Sexismo ambivalente

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Prioridades valorativas e sexismo ambivalente: predição do sexismo hostil e benévolo baseado nos valores

Prioridades valorativas e sexismo ambivalente: predição do sexismo hostil e benévolo baseado nos valores

Inventário de Sexismo Ambivalente – ISA. Elaborado originalmente em língua inglesa (GLICK; FISKE, 1998) e adapta- do por Formiga, Gouveia e Santos (2002) para o contexto brasileiro. Este instrumen- to é composto por 22 itens que avaliam os estereótipos assumidos por cada gênero (masculino e feminino) a respeito de duas dimensões do sexismo: hostil (por exem- plo, As mulheres feministas estão fazendo exigências completamente sem sentido aos homens; A maioria das mulheres não apre- ciam completamente tudo o que os homens fazem por elas) e benévolo (por exemplo, As mulheres devem ser queridas e protegidas pelos homens; Muitas mulheres se caracte- rizam por uma pureza que poucos homens possuem). Para respondê-lo a pessoa deve- ria ler cada item e indicar o quanto concor- da com o conteúdo expresso; para isso, uti- lizava uma escala Likert de quatro pontos, com extremos: 1 = Discordo Totalmente e 4 = Concordo Totalmente.
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Inventário de sexismo ambivalente: um estudo a partir da modelagem de equação estrutural

Inventário de sexismo ambivalente: um estudo a partir da modelagem de equação estrutural

Como é possível observar na igura 1, todas as saturações† (Lambdas, λ) estão dentro do intervalo esperado |0 - 1|, deno- tando não haver problemas de estimação proposta. Além disso, todas são estatistica- mente diferentes de zero (t > 1,96, p < 0,05) corroborando a existência de dois fatores para se avaliar o sexismo ambivalente: o sexismo hostil - expressão lagrante do pre- conceito em relação às mulheres e relete antipatia e intolerância em relação ao seu papel como igura de poder e decisão (por exemplo, As mulheres feministas estão fa- zendo exigências completamente sem sen- tido aos homens; A maioria das mulheres não aprecia completamente tudo o que os homens fazem por elas); e o sexismo bené- volo - refere-se a uma atitude positiva, apa- rentemente não preconceituosa em relação à mulher, porém descrevendo-a como pes- soa frágil, necessitando de atenção e etc. (por exemplo, As mulheres devem ser que- ridas e protegidas pelos homens; Muitas mulheres se caracterizam por uma pureza que poucos homens possuem). Quanto ao alfa de Cronbach, observou-se que para o sexismo hostil este foi de 0,77 e para o be- névolo, foi de 0,70; para pontuação total da escala (denominando de sexismo ambiva- lente) foi 0,79.
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Adaptação dos inventários de sexismo moderno para Portugal: o inventário de sexismo ambivalente e o inventário de ambivalência em relação aos homens.

Adaptação dos inventários de sexismo moderno para Portugal: o inventário de sexismo ambivalente e o inventário de ambivalência em relação aos homens.

A estrutura multidimensional destes inventários retrata formas de sexismo moderno que não se concentra somente em aspetos hostis de sexismo, mas também em represen- tam aspetos mais subtis de sexismo que se justifi cam em crenças aparentemente igualitárias (Glick & Fiske, 2001). Os estudos de validação de Glick e Fiske (1996, 1999) incluíram mais de 2000 participantes em seis estudos com o Inventário de Sexismo Ambivalente, e perto de 1000 participantes em três estudos com o Inventário de Ambivalência em relação aos Homens. A avaliação das propriedades psicométricas de cada Inventário revelou índices de fi abilidade interna aceitáveis: entre 0,83 e 0,87 para o AMI, e entre 0,37 e 0,74 para o ASI. A validade convergente foi também demonstrada, tendo sido repor- tadas correlações elevadas em particular entre as formas hostis de sexismo e outras medidas tradicionais de sexismo (Glick & Fiske, 1996, 1999). A validade discriminante foi demonstrada pelos autores, nomeadamente através da associação entre sexismo moderno e racismo moderno (Glick & Fiske, 1999), e também reportada em outros estudos (Fernandéz, Castro, & Torrejón, 2001). De fato, a sua estrutura multidimensional foi replicada tanto em adaptações para a população Espanhola (Lameiras, Rodrí- guez, & Sotelo, 2001) como para a população Brasileira (Formiga, Gouveia, & Santos, 2002).
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Correlatos valorativos do sexismo ambivalente.

