Top PDF Tradição e modernidade na obra de Lucian Blaga.

Tradição e modernidade na obra de Lucian Blaga.

Tradição e modernidade na obra de Lucian Blaga.

míticas, como em “Cidade velha” / “Oras vechi”: “Noapte. Urnirea orelor / se-mplinește fără îndemn. / Taci, – arătătoare se-opresc / sus- pinând pe ultimul semn” [“Noite. As horas passam / perfazendo- se sem pressa. / Silenciou, – os ponteiros param / suspirando no último sinal”]. As imagens estão de alguma forma lembrando o leitor da obra lírica de Georg Trakl. No entanto, o tratamento dos mitos aproxima Blaga de Yeats, um dos poetas que ele mesmo traduziu. “Busquei uma linguagem simbólica que atravessasse as fronteiras do passado, estando associada a denotações familiares e ideias amplamente conhecidas”, Yeats escreveu em seus Ensaios. Sobre a acusação de que sua poesia é “mítica e metafísica”, Blaga admite não apenas temas míticos, mas também teológicos: livre, embora, tal como Yeats, do rigor do dogma. Blaga está preocupado principalmente com uma estilização analógica pessoal, na medida em que um escritor moderno pode revitalizar as funções da metá- fora simbólica. Ele, portanto, inventa no espírito, não na letra de seus modelos populares.* “Meus temas não são tratados dogma- ticamente. Sempre os utilizo de forma criativa: modificando-os e ampliando-os livremente se for necessário. Apresento temas míticos a cada passo, porque sem um pensamento mítico, felizmente ou não, nenhum poema pode vir a ser”, disse Blaga. A visão mítica consiste então essencialmente em transfiguração, reencarnação progressiva. O muito antigo pode ser adotado pela modernidade se se rejeita a tradição do momento e se propõe uma diferente. Consagrado pelas mesmas forças polêmicas que o novo, o que é muito antigo não é um passado, mas um começo. Nossa paixão por contradições o ressuscita, dando-lhe vida e tornando-o nosso contemporâneo. A arte e a literatura modernas consistem da descoberta contínua do muito antigo e distante, da poesia popular germânica descoberta por Herder à poesia chinesa recriada por Pound. [...] Como mani- festações da estética da surpresa, mas ainda mais como encarnações momentâneas de negação crítica, os produtos da arte arcaica e de civilizações distantes se encaixam naturalmente na tradição de descontinuidade. Eles estão entre as máscaras da modernidade.*
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A Igreja do Imaculado Coração de Maria De Maria no Funchal. Tradição e Modernidade na Obra de Raúl Chorão Ramalho.

A Igreja do Imaculado Coração de Maria De Maria no Funchal. Tradição e Modernidade na Obra de Raúl Chorão Ramalho.

São geralmente despojadas de ornamentos: será o uso de alguns materiais, normalmente no seu «estado puro» que, associados às suas próprias técnicas de construção, fixaram uma imagem tipificada da casa madeirense que se associa à tradição. “Referimo-nos ao beiral e à sub-beira em cerâmica vermelha, ou à palha (onde, em casos especiais surgem os bonecos na zona de amarração superior da cobertura), às cantarias de molduras de vãos, socos, cunhais (no caso madeirense, com especial destaque para o uso do tufo avermelhado) e à própria cal, cuja brancura tanto caracteriza a nossa arquitectura.” 3
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TRADIÇÃO E MODERNIDADE NA OBRA DE SÉRGIO BUARQUE DE HOLANDA

