Villa-Lobos

Top PDF Villa-Lobos:

Villa-Lobos: de pai para filho

Villa-Lobos: de pai para filho

As palavras do sociólogo são esclarecedoras. Se, como vimos acima, Villa-Lobos não pôde desfrutar das oportunidades formativas que provavelmente lhe seriam dadas se seu pai não tivesse falecido prematuramente, restaram-lhe, contudo, o exemplo de superação e os ensinamentos herdados de Raul: um músico “teórico e prático perfeito”, que, apesar da origem humilde, soube aproveitar as oportunidades que lhe apareceram, se apropriou de “aprimorada cultural geral” e conquistou um posto relativamente elevado do funcionalismo público. A familiaridade prévia de Villa-Lobos com a música erudita (e provavelmente com a língua francesa), com o universo sociocultural da elite e da música de elite (censores de sua carreira de compositor), bem como sua consciência a respeito da necessidade de trabalhar com afinco para atingir seus objetivos (o “pensamento prospectivo”), são, antes de tudo, heranças paternas. Além das demonstrações de posse do capital simbólico necessário a seu reconhecimento como artista – mencionadas há pouco –, Villa-Lobos procurou desde cedo colocar-se à frente dos eventos musicais dos quais participava, e as estratégias utilizadas por ele para divulgar seus concertos – anunciando-os como homenagens prestadas a figuras políticas de relevo – mostram que ele foi muito hábil ao lidar com o público de elite (cf. LIMA, 2017a: 102-139). Certamente devemos reconhecer o mérito próprio de Villa-Lobos. Mas acredito que nem esse conhecimento da tradição musical, nem essa autoconfiança ou essa aguçada leitura do mundo artístico podem ser compreendidos sem que se faça referência à figura de seu pai.
Mostrar mais

15 Ler mais

Aspectos de notação musical e performance de obras para violão de Heitor Villa-Lobos

Aspectos de notação musical e performance de obras para violão de Heitor Villa-Lobos

A seção final [Vif] do Estudo n. 10 [figura 9] é essencialmente rítmica e guarda algum parentesco estético e semântico com a seção central do Choros n.5 - Alma Brasileira (1925) para piano solo, de Villa-Lobos. A questão aqui é a carga de conteúdos afetivos implícitos que dizem respeito ao sentimento de brasilidade. Esses conteúdos são compreendidos tacitamente pelo intérprete brasileiro, sendo refletidos na performance sob a forma de um 'balanço' característico da música desse país. Gingado, suingue e molho são outras palavras usadas para designar essa rítmica desconcertante que subjaz
Mostrar mais

10 Ler mais

REPOSITORIO INSTITUCIONAL DA UFOP: Villa-Lobos e o canto coletivo na Era Vargas (1930-1945).

REPOSITORIO INSTITUCIONAL DA UFOP: Villa-Lobos e o canto coletivo na Era Vargas (1930-1945).

Tanto a obra musical quanto a militância pedagógica do compositor Heitor Villa-Lobos ajudaram a construir uma imagem de nação que era, em muitos aspectos, identifi cada com os ideais dos governos que ocuparam o poder entre 1930 e 1945, período designado pela historiografi a brasileira como Era Vargas. Estes ideais foram postos em prática em políticas implementadas sobretudo durante o Estado Novo, período abertamente ditatorial que vai de 1937 até a depo- sição de Vargas em 1945 e que está historicamente vinculado ao processo político iniciado pela revolução de 1930. Já desde sua posse, o Governo Provisório de 1930 procurou dotar-se de instrumentos de poder capazes de garantir sua sustentação. Centralizando as forças políticas, então pulverizadas nas oligarquias regionais, o aparelho do Estado foi sendo reorganizado a fi m de, progressivamente, consoli- dar o controle do Executivo Federal sobre o processo decisório. As intervenções “modernizadoras”, apoiadas na idéia de “reconstrução nacional”, não se deram apenas nos planos econômico e militar. A criação do Ministério do Trabalho, já em 1930, garantiu a tutela do Estado sobre a organização sindical, defi nindo o trabalho como fator primordial na política desse “Estado centralizado e forte”. Controle sobre o trabalho, centralização do poder e unidade nacional consti- tuem elementos fundamentais para a compreensão do aparato ide- ológico construído durante a Era Vargas. Oriundo da mesma matriz ideológica, embora estabelecendo diferenças locais, o Estado var- guista adotou procedimentos do fascismo europeu, tais como o uso sistemático da propaganda como veículo de seus preceitos. A difusão do ideário varguista se deu através de canais de diversas naturezas. Numa época em que os símbolos nacionais ainda não se encontra- vam claramente defi nidos, as festas cívicas - como representação de ordem, civismo, unidade nacional e participação coletiva na totali-
Mostrar mais