Correlatos valorativos do sexismo ambivalente.

Apesar da variação entre as culturas na sua forma de encarar os papéis ocupados por homens e mulheres, a diferenciação de gênero representa um dos mais fortes e antigos tipos de identidade grupal. Tal diferenciação também possui duas formas de expressão, construídas em função da hostilidade e da benevolência para com a mulher. A diferenciação de gênero competitiva, representante da ideologia hostil, realiza constantes comparações entre os sexos na busca de elevar a auto-estima masculina e demonstrar que as mulheres são inferiores na dimensão da competência. Entretanto, objetivando caracterizar as mulheres como capazes de exercer papéis complementares aos dos homens, o gênero feminino recebe socialmente alguns estereótipos favoráveis, associados às atividades domésticas e aos cuidados com as crianças. A diferenciação de gênero complementar propõe a idéia de que, enquanto os homens se concentram em sua carreira, as mulheres devem trabalhar em casa, desempenhando os papéis de “objeto” romântico, esposa e mãe. Finalmente, com a capacidade de criar uma das mais fortes relações entre homens e mulheres na intimidade, a heterossexualidade representa a terceira forma de expressão do sexismo ambivalente. A hostilidade sexual resulta da crença de que a sexualidade das mulheres representa um perigo para os homens, uma vez que os homens se sentem vulneráveis às mulheres em suas relações íntimas. Por outro lado, em função da capacidade das relações românticas inspirarem paixão, devoção e idealização, ambos os sexos buscam a intimidade heterossexual com o parceiro, a fim de alcançarem a verdadeira felicidade.
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Estereótipos de gênero e sexismo ambivalente em adolescentes masculinos de 12 a 16 anos.

Estereótipos de gênero e sexismo ambivalente em adolescentes masculinos de 12 a 16 anos.

A discriminação e a violência contra o gênero femi- nino associam-se a representações distorcidas da mulher. Este trabalho tem o objetivo de mensurar a existência de preconceitos nas manifestações dos estereótipos de gênero e sexismo ambivalente, em adolescentes masculinos de 12 a 16 anos. Em um estudo transversal, aplicaram-se três questionários (sociodemográfico, Gender stereotyping, Inventário do Sexismo Ambivalente) a 787 estudantes de 11 escolas públicas. Nos resultados, detectou-se a pre- sença de estereótipos de gênero. Houve diferença significante entre alunos de escolas estaduais e municipais e também nos alunos que estudavam em bairros de poder aquisitivo elevado em relação aos demais. O sexismo, também presente, apresentou- se significantemente mais benévolo que hostil. O escore para o componente benévolo variou confor- me a escola cursada. O hostil não foi influenciado pelas variáveis estudadas. Os achados corroboram a existência de estereótipos de gênero e sexismo ambivalente nos adolescentes masculinos e a ne- cessidade de desenvolvimento de ações e políticas para sua erradicação.
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Inventário de sexismo ambivalente: sua adaptação e relação com o gênero.

Inventário de sexismo ambivalente: sua adaptação e relação com o gênero.