TRADIÇÃO E MODERNIDADE NA OBRA DE SÉRGIO BUARQUE DE HOLANDA

a generosidade, virtudes tão gabadas por estrangeiros que nos visitam, representam, com efeito, um traço definido do caráter brasileiro” 23 . Claro que, nesse trecho, Sérgio Buarque não partiu do mesmo pressuposto de Afonso Celso, pois este queria ressaltar a superioridade brasileira, enquanto o autor de Raízes teceu severa crítica ao sistema “cordial” das relações brasileiras. Na verdade, fez incisiva crítica à tradição ufanista, afirmou que em nada estas “boas maneiras” têm a ver com civilidade “São antes de tudo expressões legítimas de um fundo emotivo extremamente rico e transbordante” 24 . Assim, Sérgio Buarque partiu das características tradicionalmente aceitas de homem brasileiro para afirmar que estas eram uma espécie de imitação da polidez, mas que estavam longe disso. Em seu discurso, Sérgio Buarque se contrapôs às idéias de lhaneza, hospitalidade e doçura. Contra a idéia de doçura do caráter brasileiro, Buarque de Holanda apresentou seu conceito de “homem cordial”. Este termo, sabemos, não foi escolhido aleatoriamente, mas por seu significado mais profundo, do latim cordial – cor, cordis – coração, que significa relativo ao coração, afetuoso. Essa característica de afetuosidade, que poderia ser associada à doçura, não foi apresentada por Sérgio Buarque como uma qualidade, mas como um defeito, a causa principal dos problemas na nação. Para ele, as relações cordiais são inaptas ao sistema político democrático, pois são personalistas e se convertem-se em “benevolência democrática (...) comparável nisto à polidez”, o que resulta em um comportamento social orientado pelo “equilíbrio dos egoísmos”. 25
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Fetichismo e fantasmagorias da modernidade capitalista: Walter Benjamin leitor de Marx — Outubro Revista

Fetichismo e fantasmagorias da modernidade capitalista: Walter Benjamin leitor de Marx — Outubro Revista

Esta “ampliação” da temática do fetichismo da mercadoria, vincu- lando-a à análise crítica da generalização da forma mercantil por to- dos os poros da sociedade burguesa, é tributária da teoria da reificação desenvolvida por Georg Lukács (2003) em História e Consciência de Classe (HCC) – obra que, ao ser lida por Benjamin em 1924, dois anos depois de sua publicação, contribuiu decisivamente para sua aproxima- ção do marxismo. A célebre obra do jovem Lukács – redigida à con- tracorrente da tradição marxista mecanicista da Segunda Internacional – demonstrou a Benjamin a possibilidade de uma leitura atualizadora do processo de alastramento da forma-mercadoria pelo conjunto da vida social, processo entre cujas consequências está uma tendência à colonização da própria subjetividade dos homens, impactando negati- vamente inclusive as formas de reflexão intelectual e filosófica (de onde sobressaem as “antinomias do pensamento burguês”).
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A congregação das Irmãs Doroteias em tempo de mudança: tradição e modernidade

A congregação das Irmãs Doroteias em tempo de mudança: tradição e modernidade

Era uma auto-disciplina escolar que se pretendia acei- te e interiorizada. A este respeito, o testemunho de Antero de Quental que tinha confiado às Irmãs Doro- teias as duas filhas adoptivas que tinha a seu cuidado (filhas do seu amigo Germano Meireles), é eloquente: «As pequenas vão muito bem, e cada vez me aplaudo mais da escolha que fiz daquela casa onde estão. As directoras e mestras são Doroteias, ordem exclusiva- mente votada à educação de raparigas, e cujo método é todo fundado na brandura. O resultado é as crianças (as minhas e as outras, que lá tenho visto) andarem sem- pre satisfeitas, pois não são aperreadas, e aprendem com gosto. A Albertina levou para lá a sua almofada de ren- da, e ensina as outras, o que lhe dá certo prestígio. Ali o que mais se aprende é arranjo de casa e obra de mãos. Mas eu depois as polirei literariamente» 25 .
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César Guerra-Peixe: a modernidade em busca de uma tradição