11 Ler mais

Organização harmônica na seção inicial da peça para piano “O Passarinho de pano” de Villa-Lobos

Organização harmônica na seção inicial da peça para piano “O Passarinho de pano” de Villa-Lobos

Notamos, em meio a aparente desordem, uma idéia cíclica, representada pelo pe- ríodo formado a cada 5 conjuntos e que se configura na seguinte seqüência: 3-4: [2,7,3], 3-3 [0,4,1], 3-4 [9,2,11], 3-4 [7,0,8] e 3-5 [5,11,6] ocupando em termos de du- ração um espaço equivalente a 5 colcheias. Neste caso revela-se uma defasagem com a melodia em questão, a qual ocupa um espaço relativo a 7 colcheias como podemos inferir da linha destacada pelos acentos na figura 11, proporcionando uma sensação de deslocamento ao trecho. Com efeito, a seção tem seu desfecho no compasso 36 de forma semelhante ao seu início no compasso 31, ou seja, por meio da inserção do agrupamento 4-24: [0,1,3,5,7] o que concorre com a preocupa- ção de Villa-Lobos em relação às questões de simetria.
Mostrar mais

15 Ler mais

Historiadores e musicólogos: vozes dissonantes sobre Villa Lobos no Estado Novo

Historiadores e musicólogos: vozes dissonantes sobre Villa Lobos no Estado Novo

Essa disputa inútil a respeito da ética no uso do folclore nos faz lembrar, por outro lado, da competência de Villa-Lobos na autopromoção. Ele é, sob todos os aspec- tos, um homem de seu tempo que teve a sensibilidade empresarial de perceber que na era da indústria cultural o sucesso de- penderia da propaganda nos meios de co- municação. Propaganda e mitificação em larga escala se misturaram a fatos reais na criação de uma imagem pública do com- positor. Se, em vida, essa estratégia ren- deu-lhe dividendos, a longo prazo trouxe prejuízos para a avaliação de sua obra, que dificilmente escapa de certos preconceitos fortemente arraigados no imaginário do público e dos intérpretes. Mas, à medida que o tempo passa, o conluio com a má- quina propagandista do Estado Novo nos anos 30 e o desejo de assimilação pela in- dústria cinematográfica americana nos anos 40, freqüentemente abominados como pecado mortais imperdoáveis, ten- dem a ser julgados mais como valores de uma época distante e menos como desvios de caráter (SOUZA, 2006, p. 40-42). Num outro momento Souza diz que:
Mostrar mais

18 Ler mais

A Era Vargas no pentagrama: dimensões político-discursivas do canto orfeônico de Villa-Lobos

A Era Vargas no pentagrama: dimensões político-discursivas do canto orfeônico de Villa-Lobos

peças datadas desde o período que precede a Era Vargas até o seu fim, as quais teriam uma (re)significação particular no contexto em questão. Cabe dizer também que a divisão das 30 composições em cinco domínios temáticos não foi realizada de maneira exata, ou seja, cada domínio com a mesma quantia de peças, pois seguimos alguns critérios percentuais. O fato é que somente o primeiro volume do Canto Orfeônico, publicado por volta de 1940, possui claramente as divisões temáticas mencionadas. Provavelmente pelo fato de ter sido organizado no auge do Estado Novo, período em que o maestro deveria ter uma precisão maior quanto ao conteúdo ideológico. No segundo volume, organizado em 1951, quando Villa-Lobos encontrava-se já bem distante da educação musical (e esta já não possuía mais o respaldo e a grandiosidade do Estado Novo), o que se vê, nos parece, é um amontoado de composições sem nenhuma organização seqüencial de conteúdo, sobressaindo-se mais uma vez as canções folclóricas.
Mostrar mais

447 Ler mais

Villa-Lobos e os metais graves sinfônicos: um estudo dos elementos técnicos espe...

Villa-Lobos e os metais graves sinfônicos: um estudo dos elementos técnicos espe...

