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Autoridade e Poder - Russel Shedd

Autoridade e Poder - Russel Shedd

Podemos reconhecer a autoridade de um policial do trân­ sito através de um simples gesto ao indicar para um motorista parar. Isso quer dizer que quando uma autoridade levanta o braço apontando para um motorista ele deve parar. Por via de regra, a inclinação maior do motorista será parar em vez de ig­ norar a ordem recebida. Alguns anos atrás, pude experimentar essa verdade na prática. Estava viajando com Peter Cunliffe, fundador da editora Mundo Cristão. Cerca de meia-noite, na Via Dutra, numa viagem para Caxambu, MG, ele se queixou de sentir muito cansaço. Pediu que eu tomasse o volante, o que faria de boa vontade, porém, com uma reserva: não trazia a carteira de habilitação no bolso. Não planejava dirigir, por­ tanto, deixei o documento em casa. Mas, como achava pouco provável que um guarda me parasse, aceitei o pedido do amigo e comecei a dirigir. De repente, apareceu um policial com a mão erguida. Interpretei corretamente que queria que parasse. Ainda que tivesse muito mais poder do que ele sobre o carro sob meu controle e, facilmente, pudesse ter ignorado o gesto, parei! Não foi um encontro muito agradável. Acredito que o policial suspeitava que eu não tinha autorização para dirigir ou que fazia pouco caso da lei.
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AUTORIDADE E PODER: OS PROCESSOS E AS PRÁTICAS NAS ORGANIZAÇÕES HOSPITALARES

AUTORIDADE E PODER: OS PROCESSOS E AS PRÁTICAS NAS ORGANIZAÇÕES HOSPITALARES

Para um melhor entendimento da ques- tão, procurou-se buscar significado com auxí- lio da Língua Portuguesa, com base em Bue- no (1996), sobre o que vem a ser autoridade e poder. Segundo o autor, o termo “autoridade” quer dizer “direito de se fazer obedecer; poder de mandar; prestígio; magistrado que exerce o poder; pessoa competente no assunto” (BUE- NO, 1996, p. 86). Quanto ao “poder”, significa “ter a faculdade ou possibilidade de; ter auto- rização para; estar sujeito, arriscado, exposto a; ter ocasião ou oportunidade de; ter força de ânimo para; ter o direito de; ter influência, for- ça; ter vigor ou capacidade (física ou moral) para suportar, para aguentar” (BUENO, 1996, p. 512).
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A autoridade, o desejo e a alquimia da política: linguagem e poder na constituição do papado medieval (1060-1120).

A autoridade, o desejo e a alquimia da política: linguagem e poder na constituição do papado medieval (1060-1120).

“Desejo” era o vocábulo que tornava cognoscível a denegação da au- toridade. Era o nome com o qual os papistas significavam os enfretamentos políticos e as lutas pelo poder como emanações de um ente superior que sua escrita arrancava das brumas e submetia à luz da razão humana. Desa- fiados e surpreendidos pelas correlações sociais de forças, eles apelavam aos efeitos tranqüilizantes da tradição. Os clérigos e monges engajados na defesa do poder papal recorreram a verdades consagradas pelo passado buscaram um vocábulo familiar e que expressasse de modo já conhecido os significados de excesso, intensidade, dissolução, desordem. Esta procura os levou ao “desejo”, palavra que desde a Antiguidade romana estava bem assentada como o signo que designava um poderoso elo da existência; um componente ontológico capaz de interferir nos rumos trilhados pela vida, de revolvê-la e selar o destino das almas. Com esse nome as Sagradas Escrituras, os Santos Pais, a Regra de São Bento nomeavam algo que costumava propiciar o mal, manchar o espírito. Aquele nome supria suas expectativas de sentido, respondia à sua busca pelo transcendente por trás da diferença, do alheamento, do afastamento, da cisão. Ele conferia uma origem supra-humana àqueles comportamentos nos quais a escolha não era freada e a capacidade de decidir continuava a ser acionada. Como elo constitutivo da percepção papista das relações de poder, a idéia de “desejo” não possuía lugar próprio nas estratificações significantes constitutivas das textualidades eclesiásticas, a não ser o de conferir um rosto ao não-lugar da autoridade pontifícia, fazer ver sua recusa, torná-la tangível, possível de ser localizado, explicado, combatido e extirpado. Nos casos aqui debatidos, tal vocábulo não comportava uma referencialidade própria, não era um nome atado a alguma coisa-em-si – ou o era somente no melindre de uma trama discursiva. Ele era antes o signo de uma ausência, de uma privação: a falta da obediência a ser tributada à palavra superior irradiada da Santa Sé.
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Finalidade pública, autoridade governamental e poder coletivo

