Top PDF Heidegger e a fenomenologia da solidão humana (vol. I)

Heidegger e a fenomenologia da solidão humana (vol. I)

Heidegger e a fenomenologia da solidão humana (vol. I)

mas na radicalização das intenções genuínas de cada uma delas. A valorização da questão da definição e a mobilização para o trabalho concreto são susceptíveis de se converterem, a partir de si próprias e por via de uma indagação das suas possibilidades e implicações, na perspectiva segundo a qual a efectiva obtenção da definição de filosofia corresponde à mais perfeita e acabada concretização da situação em que se está. Ou, inversamente: são susceptíveis de se converterem na perspectiva segundo a qual a tarefa de concretização da situação em que se está é o equivalente do projecto de definição dessa situação. Se se quiser, a crítica de Heidegger àquelas duas possibilidades (à possibilidade da sobrevalorização e à da subvalorização da definição) passa, fundamentalmente, por pôr em evidência a exterioridade que nelas se supõe entre a actividade filosófica sensu stricto e a procura da definição de filosofia. Quando o que Heidegger sustenta é, na verdade, uma total coincidência entre ambas as coisas: que uma e outra não são senão a mesma actividade. De sorte que — para empregar os termos exactos de Heidegger — procurar determinar o que é a filosofia “não acompanha esta como algo de superveniente” (diese nicht als etwas Nachträgliches begleitet, GA 29/30 85). Procurar determinar o que é a filosofia é algo que “pertence concomitantemente a ela própria” (mit zu ihr selbst gehört, GA 29/30 85) — é algo “indissociável” (unablösbar, GA 29/30 85) dela. Inversamente, só se pode responder à pergunta pela identidade e pela possibilidade da filosofia “por via da filosofia” (durch die Philosophie, GA 24 5) — ou melhor, por via do filosofar e “só por via do próprio filosofar” (nur durch Philosophieren selbst, GA 60 8). Por outras palavras, a filosofia, segundo Heidegger, é essencialmente
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A Fenomenologia como retorno à ontologia em Martin Heidegger.

A Fenomenologia como retorno à ontologia em Martin Heidegger.

A elaboração do conceito formal de fenomenologia é preparada e conduzida pela análise semântica das raízes gregas que entram na composição dessa palavra. Invertendo a ordem seguida por Heidegger, consideremos em primeiro lugar como é operada, em Ser e Tempo, a análise de logos. Razão, julgamento, conceito, defi nição, constituem sem dúvida elementos determinantes do sentido corrente de logos como discurso. Mas são signifi cados secundários e tardios que encobrem, dissimulando o sentido principal e primitivo. Para os gregos, a função primordial de logos é um apophainesthai – fazer ver aquilo sobre o qual se discorre. De Waelhens comenta: “Quando se refere à sua signifi cação etimológica, fenomenologia quer dizer: leitura, ou ciência dos fenômenos” (WAELHENS, p. 1955, p.14). E prossegue, observando que não se trata de uma leitura interpretativa, mas descritiva. Aliás, o próprio Heidegger enfatiza que a expressão fenomenologia descritiva é “[...] im Grunde tautologish” (HEIDEGGER, 1960, p. 35). Enquanto apophansis, logos é, por conseguinte, o discurso como manifestação daquilo de que se fala. Fenomenologia será, então, o discurso manifestador do fenômeno. Todavia, o que se quer designar por fenômeno, objeto deste discurso?
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A caminho da poesia em Martin Heidegger : uma fenomenologia e hermenêutica da linguagem

A caminho da poesia em Martin Heidegger : uma fenomenologia e hermenêutica da linguagem

Logo, fenomenologia, é a descrição de como o ser dos entes se apresenta e os descrevemos. É esta atitude perante o método fenomenológico que faz com que, em Heidegger, a fenomenologia seja apenas possível como ontologia, uma vez que o fenômeno em sentido não formal, não vulgar e, propriamente, fenomenológico, é o ser, “pois o mostrar- se não é um mostrar-se qualquer e, muito menos, uma manifestação. O ser dos entes nunca pode ser uma coisa “atrás” da qual esteja outra coisa “que não se manifesta”” (SZ, p.75).
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Heidegger e a fenomenologia da solidão humana (vol. II)