• Inventário de Sexismo Ambivalente, ISA: elaborado originalmente em língua inglesa (Glick & Fiske, 1996), este instrumento é composto por 22 itens que avaliam os estereótipos assumidos por cada gênero (masculino e feminino) a respeito de duas dimensões do sexismo: hostil (por exemplo, As mulheres feministas estão fazendo exigências completamente sem sentido aos homens; a maioria das mulheres não aprecia completamente tudo o que os homens fazem por elas) e benévolo (por exemplo, as mulheres devem ser queridas e protegidas pelos homens; muitas mulheres se caracterizam por uma pureza que poucos homens possuem). Para responder ao questionário, a pessoa deve ler cada item e indicar quanto está de acordo com o conteúdo expresso, utilizando para tanto uma escala de quatro pontos, tipo Likert, com os seguintes extremos: 1 = Discordo totalmente e 4 = Concordo totalmente. Esta versão foi traduzida para o português por um psicólogo bilíngüe, e avaliada por um segundo psicólogo bilíngüe, que também a comparou com uma versão espanhola (Expósito, Moya & Glick, 1998). Feita a tradução, procedeu-se à validação semântica do ISA; para tanto foi considerada uma amostra de 20 sujeitos da população-meta. Esta assegurou que tanto os itens como as instruções que os antecediam eram compreensíveis.
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O stress das mulheres com problemas de fertilidade e a sua adesão ao sexismo ambivalente

O stress das mulheres com problemas de fertilidade e a sua adesão ao sexismo ambivalente

O sexismo ambivalente, é definido como uma junção de estereótipos acerca da avaliação cognitiva, afetiva e atitudinal sobre o papel adaptado na sociedade, administrada aos sujeitos de acordo com o sexo (Expósito, Moya, & Glick, 1998; Glick & Fiske, 1996). Posteriormente verificou-se que existiam novas formas de sexismo que eram tidas como ambivalentes uma vez que não eram diretas e claras como as atitudes mais tradicionais de discriminação, que normalmente se baseiam na inferioridade ou desigualdade das mulheres como um grupo (Glick & Fiske, 1996). O sexismo ambivalente é assim composto por dois estilos cruciais: hostil e benévolo, os quais se encontram interligados com paternalismo, diferenciação de género e heterossexualidade (Glick & Fiske, 1996; Mladinic & cols., 1998, citado por Formiga, Golveia, & Santos, 2002).
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Valores humanos e sexismo ambivalente.

Valores humanos e sexismo ambivalente.

Ao observarmos a tabela 3, tomando os valores isoladamente, pode-se perceber que os valores tradição, religiosidade e obediência foram capazes de explicar diretamente o sexismo hostil; valores estes que aponta para o segui- mento de padrões morais seculares, favorecendo um mínimo de harmonia no âmbito social. Por outro lado, o sexismo benévolo, vem ser explicado por va- lores, positivamente relacionado, como: poder, prestígio, êxito; e outros, com relação negativa, por exemplo, maturidade e obediência. Assim, ao considerar esses valores eles podem revelar uma relação com ambos os sexismos; porém, parece ser melhor compreensivo quando se trata da função psicossocial e cri- tério valorativo das pessoas, primeiro por se contemplar um modelo teórico e segundo por conceber um conjunto de valores, que comparado a outros modelos tem clara vantagem de partir de uma proposta teórica concreta, podendo ser esse conjunto, potencialmente, uma representação das necessidades consensualmen- te universais (RONEN, 1994). Contar com pontuações compostas, referentes às funções valorativas psicossociais, pode ser uma vantagem adicional, permitindo formular hipóteses de âmbito mais generalizado, aumentando o poder correla- ciono e até preditivo do modelo.
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Aceitação dos mitos da violência doméstica e as variáveis preditoras

Aceitação dos mitos da violência doméstica e as variáveis preditoras

Recordemos o ditado popular “entre marido e mulher não se mete a colher”. Porém, só há relativamente pouco tempo, países como Portugal (mais conservadores, laicos há pouco tempo, colectivistas) se interessam cientificamente pelo estudo desta problemática, considerando o fenómeno como de responsabilidade social. Apesar de proibido por lei, o sexismo permanece na sociedade, em todo o mundo, deixando contudo, de se apresentar directamente como discriminação à mulher, mas assumindo formas subtis, designadamente através do sexismo moderno (e.g., Tougas et al., 2005). Por outro lado, valorizam-se as crenças envolvidas no amor romântico, um estado de grande prazer e felicidade que, muitas vezes conduz à cegueira perante o lado opressor (oculto) do companheiro. Do mesmo modo, as atitudes gentis e atenciosas de um cavalheiro paternalista, conferem à mulher um sentimento de protecção e amor. Em consequência, a mulher aceita o sexismo benevolente por se sentir recompensada por isso. As consequências negativas da valorização do amor romântico e do cavalheirismo paternalista patente no sexismo ambivalente, traduzem-se na aceitação dos mitos da violência doméstica, o que leva à manutenção da própria violência (Giger et al., 2011).
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Estereótipos de género e sexismo em docentes do ensino superior