Finalidade pública, autoridade governamental e poder coletivo

O número crescente de desafios na política pública demanda a participação ativa de inúmeros atores dentro e fora do governo e requer que o governo trabalhe para além dos limites convencionais. Esses desafios forçam o governo a utilizar sua autoridade e recursos para habilitar e empoderar outros. O aumento da complexidade e da incerteza nas questões de política e nos contextos de governança levam os governos a aprimorar sua capacidade de antecipar, intervir, inovar, aprender e adaptar-se. Futuras reformas irão requerer uma visão mais ampla dos papéis do governo e dos cidadãos. Embora o governo continue a ser o garantidor dos interesses coletivos com o poder de intervir, ele precisa descobrir como pode trabalhar com os cidadãos e outros atores como o objetivo de produzir resultados de elevado valor público. Enquanto governos avançam para produzir resul- tados com os cidadãos, eles atingem um conjunto mais completo de relações e ampliam o repertório de papéis que cada um pode desempenhar para obterem resultados. Estas reformas permitirão uma definição mais ampla de resultados públicos que enfatizam a importância das políticas públicas e dos resultados cívicos. Estes últimos conferem credibilidade, enquanto os primeiros aumentam a legiti- midade. Ambos aumentam a confiança dos cidadãos no governo. Os administradores públicos têm, até agora, trabalhado a partir de uma definição incompleta de resultados que não confere peso suficiente aos resultados cívicos.
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O poder de policia e o abuso de autoridade no âmbito da Brigada Militar

O poder de policia e o abuso de autoridade no âmbito da Brigada Militar

O presente trabalho de conclusão de curso propõe-se a analisar o poder de polícia e o abuso de autoridade no âmbito da Brigada Militar, avaliando o papel desempenhado pelos órgãos responsáveis pela segurança pública no Brasil. Busca analisar o poder de polícia conferido ao policial militar para o exercício das funções relativas a garantia da ordem pública, com vistas a segurança e a tranquilidade social em todo território brasileiro, demonstrando que este, enquanto representante estatal, deve atuar seguindo as normas legais para que os objetivos de sua presença e ação sejam cumpridos. Também analisa os excessos cometidos que, por não encontrarem respaldo legal, caracterizam-se como abuso de autoridade, o que possibilita a responsabilização administrativa, civil e penal do agente público. Para realizar suas funções, especialmente as relacionadas a segurança pública, o Estado possui um poder legitimo de atuação, que se bem utilizado assegura a realização das necessidades do povo e o desenvolvimento do estado democrático de direito. Mas sempre que ocorre abuso do poder o Estado, por intermédio de seus agentes, extrapola os limites de controle estabelecidos em lei o que coloca em risco os direitos de liberdade dos cidadãos e torna o poder de polícia um poder abusivo e ilegítimo.
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O poder de domar do fraco: construção de autoridade pública e técnicas de poder tutelar nas políticas de imigração e colonização do Serviço de Povoamento do Solo Nacional, do Brasil.

O poder de domar do fraco: construção de autoridade pública e técnicas de poder tutelar nas políticas de imigração e colonização do Serviço de Povoamento do Solo Nacional, do Brasil.

Resumo: Neste artigo examino ações e representações desenvolvidas pelos agentes do Serviço do Povoamento do Solo Nacional, do Brasil, procurando sublinhar o papel que as políticas de imigração e colonização ocupam no interior de processos mais amplos de formação de estados nacionais. Para isso, mostrarei como as técnicas de poder envolvidas na execução destas políticas desempenham um papel na construção de autoridade pública. Parto aqui de uma démarche antropológica segundo a qual as políticas públicas devem ser concebidas não como mera aplica- ção de projetos por meio de estruturas preexistentes, mas como locus de construção dessas estruturas e, conseqüentemente, de autoridade pública. Trata-se de uma leitura que põe acento no modo como os mecanismos de administração são estruturados por meio da construção dos objetos das políticas públicas, pelo recru- tamento dos agentes sociais que as conduzem, e pela constituição das redes de interação social por meio das quais essas políticas circulam.
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Letramentos escolares: relações de poder, autoridade e identidades