Heidegger e a fenomenologia da solidão humana (vol. II)

mais purificada de inautenticidade que esteja) parece encerrar inevitavelmente momentos de inautenticidade, como também a disposição da inautenticidade (por mais irreflectida que seja) parece lidar de algum modo sempre com uma determinada consciência do seu próprio modo de ser enquanto inautêntico. De tal modo que, quando aqui se fala de autenticidade, é necessário não esquecer que está em causa uma tensão ou um esforço para estabelecer uma perspectiva consciente em relação à totalidade da vida e para resistir à incessante tentativa de imposição de modos inautênticos de relação com o todo da vida. Não só a inautenticidade tem a possibilidade de se transformar em autenticidade, mas também esta última — porque conserva em si momentos de inautenticidade e consiste no esforço permanente de transição da inautenticidade para a autenticidade — tem a pretensa possibilidade e a pretensa legitimidade de ajuizar com propriedade aquilo que se passa no próprio terreno da inautenticidade. O que verificamos na analítica existencial é, portanto, uma tentativa, por parte de Heidegger, de considerar a perspectiva correspondente à autenticidade como aquela que possui o critério que está apto para avaliar em próprio a inautenticidade. Esta tese não nos parece, no entanto, pacífica: precisa de ser demonstrada — e, tanto quanto conseguimos ver, Heidegger não o procurou fazer.
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GEOGRAFIA E FENOMENOLOGIA: MERLEAU-PONTY E SUA INFLUÊNCIA NA GEOGRAFIA HUMANA

GEOGRAFIA E FENOMENOLOGIA: MERLEAU-PONTY E SUA INFLUÊNCIA NA GEOGRAFIA HUMANA

Com efeito, uma parte considerável dos estudos geográficos com perspectiva fenomenológica evidenciam, sobretudo, as filosofias ou, as epistemologias de outros autores fenomenólogos tais como Heidegger, Husserl, Sartre, e Bachelard, principalmente. Porém, esquecem que outro fenomenólogo (Merleau-Ponty) - cuja importância está direcionada quando de sua abordagem sobre o espaço vivido - tenha sua importância. Bem entendido, “dos principais autores da fenomenologia a partir de Edmund Husserl, Merleau-Ponty é o que menos se discute a respeito de sua epistemologia na geografia” (Souza, 2012:16). Desde então faz-se necessário colocar algumas questões, no entanto não iremos nos prender as mesmas, em virtude de não ser nosso objetivo aqui. Mas que certamente tais indagações irão suscitar polêmicas. Vejamos: porque se prioriza com maior importância - no seio da Geografia Humana - alguns fenomenólogos como Husserl, Sartre e Heidegger, por exemplo, e menospreza-se Merleau-Ponty? “Porque a um desinteresse deste último por parte dos geógrafos? Sua filosofia não tem mérito a tal ponto que seja rejeitada pelos próprios geógrafos?” (SOUZA, 2012, p. 17).
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Fenomenologia da prática  investigação em enfermagem da experiência vivida

Fenomenologia da prática investigação em enfermagem da experiência vivida

advém da proposta de Heidegger que defendeu que esta deveria assentar na tentativa de voltar ao mundo como é vivido, reconhecendo que, ainda assim, este esforço nunca conseguirá alcançar todo conhecimento acerca do modo como estamos no mundo. Esta conclusão advém da consciência de Heidegger de que as manifestações das coisas, os eventos, encontram-se intimamente ligadas com os seres que as experienciam. Compreende-se assim o seu cuidado na asserção de que existe uma possibilidade de compreensão e que acima da realidade está a possibilidade. 8 Estamos sempre imersos no mundo das coisas, deste modo, o que captamos não são aspetos isolados, mas, sim, um sentido experimentado do que vivemos. Estar-aí, Dasein, é portanto existirmos no mundo em uma relação com o que nos rodeia.  Redução ética: alteridade
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Psicol. USP  vol.26 número3

Psicol. USP vol.26 número3

Conforme argumenta Zahavi (2003), esse quadro de desconhecimento, por si só, gera equívocos quanto à feno- menologia clássica, pois, na primeira parte de seu trabalho, a fenomenologia demasiado descritiva de Husserl traz uma série de ambiguidades e limitações com as quais o filósofo se debate num constante movimento de aperfeiçoamento, correção, crítica e aprofundamento que se prolonga por toda a sua vida. O próprio Husserl critica aspectos dos resulta- dos a que chegara em Investigações Lógicas (1900-1901) e nas Ideias 1 (1913). Isto, com efeito, demonstra mudanças e aprofundamentos ao longo de seu percurso filosófico, mas não uma ruptura entre seus momentos (Zahavi, 2003) que contradiga os princípios da unidade consistente que tem sua fenomenologia. Heidegger, Sartre e Merleau-Ponty criticaram a fenomenologia transcendental de Husserl, retrabalharam e desenvolveram as ideias do fundador do método (Allen-Collinson, 2009; Capalbo, 2007; Casanova, 2010; Moreira & Cavalcante Junior, 2004; Schneider, 2011; Zahavi, 2003), havendo uma influência filosófica desses autores sobre a mencionada psicologia fenomenológica (Amatuzzi, 2001; Castro & Gomes, 2011; Langridge, 2008; Moreira, 2008; Moreira & Tatossian, 2012;).
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MORTE, SIGNIFICAÇÃO E OS LIMITES DA REPRESENTAÇÃO: UM PERCURSO DERRIDIANO DE HUSSERL A HEIDEGGER

