Top PDF Um nó de sangue na garganta: a experiência do poema em Herberto Helder

Um nó de sangue na garganta: a experiência do poema em Herberto Helder

Um nó de sangue na garganta: a experiência do poema em Herberto Helder

entre uma e outra, podemos nomear eu ou corpo imaginá- rio. Nesse edifício, nos lugares onde a visibilidade (e a cons- ciência) é menor ou inexistente, um sujeito pode habitar à maneira do que aparece e desaparece, sempre que interior e exterior encontram vias comunicantes, isto é, orifícios que não se recobrem no edifício: janelas, portas. Olhos, boca e ouvidos, por exemplo, são vias entre dentro e fora, lugares de condensação e dispersão de energias ou potências. É onde o olhar e a voz têm lugar, entre o corpo e a paisagem, que o poema pode ser lugar de passagem, de circulação e produ- ção de energia. Esse corpo tem também órgãos e sangue. As energias vitais e mortíferas aí circulam, indo da paisagem ao corpo, do corpo à paisagem. Energia pulsional, poderíamos dizer com Freud. A escrita pode ser um modo de contínua decomposição e recomposição desse edifício e pode fazer circular nele as energias. Nesse sentido, escrita e sangue são símbolos corporais ou corpos simbólicos dotados de reversi- bilidade entre si. “Um de sangue na garganta: um ape- nas, duro” – voz, sangue, escrita. Há poema, principalmente, onde corpo e linguagem se enodam, podendo aí haver ou não aparição de um sujeito articulado a objetos:
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Herberto Helder: corpografia simbólica, simbologia corporal

Herberto Helder: corpografia simbólica, simbologia corporal

Entre todas as formas de leitura, a do poema é das mais exigentes, visto que nele a linguagem e a vida compõem um indiscernível, irredutível à interpretação: amálgama entre vida e linguagem, que tomba fora da representação e de todo senso comum. Só se aproxima do poema, destituindo-se da rigidez dos aparatos prévios de pensamento para, na experiência de leitura, compor outra forma de corpo, de pensamento e de mundo, em que os conceitos entram em metamorfose, gerando aberturas no sistema de que derivam. Ninguém que, de fato, tenha lido um poema sai o mesmo dessa experiência. Há um aforismo de Kafka que diz: “A partir de certo ponto não há mais retorno. É este o ponto que tem de ser alcançado.” (KAFKA, 2011, p. 190). O poema é um ponto sem retorno, capaz de modificar corpo, pensamento e mundo, ao recriá-los.
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HERBERTO HELDER E A POÉTICA PÓS-MODERNA

HERBERTO HELDER E A POÉTICA PÓS-MODERNA

137 materializada na pedra preciosa, somada à de “plutônio”, cujo brilho de prata e efeito destruidor é transferido para o corpo, consumindo-o. Corpo reduzido a “” evoca por metonímia os “sacos de sangue amarrado”. O desaparecimento do inseto-poeta, brilhando até se extinguir, determinado pela poesia da turquesa desmesurada, reduzindo-o a um nome-, elevaria o poema à altura incomensurável da poesia, mas não estaria ele acima dos extremos que o mundo poderia suportar? A cena cósmica da primeira estrofe aqui se intensifica a ponto de levantar a hipótese de que a “alta” poesia seria algo impossível de ser apreendido.
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Sonata para pulsões (sobre A Máquina Lírica de Herberto Helder)

Sonata para pulsões (sobre A Máquina Lírica de Herberto Helder)

A poesia de Herberto Helder imediatamente impressiona pela concentração de imagens, acrescentando o impossível à realidade e, no deslocamento dessas imagens, imprimindo a tensão fundamental gerada pelo evento da morte da mãe. O poeta desenvolve a linguagem inusitada associando termos e criando relações incomuns como, por exemplo, (...) minha mãe, minha máquina/ mercúrio (ouvi dizer) está cheio de neve, que aparece na segunda estrofe. O efeito de caráter surreal é ainda intensificado pela permutação constante desse aglomerado de imagens. Desse modo, as “praças descascadas” da primeira estrofe transformam-se em “resplendentes” na segunda, na qual as letras é que são “descascadas”. As alterações de nomes com adjetivos diferentes vai metamorfoseando os objetos dados pelo texto, de forma que estes nunca atingem forma fixa e mantêm-se presentes ao longo de todo poema também pela expectativa de ressurgirem continuamente sob novo aspecto.
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Herberto Helder: electronicolírica fazse contra a carne e o tempo