O ano de 1957 foi declarado pelo governo brasileiro como o Ano Villa-Lobos. Seus 70 anos de idade foram comemorados num editorial no jornal The New York Times e com a declaração de cidadão honorário da cidade de São Paulo, onde se organizou uma “Semana Villa-Lobos ”. Numa fase produtiva, Villa-Lobos escreveu a trilha sonora para o filme Green Mansions, de Mel Ferrer, que mais tarde se tornou a suíte Floresta do Amazonas. Ainda compôs nesse ano a ópera Yerma, estreou a Sinfonia nº.10, o Concerto nº. 3 para piano e orquestra e terminou a composição da Sinfonia Nº. 12. Paralelamente, Stravinsky compôs o balé Agon e, no ano seguinte (1958), terminou a peça para coral Threni. Varèse compôs o Poeme eletronique, peça de 8 minutos escrita para o pavilhão da empresa Philips, na Feira Mundial de Bruxelas.
Mostrar mais

365 Ler mais

Intertextualidade no Lento (Assai) da Sinfonia n. 8 de Heitor Villa-Lobos

Intertextualidade no Lento (Assai) da Sinfonia n. 8 de Heitor Villa-Lobos

Segundo Sant’anna, a intratextualidade ocorre “quando o poeta se reescreve a si mesmo. Ele se apropria de si mesmo, parafrasicamente” (SANT’ANNA, 2007, p. 62). A pará- frase de seu próprio texto é bastante comum em diversos compositores. Elementos como estruturas rítmicas, harmônicas e melódicas são reaproveitadas, sem alterar o sentido ori- ginal. Villa-Lobos, ao longo de sua vida, cultivou o hábito de reciclar suas obras antigas, dando uma nova roupagem, muitas vezes sob novos títulos. Essa prática de reutilizar ma- terial de obras precursoras é comumente aplicada por diversos compositores.
Mostrar mais

20 Ler mais

Estrutura em Villa-Lobos: uma análise do prelúdio das Bachianas Brasileiras nº IV

Estrutura em Villa-Lobos: uma análise do prelúdio das Bachianas Brasileiras nº IV

“... foram feitas de acordo com as regras postuladas por Vincent D’Indy em seu Cours de Composition Musicale; a estética proposta por D’Indy, adotada pelos professores do Instituto Nacional de Música, era ligada diretamente à de Wagner. Também ligado a estéticas defendidas pelos professores do Instituto estava seu Naufrágio de Kleonicos, poema sinfônico cuja linguagem musical é uma clara emulação dos princípios do pós-romantismo francês de Saint-Saëns. Dessa forma, a aplicação das idéias estéticas de Wagner, D’Indy e Saint-Saëns serviriam como prova da capacidade de Villa- Lobos enquanto compositor em face do establishment musical carioca.” (GÚERIOS, 2003, p.88)
Mostrar mais

24 Ler mais

Trio (1921) para oboé, clarineta e fagote, de Heitor Villa-Lobos: Uma abordagem interpretativa

Trio (1921) para oboé, clarineta e fagote, de Heitor Villa-Lobos: Uma abordagem interpretativa

Claude Debussy (GUÉRIOS, 2003). Camille Saint-Saens, que estivera no Brasil em 1899 (KIEFFER, 1981), também já exercera grande influência nos músicos cariocas. Ainda segundo Paulo Renato Guérios, “[Villa-Lobos] foi um dos primeiros brasileiros a utilizar as técnicas de um compositor que quebrou as regras estabelecidas da arte musical erudita, o francês Claude Debussy” (GUÉRIOS, 2003). Se Richard Wagner ampliou os limites do sistema tonal, “Debussy abriu caminho para novas linguagens musicais, ao incorporar elementos fora da estética dominante ítalo-franco-alemã e ao trabalhar fora das regras do sistema tonal” (GUÉRIOS, 2003). Ao quebrar a regra de encadeamento de acordes de dominante e tônica, ele criou uma impressão de inconclusão e suspensão em suas obras, usando modos antigos ou orientais, acordes dissonantes ou escalas pouco usuais, como a de tons inteiros. Todas essas características podem ser observadas em várias obras do jovem compositor brasileiro.
Mostrar mais

29 Ler mais

Pacific 231  de Honegger e a Tocata  Trenzinho do Caipira  de Villa-Lobos: 41 um caso de intertextualidade

