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2º Capítulo – O engenheiro e o reconhecimento profissional

Os cientistas estudam o que existe, os engenheiros criam o que nunca antes existira.

Theodore Von Karman1

Neste ponto da pesquisa, é preciso fazer uma distinção entre engenheiros e politécnicos. Era tido como engenheiro todo aquele que concluía um curso de engenharia em escola superior que conferisse tal titulação. O reconhecimento por parte do governo federal dessas escolas vinha com uma equiparação à Escola Politécnica do Rio de Janeiro. Ao longo dessa pesquisa, encontramos várias escolas que se apresentavam como sendo de ensino superior, mas que não chegaram a receber esse reconhecimento oficial, e ministravam a engenharia nos chamados Cursos Livres. Os egressos das escolas oficiais não reconheciam como válido, e juridicamente não era, o título adquirido nesses Cursos Livres.2

Dentre aqueles que são engenheiros encontramos os politécnicos, mas na São Paulo do alvorecer do século XX essa designação não corresponde a um único grupo. É preciso estabelecer uma primeira diferenciação entre o inicial grupo de professores que estruturou a Escola, como Paula Sousa, João Pereira Ferraz,

2 A lata CO8874 do Arquivo Público do Estado contém documentação de matrícula e avaliações

Francisco Ferreira Ramos e Carlos de Souza Shalders, e outros, que não eram politécnicos paulistas, mas, sim, formariam aqueles que no futuro receberiam essa denominação. Esses professores foram formados na Escola Politécnica do Rio de Janeiro ou na Escola de Minas de Ouro Preto e também receberam formação no exterior. Já atuavam na administração pública antes de 1893, e estavam ligados a diversos setores da sociedade com suas ações profissionais. Inicialmente, não se pode afirmar que as ações que esse grupo desenvolve são as do politécnico paulista, visto sua formação e atuação profissional na Cidade serem anteriores a criação da Escola Politécnica. Esse primeiro momento que discutiremos é marcado pela atuação desses formadores dos politécnicos, que dão as primeiras linhas mestras de orientações para o desenvolvimento da Escola, o que não é fácil, nem um mar de rosas como às vezes se apregoa, esquecendo-se a disputa por verbas e por espaços travadas no âmbito das Secretarias de Estado.

O politécnico paulista é aquele que surge com a formatura da primeira turma da Escola, em 1899. Com as formaturas subseqüentes, temos um grupo profissional, que lutará por espaços na sociedade civil na tentativa de demarcar sua área de atuação, até então não demarcada estava juridicamente. Uma particular característica do politécnico é exatamente a de ele preferir ser identificado como “Politécnico” do que como engenheiro. As suas publicações, como a Revista Politécnica vão demonstrando esse fato.

Um aspecto específico dos cursos de engenharia é a sua necessidade de laboratórios, gabinetes como eram chamados à época os espaços para as aulas práticas. Como Paula Sousa adota como modelo para a Escola Politécnica o das Escolas Politécnicas da Alemanha e Suíça, a pedra de toque estava na praticidade dos cursos, e esses teriam uma incidência sobre as mudanças da cidade. Nos primeiros seis anos, 1894-1899, a estruturação dos cursos se constitui, pouco a pouco, contratam-se professores para preencher as vagas que surgem a cada ano. Neste momento, há poucas turmas, poucos alunos, e todos os docentes executavam alguma outra atividade, a começar do diretor que exercia

de Arthur Ferreira Gomes. Entre os anos de 1914-16, há o registro de pedido de matrícula de Antonio Grassi. Em 1917, Antonio de Pádua Sales Jr. cursava o 4o ano de engenharia.

mandatos legislativos. O espaço físico inicialmente adquirido pelo Governo do Estado para abrigar o funcionamento da Escola logo se mostra insuficiente para abarcar toda a estrutura do funcionamento de todos os cursos, em todos os anos, e se dá início as obras do prédio que seria denominado Paula Sousa, e posteriormente a construção dos edifícios alcunhados como Ramos de Azevedo e Rodolpho San Thiago (também ex-diretores da Escola Politécnica). Tantas dependências eram sempre justificadas pela necessidade de espaços para os laboratórios de cada curso em particular.