César Guerra-Peixe: a modernidade em busca de uma tradição

Na verdade, até aí não há nada de tão surpreendente, já que na própria tradição o uso excessivo de sequências tende a ser visto como um procedimento quase que automático, ingênuo ou quando muito retórico para desenvolver os materiais. Mais que as sequências, porém, o que se vê aqui é a reprovação da repetição de um mesmo procedimento, o que Guerra-Peixe em mais de um momento designou pelo termo “rotina”. Comentando diversas vezes que seus pares se repetiam, Guerra-Peixe manifestou explicitamente sua preocupação em evitar esse tipo de rotinização da atividade composicional, mesmo que ao preço de compor menos, 16 postura que num primeiro momento pode parecer até bastante natural, senão óbvia, não merecendo por conseguinte tanta atenção: afinal, para um compositor formado na tradição de concerto, onde vigora o ideal ocidental de arte segundo o qual a obra se baseia na individualidade do criador e é um fato único, a repetição – entendida num sentido amplo de repetir procedimentos, trechos ou mesmo obras inteiras – aparece como um indício de falta de invenção e de criatividade ou, pior ainda, como charlatanismo. Mas levando-se em conta que após sua “virada estilística” Guerra-Peixe foi buscar em outras tradições – especialmente no dito “folclore” brasileiro – elementos, práticas e formas para “fertilizar” sua arte, essa própria ideia poderia ser relativizada em alguma medida, visto que a noção de “obra” como aparece na tradição de concerto é até certo ponto estranha a diversas tradições “populares”, onde há espaço para variações as mais diversas, que são vistas como manifestações de um mesmo fato musical e onde a noção de autoria possui uma flexibilidade muitas vezes impensável para um compositor de concerto. 17 Assim, temos aqui um limite da relação que Guerra-Peixe estabeleceu com o “folclore”, sendo bem visível que concepção de música ele abraçava, o que, mais uma vez, também não chega a ser surpreendente, visto que não se trata apenas de um embate entre, de um lado, o “folclore” e, de outro, a tradição de concerto: Guerra-Peixe foi criado na música popular, no choro, atuou em rádios etc., meios onde vigorava em boa medida a noção de obra como objeto autocontido e de autor como indivíduo que produziu aquele objeto. O “peso” dessa concepção de obra é tão disseminado pelo ocidente que não há sentido em
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ENTRE A TRADIÇÃO E MODERNIDADE: O LUGAR DAS COMUNIDADES FAXINALENSES NA CONTEMPORANEIDADE

ENTRE A TRADIÇÃO E MODERNIDADE: O LUGAR DAS COMUNIDADES FAXINALENSES NA CONTEMPORANEIDADE

Isso quer dizer que, os padrões culturais tradicionais se mantêm quando há necessidade e, quando a conservação dos mesmos ajuda a resolver os desafios cotidianos e os percalços que surgem, ou melhor quando a terra esta cansada e não “dá mais nada”, quando é necessário reduzir o sacrifício do trabalho e sobretudo, manter um sucessor para o trabalho na terra conforme manda a tradição, os faxinalenses certamente encontram respaldo no sistema de objetos técnicos, dentre os quais estão o maquinário (próprio, emprestado, alugado), os adubos químicos e os defensivos agrícolas, em geral, que reduzem o tempo, a penosidade do trabalho e dispensam mão-de-obra.
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Traços de modernidade na obra de Dante Alighieri

Traços de modernidade na obra de Dante Alighieri

Apesar de não se vincular ao movimento romântico, talvez devido à inexpressividade desse movimento na França, o poeta Charles Baudelaire também foi muito importante para consolidar, nas artes, as convenções estéticas de base moderna. No seu ensaio “O pintor da vida moderna”, publicado em meados do século XIX, o poeta cria o termo “modernité” para designar a contemporaneidade dos pintores e poetas, considerados menores pela tradição, e para elogiar essa atualidade tanto nas formas quanto nos temas que os mesmos utilizavam em suas obras, a fim de representar o homem e o mundo de sua época, negando que a beleza, digna de ser representada artisticamente, estava na tradição.
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MODERNIDADE E TRADIÇÃO EM CONTOS  BISSAU-GUINEENSES CONTEMPORÂNEOS

