Hugo David Rodrigues Fernandes
Orientador: Prof. Catedrático José Jacinto Branco Vasconcelos-Raposo
41
Resumo
A Atividade Física (AF) é importante para a manutenção da saúde física e mental, embora seja necessário aprofundar o conhecimento sobre o seu impacto sobre variáveis psicológicas em fumadores. O objetivo deste estudo foi o de identificar o impacto da AF sobre estados emocionais negativos e mindfulness em fumadores
portugueses. A amostra total incorporou 569 adultos portugueses (184 fumadores) entre os 18 e os 75 anos (M= 26.85; DP= 8.549). Foram efetuadas comparações considerando a amostra total e a amostra de fumadores, com recurso a análises multivariadas da variância (MANOVA). Os resultados indicaram influências significativas da prática de AF sobre os estados emocionais negativos e o mindfulness, tanto na amostra total e especificamente na amostra de fumadores. Os fumadores apresentaram ainda níveis de ansiedade superiores, comparativamente aos não fumadores. O presente estudo
identificou um impacto positivo da AF sobre estados emocionais negativos e o mindfulness em fumadores. Sugere-se a implementação de intervenções baseadas na prática regular de AF e do mindfulness, no processo de cessação tabágica.
Palavras-Chave: Atividade física, estados emocionais negativos, mindfulness, fumadores.
42
Abstract
The Physical Activity (PA) is important to maintaining physical and mental health, although it is necessary to deepen the knowledge about is impact on
psychological variables in smokers. The aim of this study was to identify the impact of AF on negative emotional states and mindfulness in portuguese smokers. The total sample portuguese incorporated 569 adults (184 smokers) between 18 and 75 years (M = 26.85, SD = 8549). Comparisons were made considering the total sample and the sample of smokers, using multivariate analysis of variance (MANOVA). The results indicated significant influences of PA practice on the negative emotional states and mindfulness, both the total sample and specifically in the smoking sample. Smokers also showed higher levels of anxiety, compared to non-smokers. This study identified a positive impact of PA on negative emotional states and mindfulness in smokers. It is suggested the implementation of interventions based on the regular practice of PA and mindfulness in the smoking cessation process.
43
Introdução
A prática de Atividade Física (AF) apresenta-se como hábito de vida importante, no impacto benéfico sobre várias dimensões da saúde física e mental (Fernandes,
Vasconcelos-Raposo, Pereira, Ramalho, & Oliveira, 2009; Melo, Oliveira, &
Vasconcelos-Raposo, 2014; Vasconcelos-Raposo, Fernandes, Mano, & Martins, 2009). Especificamente, vários estudos têm mostrado esses efeitos ao nível de vários processos mentais, quer seja em termos de regulação de estados de humor (Sabiston et al., 2013; Teixeira, Vasconcelos-Raposo, Fernandes, & Brustad, 2013; Vasconcelos et al., 2009), da melhoria da aptidão física e do autocontrolo (Carvalhal & Vasconcelos-Raposo, 2007; Vasconcelos-Raposo, Costa, & Carvalhal, 2001) ou dos benefícios ao nível do bem-estar subjetivo (Gunnell, Crocker, Mack, Wilson, & Zumbo, 2014) e bem-estar psicológico (Almeida, Rodrigues-Fernandes, Caridade, & Fernandes, 2014). Em oposição, o ato de fumar constitui-se como fator de risco que contribui para o aparecimento de inúmeras doenças físicas (Buffart et al., 2014; Pereira et al., 2013), estando muitas vezes presente em sujeitos com perturbações psiquiátricas significativas (Abramovitch, Pizzagalli, Geller, Reuman, & Wilhelm, 2015; Salín-Pascual, Alcocer- Castillejos, & Alejo-Galarza, 2002).
Empiricamente, tem sido reconhecida a importância da prática habitual de AF como fator a implementar em terapias de cessação tabágica (Azagba & Asbridge, 2013; Treviño et al., 2014). Este reconhecimento ganha sentido perante a associação negativa entre dependência da nicotina e a prática de AF (Azagba & Asbridge, 2013; Loprinzi, Kane, Mahoney, & Walker, 2015). Outro aspeto é a associação entre a dependência de nicotina e queixas de ansiedade, depressão e stresse (Saravanan & Heidhy, 2014).
44 A investigação tem sido unanime quanto aos benefícios da AF na redução de sintomatologia associada à ansiedade, depressão e stresse (Fernandes et al., 2009; Melo et al., 2014; Sabiston et al., 2013; Teixeira et al., 2013; Vasconcelos-Raposo et al., 2009). Já na relação entre fumar e a presença de estados emocionais negativos, Saravanan e Heidhy (2014) sugeriram que a presença de queixas é mais patente em fumadores, evidências previamente apontadas também por Lyvers, Thorberg, Dobie, Huang, e Reginald (2008). Pedersen e Von-Soest (2009) sugeriram associações entre a dependência de nicotina e a depressão. Porém, alguns autores têm referido não existir razões de diferenciação entre tabagismo e estados emocionais negativos (Abramovitch et al., 2015; Thornton, Baker, Johnson, & Lewin, 2013).