Estereótipos de género e sexismo em docentes do ensino superior

Os resultados destes dois estudos (estereótipos e escala de sexismo ambivalente) permitem mostrar mudanças na visão estereotipada de género no sen- tido de uma paulatina diminuição nas diferenças nos estereótipos de género entre homens e mulheres. Estas mudanças estão provavelmente relaciona- das com as mudanças sociais levadas a cabo nos últimos 30 anos na sociedade portuguesa, mas tam- bém com a posição estrutural específica que os e as docentes inquiridas ocupam, isto é com o contex- to universitário em que desenvolvem as suas vidas profissionais. Por um lado observa-se uma confluên- cia de atributos nas características da esfera social (nomeadamente instrumentais e de competência) e por outro lado, mantém-se a importância do aspec- to físico na definição da feminidade (elegância) por ambos. Destaca-se, porém que esta confluência nos estereótipos de género é assimétrica, as mulheres in- corporam muitos traços tradicionalmente atribuídos como masculinos, enquanto os homens incorporam poucos femininos. Por último, é de frisar que o teor
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Bakhtiniana, Rev. Estud. Discurso  vol.12 número3

Bakhtiniana, Rev. Estud. Discurso vol.12 número3

A analítica da diferença cultural intervém para transformar o cenário de articulação – não simplesmente para expor a lógica da discriminação política. Ela altera a posição de enunciação e as relações de interpelação em seu interior; não somente aquilo que é falado, mas de onde é falado; não simplesmente a lógica da articulação, mas o topos da enunciação. O objetivo da diferença cultural é rearticular a soma do conhecimento a partir da perspectiva da posição de significação da minoria, que resiste à totalização – a repetição que não retornará como o mesmo, o menos-na-origem que resulta em estratégias políticas e discursivas nas quais acrescentar não soma, mas serve para perturbar o cálculo de poder e saber, produzindo outros espaços de significação subalterna. O sujeito do discurso da diferença é dialógico [...]. Ele é constituido através do locus do Outro, o que sugere que o objeto de identificação é ambivalente e ainda, de maneira mais significativa, que a agenda de identificação nunca é pura ou holística, mas sempre constituída em um processo de substituição, deslocamento ou projeção (2010, p.228; itálico do autor).
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Combate ao sexismo em livros didáticos: construção da agenda e sua crítica.

Combate ao sexismo em livros didáticos: construção da agenda e sua crítica.

federal, assinala que os seminários realizados nos anos 1980 e 1990 sobre o tema estereótipos de gênero/raça fortaleceram o poder de negociação do MEC com as editoras resistentes, até então, restrito a processos oficiais de avaliação dos LD. Com sua posição fortalecida, o MEC iniciou nova estratégia de pressão das editoras, desta feita fazendo vazar para a imprensa os resultados da avaliação de 1993, que encontrara erros conceituais grosseiros nos LD comprados pelo governo federal e distribuídos às escolas. Tal estratégia fez com que as editoras acatassem a definição de critérios para a avaliação dos LD e a aliança do MEC com os movimentos negro e feminista; a partir de então, deixou de ser impor- tante. Assim, apesar de a veiculação de racismo e sexismo permanecer como critério excludente nos editais de licitação dos LD, as comissões de avaliação são compostas exclusivamente por professores universitários especialistas nas áreas disciplinares dos LD que avaliam. Portanto, dada a peculiaridade da produção acadêmica sobre sexismo/racismo nos LD – que permanece em gueto, no formato de teses/dissertações, pouco produzida e difundida nas áreas disciplinares, como vimos –, pode-se supor que as comissões de avaliação do LD constituídas pelo MEC não têm uma formação consistente sobre racismo e sexismo discursivo, além daquela compartilhada pelo senso comum. Além disso, note-se que os critérios adotam o termo preconceito, e não estereótipo (é vedado “veicular preconceitos de origem, cor, condição econômica-social, etnia, gênero e qualquer outra forma de discriminação”), que pode ser inter- pretado como sinônimo apenas de conteúdos que explicitam abertamente,
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O sexismo na publicidade: perceção do consumidor e influência na decisão de compra