MODERNIDADE E TRADIÇÃO EM CONTOS BISSAU-GUINEENSES CONTEMPORÂNEOS

O conto “O encontro” faz parte da antologia Contos da cor do tempo, organizado por Teresa Montenegro e outros. O livro foi publicado em 2004 para comemorar os dez anos da editora Kusimon, contendo doze narrativas curtas dos seguintes autores: Olonkó, Julie Agossa Djomatin, Lamine Sadjo, Uri Sissé e Andrea Fernandes. Tereza Montenegro, en- quanto coordenadora da primeira edição da obra em questão, em nota à agência Lusa, considera o livro um conjunto de histórias que compõem o imaginário guineense: "São [contos] opacos, outros diáfanos, com muito verde e algum lixo pelo meio. Mas todos com um olhar posto aqui, onde foi plantada a árvore do umbigo" (MONTENEGRO, 2004). Isso já parece indicar essa relação do homem com terra, a terra bissau-guineense, mas sobretudo com a mãe África, pois o umbigo é o símbolo de ligação da criança com mãe ou do ser humano com a terra (CHEVALIER, 1995).
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Tradição, modernidade, teatro, animação e Kuruma Ningyo

Tradição, modernidade, teatro, animação e Kuruma Ningyo

celebridade, da mercantilização e da midiatização para estabelecer qual o seu papel e qual a sua importância na demasia e no acúmulo de um mundo contemporâneo no qual toda obra e forma de arte existem conjuntamente e na sombra de outras, incontáveis e anteriores. Mas, no jogo de espelhos entre tradição e modernidade, de todas as formas de expressão artística o teatro é, provavelmente, o tipo de arte na qual esses embates aparecem de maneira altamente estremada. Como representante de um dos mais arcaicos modelos de arte, o ofício teatral atravessou muitas fases e muitas faces nas diferentes épocas da história da humanidade. Do sagrado ao profano, da sua popularidade como diversão de massa, da sua estabilização como produto artístico, da sua conquista como emblema de requinte cultural, do esvaziamento da sua influência social, de Henrik Ibsen a Samuel Beckett, a Harold Pinter, a Robert Lepage, até seu estado atual de instabilidade. O teatro é um exemplo preciso de como entender os ajustes e os desajustes da tradição e da modernidade é perceber como a persistência da arte depende, completamente, de todos esses arranjos.
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Arquitectura religiosa barroca em Braga (Minho): entre a tradição e a modernidade.

Arquitectura religiosa barroca em Braga (Minho): entre a tradição e a modernidade.

Segue-se a transição entre os ensaios de decoração rococó, e a definição de uma roupagem mais depurada de tendência classicizante. A fachada do Convento Pópulo, ou do Hospital de S. Marcos, desenham-se numa ambiguidade entre modernidade e tradição. O seu mentor é Carlos Amarante, cuja obra mais pura – neoclássica – foi concebida para satisfazer uma encomenda de D. Gaspar de Bragança: a nova igreja do Bom Jesus. Acompanhado pelo arcebispo, vai o arquitecto-engenheiro e o mestre pedreiro Paulo Vidal, que acompanhou de perto os trabalhos de André Soares, escolher o novo sítio para construção do templo.
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Nas franjas do rural-urbano: meninas entre a tradição e a modernidade.

Nas franjas do rural-urbano: meninas entre a tradição e a modernidade.