Letramentos escolares: relações de poder, autoridade e identidades

128 e 130). Ou seja, os alunos ratiicam as iniciações feitas por Dalva e têm seus turnos avaliados por ela (linha 127). Entretanto, os alunos só tomam o turno nos momentos relevantes deixados por Dalva e ninguém se autosseleciona durante a continuidade da leitura em voz alta, a não ser quando Dalva faz uma iniciação e abre espaço para tomada de turno. Em síntese os dois eventos de letramento analisados desenvolvem “[...] bem mais, habilidades procedimentais para a movimentação em torno dos textos, [...]” (STREET, 2014, p. 139). São eventos de letramento que Street e Street chamam de escolarizados, sustentados por ideologias tradicionais de ensino, cuja organização está centrada ainda na autoridade dos professores, “em contextos como esses, ao que parece, o objetivo inal é obter controle sobre o texto” (STREET, 2014, p. 132). Nesse caso, o aluno muitas vezes não se sente autorizado ou com poder para negociar o texto escrito, trazer seus saberes para o evento e negociar intersubjetividades. Entretanto, também reconhecemos agência no fazer dos alunos, como de Saulo que menciona não ter o texto e depois ao selecionar João como o próximo a fazer a leitura. Porém, Saulo, assim como Pedro, eram alunos reconhecidos por terem participações diferenciadas nas aulas, esses alunos eram aqueles que costumavam ter participações não canônicas e adjetivas como exuberantes (RAMPTON, 2006; LOPES, 2015) em todas as aulas.
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Crise da Educação: autoridade e/ou poder na relação educativa

Crise da Educação: autoridade e/ou poder na relação educativa

Assim, a pertinência da análise da crise da educação, ou talvez melhor, da crise da autoridade na educação, desagua na clarificação conceptual da noção de autoridade e, dada a multidimensionalidade da noção (e da própria crise) que, na perspetiva de Houssaye 7 ,está relacionada com múltiplos setores, perspetivada sob diferentes ângulos, ligada a noções diversas como a influência, o poder, o constrangimento, a violência, a disciplina, vividos como estando relacionados (ligados) com a realidade escolar, e uma vez que é mal conhecida nos seus prós e contras, na sua origem e nos seus modos de atuação segundo Mendel 8 , bem como o facto de que a própria autoridade, como conceito, nas palavras de Arendt 9 , se ter obscurecido pela controvérsia e pela confusão. A análise da crise da autoridade, a problematização da questão da autoridade, convocada para o terreno de educação, em consonância com a proposta de Renaut, as grandes questões que orbitam em torno da relação pedagógica e da essência da educação, a vocação essencialmente humana da educação, serão temáticas tecidas em torno do pensamento de Kant, Arendt, Mendel, Renaut e Houssaye.
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O poder de domar do fraco: construção de autoridade e poder tutelar na política de povoamento do solo nacional

O poder de domar do fraco: construção de autoridade e poder tutelar na política de povoamento do solo nacional

Um aspecto importante das duas emendas é que elas não de- finiam qualquer contrapartida dos Estados ou mesmo mecanismos de controle por parte da União em troca dos subsídios federais ofe- recidos. Neste caso, temos projetos que demandavam a retomada da intervenção federal nos domínios de colonização e imigração, o que significava verbas orçamentárias para este fim, e um mínimo de aparato burocrático a ser criado para a realização dos repasses e/ou pagamento de passagens. De fato, o objetivo era que isto implicasse não uma centralização em torno do governo federal, mas sim um refor- ço do poder dos Estados que, se tinham sido investidos da autoridade de conduzir suas próprias políticas de colonização e imigração, não possuíam recursos para exercê-la. Ambas as emendas propunham que a diversidade de situações a serem solucionadas no mundo do trabalho fosse encaminhada a partir dos Estados e que a União lhes servisse de suporte. Todavia, ainda que a centralização não fosse o objetivo, ela já aparecia como efeito indesejado a partir da própria definição legal e orçamentária, que voltava a conferir ao governo central um papel nas políticas de imigração e colonização.
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O poder e a autoridade do professor do 1º ciclo:principíos e acções para o desenvolvimento da profissão e da aprendizagem dos alunos:um estudo de caso