2.1 – A Revista Politécnica: instrumento de construção da identidade

A Revista Politécnica, já analisada na introdução dessa pesquisa como fonte documental, compõe nesse momento de estruturação da Escola a porta de entrada para conhecermos o engenheiro que a Escola Politécnica estava formando. Ela não se apresenta como porta-voz da instituição, mas sim de seu corpo discente, enquanto órgão oficial do Grêmio Politécnico. Essa agremiação dos estudantes se estrutura após a participação de alguns alunos da Escola Politécnica no Congresso Estudantil de Montevidéu, em 1902, levando ao surgimento em primeiro de setembro de 1903, no auditório da Matemática, a criação desse órgão de representação discente, cuja diretoria era eleita anualmente.3

O Grêmio Politécnico em sua estruturação inicial propõe como um de seus objetivos o de estimular seus associados a desenvolverem as aplicações práticas das matérias que constituíam os diversos cursos por eles realizados. Tal perspectiva era a ressonância do eco da proposta metodológica do diretor, Paula Sousa, para a finalidade da Instituição como um todo, e por isso mesmo, o Grêmio

3 Inicialmente editada na tipografia do Diário Oficial, após o nº 18 passou a ser impressa em

diversas casas editoriais da Cidade. Tal fato, que poderia significar uma maior desvinculação por parte do Grêmio da estrutura hierárquica da instituição, deveu-se na realidade às novas regras para impressão no Diário Oficial que não contemplava mais as publicações da revista em questão.

Politécnico, por vezes, encontrava junto à direção, o apoio necessário para o desdobramento de suas iniciativas.4

No ano seguinte a sua fundação, esse grupo de alunos se dedicou ao exame dos materiais de construção empregados nas obras de construção civil que estavam em escala cada vez mais ascendente na cidade de São Paulo. Para tal um grande número de experimentos foi efetuado no sentido de serem verificadas as condições técnicas, físico-químicas, dos mesmos. O passo seguinte passou a ser a busca de apoio para a publicação de um manual com o resultado de todas as experiências realizadas, que se concretizou com a edição do Manual de

Resistências dos Materiais, em 1905.

As ações empreendidas pelo Grêmio levaram-no a pleitear, concomitante ao manual, a publicação de uma revista, e o próprio diretor intercedeu junto ao Secretário do Interior e da Justiça para que esse aprovasse financeiramente tal empreendimento, enviando-lhe um ofício em 11 de outubro de 1904, afirmando:

Como consequencia natural dos seus trabalhos surgio a necessidade da fundação dea necessidade da fundação dea necessidade da fundação dea necessidade da fundação de uma revista

uma revistauma revista

uma revista onde pudessem ser reunidos os resultados obtidos, que prestardo poderoso auxilio a todos os estudantes e mesmo profissionais.5

Tal solicitação é prontamente atendida e, em novembro de 1904, é editado nas oficinas do Diário Oficial do Estado o primeiro número da Revista Politécnica.

Observar o índice de assuntos das matérias publicadas nesse periódico desde sua primeira edição até o número 112, em dezembro de 1933, é encontrar um espelho de para onde se voltavam os interesses da instituição na variação desse tempo. Quando de sua fundação, entre os seus cursos estava o de engenheiro agrônomo (extinto no regulamento de 1911) e, se poucos foram os seus formandos, apenas vinte e três entre 1901 e 19106, poucos foram também os

Essa medida, antes de se concretizar, foi precedida de interrupções entre várias de suas edições. Revista Politécnica, nº 12, p. 354 e nº 14, p. 107.

4 EPUSP/APFI/L-47, p. 206 e 207. 5 Ibidem. Grifo nosso.

artigos dessa área na Revista, apenas seis.7 Já artigos referentes à arquitetura,

estabilidade, construções e assunto tangentes à abordagem do saneamento urbano, com uma ênfase na utilização dos recursos hídricos do Estado, são constantes na Revista ao longo desse período e indicativos desse diálogo persistente da Escola com a cidade, como se abordará no capítulo quatro. Outros temas correntes nas páginas da Revista eram a eletricidade, as máquinas e os transportes na área das estradas de ferro que perpassam seus vários números. O diálogo com o setor de transporte ferroviário, já consolidado no Estado, foi muito intenso na Escola desde sua fundação, como veremos no quinto capítulo dessa pesquisa.8

Certamente os assuntos abordados pela Revista Politécnica estão em consonância com os momentos sociais da cidade. A ênfase nos assuntos da engenharia civil está em acordo com aquele que é o curso carro-chefe da escola, a engenharia civil, que possibilita a atuação em inúmeras áreas, do saneamento urbano ao transporte ferroviário. A inicial estruturação do Gabinete de Resistência dos Materiais coloca a Escola como porta-voz das pesquisas e do desenvolvimento de ações na área das construções que vivenciam um crescente aumento em São Paulo. Formar engenheiros para acompanhar esse carrossel urbano é o foco da Escola Politécnica.