MORTE, SIGNIFICAÇÃO E OS LIMITES DA REPRESENTAÇÃO: UM PERCURSO DERRIDIANO DE HUSSERL A HEIDEGGER

Resumo: Partindo do pressuposto segundo o qual a atitude fenomenológica é constituída de uma simultaneidade entre o processo subjetivo e imanente e o próprio objeto em sua constituição na imanência, pretende-se neste artigo investigar as razões pelas quais Husserl não a concretiza plenamente. Assim, 1) ao considerar que o objeto só é possível à medida que o mesmo está no horizonte da intencionalidade, concebendo o ato intencional como constituinte da aparição do objeto; e 2) ao buscar fundamentar o conhecimento na consciência ideal/transcendental que constitui a idealidade capaz de salvar o domínio da presença na repetição – de uma presença que não corresponde estritamente a nada que existe no mundo, mas é correlata dos atos de repetição ideais. Qual a causa dessa dificuldade, desse (aparente) paradoxo? Husserl manteve-se preso ao esquema empirista (Lévinas)? Operou um recorte do a priori lógico no interior mesmo do a priori geral da linguagem, repetindo por outros meios a intenção original da metafísica, afirmando assim o ser como presença (Derrida)? Ou talvez um descuido originário por parte de Husserl com relação ao campo temático da fenomenologia e a tarefa de ver e explicitar a existência em seu ser (Heidegger) o impediu de perceber que o que provavelmente está em jogo naquilo que abre quando se assegura o movimento da idealização é uma certa relação do existente com sua morte (Derrida)? Analisaremos as hipóteses levantadas considerando privilegiadamente o modo como os limites da representação se manifestam a partir da radicalização do questionamento acerca da relação entre significação e morte.
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Vivência da violência conjugal: fatos do cotidiano.

Vivência da violência conjugal: fatos do cotidiano.

RESUMO: A violência conjugal se manifesta no cotidiano de algumas mulheres como fato repetitivo, cruel, por vezes naturalizado. A violência conjugal signiicada pela mulher que a vivencia é parte do seu cotidiano, envolta em brigas, empurrões, xingamentos, humilhações e vergonha. Foram entrevistadas 12 mulheres, vítimas de violência conjugal, em Teresina-PI. O estudo teve como objetivo compreender o signiicado da vivência de violência conjugal pela mulher vitimizada Usou-se o referencial da fenomenologia para análise, com conceitos de Martin Heidegger. O método de análise compreensiva, utilizado neste estudo, permitiu que mulheres vitimizadas descrevessem suas vivências. Os resultados revelam que são mulheres aprisionadas no próprio lar e impedidas de participarem da convivência com familiares e em outros cenários da vida em sociedade. O estudo mostra que há uma constatação factual onde as marcas físicas são, principalmente, as mais relatadas.
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REPOSITORIO INSTITUCIONAL DA UFOP: Contribuições da fenomenologia para os estudos organizacionais.

REPOSITORIO INSTITUCIONAL DA UFOP: Contribuições da fenomenologia para os estudos organizacionais.

4. fenomenologia hermenêutica – deriva de ‘Ser e tempo’, considerando que toda a existência humana é interpretativa, não havendo acesso a nada. Somente é possível compreender o fenômeno como ele aparece dentro do contexto. A temática dessa tendência filosófica inclui todas as que já estavam nas fases anteriores, diferindo somente na ênfase dada à hermenêutica, ou método de interpretação. Inclui estética, ética, história, línguas, direito, literatura, percepção, política, religião, filosofia da natureza (especialmente as ciências humanas) etc. Principais nomes: Martin Heidegger, Hans- Georg Gadamer, Paul Ricoeur, Patrick Heelan, Graeme Nicholson, Joseph Kockelmans, Calvin Schrag, Gianna Vattimo, Carlo Sini, Don Ihde.
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Contribuições da fenomenologia para os estudos organizacionais.