Herberto Helder: electronicolírica fazse contra a carne e o tempo

Resumo: A justaposição dos excertos Electronicolírica e faz-se contra a carne e o tempo no título deste trabalho sugere um modus operandi caro à poética de Herberto Helder: a tessitura combinatória. Trata-se de um estudo sobre a poesia experimental herbertiana, que privilegia a investigação do ludismo combinatório de uma escritura não avessa à consistência estrutural, mote para a reflexão sobre instrumentos de criação e processos compositivos acionados pelo / no espaço cibernético. Palavras-chave: Electronicolírica, Herberto Helder, poesia experimental Abstract: The juxtaposition of the excerpts “Electronicolírica” and “faz-se contra a carne e o tempo” on the title of this work suggest a modus operandi precious to the poetics of Herberto Helder: the combinatory texture. It is a study of the herbertian experimental poetry that privileges the investigation of a ludic combinatory of a writing not averse to a structural consistency, motto for reflection about instruments of creation and combinatory processes activated by/on the cybernetic space.
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“DEVAGAROSA MULHER COBRA”: HERBERTO HELDER, UMA POÉTICA DA TRADUÇÃO

“DEVAGAROSA MULHER COBRA”: HERBERTO HELDER, UMA POÉTICA DA TRADUÇÃO

Frequentemente, as nuances e referências em um poema só podem ser apreciadas com algum entendimento do contexto cultural que é totalmente desconhecido para nós. Essa é uma dificuldade que não pode ser totalmente resolvida, mas algumas tentativas nessa direção foram feitas pela inclusão de dados introdutórios para cada um dos treze povos representados, dando informações sobre a cultura e o contexto social envolvidos, o modo como a poesia é praticada, e, quando possível, alguns dados sobre o papel dos poetas e os gêneros poéticos reconhecidos localmente. [...] Já foi convenção apresentar a literatura oral como simples “textos”, sem nenhum tipo de material contextual. Mas atualmente é amplamente reconhecido que, para a poesia oral, talvez mais do que para as formas escritas, é essencial algum entendimento do contexto social e cultural. 16 (1978, p. 6)
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Considerações sobre a infância em Herberto Helder e Andrei Tarkovski / Remarks About Childhood in Herberto Helder and Andrei Tarkovski

Considerações sobre a infância em Herberto Helder e Andrei Tarkovski / Remarks About Childhood in Herberto Helder and Andrei Tarkovski

Resumo: Neste texto pretendo ler, na direção de Andrei Tarkovski, e assistir, na poética de Herberto Helder, a infância enquanto categoria virtual e ampla que dialoga com a materialidade das imagens que se articulam no poema/filme. Para tanto, parto da leitura de Gilles Deleuze (1985, 2006) do cinema, tomando os conceitos da imagem-movimento e da imagem-tempo como recursos operacionais tanto do fazer poético como do fazer fílmico e desenvolvo, a partir desta última, uma reflexão sobre as configurações da infância no texto “Estilo” de Os Passos em Volta (1963) e no poema VI de “Elegia Múltipla” (1961), de Helder, bem como no filme A Infância de Ivan (1960), de Tarkovski. A hipótese que coloco aqui, portanto, é que tanto em Tarkovski como em Helder a tópica da infância instauraria esta instância distanciada de totalidade da obra que contém em si o acesso ao sentido, a impropriedade substancial que Nancy (2014) atribui ao poético.
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INFREQUÊNCIA DISCENTE: UM ESTUDO DE CASO NA REDE ESTADUAL DO CEARÁ