Fazendo dele uma síntese, direi apenas que nesse cenário o complexo cafeeiro foi substituído pelo complexo agroindustrial sucro- alcooleiro e/ou da laranja, sem eliminar as desigualdades, ao contrário, aprofundando-as. Até porque não modernizou as relações de trabalho. Por outro lado, resistências e permanências compõem especificidades por detrás da “mesmice” da paisagem canavieira. Processos de des- ruralização e desurbanização esvaziam pequenas cidades que se trans- formam em acampamentos de trabalhadores volantes, a eliminação da diversidade provoca conseqüências deletérias para o meio ambiente e o desaparecimento do pequeno proprietário, cuja ação era menos danosa, acentua o problema. É preciso lembrar ainda que o próprio setor, dito modernizado, carece de homogeneidade, já que diferenciadas formas de recrutar mão-de-obra se formaram como oportunismo dado por cada momento da produção.
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BRECHTIANISMO CIRCENSE: TRADIÇÃO OU MODERNIDADE?

BRECHTIANISMO CIRCENSE: TRADIÇÃO OU MODERNIDADE?

Esta característica central e recorrente da expressão popular, concebida por Soffredini e Brito como triangulação, é de fato, influência importante na obra de Bertolt Brecht, que passou a valer-se dela para consolidar uma perspectiva teatral marxista, conhecida por “teatro épico”. Esta expressão visava não mais a identificação do espectador com o personagem e trama, mas sim uma leitura dialética da situação social posta no palco. Procurava, portanto, romper com o ilusionismo teatral e a empatia entre ator e espectador para suscitar o raciocínio crítico e a combater a alienação a partir das ferramentas de conscientização do teatro.
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A Filosofia no Ensino Secundário em Portugal: tradição, modernidade e pós-modernidade

A Filosofia no Ensino Secundário em Portugal: tradição, modernidade e pós-modernidade

Essa clausura cultural, que a escolástica derradeira provocou, veio valo- rizar o papel atribuído aos “estrangeirados”. Estes eram homens de cultura que, tendo estudado no Centro da Europa, traziam para Portugal as ideias do Iluminismo, assim reforçando a necessidade de reformar o ensino e as mentali- dades. Com efeito, o estrangeirado e iluminista Marquês de Pombal, Ministro do Reino e efectivo governante, para poder modernizar e laicizar o ensino, ex- pulsou os jesuítas, em 1759. Mas, tendo sido estes os responsáveis por todo o “ensino menor” durante dois séculos, e estando ao tempo já tão generalizados os seus colégios, a sua expulsão deixou o país com grande carência de professores e a reforma do ensino secundário muito comprometida. A Filosofia perdeu parte da sua importância, sendo encarregue o professor de Retórica de ensinar a His- tória da Filosofia, e adoptando-se, para estudo, o manual de Genovesi, que se afasta da metafísica escolástica, aproximando-se do “Racionalismo, segundo as linhas de Leibniz, na Alemanha, e de Descartes em França”, como considera Fey (1978, p. 20). Segundo Deusdado (apud FEY, 1978, p. 20) “esta obra está es- crita com espírito moderado, fazendo equilíbrios entre o sensualismo e o idealis- mo”. A laicização e modernização do ensino, considerado indispensável pelos governantes mais esclarecidos, foi, no entanto, um processo lento e difícil, por- que ia contra a tradicional influência católica, que via na instrução um perigo, não era bem vista pelos detentores da terra, que necessitavam de um campesinato vasto e mão-de-obra abundante, além das dificuldades provocadas pela guerra civil, nos começos do século XIX, entre os constitucionalistas e os adeptos do poder absoluto do rei, que, em termos políticos e militares, reproduziram a luta entre modernos e conservadores.
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A evolução dos sistemas construtivos na arquitectura Portuense entre a tradição e a modernidade

A evolução dos sistemas construtivos na arquitectura Portuense entre a tradição e a modernidade

instituição parisiense que lhe servia como referência, através da criação no plano de estudos dos futuros arquitectos de cadeiras científicas e de outras mais relacionadas com a profissão. Esta forte relação da prática construtiva da obra com a componente artística académica, au- mentada também por via da passagem pelo atelier de Marques da Silva de quase todos os jovens arquitectos que vieram a ter relevância na caracterização da arquitectura da cidade no período em análise, instituiu uma forma de ensino que nos parece, ainda hoje, matricial na for- mação de uma especificidade portuense. A formação ministrada nestes moldes é igualmente importante para perceber como se desenvolve a renovação da linguagem arquitectónica no Porto na qual Marques da Silva tem também um papel essencial e que, como mostraremos, se leva a cabo com uma grande continuidade ao nível dos processos construtivos da tradição local.
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Do conto ao microconto: entre a tradição e a modernidade

