de reservas e de restrições frente ao próprio valor da autonomia, quando entendida como concepção “cheia” ou doutrina abrangente do bem viver. Imbuídas de respeito pela tradição ou atreladas a visões religiosas ou comunitárias, refratárias, por exemplo, ao individualismo não conformista, muitas perspectivas éticas, prima facie congruentes com o pluralismo liberal, não comungam elas próprias com os valores abrangentes de um liberalismo ao estilo de Mill ou Kant, os quais, nos termos de Rawls (1993, p. xliv, xlv, 37, 77-8; 1999, p. 408-9), não são apenas uma concepção de justiça política, mas doutrinas compreensivas – no sentido de incluírem uma visão axiológica de todas ou quase todas as dimensões da existência humana, nesse sentido rivalizando com outras perspectivas morais. Em consequência, fundar normativamente a tolerância e a neutralidade na ideia de autonomia provocaria efeitos indesejáveis de sectarização e de estreitamento, aumentando, por exemplo, as tensões entre as instituições liberais e determinadas versões do pensamento religioso (Macedo, 1995, p. 624); sobretudo, implicaria, no inal das contas, em riscos de paternalismo e de enfraquecimento da base potencial de adesão às instituições liberais (Forst, 2007, p. 10).
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A Greve na Internet A Greve na Internet

A Greve na Internet A Greve na Internet

Diz a mensagem que é pra gente não usar a net nesse dia, pois na Alemanha fizeram isso e deu certo.. Que tal aproveitarmos o dia 13, dia da importantíssima greve proposta, para fazer u[r]

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O equilíbrio no mercado de trabalho

O equilíbrio no mercado de trabalho

• A razão para isso é a premissa clássica conhecida como?. Hipótese da Neutralidade da Moeda [Explicada no quadro]?[r]

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O crucifixo nos tribunais: a neutralidade religiosa e o uso dos espaços públicos

O crucifixo nos tribunais: a neutralidade religiosa e o uso dos espaços públicos

A presente dissertação tem como objetivo principal analisar a exposição de crucifixos em salas de sessões e audiências do Poder Judiciário, considerada a liberdade religiosa e as limitações decorrentes da ideia da neutralidade do Estado. Sabe-se que a Constituição de 1988 protege a liberdade de manifestação do pensamento, de consciência e de crença, em seus mais variados aspectos, proclamando, por outro lado, a neutralidade do Estado, como reforço a essas mesmas liberdades. Com isso, o que se pretende é evitar a confusão entre Estado e religião, admitida, no entanto, a colaboração de interesse público, numa postura de respeito às crenças e às escolhas individuais dos cidadãos. Nas sociedades modernas, o dualismo entre o poder civil e religião tem a ver com a laicidade e com um fenômeno ainda mais amplo a que se deu o nome de secularização, significando a perda de espaço da religião nas sociedades ou mesmo a diminuição da ideia de pertencimento religioso. É com base nessa constatação que o trabalho se desenvolve, com referência a conceitos como de sociedade civil e Estado de direito, considerados relevantes para uma exata compreensão do problema. A metodologia utilizada consiste em pesquisa bibliográfica e documental, através de livros e dissertação, além das legislações e de alguns precedentes relacionados ao tema em questão, procurando investigar se, mesmo sendo o povo brasileiro majoritariamente católico e reconhecida a forte influência que os valores cristãos exercem sobre os poderes públicos, é possível sustentar a diferenciação simbólica do Estado, numa República que se diz laica e democrática e que tem como um dos objetivos fundamentais promover o bem de todos, sem qualquer forma de discriminação. Partindo da ideia de que a presença, em prédios e estabelecimentos públicos, de símbolos e imagens católicas, a exemplo do crucifixo, traz algumas dificuldades em conciliar a garantia da liberdade religiosa e o princípio da laicidade, o que se pretende é exatamente propor uma solução que consiga respeitar o pluralismo e a diversidade num contexto em que o catolicismo continua sendo uma presença marcante.
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Max Weber e o problema dos valores: as justificativas para a neutralidade axiológica.

Max Weber e o problema dos valores: as justificativas para a neutralidade axiológica.

Um dos momentos cruciais desse empreendimento weberiano é a crítica aos próprios axiomas propostos por Kant em sua Crítica da Razão Prática, considerados formais, mas que, segundo Weber, teriam inúmeras implicações substantivas para a valoração do agir. Como sabemos, Kant enuncia como uma das formulações do imperativo categórico “não usar outro ser humano como meio, mas referir-se a ele somente como fim”. Quanto a isso, Weber refere-se ao exemplo dado por Kant, quando este menciona a relação sexual como uma relação em que um torna-se meio de prazer para o outro, e toma o outro como meio para seu próprio prazer. Assim, a relação sexual seria uma ação moral- mente incorreta, enquanto não está de acordo com o imperativo categórico. Com isso, tem-se dois problemas. O primeiro é que a formulação pretensa- mente formal do imperativo categórico tem consequências substantivas para a avaliação da ação, isso é, tem como consequência a condenação do ato sexual. O segundo é que isso torna evidente que os princípios da ética não podem ser válidos na esfera erótica. Ora, para o sociólogo, a esfera erótica é uma esfera autônoma com relação à esfera ética, portanto, julgar com critérios éticos a relação sexual seria um erro lógico. Ao demonstrar que Kant equivoca-se in- clusive por pretender legislar eticamente sobre uma esfera estranha à ética, Weber consegue apresentar mais uma justificativa [J9] para refutar o argumen- to de Schmoller, que sustentava que os partidários da neutralidade axiológica poderiam reconhecer como verdadeiras apenas as éticas formais. Tal como nas justificativas anteriores, cabe também agora trazer o trecho em que Weber for- nece argumentos em favor da neutralidade, que nesse caso implica, inclusive, a abstenção de juízos éticos formais:
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