INFREQUÊNCIA DISCENTE: UM ESTUDO DE CASO NA REDE ESTADUAL DO CEARÁ

Em 2001, outro documento significativo tomou força, com diretrizes e metas, quando aprovado, o Plano Nacional de Educação (PNE) que teria sua vigência de 2001 a 2010, fazia a[r]

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Um serviço de poesia: o Ofício e as Servidões de Herberto Helder

Um serviço de poesia: o Ofício e as Servidões de Herberto Helder

O fato é que Servidões revisita textos próprios, reapropria-se deles, dialoga com eles e também com uma série de outras referências alheias, citadas ou sugeridas. Procede assim com Edoi lelia doura, com Cobra, com A máquina de emaranhar paisagens, com Apresentação do rosto, com Photomaton & vox, por exemplo. Também com Camões, Dante, Villon, Verlaine, Cesare Pavese, Rimbaud, Goethe, Von Kleist, Cavafi, Issa, etc. E, nesse diapasão, um dos poemas chega mesmo a indicar “uma bibliografia dispensável” que envolve a obra de Anthony Grafton, numa específica tradução: a de Antoine Fabre – Les origines tragiques de l´érudition. Une histoire de la note en bas de page. O que puxa a atenção do leitor, de novo, para o limiar da poética de Helder, para aquela zona dúbia onde se deposita o parergon, ou seja, para aquilo que, estando no limite exterior, se encontra permanentemente em falta no interior. 16 E, segundo creio, esse desenho, que desloca as hierarquias, não
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Photomaton & Vox: a construção da poética de Herberto Helder

Photomaton & Vox: a construção da poética de Herberto Helder

Herberto Helder não deixa de ir do mesmo modo, procurar às palavras a sua profundidade elementar e, numa tentativa a que não é alheia a adesão que lhe pareceu de início a experiência surrealista, as múltiplas possibilidades que têm de deslumbramento através de uma imaginação discursiva que plenamente se liberta – « linguagem com gente respirando e abrindo os lenços frente às imagens essenciais » – , unindo o estranho e o evidente, o essencial e o acessório, num acto de criação que é sem dúvida um dos mais originais e válidos. (1971: 43) Para Herberto Helder, a poesia se consagra como exercício sobre a visão de mun- do, utilizando a palavra para representar o essencial – “Era a escrita – a escrita exerci- da como caligrafia extrema do mundo, um tempo apocalipticamente corporal” (18). essa é a ideia recorrente em sua poesia, na qual a vivência e todas as coisas experien- ciadas entram no terrível campo da inspiração: a dor, a morte, a guerra, a solidão, o amor, o sexo, a infância e a palavra como metaconstrução. O imaginário e a memória são o arcabouço da criação poética herbertiana que amplia sua capacidade de criação – o mundo é “matéria residual inactiva” (30) −, pois o que lhe dá sentido é aquilo que foi captado e acumulado pela imaginação.
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MARIA DE ARAUJO MEDEIROS SOUZA ENSINO MÉDIO INTEGRADO À EDUCAÇÃO PROFISSIONAL EM PERNAMBUCO: UM OLHAR PARA AS PRÁTICAS DE GESTÃO LIGADAS À IMPLEMENTAÇÃO DO CURRÍCULO

MARIA DE ARAUJO MEDEIROS SOUZA ENSINO MÉDIO INTEGRADO À EDUCAÇÃO PROFISSIONAL EM PERNAMBUCO: UM OLHAR PARA AS PRÁTICAS DE GESTÃO LIGADAS À IMPLEMENTAÇÃO DO CURRÍCULO