Pacific 231 de Honegger e a Tocata Trenzinho do Caipira de Villa-Lobos: 41 um caso de intertextualidade

Title: Honegger’s Pacific 231 and Villa-Lobos’s Tocata Trenzinho do Caipira: a case of intertextuality Abstract: The reference to musical works of previous composers as a strategy to the development of musical ideas is common among composers on the first half of twentieth century. Villa-Lobos is no exception and in his cycle of nine Bachianas Brasileiras, may be found not only references to J. S. Bach’s music and to baroque music, but also allusions, stylisations and adaptations of other musical works that do not fit in the Bachian music, and these range from the popular urban music of this period, to the concert music ranging from 18th century to the first half of 20th century. To illustrate this matter, I compare Arthur Honegger’s Pacific 231 (1923) to Villa-Lobos’s Tocata Trenzinho do Caipira from Bachianas Brasileiras n. 2 (1930). In order to accomplish such comparison I take some concepts from Intertextuality theory such as: parody, that is, when the rereading inverts the meaning of the original object; appropriation, the articulation of other texts into a diverse context. Furthermore, musical techniques that may suggest a rereading of the original text may be considered such as compression, i.e. when musical elements that occurred diachronically are compressed into something synchronous or in a smaller lapse of time.
Mostrar mais

18 Ler mais

O ritmo da mistura e o compasso da história: o modernismo musical nas Bachianas brasileiras de Heitor Villa-Lobos

O ritmo da mistura e o compasso da história: o modernismo musical nas Bachianas brasileiras de Heitor Villa-Lobos

Heitor Villa-Lobos nasceu em 5 de março de 1887 no bairro de Laranjeiras, Rio de Janeiro. Seu pai, Raul Villa-Lobos, era funcionário da Biblioteca Municipal daquela cidade, professor e autor de livros de história, além de instrumentista amador. Sua mãe, D. Noêmia, queria que o filho fosse médico, mas o músico acabou não realizando o desejo materno. A opção de Villa- Lobos pela música teria sido motivada pelo seu contato com a estética musical da boemia carioca do início do século. Mas, na verdade, não é possível saber, de forma detalhada, a intensidade do contato do compositor com os músicos populares de sua cidade durante sua juventude. Apesar disso, sabe-se que ele convivia nos mesmos espaços, ocupava a mesma posição socioeconômica e aprendeu a tocar o instrumento dos Chorões: o violão, para o qual comporia extensa obra mais tarde.
Mostrar mais

162 Ler mais

A Suíte popular brasileira de Heitor Villa-Lobos como expressão do ambiente do choro em seu nascimento

A Suíte popular brasileira de Heitor Villa-Lobos como expressão do ambiente do choro em seu nascimento

Como expõe Sérgio Buarque de Holanda “é frequente, entre os brasileiros que se presumem intelectuais, a facilidade com que se alimentam, ao mesmo tempo, de doutrinas dos mais variados matizes e com que sustentam, simultaneamente as convicções mais díspares”. 22 Heitor Villa-Lobos é uma dessas figuras que, musicalmente falando, alimentava-se de diversos matizes e tinha um projeto musical bastante audacioso. Tal projeto caminhou em conjunto e paralelamente com o nacionalismo proposto tão seguramente por Mário de Andrade, além disso, o Maestro soube se autopromover nos mais diversos meios sociais, e de fato tinha talento para essa promoção. Mostrou singularidade entre os chorões do Rio de Janeiro em sua juventude, destacou-se entre os artistas quando viajou à Paris, sobressaiu-se ao se envolver com a política e a educação na Era Vargas.
Mostrar mais

127 Ler mais

Um compositor brasileiro na Broadway: a contribuição de Heitor Villa-Lobos ao teatro musical americano

Um compositor brasileiro na Broadway: a contribuição de Heitor Villa-Lobos ao teatro musical americano