O sexismo na publicidade: perceção do consumidor e influência na decisão de compra

Jackman (1994) defende o conceito de paternalismo como o controlo dos subordinados de uma forma paterna. É moralmente aceite que o pai dite as regras e comportamentos, tendo em vista os interesses do filho, sendo que o mesmo acaba por acatar tal autoridade. O paternalismo é um dos conceitos de interesse para o sexismo benevolente. O homem legitimiza assim a sua superioridade perante a figura feminina tendo por base o paternalismo. Se um marido age supostamente de acordo com os interesses da sua esposa, não há motivos para que a mesma não continue sob a sua alçada e autoridade. No sexismo benevolente as mulheres são apresentadas como criaturas que devem ser protegidas pelo homem, que possuem qualidades domésticas que não são inerentes ao sexo masculino e que devem satisfazer as suas necessidades românticas. Se por um lado parece existir algum tipo de tom positivo, a mulher é tão estereotipada como acontece no sexismo hostil. A prova de tal são as inúmeras implicações assentes no sexismo benevolente, como diversos estudos na área tem vindo a comprovar. Em primeiro lugar, assistimos a uma perpetuação dos estereótipos (Glick e Fiske, 1996). Se as atitudes do sexismo benevolente são encaradas positivamente, a modificação das mesmas não irá suceder. Graças ao sexismo benevolente, assistimos de igual modo à inibição das aspirações femininas (Geis et al, 1984; Barreto e Ellemers, 2005). O paternalismo existente sugere a inferioridade feminina (Dardenne et al, 2007). Além disso, performance feminina é afetada pelo sexismo benevolente na medida em que as mulheres colocam em causa as suas capacidades quando expostas a atitudes sexistas benevolentes. Isto é, como este tipo de sexismo não é tão fácil de detetar, tratando-se de uma forma de inferiorizar disfarçada, é mais fácil de atingir o subconsciente feminino. No estudo de Dardenne et al (2007), as atitudes tendo por base este tipo de sexismo causaram, nas mulheres participantes, ansiedade, preocupação, dúvida e diminuição da autoestima.
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Cad. Pagu  número51

Cad. Pagu número51

das mulheres negras nas relações hierárquicas de poder promove lealdades diferentes, mas relacionadas a um ponto de vista autodefinido de mulheres negras. Enquanto as diferenças superficiais que distinguem mulheres afro-americanas que adotam mulherismo e feminismo negro parecem ser mínimas, os variados posicionamentos de mulheres negras em bairros, escolas, e mercados de trabalho geram comparativamente diversos pontos de vista sobre as estratégias que as mulheres negras sentem acabarão por levar à autodeterminação das mulheres negras. Em certo sentido, enquanto que a filiação do mulherismo com o nacionalismo negro se relaciona com uma filosofia histórica e um conjunto de instituições sociais organizados em torno da centralidade da solidariedade racial para a sobrevivência negra, essa posição pode trabalhar para isolar o mulherismo de assuntos globais das mulheres. Ao mesmo tempo, enquanto o feminismo negro está ligado às lutas das mulheres, existentes tanto em nível nacional como global, promovendo uma agenda política clara em relação ao sexismo, sua filiação putativa com a brancura promove sua rejeição pela própria população que pretende servir.
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Toro Candil: tradição de uma fronteira ambivalente Toro Candil: tradiƟ on of an ambivalent border Toro Candil: la tradiƟ on d’une fronƟ ère ambivalente Toro Candil: tradición de una frontera ambivalente