O presente trabalho buscou investigar como vem ocorrendo o processo de implementação da política pública de Educação Profissional em Pernambuco e verificar como as práticas de gestão adotadas em três Escolas Técnicas Estaduais, localizadas na Zona da Mata Norte do estado, influenciam a execução do currículo proposto para o ensino médio integrado à Educação Profissional. A justificativa para realização deste estudo está ancorada na experiência profissional da autora que, entre os anos de 2011 e 2014, atuou na Secretaria Executiva de Educação Profissional como gestora das Escolas Técnicas Estaduais, acompanhando a implantação da política pública e o planejamento para expansão da Rede de Educação Profissional em Pernambuco. Utilizando a metodologia de estudo de caso, foram realizadas visitas in loco para observação do cotidiano escolar e aplicação de entrevistas semiestruturadas aos gestores e coordenadores nas três ETEs escolhidas nesta análise para o levantamento de informações. Este estudo foi desenvolvido à luz das reflexões de teóricos como Eduardo Antônio Salomão Condé (2012), Jefferson Mainardes (2006), José Roberto Rus Perez (2010) e Maria Ozanira Silva e Silva (2005) que abordam a temática políticas públicas e Marise Ramos (2011), Jaqueline Moll (2010) e Demerval Saviani (2008) que tratam do tema Educação Profissional e Tecnológica sob vários aspectos. Foi utilizada, também, a legislação básica nacional e estadual que dispõe sobre a Educação Profissional. Os dados obtidos versam sobre a percepção dos entrevistados acerca da política de Educação Profissional no estado e o trabalho que vem sendo desenvolvido com as turmas do ensino médio integrado. Tais informações demonstram a necessidade de investimentos na formação continuada da equipe gestora, da formulação de uma proposta curricular para os cursos técnicos do ensino médio integrado e do direcionamento de recursos financeiros específicos para dar continuidade à implementação da política pública. Os resultados encontrados subsidiaram a construção de um Plano de Ação Educacional, com vistas ao redirecionamento de ações que objetivam acelerar, com qualidade, a formação técnica de nível médio em Pernambuco e o consequente fortalecimento da Rede Estadual de Escolas Técnicas.
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Uma linguagem universal de água, fogo, terra e ar

Uma linguagem universal de água, fogo, terra e ar

O corpus aqui analisado resulta numa composição de elementos essenciais à poesia de HH. A água é o espelho refletor, sem forma fixa, tal como a linguagem do poeta que ondula em cada poema e embala o leitor amador. O fogo, vorazmente destruidor, envolve a poética herbertiana em calorosos sentimentos de imortalidade. A terra abismal e feminina floresce, distantemente, no alto da montanha junto da amada. O ar, levemente silencioso, liberta os devaneios e as memórias do eu, possibilitando o voo. E o sangue, elo de ligação entre os quatro elementos, é um presságio inevitável, pois revela a efemeridade da vida, a proximidade da morte inexorável da escrita e a sua revivificação através da leitura, como se de uma transfusão se tratasse.
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Haroldo de campos e Herberto Helder: a antropofagia como criação poética Haroldo de Campos and Herberto Helder : the antropophagy as poetic creation Geovanna Marcela da Silva GUIMARÃES

Haroldo de campos e Herberto Helder: a antropofagia como criação poética Haroldo de Campos and Herberto Helder : the antropophagy as poetic creation Geovanna Marcela da Silva GUIMARÃES

Haroldo de Campos (1990), no posfácio do referido livro, afirma que divide o poema em duas partes: uma clássica, regida pela épica, e o outra pela ironia da poesia contemporânea de uma sociedade “abandonada pelos deuses” (CAMPOS, 1990, s/p), cujos ouvidos são incapazes de ouvir o canto das sereias, “o ultrassom incaptado a ouvido humano” (CAMPOS, 1990, s/p). É o estabelecimento de uma nova leitura da tradição que vemos na obra poética de Haroldo de Campos e as traduções, pensadas como releituras, serão também encaradas como recriações poéticas que levam em consideração “a dialética entre os elementos macroestéticos (ou semântico-ideológicos) e os microestéticos (estruturas significantes internas)” (SANTAELLA, 2005, p. 222). Esta colocação de Santaella reafirma o que é dito por Oseki- Dépré (2005) quanto à recriação poética entendida como uma relevante ferramenta de constituição não somente do poeta, sendo também o “modo mais adequado para formação de uma cultura nacional” (OSEKI-DÉPRÉ, 2005, p. 218). É possível observar a presença do manifesto antropofágico de 1928 nos anos 60-70 e a teoria de tradução/transcriação desenvolvida por Haroldo de Campos como a encenação do diálogo entre passado e presente, culturas, línguas e literaturas. É como diz Santaella (2005, p. 231-232):
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Poema-mundo: corpo-poema