Os processos metacognitivos adjacentes ao mindfulness podem estar presentes no ser humano independentemente de desenvolver dinâmicas provenientes desse tipo de intervenção (Cardaciotto, Herbert, Forman, Moitra, & Farrow, 2008). Neste prisma, sabe-se que a prática de AF pode trazer benefícios ao nível de diversos processos mentais (Carvalhal & Vasconcelos-Raposo, 2007; Vasconcelos-Raposo et al., 2001). Contudo, pouco se tem pesquisado sobre o impacto da prática de AF nos processos adjacentes ao mindfulness, considerando o modelo proposto por Cardaciotto et al. (2008). Dos estudos realizados, Mothes, Klaperski, Seelig, Schmidt, e Fuchs (2014) referiram associações positivas entre a prática de exercício físico aeróbio e mindfulness.
Compreender os aspetos em torno da influência da AF sobre as dimensões do mindfulness mostra-se relevante. Essa relevância prende-se com o facto de que vários estudos têm demonstrado que o treino em mindfulness, integrado nas terapias cognitivas de terceira geração (Kabat-Zinn, 2003; Williams & Penman, 2011), tem apresentado resultados quanto à diminuição de sintomatologia ao nível dos estados emocionais negativos (Asl & Barahmand, 2014; Elwafi, Witkiewitz, Mallik, Thornhill, & Brewer,
45 2012). Essa redução é vista a vários níveis como no que concerne à diminuição da ansiedade (Desrosiers, Klemanski, & Nolen‐Hoeksema, 2013), da depressão (Kabat- Zinn, 2003; Asl & Barahmand, 2014) e do stresse (Williams & Penman, 2011). Vários estudos demonstraram que estes aspetos acabam por ajudar os pacientes nos processos de abandono do consumo tabágico (Elwafi et al., 2012; Luberto et al., 2014). Por exemplo, para Asl e Barahmand (2014) o treino baseado em mindfulness diminuiu sintomatologia depressiva em pacientes aditivos.
O estudo sobre o impacto da prática de AF sobre estados emocionais negativos ainda carece de algum aprofundamento. Por exemplo, pouca atenção tem sido prestada aos efeitos da prática de AF sobre variáveis psicológicas em amostras específicas de fumadores (Treviño et al., 2014). Deste modo, dados os efeitos nefastos do consumo de tabaco (Buffart et al., 2014; Pereira et al., 2013) e os efeitos benéficos da AF enquanto estilo de vida saudável (Melo et al., 2014; Vasconcelos-Raposo et al., 2009), importa aprofundar o conhecimento sobre o impacto destes fatores combinados em determinadas dimensões do funcionamento mental, nomeadamente, em estados emocionais negativos e mindfulness. Assim, em primeiro lugar, o presente estudo procura clarificar o impacto da prática regular de AF sobre a ansiedade, depressão e stresse (Lovibond & Lovibond, 1995) e ao nível dos processos de mindfulness (Cardaciotto et al., 2008; Salmon, Hanneman, & Harwood, 2010) considerando, tanto amostras heterogéneas, como amostras mais homogéneas, onde se incluiu adultos fumadores. Neste aspeto, são escassos os estudos sobre o impacto da AF no mindfulness (Mothes et al., 2014; Salmon et al., 2010). Por último, a investigação tem alertado para a necessidade de se
aprofundar o conhecimento sobre impacto de estilos de vida ativos na saúde mental da população adulta (Vasconcelos-Raposo et al., 2009). Assim, o presente artigo procura
46 contribuir para o conhecimento ao nível do impacto da AF sobre estados emocionais negativos e mindfulness na população geral e sobretudo numa amostra de fumadores.
Como tal, esta investigação tem como objetivo geral verificar o impacto da AF sobre estados emocionais negativos, bem como ao nível das duas dimensões primordiais do mindfulness (Cardaciotto et al., 2008), em fumadores adultos portugueses.
Especificamente, pretendemos comparar sujeitos inativos, pouco ativos e ativos quanto à nsiedade, depressão, stresse, awareness e aceitação. Comparam-se ainda grupos de fumadores e não fumadores, quanto àquelas variáveis. Por fim, apresentam-se comparações dos grupos de fumadores inativos, pouco ativos e ativos, ao nível da ansiedade, depressão, stresse e das dimensões do mindfulness.