Toro Candil: tradição de uma fronteira ambivalente Toro Candil: tradiƟ on of an ambivalent border Toro Candil: la tradiƟ on d’une fronƟ ère ambivalente Toro Candil: tradición de una frontera ambivalente

crianças que por sete longos anos os deixaram crescer em promessa por graça alcançada e que, após cortados, passarão a compor a imagem da Santa exposta no altar (ANTUNES, 2008, p. Todo [r]

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"Quem educa as crianças?" Processos educativos intrageracionais num bairro periférico de Maputo

"Quem educa as crianças?" Processos educativos intrageracionais num bairro periférico de Maputo

Enquanto em alguns países e em certas classes so- ciais, a educação das crianças tende a ser um sec- tor de trabalho desempenhado por adultos cada vez mais qualificados, no bairro estudado são as pró- prias crianças a tomarem conta de outras crianças por grande parte do dia. As crianças mais velhas da família costumam assumir este papel de cuidadoras para permitir aos adultos de ocupar-se de outras ac- tividades necessárias para a sobrevivência familiar, tais como trabalho remunerado, negócios ou tarefas domésticas. Contudo, cuidar de crianças configura- -se como uma actividade complexa numa perspectiva social e sociológica, uma vez que não implica apenas “fazer coisas” para os irmãos mais novos, mas inclui também criar relações e negociar identidades. As observações realizadas permitiram constatar que crianças cuidadas e cuidadoras estabelecem entre elas relações de natureza variável e ambivalente, tanto de tipo vertical (quando os mais velhos man- dam nos mais novos ou lhes ensinam alguma coi- sa), quanto horizontal (quando as crianças fazem coisas juntas). O tipo de relação entre as crianças cuidadas e as crianças cuidadoras muda frequente e repentinamente ao longo da interacção. Contu- do, através de uma operação analítica de redução da complexidade, parece interessante classificar a multiplicidade de relações identificáveis nas prá- ticas dentro de três tipologias: relações de poder, relações de aprendizagem e relações de cumplicida- de e brincadeira. As primeiras duas tipologias ca- racterizam-se pela sua natureza mais hierárquica e vertical, enquanto a terceira é marcada por maior simetria e horizontalidade.
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Intelectuais orgânicos e legitimação do Estado no Moçambique pós-independência: o caso do Centro de Estudos Africanos (1975-1985).

Intelectuais orgânicos e legitimação do Estado no Moçambique pós-independência: o caso do Centro de Estudos Africanos (1975-1985).

A sua originalidade residiu na produção de um tipo de pesquisa científico-social que não somente levou em conta a sua função de pro- dutora de conhecimento científico politicamente engajado na transfor- mação socialista, mas também na reflexão e questionamento dos pró- prios processos de produção científica. Uma pesquisa que procurava refletir sobre si mesma. Foi, então, neste desejo ambivalente entre, por um lado, auxiliar a FRELIMO na sua visão de mundo socialista (que pressupunha uma abordagem pragmática, utilitária e não-epistemológica da realidade social) e, por outro lado, preservar um espaço de questiona- mento crítico e heterodoxo sobre a sociedade moçambicana e sobre o fazer ciência, que poderíamos então compreender as conexões entre produção científica e legitimação do Estado “freliminiano”, como tam- bém a emergência de uma nova forma de se fazer pesquisa social no Moçambique pós-independência. Enfim, uma pesquisa politicamente engajada, urgente, atual, coletiva, crítica, utilitária e autorreflexiva.
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Tudo é interseccional?: Sobre a relação entre racismo e sexismo.