Do conto ao microconto: entre a tradição e a modernidade

   Na  sua  obra  “Formas  breves”,  Ricardo  Piglia,  em  dois  ensaios  intitulados  “Teses  sobre  o  conto”  e  “Novas  teses  sobre  o  conto”  escreve  sobre  a  natureza  dessa  produção  literária.  Na  primeira  tese  apresentada  na  obra,  Piglia  afirma:  um  conto  sempre  conta  duas  histórias.  Segundo  o  autor,  o  conto  clássico  narra  uma  história  em  primeiro  plano  e  constrói,  em  segredo,  a  segunda  história.  E  ainda  complementa: “Um relato visível esconde um relato secreto, narrado  de  um  modo  elíptico  e  fragmentário”  (Piglia  2004:90).  Importante  destacar  a  referência  feita  pelo  autor  à  forma  clássica  do  conto,  na  qual a primeira tese enquadra‐se perfeitamente, ou, a partir de que foi  possível formulá‐la. Assim, tomando como exemplo o conto “Retrato  Oval”,  um  clássico  de  Edgar  Allan  Poe,  é  possível  identificar  o  processo  de  materialização  da  tese:  o  primeiro  plano  da  narrativa  conta  a  história  de  um  cavaleiro  que  chega  ferido  a  um  castelo  aparentemente abandonado. Inicialmente, tudo leva a crer ser este o  mote  da  narrativa.  O  desenrolar  da  produção  nos  encaminha,  no  entanto,  para  outro  foco:  a  história  de  uma  jovem  esposa,  que  cedendo aos caprichos do marido — um pintor apaixonado, veemente  e  caprichoso  —  deixa‐se  pintar  até  a  morte.  As  duas  histórias  encontram‐se explícitas e se entrecruzam no todo do texto. Fato que  não  poderíamos  evidenciar  na  forma  do  microconto,  conforme  veremos na análise abaixo: 
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Sousândrade: tradição e modernidade

Sousândrade: tradição e modernidade

O cânone consagrado em nosso Romantismo, amplamente discutido por Edgar Cavalheiro (1959), figuraria como o resultado de uma exposição de valores nacionais influenciados esteticamente por um olhar europeu. Segundo Cavalheiro ( op. cit .), poder-se-ia delimitar, dentro da complexidade do movimento, características comuns entre as manifestações de nosso Romantismo. Dentre as quais, as principais seriam: i) o abandono ao cânone clássico, o que implica antes de tudo na mudança da noção de belo artístico e a conseqüente negação da cultura greco-romana; ii) a valorização de temas e traços particulares de cada região e, por fim, iii) a valorização do traço subjetivo, pois a expressão romântica passaria a ser centrada na individualidade e não na obra em si.
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Sociologias  vol.15 número34

Sociologias vol.15 número34

Nilia Viscardi também parte da produção literária para analisar a vio- lência social no artigo “De muertas y policías. La duplicidad de la novela negra en la obra de Roberto Bolaño”. Tendo como base a ideia de que a representação da morte subjaz a toda sociedade, a autora propõe questio- namentos sobre a possibilidade de representação da morte quando esta é inesperada e quanto a possibilidade e limites de uma sociologia dessas representações. A obra “2666” de Roberto Bolaño serve como recorte em- pírico para uma análise orientada pela tradição Frankfurtiana de interpre- tação sobre arte e modernidade presente no trabalho de Krakauer, pela qual os vínculos entre a violência contemporânea, a violência institucional da polícia e a mortalidade criminal na América Latina vão sendo traçados.
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GESTÃO E FISCALIZAÇÃO DE CONTRATOS DE TERCEIRIZAÇÃO DE MÃO DE OBRA: O CASO DA UNIVERSIDADE FEDERAL DE JUIZ DE FORA EM UM ESTUDO DE CASO – Mestrado em Gestão e Avaliação da Educação Pública