O poder e a autoridade do professor do 1º ciclo:principíos e acções para o desenvolvimento da profissão e da aprendizagem dos alunos:um estudo de caso

determinar o comportamento de outros ou decidir o resultado do conflito” (Bush, 1996) e, neste sentido, torna-se necessário distinguir entre “autoridade” e “influência”. Enquanto que a “autoridade” é vista como um aspecto estático, formal e estrutural do poder baseado no direito legal de tomar decisões implicando submissão involuntária dos subordinados porque é unidireccional sendo a sua origem apenas macro estrutural; a “influência”, pelo contrário, não é circunscrita, o seu domínio é difuso (dá-se de cima para baixo; de baixo para cima; horizontalmente) e, assim, constitui um elemento táctico, dinâmico e informal do poder que não envolve, necessariamente, uma linearidade vertical superior-subordinadoio. Assim, a análise sobre o(s) poder(es) nas organizações educativas, ao mesmo tempo que tem permitido reafirmar a existência de relações assimétricas de poder em tais contextos, também tem permitido mostrar como, em algumas configurações de acção organizacional, as relações assimétricas se podem converter em relações mais simétricas ou, pelo menos, questionar as relações existentes (Afonso, 1991a; Sá, 1996; 2004). Esta análise, em alguns dos seus contornos, vai precisamente avançar com a ideia de que “as micropolíticas do ensino podem, por certo, ser cínicas, controladoras e calculistas, mas também podem ser positivas, conferir poder e serem colegiais” (Hargreaves, 1995: 8).
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A CRISE DA AUTORIDADE JURÍDICA E O TERRORISMO COMO FORMA DE COMUNICAÇÃO DE PODER Direito e Poder na Pós-Modernidade MESTRADO em Direito

A CRISE DA AUTORIDADE JURÍDICA E O TERRORISMO COMO FORMA DE COMUNICAÇÃO DE PODER Direito e Poder na Pós-Modernidade MESTRADO em Direito

A autoridade jurídica, isto é, o poder estatal legitimado pelo direito, neste momento, encontra-se, conforme procuramos demonstrar, desafiada em todos os seus aspectos fundamentais. Em primeiro lugar o seu “lugar”, qual seja, o estado nacional, passa por uma profunda transformação de identidade, fronteiras e de função no âmbito internacional. Em segundo lugar o seu desenho institucional e mesmo sua tradicional forma de legitimação, por meio de uma ordem jurídica a qual se submete, respeitados os procedimentos também nela prescritos e, hodiernamente, pela assunção de deveres objetivos, pertencem a outro “tempo”, que não mais se compatibiliza com a velocidade do sinal eletrônico e com a capacidade virtual, porém humana, de estar em diversos lugares ao mesmo tempo, absorvendo informações de maneira incessante.
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O poder dos começos: uma reflexão sobre a autoridade

O poder dos começos: uma reflexão sobre a autoridade

Segundo d’Allonnes, esse “aumento”, tão característico do fenômeno da autoridade que está presente inclusive na etimologia latina da palavra – auctoritas, augere –, é em realidade um excesso de significação inerente a todo tipo de ação humana, mas que, nos atos e eventos que fundam uma estrutura de autoridade, sobrevive ao próprio ato de fundação e possibilita uma espécie de continuidade duradoura para a produção de novos significados relacionados ao ato de fundação. Por isso é necessário ter em consideração outra distinção proposta pela autora. Segundo d’Allonnes, “assim como a autoridade não se confunde com o poder, tampouco se reduz à tradição entendida como depósito sedimentado”, pois a essa espécie de “tradição sedimentada” não corresponderia necessariamente o referido excesso de significação do ato fundador, o qual, antes de sedimentar significações, possibilita a produção continuada de uma cadeia de significados. A fundação implica no reconhecimento de uma anterioridade de sentido, ou seja, em um excesso de significação oriundo do passado em relação aos eventos de um determinado presente. E tal excesso não somente possibilita a continuidade de uma cadeia de ações e experiências, como também determina em grande parte as significações criadas a partir de um ato fundador (D’ALLONNES 2008, p. 33-34; 95; 248).
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Open As Relações de Poder em Sala de Aula: Uma análise discursiva sobre a perda da autoridade do  nesse espaço

Open As Relações de Poder em Sala de Aula: Uma análise discursiva sobre a perda da autoridade do nesse espaço