Nesse momento tudo indica o crescimento da cidade, e isso se reflete no interior da Escola Politécnica. Uma estatística publicada em 1911 na Revista de

7 A extinção do curso de agronomia, que sempre teve um baixo número de alunos, é concomitante

à criação e ao desenvolvimento da Escola Agrícola Prática de Piracicaba, em 1901, futura Escola Superior Luiz de Queiroz, que interagia com o meio agrícola paulista, por localização, melhor do que uma recém-criada escola de engenharia na capital.

8 Além desses assuntos, outros como geometria-desenho, geografia, mecânica, metalografia e

geodésia têm publicações esparsas ao longo de todo esse período. Outras começam a figurar em suas páginas somente a partir de uma determinada data: concreto, em 1909; termodinâmica, em 1913; mineralogia, em 1915; fundações, em 1930; e, no enfoque de transportes e comunicações, a aviação, que com poucos artigos entre 1906 e 1909, passa a ser presença constante no final da década de vinte. Há também aquelas que deixam de se fazer presentes após anos de publicação, como Pontes e Estradas que, após o artigo de “Notas de aula do Curso de Estradas”, em 1923, teve apenas uma publicação em 1933 sobre a “Ponte Pênsil sobre o Paranapanema em Xavantes”; Processos de Medidas, com vários artigos publicados até 1919, teve apenas uma após essa data, em 1933, sobre B . Na edição de no 56,a Revista Politécnica publicou um “Índice por assuntos da matéria publicada pela Revista Politécnica: 1904- 1956”, que nos auxiliou nos vários levantamentos dos assuntos publicados pela revista.

Engenharia mostra, numa comparação com o Rio de Janeiro, então Capital

Federal, que há poucos anos passara por uma reestruturação urbana com a reforma de Pereira Passos, o aumento no número de construções em São Paulo, como indica o gráfico a baixo.9

Aumento Anual de Construções

0 500 1000 1500 2000 2500 3000 3500 1906 1907 1908 1909 1910 São Paulo Rio de Janeiro

Em apenas quatro anos, de 1906 a 1910, o número de novas construções passou de 1.091 para 3.231. Assim, responder a questão do tipo: como construir a ponte do aterro do gasômetro? qual a resistência do cimento armado? o que e como fazer a retificação do Rio Tietê? Essas diversas inquietações, que tantas vezes aparecem nas páginas dos periódicos da época numa cobrança de posição da administração pública, eram para a Escola Politécnica objeto de investigação tecnológica. Deste modo, a Escola visava responder a essas indagações da vivência do paulistano, e o volume de matérias publicadas nas revistas de

9 Revista de Engenharia, vol. 1, no 2, p. 25. Todo esse aumento nos números da construção civil

levou o editorial de 10 de janeiro de 1912 da Revista de Engenharia a discutir a crise da mão-de- obra na cidade. Apontando a inflação nos preços dos materiais (o que diminuía o lucro dos empreiteiros), a falta de trabalhadores aptos à atividade da construção civil, e é claro o grande

engenharia nos permite observar quando uma temática passa a ser mais relevante para a cidade e, conseqüentemente o seu inverso, um tema passa a não mais figurar em suas páginas.

Num primeiro olhar sobre os artigos publicados ao longo desses primeiros anos, poderíamos ser levados a pensar que, no período em estudo, a Revista

Politécnica dedicava-se aleatoriamente a variados assuntos, da arquitetura à arte

em São Paulo, da Geodésia a Impressões da Europa.10 Mas, com um olhar um pouco mais atento, podemos perceber a preocupação com a transformação urbana pela qual a cidade estava passando, perpassando os seus mais diversos artigos, sempre de autoria de engenheiros ou alunos de engenharia. Os artigos de cálculos teóricos, por exemplo, visavam propor soluções para problemas urbanos identificados nas áreas da construção civil e/ou da energia.11 Nesses artigos, temos a visão de cidade desse grupo, uma cidade que precisava do seu conhecimento e atuação tecnológica para poder se desenvolver, tendo condições de atender as novas engrenagens do progresso que advinha à cidade.