Método
Este estudo é de caráter transversal, quantitativo, quasi-experimental,
nomotético, comparativo e exploratório (Pais-Ribeiro, 2010). Constituem-se variáveis dependentes a ansiedade, depressão, stresse, awareness e aceitação e como variáveis independentes os níveis de prática de AF e o consumo ou não consumo de tabaco.
Participantes
No estudo participaram 621 adultos portugueses tendo sido validados 569 casos. Como critérios de exclusão consideramos a nacionalidade (nacionalidades que não a portuguesa), idade (inferior a 18 anos) e erros na resposta aos protocolos (por exemplo, itens inválidos). Assim, a amostra integrou 569 adultos portugueses entre os 18 e os 75
47 anos (26.85 ± 8.549), em que 73.5% dos participantes eram do sexo feminino. A
maioria dos participantes (61.3%) provinha da região norte de Portugal e 66.3% residiam em meio urbano. Quanto às habilitações literárias, 68.4% tinham concluído uma formação superior. Na prática habitual de AF, 26% dos participantes foram considerados inativos, 38.5% pouco ativos, 22.8% moderadamente ativos e 12.7 bastante ativos, considerando as orientações internacionais para a prática de AF como comportamento promotor de saúde (Haskell et al., 2007). Nos comportamentos aditivos, 83.7% referiu não consumir álcool diariamente, 19.1% afirmou já ter consumido drogas ilícitas e 32.6% mencionou fumar atualmente (n=184). Dos fumadores, 59.2% são do sexo feminino. Em termos de prática regular de AF, grande parte dos participantes eram inativos (35.9%) ou pouco ativos (35.9%), sendo classificados como moderadamente ativos, 21.2% da amostra e apresentando-se quase nula (3.8%), a parcela da amostra que atingiu as recomendações internacionais (Haskell et al., 2007). Nos fumadores, 60.9% integraram o grupo de dependência baixa à nicotina, 35.3% o de dependência média e os restantes 3.8% obtiveram indicadores para dependência elevada (Fagerström, 1978). Os valores descritivos aqui relatados encontram-se em detalhe na tabela 1.
Instrumentos
Dados sociodemográficos
Para o levantamento sociodemográfico elaborou-se um questionário de recolha de informações quanto à idade, sexo, zona, local de residência e habilitações
académicas dos participantes. A fim de identificar os participantes fumadores e não fumadores da amostra, desenvolveu-se ainda uma questão para definição desta variável.
48 Tabela 1:
Análise descritiva da amostra
Análise descritiva da amostra em estudo.
N %
Amostra global final 569 100
Sexo Feminino 418 73.5 Masculino 151 26.5 Zona de residência Norte 349 61.3 Centro 121 21.3 Sul 27 4.7 Ilhas 59 10.4 Fora de Portugal 13 2.3 Local de residência Rural 192 33.7 Urbano 377 66.3 Habilitações literárias Até ao 3º ciclo 30 5.3 Ensino Secundário 150 26.3 Ensino Superior 389 68.4 Prática de AF Inativos 148 26.0 Pouco ativos 219 38.5 Moderadamente ativos 130 22.8 Bastante ativos 72 12.7 Fumadores 184 100 Sexo Feminino 109 59.2 Masculino 75 40.8 Prática de AF Inativos 66 35.9 Pouco ativos 66 35.9 Moderadamente ativos 39 21.2 Bastante ativos 13 7.1
Nível de dependência à nicotina
Dependência baixa 112 60.9
Dependência moderada 65 35.3
49
Envolvência na prática de atividade física
Para avaliar os índices de frequência da prática de AF dos participantes, suportamo-nos no modelo de autorrelato desenvolvido por Prochaska, Sallis, e Long (2001), que é composto por duas questões para inventariar o nível de prática regular de AF. A primeira questão pede para o indivíduo para quantificar o número de dias em que se envolveu em AF, durante pelo menos 30 minutos/ dia, na última semana. A segunda atende a uma classificação semelhante, mas referente a uma semana normal. Segundo as recomendações internacionais, os indivíduos devem envolver-se em AF em pelo menos 5 dias por semana, durante trinta minutos, a fim de beneficiarem dos efeitos positivos da prática (Haskell et al., 2007; Prochaska et al., 2001; Vasconcelos-Raposo et al., 2009).
Dependência Tabágica
O TDN (Fagerström, 1978) é um instrumento de autorrelato, composto por seis itens, útil para conhecer o nível de dependência do indivíduo à nicotina. A pontuação total da escala é de 10 pontos, sugerindo uma classificação dos indivíduos fumadores em três categorias: a- baixa dependência fisiológica (0-2 pontos); b- dependência moderada (3-6 pontos); c- dependência elevada (7-10 pontos).