Considerando a escola um espaço onde essas relações de poder se tornam bastante evidentes, estudamos de que modo se estabelecem essas relações a começar da associação estabelecida por Foucault entre poder e saber, já que, a escola é um importante vetor da consolidação dessa relação. Assim, estudamos o espaço escolar como estrutura com fins disciplinares, analisamos também quais são os artifícios dos quais o professor se utiliza enquanto “detentor do poder” a fim manter-se nessa posição, as vontades de verdade das quais o sujeito-professor lança mão para formular os jogos de verdade que “regulam” o comportamento do sujeito-aluno, apesar da perceptível diminuição da autoridade daquele (sujeito-professor) no espaço da sala de aula, as estratégias de resistência das quais esse sujeito-aluno se vale diante do poder do professor, e, principalmente, o modo como atualmente se dá a subjetivação dos indivíduos em sujeito-professor e sujeito-aluno na nossa sociedade. Nosso estudo fundamentou-se teoricamente na Análise do Discurso de Linha Francesa, mais especificamente nas teorizações foucaultianas que envolvem temas como subjetivação, discurso, saber, poder e disciplina. Para ilustrar nosso trabalho, utilizamos uma crônica, uma charge e uma reportagem, além da análise do nosso corpus de pesquisa - que consiste em aulas coletadas em uma escola estadual da cidade de Campina Grande. Ao final da pesquisa, alguns pontos de reflexão foram levantados a partir da observação e análise da relativa perda da autoridade do sujeito-professor no espaço da sala de aula. Pudemos observar que diversos fatores como as novas tendências pedagógicas, as práticas jurídicas relacionadas à criança e ao adolescente, a nova estruturação da instituição família e fatores de ordem sócio-econômica estão diretamente ligados à constituição de um sujeito-profesor diferente do de outrora.
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Autoridade e poder: os limites do poder temporal e espiri- tual no século XIV, segundo o pensamento de Guilherme de Ockham

Autoridade e poder: os limites do poder temporal e espiri- tual no século XIV, segundo o pensamento de Guilherme de Ockham

Nota-se que Egídio Romano preferiu os textos do Antigo Testamento para fundamentar sua visão sobre o poder régio. Ele recorreu a analogias e comparações nas quais o povo judeu prefigurava os reinos cristãos. Foi através dos textos do Antigo Testamento, ou melhor, da interpretação dada aos textos do livro dos Juízes e a história de Moisés que Egídio Romano tentou fundamentar que a Igreja teria os dois poderes (gládios) em suas mãos. Assim expressou Egídio Romano (1989, p. 61): “A Igreja tem, pois, ambos os gládios, mas não de igual modo: detém o espiritual para o uso e o material à disposição.” A distinção entre uso e disposição foi a tentativa de Egídio Romano evitar, ainda que de forma tênue, que os dois poderes fossem na verdade um só. O perigo constante que os defensores da plenitude do poder papal incorrem era a dissolução entre o sagrado e o profano. A dissolução comprometia a necessidade e a existência da Igreja como representante do sagrado. O próprio teólogo percebeu que seria prejudicial à organização da cristandade que o poder temporal fosse desvalorizado ou desautorizado em suas ações. Egídio Romano (1989, p. 163-170) tentou salvar a autoridade do poder temporal afirmando que a Igreja embora pudesse, para manter a tranqüilidade entre os príncipes, não devia constantemente intervir nas decisões do poder temporal. Para desempenhar melhor as funções mais importantes do sumo pontífice que eram as espirituais, Egídio Romano aconselhou que o sumo pontífice deixasse as decisões comuns para os juízes e outros legisladores do poder temporal.
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A construção da autoridade entre os donos de barco no Aventureiro, Ilha Grande - RJ: uma etnografia das relações de poder.

A construção da autoridade entre os donos de barco no Aventureiro, Ilha Grande - RJ: uma etnografia das relações de poder.