Tudo é interseccional?: Sobre a relação entre racismo e sexismo.

jurídicas contra a violência doméstica, que têm no tratamento injusto à situação especíica das women of color seu traço comum; e, em relação à interseccionalidade nas ciências sociais, ela trata de um estudo sobre a tematização de estupros no direito, que, mais uma vez, reproduz os problemas já citados. Sem de modo algum querer reduzir o grande valor desses trabalhos, acredito que eles não colocam de forma su- icientemente ampla a questão de como pode ser mais esclarecedor entender a interseccionalidade do racismo e do sexismo como fenô- menos de poder complexos e entrelaçados empiricamente de múlti- plas formas, com uma dimensão epistêmica, uma institucional e outra pessoal. A im de apresentar minha proposta, quero primeiro voltar mais uma vez a essas três dimensões — que se inter-relacionam e se apoiam mutuamente umas nas outras — apresentadas brevemente no início do texto. Em seguida espero poder mostrar que é possível e proveitoso fazer algumas airmações relacionadas a cada uma das três dimensões, além de mostrar que o sentido da interseccionalidade difere de dimensão para dimensão.
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Educação em direitos humanos para o combate ao sexismo : contribuições do letramento na disciplina de Língua Portuguesa

Educação em direitos humanos para o combate ao sexismo : contribuições do letramento na disciplina de Língua Portuguesa

Sabe-se que as conquistas dos movimentos sociais de mulheres concederam a esse grupo direitos historicamente negados, porém avalia-se que ainda hoje valores socialmente construídos reproduzem conceitos machistas no âmbito das relações sociais; sabe-se também o importante papel que exerce a educação escolar na tentativa de criar atitudes de repúdio ao sexismo. Nesse sentido, a pesquisa tem como tema de análise as ideias sobre a condição da mulher na contemporaneidade de educandos (as) de uma escola pública no contexto da disciplina de Língua Portuguesa, com o objetivo de refletir sobre como tal componente curricular pode contribuir para com o debate sobre o sexismo, por meio de uma proposta metodológica que possibilite o desenvolvimento das habilidades escritora e leitora e também colabore para a formação de alunos (as) críticos (as) às relações sociais. Dessa forma, através de Círculos de Cultura, tendo, portanto, como referencial teórico a perspectiva de Paulo Freire, textos literários e informativos que abordam a situação da mulher foram estudados por alunos (as) de uma sala de aula, buscando-se a compreensão da relevância da citada atividade para a constituição de posturas feministas, dos sujeitos envolvidos. A pesquisa caracterizou-se como exploratória e gerou hipóteses acerca da Metodologia de Ensino de Língua Portuguesa e da Educação em Direitos Humanos, no que se refere ao combate ao sexismo.
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Desafios éticos da vida consagrada: do testemunho eclesial ao compromisso social

Desafios éticos da vida consagrada: do testemunho eclesial ao compromisso social

A partir da distinção operada entre moral e ética e da conscienciali- zação da sua ambivalente interdependência, podemos começar por tipificar agora não as razões pelas quais a vida consagrada pode morali- zar o mundo ou, tão-pouco, os motivos pelos quais podemos moralizar a vida consagrada hoje, mas antes os desafios éticos que se colocam à vida consagrada, se esta tiver disponibilidade interior para os interiorizar e nós, confirmados pela dupla pertença eclesial e social, abertura de espí- rito para nos deixar interpelar. Com efeito, o que instaura a relevância da dimensão ética é o facto de esta escapar à lógica assimétrica entre um sujeito activo que diz o que faz e um objecto passivo que faz o que lhe dizem, privilegiando pelo contrário uma lógica intersubjectiva em que ambos os pólos contraem uma relação de reciprocidade e, nessa base selada em liberdade e confiança, uma mútua co-responsabilização. Eis a razão pela qual, perante qualquer tentativa de analisar, mensurar e quan- tificar aspectos conotados com a vida consagrada enquanto fenómeno sociologicamente relevante (e é-o de facto...), convém sempre ter em con- ta que uma opção de consagração religiosa já se encontra estruturada como dado “ex-posto” e como facto “pro-posto” pela Igreja à abertura histórica e cultural da consciência humana. Independentemente de se gostar ou não, de se acreditar ou não, de se afigurar ou não indiferente, a vida consagrada patenteia-se como algo que está-aí, fenomenicamente apresentado e atestado na sua irredutível presença e, nesse sentido, si- multaneamente desafiada por nós e desafiante para nós.
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