Ao longo de sua publicação, como forma de dar mais visibilidade à atuação profissional do politécnico, as ilustrações ganharam espaços cada vez mais significativos na Revista. Afirmamos isso mesmo que no nº 3 onde os redatores informam que as ilustrações ali presentes possuem apenas a finalidade de ornar a revista graças a sua beleza, sem que, de fato, estejam relacionadas às matérias editadas naquele número, e de fato nem sempre o que é inserido corresponde de fato ao que se está publicando.12 A partir de então, quase todos os números são ilustrados por desenhos técnicos como teoremas, mapas, croquis arquitetônicos

aumento no número de habitações, principalmente na área operária da cidade. A crise de mão de obra. Revista de Engenharia, vol.1, no 8, p. 217-218.

10 Revista Politécnica, nº 2, p. 75-77, nº 3, p. 155-159, nº 5, p. 282-288 e nº 15, p. 182-187.

11 Apenas para exemplificar o que foi lido, visto isso ser uma percepção do todo da revista,

citamos: “Estabilidade de uma chaminé” Revista Politécnica, nº 7, p. 20-26, e “A eletricidade e a hulha branca em São Paulo”, Revista Politécnica, nº 9, p.107-111.

ou fotos de edificações em construção ou já acabadas que se encontram em função de reforço e/ou complementaridade das matérias as quais se referem.13

A Revista Politécnica era distribuída gratuitamente aos sócios do Grêmio Politécnico, aos lentes e professores da Escola. Havia também uma sistemática, porém restrita, campanha de assinaturas, de 12 números por 15$000 Réis. Na difusão de um ideal profissional, sustentamos aqui que esse era o seu principal foco, a distribuição da revista era uma das formas de propagar essa idéia. Era preciso estabelecer vínculos entre os ex-politécnicos que os permitissem lutar pela estruturação jurídica de sua profissão.

Não há de forma explícita nenhuma alusão comercial na forma de propaganda em qualquer um de seus números. Mesmo enfrentando problemas para a publicação regular, devido às dificuldades com o Diário Oficial, não lança mão deste recurso para uma maior captação financeira. A exceção é a propaganda, que por sinal perpassa de alguma forma todas as edições, referente ao Manual de Resistência dos Materiais, uma publicação do próprio Grêmio.

A publicação, dedicada ao engenheiro e ao estudante de engenharia, constituiu-se principalmente num espaço de divulgação para os trabalhos dos lentes da instituição. Aparentemente, há apenas a preocupação com a divulgação da Revista interna ao grupo dos engenheiros, interna porque particular seria o seu público-alvo, e como diz o juízo emitido no final do primeiro volume:

O orgam de Grêmio Polytechnico não é ainda e não pretende ser uma revista technica, no sentido elevado da palavra, mesmo assim elle não dispensa a coadjuvação dos profissionais, - que nas paginas da Revista encontrarão affectuosso acolhimento para os seus trabalhos...

13 Com o passar das edições, as imagens se tornaram essenciais em algumas matérias técnicas

para que seu conteúdo pudesse ser melhor explicitado. Em - ! C

, por meio das fotos, visualiza-se a distinção entre trem de passageiro, trem de mercadorias e trem de material de guerra, bem como os diversos tipos de ligação entre os diversos carros. Ibidem, nº 23, p. 261-265.

Auxiliem-nos aquelles que o podem fazer e a REVISTA POLYTECHINICA não desapparecerá, como tantas outras publicações que não conseguem medrar – em terras como as nossas, em que ainda pouco se lê e pouco apreço merecem aquelles que escrevem...14

Mas nas notas por agradecimento recebido havia sempre os cumprimentos dos setores comerciais e industriais, além de autoridades políticas da cidade pelo recebimento de tal publicação, o que faz da Revista um vetor do pensamento politécnico na cidade de São Paulo, atingindo um público bem diversificado, futuros interlocutores da causa do reconhecimento da profissão.