Na praia do Aventureiro vivem cerca de cem pessoas, que estão distribuídas em pouco mais de trinta casas. Em geral, as casas dos membros de uma mesma família nuclear se distribuem ao redor da casa dos pais nos terrenos coníguos. Um morador só podia, na época da pesquisa, construir sua própria moradia com autorização da FEEMA (Fundação Estadual de Engenharia do Meio Ambiente), quando se casa e consitui sua própria família, em um acordo tácito entre os próprios moradores e os funcionários do órgão ambiental. Em função das proi- bições da lei ambiental, que atuam ali desde a criação da Reserva Biológica Es- tadual da Praia do Sul, no ano de 1981, percebe-se que a proibição de construir novas moradias fez com que as casas habitadas tenham todos os seus cômodos ocupados por moradores, em uma situação de superlotação de algumas casas. As casas que possuem terrenos têm também maior área para os campings e, em geral, pertencem às famílias mais prósperas, que podem abrigar mais turistas nas temporadas. Diante dessa nova aividade econômica, houve uma alteração na construção e manutenção das lideranças locais e na questão da autoridade entre os moradores do Aventureiro. Essa alteração ocorreu, principalmente, a parir de duas posições de presígio e poder que surgiram a parir dos ganhos econômicos com o turismo e com a aividade de camping realizada nos terre- nos das famílias: os donos de barco e os donos de camping. Em geral, como veremos, os donos de camping mais bem sucedidos puderam se capitalizar e comprar barcos para o transporte de pessoas e material, aumentando as pos- sibilidades de deslocamento dos moradores para o coninente. Os moradores como empreendedores (BARTH, 1972), por sua vez, obiveram dinheiro sui- ciente para erguer casas de alvenaria, aumentando as oportunidades para suas famílias permanecerem no local, havendo até a atração de anigos moradores, que voltaram a viver nas terras de suas famílias (caracterizando um movimento inverso, pois, se, no passado, saíram da Praia do Aventureiro para morar em
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Violência institucional, autoridade médica e poder nas maternidades sob a ótica dos profissionais de saúde.

Violência institucional, autoridade médica e poder nas maternidades sob a ótica dos profissionais de saúde.

O tema traz para a reflexão o próprio exer- cício do poder e da autoridade médicos que se estende em diferentes medidas a todos os pro- fissionais de saúde envolvidos na assistência às mulheres, bem como a todos os demais usuários de serviços de saúde. Diversas esferas dos se- tores público e privado têm se mobilizado em torno dessa questão realizando investigações e debates. A própria política de humanização da assistência hospitalar e o Programa de Huma- nização do Parto e Nascimento do Ministério da Saúde 11 são exemplos de respostas à insatisfa- ção dos usuários com um tratamento denuncia- do como desrespeitoso, violento e uso indiscri- minado de tecnologias que resultam em altas ta- xas de cesarianas e dor iatrogênica 12 . De acordo com Deslandes (p. 9) 13 , “resgatar a humanidade do atendimento, numa primeira aproximação, é ir contra a violência, já que esta representa a antítese do diálogo, a negação do ‘outro’ em sua humanidade”.
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Poder, autoridade e liderança institucional na escola e na sala de aula: perspectivas sociológicas clássicas.

Poder, autoridade e liderança institucional na escola e na sala de aula: perspectivas sociológicas clássicas.

Das perspectivas teóricas de Durkheim, Waller e Jackson, o que valerá a pena reter no contexto tão profundamente alterado das actuais sociedades democráticas e (pós) modernas, caracterizadas por um processo de personalização individualista, nas quais entraram em crise, aparentemente irremediável, as grandes narrativas (educacionais e pedagógicas, também), a socialização disciplinar e os modelos de transmissão cultural assentes numa relação unilateral, assimétrica e hierárquica en- tre as gerações adulta e jovem? 8 . Será que um modelo de escola hierárquico, um 7 Blackledge e Hunt (1985, p. 271), apoiam este ponto de vista, quando criticando a sobre-utilização do conceito de poder nas análises sociológicas da interacção na sala de aula, defendem a utilização selectiva dos conceitos de poder e de autoridade: […] existem situações em que os alunos permitem, e na verdade esperam que o professor defina a situação para eles sem negociação. […]. É assumido que os professores tentam impor a sua vontade aos alunos ou que estão dispostos a fazê-lo. Mas há um conceito associado ao de poder, o de autoridade, que Weber definiu como poder legítimo. Se uma pessoa aceita a autoridade da outra, ela permite que ela defina a situação, ou parte dela. Interessantemente encontramos poucas referências à autoridade nos estudos sobre a sala de aula, apesar de ser evidente que os professores estão conscientes da necessidade, por vezes, estabelecerem e manterem a sua autoridade. […] O modelo do poder de indivíduos impondo deferentes definições e negociando certas formas de compromisso não é de modo nenhum o único modelo que poder ser aplicado nas escolas”.
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Princípio da insignificância e a sua aplicabilidade pela autoridade policial como uma alternativa para desobstruir o poder judiciário e o sistema prisional