Poema-mundo: corpo-poema

Resumo: Entre os poemas de Herberto Helder em que há uma certa ênfase à relação entre as noções de mundo, de corpo e de linguagem, merece destaque Do mundo (2006), publicado pela primeira vez em 1978. Nele, há referências tanto a um mundo em gênese e formação quanto a um corpo orgânico que se move em seus processos de metamorfose. Todavia, tais imagens são produtos de uma construção que se dá por referências inconcretas. Estas, por sua vez, no devir de uma linguagem que irradia significações, enfeixam-se em um movimento de convergência que resulta em imagens como: o “corpo-poema”, ou o “poema-corpo”, e o “mundo-poema”, ou o “poema/mundo”; ou ainda o corpo-mundo- poema. Tais blocos de imagens materializam-se na poesia de Herberto Helder pelos processos de fusões, transmutações e de metamorfoses porque passam a linguagem, o que ocorre na mesma medida em que as palavras tornam-se coisa, corpo, mundo; corpo-mundo naquilo que esses espaços possuem de afinidade, como reitera Maffei: “Um profundo vitalismo, assim, faz a ‘imagem’ possuir características de corpos vivos e do próprio universo, por sua vez também um corpo vivo.” 1 Apesar da
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Da revisão autoral na poesia de Valter Hugo Mãe: as edições de três minutos antes de a maré encher

Da revisão autoral na poesia de Valter Hugo Mãe: as edições de três minutos antes de a maré encher

a vontade de” (Mãe, 2000: 15), “as garças já não passam” (Mãe, 2000: 16-17), “tanto me faz, doido de nada” (Mãe, 2000: 18), abro as mães por onde” (Mãe, 2000: 19), “não me é impune a janela que” (Mãe, 2000: 20), “uma visita no odor” (Mãe, 2000: 21), “retórica: tão grande o céu” (Mãe, 2000: 22), “porque não fico indiferente” (Mãe, 2000: 23), “escrevo poemas para” (Mãe, 2000: 24), “o cutelo do poema há-de” (Mãe, 2000: 25), “nas árvores” (Mãe, 2000: 26), “segundo a garganta do” (Mãe, 2000: 27), “na polpa do olhar é” (Mãe, 2000: 28), “obriguei-me ao” (Mãe, 2000: 29), “existe uma arritmia ténue” (Mãe, 2000: 30), “só o nevoeiro como” (Mãe, 2000: 31), “assinalo as luzes, severa” (Mãe, 2000: 32), “a água recorta as” (Mãe, 2000: 33), “abro os olhos em” (Mãe, 2000: 34), “farto-me das coisas que, ao” (Mãe, 2000: 35), “saí em êxtase para a” (Mãe, 2000: 36), “abro a boca como” (Mãe, 2000: 37), “dos peixes que nadam na” (Mãe, 2000: 38), “sobreviveu à chuva a” (Mãe, 2000: 39), “espalho as pálpebras pela” (Mãe, 2000: 40), “já deixei a luz em dias” (Mãe, 2000: 41), “deus virá à terra” (Mãe, 2000: 42), “dá-me esse pequeno anjo,” (Mãe, 2000: 43), “os teus poemas a vadiar na” (Mãe, 2000: 44), “agora deixo-te morrer, vou” (Mãe, 2000: 45), “também eu tenho” (Mãe, 2000: 46), “lágrima, pavio de” (Mãe, 2000: 47).
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PROGRAMA ESCOLA INTEGRAL NO AMAZONAS: UM ESTUDO SOBRE A ORGANIZAÇÃO DO TEMPO EM UMA ESCOLA DE MANAUS