Contribuições da fenomenologia para os estudos organizacionais.

4. fenomenologia hermenêutica – deriva de ‘Ser e tempo’, considerando que toda a existência humana é interpretativa, não havendo acesso a nada. Somente é possível compreender o fenômeno como ele aparece dentro do contexto. A temática dessa tendência filosófica inclui todas as que já estavam nas fases anteriores, diferindo somente na ênfase dada à hermenêutica, ou método de interpretação. Inclui estética, ética, história, línguas, direito, literatura, percepção, política, religião, filosofia da natureza (especialmente as ciências humanas) etc. Principais nomes: Martin Heidegger, Hans- Georg Gadamer, Paul Ricoeur, Patrick Heelan, Graeme Nicholson, Joseph Kockelmans, Calvin Schrag, Gianna Vattimo, Carlo Sini, Don Ihde.
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A fenomenologia como abordagem metodológica: compartilhando a experiência de mulheres que buscam a prevenção do câncer cérvico-uterino.

A fenomenologia como abordagem metodológica: compartilhando a experiência de mulheres que buscam a prevenção do câncer cérvico-uterino.

Partindo das unidades de significação de onde emergiram os aspectos ônticos, isto é, tudo o que é percebido de forma imediata, encaminhei o meu pensar para a ultrapassagem do verbalizado, na tentativa de des- velar o sentido velado nos depoimentos e, assim, apreender os aspectos ontológicos da presença - o que possibilita as várias maneiras de algo se tornar manifesto. Nesta etapa interpretativa, procedi a uma de- construção das descrições a partir da compreensão de que, nestas, a mulher, como presença, escapa aos conceitos que dela se faz e iniciei um movimento de construção de busca do sentido que funda seu dizer. Nesse sentido, o movimento de de-construir, proposto por Heidegger, não possui o caráter negativo de negar ou de anular o saber factual. É um desmontar a facticidade e um mostrar o que obscurece o sentido, construindo a instância do fenômeno.
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Relig. soc.  vol.34 número2

Relig. soc. vol.34 número2

Ao dar ênfase ao chamado “mundo vivido do terreiro”, Miriam Rabelo vai se inspirar na fenomenologia de Merleau-Ponty e Heidegger – além de outras perspectivas teóricas como a teoria do[r]

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Na trilha da fenomenologia: um caminho para a pesquisa em enfermagem.

Na trilha da fenomenologia: um caminho para a pesquisa em enfermagem.

Como as contribuições de Heidegger têm sido amplamente utilizadas por alguns trabalhos na enfermagem, é necessário reforçar que este destacou a interpretação e a compreensão, além da descrição da experiência humana. O enfoque da investigação fenomenológica é, então, o que a pessoa experimenta em relação a um fenômeno (fenomenologia descritiva) e como interpreta essa experiência (hermenêutica). Neste sentido, o feno- menologista acredita que as experiências vividas dêem signiicado à percepção de cada pessoa sobre um fenômeno particular, sendo a meta da pesquisa fenomenológica descrever a experiência totalmente vivida e as percepções que ela faz surgir.
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O EU E OS OUTROSBERVIQUE, Profa. Dra. Janete de Aguirre

O EU E OS OUTROSBERVIQUE, Profa. Dra. Janete de Aguirre

O método de abordagem adotado por Ronald LAING tem como fundamental teórico a Fenomenologia-existencial de KIERKEGAARD, HEIDEGGER e SARTRE, que não considera a insegurança e a angústia como sintomas de doenças, mas sim como uma característica ontológica do homem enquanto homem – como fenômeno a ser compreendido e não catalogado. O ponto de partida é, pois, uma reflexão radical, rigorosa e de conjunto sobre os problemas que a realidade apresenta – realidade essa na qual se encontra situado o homem concreto, como ser-processo, vivendo a sua problemática existencial “aqui e agora”; desvincula-se, pois, o autor, de qualquer dado apriorístico ou rotulação que possa interferir na sua compreensão do homem no seu “estar-sendo-aqui-agora-com-outros”, em diferentes modalidades de experiência ou em diferentes formas de experimentar a realidade.
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DA PSICANÁLISE FREUDIANA COM BASE NA ANALÍTICA DA EXISTÊNCIA DE MARTIN HEIDEGGER DOUTORADO EM PSICOLOGIA CLÍNICA NÚCLEO DE PRÁTICAS CLÍNICAS