GESTÃO E FISCALIZAÇÃO DE CONTRATOS DE TERCEIRIZAÇÃO DE MÃO DE OBRA: O CASO DA UNIVERSIDADE FEDERAL DE JUIZ DE FORA EM UM ESTUDO DE CASO – Mestrado em Gestão e Avaliação da Educação Pública

A presente dissertação é desenvolvida no âmbito do Mestrado Profissional em Gestão e Avaliação da Educação (PPGP) do Centro de Políticas Públicas e Avaliação da Educação da Universidade Federal de Juiz de Fora (CAEd/UFJF). O caso de gestão estudado discute os dilemas da terceirização regular de mão de obra no âmbito das IFES e, mais especificamente, na Universidade Federal de Juiz de Fora. Com efeito, a terceirização do trabalho desponta no cenário do serviço público como uma realidade em expansão e, no âmbito das Instituições Federais de Ensino Superior, a presença massiva de trabalhadores terceirizados é consequência da franca expansão pela qual as IFES passaram nos últimos anos. Não obstante a reconhecida necessidade desses serviços, tem-se observado graves falhas na gestão dos contratos de fornecimento de mão de obra terceirizada, bem como importantes lacunas na sua fiscalização, fatores responsáveis pela precarização do trabalho, em virtude do comprometimento dos direitos adquiridos pelos trabalhadores e, consequentemente, o alarmante crescimento do número de ações judiciais que culminam na corresponsabilização da Universidade (in casu) por questões trabalhistas relacionadas a esses funcionários terceirizados, o que tem gerado prejuízos financeiros relevantes para a instituição. Nesse sentido, com base nos dados preliminarmente apurados, na pesquisa comparativa com outras universidades federais de Minas Gerais e nas discussões teóricas sobre contratos administrativos e mecanismos de controle interno, as soluções propostas constituirão um conjunto de medidas institucionais para a melhoria das condições de trabalho dos funcionários terceirizados e resguardo da Universidade em questões patrimoniais e jurídicas.
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Formação do bibliotecário cearense na sociedade da informação: dialéticas curriculares

Formação do bibliotecário cearense na sociedade da informação: dialéticas curriculares

busca constante do ser mais, haja vista que o homem é, por na - tureza, um ser inacabado e é essa natureza inacabada do homem a raiz e a essência da educação. Nesse sentido, percebemos que para o educador brasileiro, o legado de conhecimentos acumu- lados pela sociedade tem de ser ressigniicado constantemente pelos indivíduos de modo que, quando os novos conhecimen - tos forem produzidos, os homens tenham elementos para saber como lidar com o novo, pois ele sempre vem. Portanto, acredi- tamos que a educação, independentemente do contexto históri- co, deve se basear no legado da tradição, como forma de inserir as gerações mais novas, as que estão tentando se apropriar do mundo que se lhes está posto; mas também, deve-se inserir na educação conhecimentos que são criados e recriados pela so- ciedade como forma de ressigniicar os processos educacionais. Nem só o tradicional, nem apenas a pulsão pelo novo como temos contemporaneamente, mas sim numa síntese dialética entre os dois tipos de formação. Ou seja, conforme nos coloca Paulo Freire (1990), se pretendemos a dialogicidade da educa- ção não podemos prescindir de um conhecimento que foi cons- truído previamente, pois será a partir desse conhecimento que se poderá organizar os conteúdos programáticos da educação que encerrará um conjunto de temas sobre os quais o educador e o educando, como sujeitos do conhecimento, exercerão a cog- noscibilidade. Estas palavras vão ao encontro do pensamento da ilósofa Arendt (2009, p. 243):
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