Princípio da insignificância e a sua aplicabilidade pela autoridade policial como uma alternativa para desobstruir o poder judiciário e o sistema prisional

Diligência obrigatória, que visa garantir uma melhor condição aos peritos criminais. Conforme se sabe, o art. 158 do CPP, prevê que nas infrações que deixam vestígios é obrigatória a realização do exame de corpo de delito, pois se trata de elemento de prova hábil a comprovar a materialidade da infração. Restando como exceção, as infrações do trânsito, que conforme o art. 1º da Lei n.º 5.970/73 prevê que “em caso de acidente de trânsito, a autoridade ou agente policial que primeiro tomar conhecimento do fato poderá autorizar, independentemente de exame do local, a imediata remoção das pessoas que tenham sofrido lesão, se estiverem no leito da via pública e prejudicarem o tráfego”, visando a segurança dos envolvidos no acidente, bem como daqueles que se encontram trafegando na rodovia onde ocorreu o fato.
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A indisciplina: as representações sociais das relações de autoridade e poder na Escola E.E.F.M. Francisco Ernesto do Rêgo Queimadas/PB

A indisciplina: as representações sociais das relações de autoridade e poder na Escola E.E.F.M. Francisco Ernesto do Rêgo Queimadas/PB

A disciplina, pela sua própria definição, ao contrario de indisciplina, reflete um processo de obediência, ou mesmo um seguimento de regras. Quando nos referimos a escola e a educação entendemos que nesse espaço existe uma composição de relações sociais inclusive a de professor-aluno. Muitas vezes o uso da autoridade pelo professor é uma constante para tornar o indivíduo “comportado”. Dentro da chamada escola pública, a qual será a nossa preocupação, se faz através de direitos e deveres, seguido de regras internas que compõe seu funcionamento. Diante disto, a disciplina na escola é vista como algo positivo e que deve ser seguido. Uma vez que, ajuda no seu funcionamento e organização. Então, aquele chamado de transgressor é o aluno considerado indisciplinado.
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Autoridade normativa do poder executivo na edição de medidas provisórias frente ao Princípio da tripartição dos poderes.

Autoridade normativa do poder executivo na edição de medidas provisórias frente ao Princípio da tripartição dos poderes.

Com a evolução do Estado surgem também as funções estatais como atividades essenciais a sociedade, assim a teoria da tripartição dos poderes designa quais os poderes do Estado e quem as exerce, sendo, pois, os poderes, legislativo, executivo e judiciário, que criam leis, administram e aplicam as leis ao caso concreto. Juntamente com as funções típicas mencionadas anteriormente, foram criadas as funções atípicas de cada poder, fundadas principalmente no sistema de freios e contrapesos, que busca garantir a independente e harmonia ente os poderes. Sendo o objeto do presente trabalho a função atípica do poder executivo quando da edição de medidas provisórias, relacionando o exercício dessa função com os reflexos no princípio da tripartição dos poderes. Quanto a metodologia de pesquisa utilizada, o trabalho estrutura-se a partir da técnica de pesquisa bibliográfica, em que são examinadas analítica e criticamente a doutrina, a legislação correlata, bem com, utilizando-se do método de abordagem dedutivo, partindo a explanação da parte genérica para a específica, por meio da interpretação sistemática do tema a que se propõe. Desse modo, foi possível contatar que ao longo da história das constituições brasileiras, o poder executivo sempre se sobressaiu em relação aos demais poderes, principalmente quando exercia a função atípica normativa, e que na atual constituição o engrandecimento desse poder ocorre quando o presidente da república edita medidas provisórias com finalidades diversas do objetivo do instituto, assim como quando foge dos requisitos constitucionais da relevância e da urgência, pondo em risco a independência e harmonia dos poderes. Portanto, o presente trabalho buscou evidenciar a histórica e atual superioridade do poder executivo, especificamente quando este exerce a função atípica de legislar, bem como evidenciar a necessidade de estabelecer novos limites para o uso do instituto da medida provisória como forte normativa baseada na relevância e urgência, para que assim seja garantida a efetiva independência e harmonia entre os poderes Estatais.
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