Magdalena tem uma ligação muito grande com o folclore. Como já mencionado anteriormente, a obra foi chamada na época de "opereta folclórica" e posteriormente de folk musical por Wright e Forrest. No entanto, o termo "folclórico" não é suficiente para qualificar a obra, dado à sua complexidade. A nosso ver, o compositor não teve a intenção de fazer nada tipicamente folclórico. Essas ligações existentes com o folclore encontram eco apenas na utilização de temas folclóricos, onde o compositor explorou o exotismo, o que é bem diferente do folclore em si. Embora a história de Magdalena se passe na Colômbia (com exceção de uma cena em Paris), Villa-Lobos não escreveu música colombiana. Ao ouvirmos Magdalena podemos claramente ouvir e visualizar o Brasil: o Amazonas, o canto de nossos pássaros, o murmúrio de nossos rios, os ritmos brasileiros, enfim, cores distintas e marcantes de nosso país 62 . O fato do compositor ter utilizado temas folclóricos brasileiros durante a década de 1940, em uma obra de sua autoria feita especificamente para o teatro musical americano foi algo totalmente inusitado e exótico por si só, pois além da temática, Villa-Lobos foge dos esquemas formais já estabelecidos nos musicais 63 . Essa era uma época na qual a idéia que os americanos faziam sobre o Brasil e a América do Sul era algo extremamente superficial e desconhecido além de provavelmente misterioso para a grande maioria. De certa forma, essa nossa observação parece ter eco na opinião de um crítico de teatro da época:
Mostrar mais

135 Ler mais

Fatores de coerência nos Choros nº 5 ("Alma brasileira"), de H. Villa-Lobos.

Fatores de coerência nos Choros nº 5 ("Alma brasileira"), de H. Villa-Lobos.

O aspecto mais interessante da obra reside justamente nessa necessidade de grafar a espontaneidade da defasagem que ocorre entre melodia e acompanhamento, tão comum na música cantada. Assim, a complexidade que Villa-Lobos estabelece ao mesclar o ritmo sincopado da primeira seção com a melodia em tercinas do primeiro tema, estabelecendo diferentes planos sonoros, torna a execução deste trecho particularmente difícil do ponto de vista técnico. Além disso, a figura se expande e cria uma aceleração na seção de Desenvolvimento, num ritmo que lembra o maracatu, o samba, o batuque e até o cateretê, imprimindo dinamismo e vigor a toda a estrutura.
Mostrar mais

10 Ler mais

Prelúdio nº 3 de Heitor Villa-Lobos: considerações sobre um processo interpretativo.

Prelúdio nº 3 de Heitor Villa-Lobos: considerações sobre um processo interpretativo.

Para GOLDSPIEL (2000, p.8), Villa-Lobos claramente encontrou nestas formações um dispositivo composicional atrativo que permite um reforço nos legatos (as notas soltas geram essa sensação), conexões harmônicas distintas, dissonâncias, e variedade de cor. Ainda observa que o compositor brasileiro utilizou em muitas obras tríades, acordes de sétima diminuta ou de sétima da dominante movimentando-se de forma paralela (paralelism), ou seja, sem mudança na formação dos acordes através do braço do violão (fingerboard). Um exemplo deste recurso está no Estudo nº 12 (Ex.4):
Mostrar mais

26 Ler mais

O Quarteto de Cordas no 8 (1944) de Villa-Lobos: neoclassicismo e invenção

O Quarteto de Cordas no 8 (1944) de Villa-Lobos: neoclassicismo e invenção

Após a recapitulação vem a coda (c. 102-164) cuja proporção – aproximadamen- te um terço do movimento – rivaliza em tamanho com a coda do primeiro movimento do QC7. Nota-se certa semelhança com a proporção ampliada da coda frequentemente adotada por Beethoven. O princípio é basicamente o mesmo: retomar o desenvolvimento do material de modo a explorar mais algumas de suas possibilidades por meio de novas combinações harmônicas e texturais. Villa-Lobos prossegue com uma de suas estratégias preferidas, a elaboração de palíndromos, e este específico (c. 103-5) é dos mais trabalha- dos com relação ao equilíbrio do desenho, o qual joga inclusive com as diferenças de oi- tava e suas respectivas compensações. Notável é ainda a relação entre os compassos 105 e 106, onde a melodia descendente no cello passa para os violinos em oitavas, enquanto o contraponto a duas vozes dos violinos passa para viola e cello (Fig. 18). A sensação de estabilidade quase estática dessa passagem será fortemente contrastada pela seção se- guinte (c. 107-115), onde a segmentação métrica é intensa, apesar de as alturas serem quase congeladas no tetracorde assimétrico 4-18. Podemos assim deduzir que as noções tradicionais de “consonância” e “dissonância” são convertidas por Villa-Lobos no binômio “simétrico” e “assimétrico”.
Mostrar mais