PROGRAMA ESCOLA INTEGRAL NO AMAZONAS: UM ESTUDO SOBRE A ORGANIZAÇÃO DO TEMPO EM UMA ESCOLA DE MANAUS

[...] Proporcionar aos estudantes uma experiência educativa que não se limite à instrução escolar, mas que o leve a organizar seu tempo, seu espaço, e possibilite o fortalecimento da estrutura cognitiva, contribuindo para a formação de sua personalidade; criar, na escola de tempo integral, espaços de socialização onde os estudantes possam vivenciar atitudes de cidadania, de valores éticos e morais; proporcionar aos estudantes alternativas de acesso ao campo social, cultural, esportivo e tecnológico; desenvolver projetos voltados para a rotina diária (hábitos de estudo, alimentação, higiene e recreação), favorecendo, assim, a saúde física e mental dos estudantes; desenvolver as competências dos estudantes, considerando as divergências múltiplas de seus conhecimentos prévios e aprendizagem; proporcionar um relacionamento com a família dos estudantes, integrando a comunidade escolar, em seus aspectos sociais, políticos, humanos e pedagógicos; estruturar a escola com recursos materiais e humanos para a execução das atividades pedagógicas e complementares (AMAZONAS, 2011, p. 11).
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FRANK DO CARMO GUEDES GESTÃO DO CONFLITO E CLIMA ESCOLAR: UM ESTUDO DE CASO EM UMA

FRANK DO CARMO GUEDES GESTÃO DO CONFLITO E CLIMA ESCOLAR: UM ESTUDO DE CASO EM UMA

ambiente e na repressão de atitudes conturbadas e turbulentas (normalmente classificadas pela escola de indisciplina). No entanto, as atitudes impositivas da escola [r]

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Os selos, outros, últimos, de Herberto Helder: pelo sopro da criação à harmonia

Os selos, outros, últimos, de Herberto Helder: pelo sopro da criação à harmonia

Passando para Os selos, outros, últimos, continuamos a encontrar significativas possibilidades de diálogo com o intertexto bíblico. A propósito dos nomes e da sua apetência para representarem as coisas e manter com elas uma intrínseca relação, questiona o poeta: “Como passar- lhes tanta força, meter as mãos no idioma / torcer as tripas como soprar nos sacos quentes, transferir / o segredo?” (p. 577). À semelhança dos excertos que comentámos dos primeiros doze poemas, o sopro associa- se à criação do poema e em especial à criação do nome, “Alguns nomes são filhos vivos alguns ensinos de memória e dor” (p. 577), porque o nome já existente assume, pela específica utilização e pelo contexto distinto, uma nova identidade, renascendo: depois da purificação, sopra-se-lhe nas narinas ou na boca para que tenha vida, para que lhe seja transferido o “segredo”, depois de reconhecido o caos torna-se necessária a criação divina, no Génesis, depois do reconhecimento do caos é fundamental a criação de um estilo, como afirma o autor, em Os passos em volta: “Há felizmente o estilo. Não calcula o que seja? Vejamos: o estilo é um modo subtil de transferir a confusão e violência da vida para o plano mental de uma unidade de significação”. 11
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"Constança Manuel": para além da história de amor entre Inês e Pedro.

"Constança Manuel": para além da história de amor entre Inês e Pedro.

Mas não é como vítima passiva dos acontecimentos que a Constança Manuel ficcional enfrentará a infidelidade do esposo. Vendo-se afrontada pela amante “favorita” de Pedro, como bem classificou Herberto Helder, a infanta ainda se revelará uma mulher arguta e perspicaz, sabendo se comportar com nobreza diante dos sogros que a muito estimavam: “[…] o infante compreenderá quanto bem vos queremos e que sempre velaremos para que nenhum mal vos aconteça” (NERY, 1998, p. 68); ou mantendo cautela e resignação inteligente, mesmo nos muitos longos períodos em que não recebia Pedro em sua alcova. Procurando sempre conhecer os segredos dos outros pelos sonhos, para melhor compreender o que lhe era inacessível e obscuro, não demorará em adentrar os aposentos de Pedro “com passos de anjo” enquanto ele dormia:
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