2.2 – O ensino da engenharia

No decorrer dos anos, assim como previsto em seu regulamento, passou o Grêmio Politécnico a convidar diversas personalidades para conferir palestras sobre os temas de interesse do alunado de engenharia, e logo em seu primeiro número a Revista Politécnica publica um artigo intitulado “O ensino profissional na democracia moderna”, resultado de uma conferência realizada pelo Dr. Leopoldo de Freitas, em 12 de março de 1904.15

Esta conferência inaugural é elucidativa de alguns paradigmas referentes ao ensino profissional presente nas Escolas de Engenharia no início do século XX.16 Entre eles, a correlação entre ensino profissional e democracia, sim

14 Idem, nº 6, p. 383.

15 Revista Politécnica, nº 1, p. 60-66. Leopoldo de Freitas, autor do artigo era Jornalista. Revista

Politécnica, nº 14, p. 100.

16 Em seu artigo sobre os duzentos anos de ensino da engenharia no Brasil, P. C. da S. Telles

apresenta a seguinte cronologia para a fundação das escolas de engenharia no período republicano: 1895 – Escola de Engenharia de Pernambuco, atual Escola de Engenharia da Universidade Federal de Pernambuco; 1896 – Escola de Engenharia Mackenzie e Escola de Engenharia de Porto Alegre, atual Escola de Engenharia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul; 1897 – Escola Politécnica da Bahia, atualmente inserida na Universidade Federal da Bahia; 1911 – Escola Livre de Engenharia, atual Escola de Engenharia da Universidade Federal de Minas Gerais; 1912 – Escola de Engenharia do Paraná, e Escola Politécnica do Recife; 1913 – Instituto

democracia, e não República, como poderíamos ser levados a pensar visto a recente mudança de regime político ocorrida, à época, há poucos anos no País. A democracia era tida como o espelho da nação desenvolvida, da nação que buscava o progresso. Assim, vincula-se o progresso técnico-científico à democracia, um precisa do outro para se consolidar e se perpetuar na história, daí se pontua ser fundamental a importância da fundação da Escola Politécnica em São Paulo no momento em que o Estado lança as bases do seu desenvolvimento democrático.17

Como modelos de democracia, são repetidamente propostos: Estados Unidos da América, Alemanha e Suíça. Exatamente nesses países, o ensino profissional tecnológico alcançou, mesmo que por caminhos diferentes um do outro, um maior grau de interação com a sociedade, na qual:

Patrões e operários fabris procuram estar ao corrente das applicações scientificas, porque sabem que o trabalho baseado nos progressos da sciencia é mais productivo.18

Eletrotécnico de Itajubá; 1914 – Escola de Engenharia de Juiz de Fora; 1928 – Escola de Engenharia Militar, atual Instituto Militar de Engenharia; e em 1931 – Escola de Engenharia do Pará. Quanto ao ensino, o autor identifica o modelo francês sendo aplicado na Escola de Minas de Ouro Preto, o suíço na Escola Politécnica de São Paulo, o alemão no Instituto Eletrotécnico de Itajubá e o norte-americano na Escola de Engenharia Mackenzie. Cf. TELLES, P. C. da S., Duzentos anos de ensino da Engenharia no Brasil, Revista Politécnica, nº 211, p. 85.

17 A democracia tem suas origens em Atenas, na Grécia Antiga, onde a deusa da ciência, das

letras e da guerra era Pallas-Atenas, segundo o mito essa deusa deu à Atenas esse modelo de governo. E será essa própria deusa grega o ícone que desde sua fundação foi adotado pela Escola Politécnica com o seu codinome romano, Minerva. O uso do símbolo da deusa da mitologia romana Minerva, hoje usado como um logotipo da EPUSP, foi associado ao seu nome provavelmente pelo diretor, Paula Sousa, que teria trazido a idéia da Politécnica de Zurique, onde estudou entre 1861 e 1863; na fachada noroeste do prédio principal, encontrava-se o desenho dessa deusa. Essa deusa é símbolo da estratégia lúcida, é a senhora das técnicas, da racionalidade instrumental, a criadora de saídas com engenhosidade, é a deusa guerreira, da sabedoria, das atividades práticas, mas também do trabalho artesanal de fiação, do espírito criativo e da vida especulativa. Com tudo isso, pode-se afirmar que ela reúne em si os aspectos fundamentais à formação do politécnico, racionalidade e criatividade. MUSATTI, M. Minerva: símbolo da Politécnica, p. 7-18. O busto de Minerva criado pelo artista Caetano Franccarolli, na perspectiva do seu perfil direito, passou a ser adotado oficialmente como constituinte oficial da