DA PSICANÁLISE FREUDIANA COM BASE NA ANALÍTICA DA EXISTÊNCIA DE MARTIN HEIDEGGER DOUTORADO EM PSICOLOGIA CLÍNICA NÚCLEO DE PRÁTICAS CLÍNICAS

Esse problema do “platonismo” de Husserl já havia sido apontado por Natorp. Cf. De Boer: “a oposição entre o a priori e o empírico e, portanto, também entre o lógico e o psicológico, o objetivo e o subjetivo, permanece não resolvida na execução dos Prolegômenos. (...) Natorp é digno de consideração precisamente porque ele viu as dificuldades envolvidas na doutrina da intuição de essências.” (De Boer 1970, p. 490-1). E justamente a filosofia transcendental de Husserl seria já uma resposta a essa crítica de Natorp. Cf. De Boer: “No segundo volume de L.U. encontramos análises dos atos nos quais estamos conscientes de entidades ontológicas formais tais como números, mas essa consciência é ainda concebida de maneira psicológica. É impossível compreender um ente ideal como um correlato constituído pela consciência psicológica. É exatamente essa tensão entre a idealidade de idéias a priori, e a consciência psicológica que dá origem às dificuldades em LU. Elas só podem ser dissolvidas ao se distinguir entre psicologia descritiva e fenomenologia transcendental, porque com isso tanto o platonismo quanto antropologismo serão evitados. Uma tal distinção torna desnecessário enxergar o reino ideal como “pré-dado”.” (De Boer 1970, p. 492). Para uma exposição mais detalhada da crítica de Heidegger à distinção entre real e ideal e às dificuldades que uma tal divisão traz para a concepção de conhecimento veja-se, por exemplo, Heidegger 1925-26, § 10.
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A hermenêutica heideggeriana na pesquisa em clínica

A hermenêutica heideggeriana na pesquisa em clínica

A adaptação mais conhecida do método fenomenológico de Husserl para a psicologia foi desenvolvida por Amedeo Giorgi, cujo modelo é chamado de fenomenológico empírico. Esse tipo de pesquisa visa acessar o vivido a partir de dados empíricos e da análise de depoimentos. Trata-se de uma descrição das experiências vividas das pessoas a respeito de um determinado fenômeno, buscando os elementos invariantes do discurso com o objetivo de chegar a um significado central ou “essencial” (ANDRADE; HOLANDA, 2010). Outro tipo de pesquisa fenomenológica é a eidética, utilizada por autores como Karl Jaspers, Sartre e Merleau-Ponty, a qual se propõe a realizar uma elucidação do vivido mediante a redução fenomenológica. A pesquisa com base na fenomenologia hermenêutica parte dos princípios propostos pelo filosofo Martin Heidegger, discípulo de Husserl, sobre o círculo compreensivo ou hermenêutico (HOLANDA, 2003).
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MARIA ÂNGELA CAVALCANTI DE ANDRADE A IMPLEMENTAÇÃO DO SISTEMA DE INFORMAÇÕES DA EDUCAÇÃO DE PERNAMBUCO E SUA APLICAÇÃO PARA A MELHORIA DA GESTÃO

MARIA ÂNGELA CAVALCANTI DE ANDRADE A IMPLEMENTAÇÃO DO SISTEMA DE INFORMAÇÕES DA EDUCAÇÃO DE PERNAMBUCO E SUA APLICAÇÃO PARA A MELHORIA DA GESTÃO

Então são coisas que a gente vai fazendo, mas vai conversando também, sobre a importância, a gente sempre tem conversas com o grupo, quando a gente sempre faz um[r]

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[Resenha a:] MARANHÃO, Carlos. Roberto Civita. O dono da banca. A vida e as ideias do editor da Veja e da Abril. SP, Companhia das Letras, 2016. — Outubro Revista

[Resenha a:] MARANHÃO, Carlos. Roberto Civita. O dono da banca. A vida e as ideias do editor da Veja e da Abril. SP, Companhia das Letras, 2016. — Outubro Revista

Mas uma fórmula muito questionável, na medida em que nos parece que a segmentação sempre foi uma forma de ajudar a formar o próprio leitor (S ILVA , 2008), atingindo todos [r]

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O governo Lula e a derrota da esquerda — Outubro Revista

O governo Lula e a derrota da esquerda — Outubro Revista

A eleição para a presidência do Brasil, em outubro de 2002, do antigo operário metalúrgico Lula da Silva, abriu um amplo sopro de esperança de que mudanças significativas na vida socia[r]

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