30 Ler mais

A teoria dos conjuntos e a música de Villa-Lobos: uma abordagem didática

A teoria dos conjuntos e a música de Villa-Lobos: uma abordagem didática

Soma-se à pertinência da escolha por análises e exemplos em obras de Villa-Lobos o fato de que, apesar da extensa obra e de ser considerado um dos maiores compositores brasileiros, Villa ainda carece de trabalhos que possam evidenciar esse rótulo (SALLES, 2009). Além disso, ainda hoje encontramos questionamentos quanto a uma suposta deficiência em suas técnicas composicionais e uma certa dose de experimentação em suas composições. Conforme argumenta Salles, pesquisador do nosso mais importante compositor, sua obra ainda é um desafio à musicologia brasileira já que não se sabe precisamente no que consiste seu estilo, sua técnica e suas estratégias no manejo da forma e do material harmônico, em que mesmo as séries de obras famosas e divulgadas como as Bachianas Brasileiras e os Choros são ainda um mistério com relação aos procedimentos empregados, além de problemas editoriais que abrangem instrumentação, revisão e outros. Villa-Lobos é lembrado ainda por suas contribuições como educador e relacionadas ao Canto Orfeônico 8 , um dos maiores projetos já visto na história e considerado por alguns o maior
Mostrar mais

95 Ler mais

Os sons de uma nação imaginada: as identidades musicais de Heitor Villa-Lobos

Os sons de uma nação imaginada: as identidades musicais de Heitor Villa-Lobos

Eu creio que não se deu aqui no Brasil a devida importância à repercussão do ótimo estudo da obra de Villa-Lobos, publicado por Lisa M. Peppercorn no número de fevereiro do ano passado de “The Music Review”. Este estudo intitulado 'Alguns Aspectos dos Princípios de Composição de Villa- Lobos', terá algumas imperfeições, mas além de ser um modelo de imparcialidade e paciência muito difícil de se manter diante do grande compositor. Lisa Peppercorn inicia com uma pequena inexatidão, atribuindo a celebridade internacional de Villa-Lobos ao reconhecimento de seu valor pelos Estados Unidos. Isto não é exato nem cronológica, nem criticamente. Em música a hegemonia internacional dos julgamentos de valor ainda não passou para os Estados Unidos, embora o nosso formidável aliado já guarde independência suficiente para se decidir pelos seus próprios gostos. Cronologicamente a repercussão internacional de Villa-Lobos nasceu em Paris, na atenção dos seus músicos e suas revistas ao compositor brasileiro, desde a segunda vez que Villa-Lobos esteve lá. Da primeira, parece que o matuto se deixou levar demasiado pela sua megalomania, tão bem expressa e interpretada pela senhora Peppercorn no primeiro parágrafo de seu estudo. E carece não esquecer ao lado desse aplauso parisiense, a adesão de virtuoses internacionais da importância de Arthur Rubinstein, a quem Villa-Lobos deve imenso, à dedicação deste outro grande pianista que é Tomás Terán, e aos estudos de Henri Prunnières. Estes estudos chegaram mesmo a fazer com que o compositor brasileiro fosse aceito e honrado dentro do seu próprio país... e enfim, diante dessa adesão parisiense, a grande editora Max Eschig, também de Paris resolveu- se a lançar o compositor brasileiro, o que contribuiu decisoriamente para o conhecimento e vulgarização da obra dele. Villa-Lobos estava definitivamente lançado, isto ele deve, pois, a Paris que mantinha então o dever de firmar consagrações no mundo. (ANDRADE, 1945).
Mostrar mais

219 Ler mais

Villa-Lobos Vindicated (at last) - a Pan American prescription

Villa-Lobos Vindicated (at last) - a Pan American prescription

Did Heitor Villa-Lobos, once arrived in Europe, truly say that Europeans would be studying him in time? This seems now open to debate. He certainly did say, however, that he had come to Paris not to study Europeans. At this juncture in the 21st century, we must ask why more young art composers of the Western Hemisphere have not been moved to follow his dictum. Does Europe continue to attract them for reasons of revi- talization? Or rather, reasons of legitimization? If the former, much time and expense may be spared them.

5 Ler mais

Show all 349 documents...

temas relacionados