Estados Emocionais Negativos (DASS-21)
Para o levantamento da sintomatologia relacionada com os estados emocionais negativos, relacionados com a ansiedade, depressão e stresse, recorreu-se à versão DASS-21 desenvolvida por Lovibond e Lovibond (1995) e validada por Vasconcelos-
50 Raposo, Fernandes, e Teixeira (2013). A escala contém 21 itens, sendo formada por uma estrutura tipo Likert de quatro pontos, constituída por um conjunto de três subescalas. Resultante da análise fatorial confirmatória, Vasconcelos-Raposo et al. (2013) sugeriram uma composição de sete itens para cada subescala para avaliar a depressão, ansiedade e o stresse, conservando o modelo da versão curta inicial (Lovibond & Lovibond, 1995). Na análise de Vasconcelos-Raposo et al. (2013), com uma amostra portuguesa, a escala apresentou boas caraterísticas psicométricas, em termos de valores de confiabilidade, tanto na análise global da escala (α = . 92), quanto para as subescalas de depressão (α = .84), ansiedade (α = .80) e stresse (α = .83).
Mindfulness (PHLMS)
A PHLMS (Cardaciotto et al., 2008) é uma medida de autorrelato de 20 itens que avalia o mindfulness em dois fatores, nomeadamente na dimensão awareness (consciência do momento presente) e aceitação sem julgamento (Cardaciotto et al., 2008). Os itens são agregados numa tipologia da escala do tipo Likert (0- nunca a 4- quase sempre), que mede a frequência de vivências dos participantes tendo por referência à última semana. É sugerida a inversão dos valores de todos os itens pares (Cardaciotto et al., 2008). Estudos de análise fatorial exploratória e confirmatória têm proposto a construção da escala mediante os dois fatores (Cardaciotto et al., 2008; Rodrigues-Fernandes & Vasconcelos-Raposo, no prelo), com bons índices de confiabilidade nas avaliações das subescalas da PHLMS, quer em amostras clínicas, quer em amostras não clínicas (Cardaciotto et al., 2008). O estudo de validação de Rodrigues-Fernandes e Vasconcelos-Raposo (no prelo) apresentou indicadores
51 satisfatórios de confiabilidade da escala geral (α = .72) e bons índices atendendo à confiabilidade da subescala awareness (α = .86) e da subescala aceitação (α = .87).
Procedimentos
Inicialmente, o projeto de pesquisa foi submetido à comissão de Ética da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro, obtendo parecer favorável quanto à sua realização. Optou-se por uma recolha de dados online, por intermédio da plataforma Google.drive, recorrendo ao método de amostragem bola de neve. Assim, contactaram- se potenciais participantes por intermédio de endereços de correio eletrónico e de redes sociais, entre 25 de fevereiro e 17 de março de 2015. Todos os participantes foram informados quanto ao propósito da investigação e convidados a preencher o termo de consentimento informado e esclarecido. Foram também respeitadas as restantes diretrizes éticas da investigação em psicologia, nomeadamente no que se refere ao anonimato e à confidencialidade dos respondentes, bem como o direito de desistir, no decorrer do procedimento de recolha de dados. Foi disponibilizado um contacto para esclarecimento de dúvidas ou outras questões referentes à investigação em curso.
Análise Estatística
Para tratamento estatístico recorremos ao Statistical Package for the Social Science (SPSS), v. 22. Após organização da base de dados, efetuaram-se testes com vista à caracterização descritiva da amostra (indicadores de tendência central e
dispersão). Procedeu-se também aos testes Skewness e Kurtosis, para análise da simetria e do achatamento das variáveis dependentes, bem como à observação da confiabilidade
52 a partir do alfa de Cronbach’s. Para a criação dos grupos referentes aos níveis de prática de AF, atendeu-se às recomendações propostas em trabalhos prévios que usaram esta medida como ferramenta de operacionalização das variáveis independentes (Fernandes et al., 2009; Vasconcelos-Raposo et al., 2009). Considerando a elaboração dos grupos a partir da média das duas questões enunciadas (Vasconcelos et al., 2007) e atendendo à escassa percentagem de participantes com critérios para enquadrar o grupo de sujeitos bastante ativos (Fernandes et al., 2009; Haskell et al., 2007; Vasconcelos-Raposo et al., 2009), fez-se a análise comparativa a partir de três grupos. Com isto classificámos os grupos como inativos (0 dias), pouco ativos (1-2 dias) e ativos (3-7 dias). Para a testagem das hipóteses, efetuaram-se análises multivariadas da variância (MANOVA), no sentido de perceber o efeito dos níveis de prática de AF sobre as dimensões da DASS-21 (Lovibond & Lovibond, 1995; Vasconcelos-Raposo et al., 2013) e da PHLMS (Cardaciotto et al., 2008; Rodrigues-Fernandes & Vasconcelos-Raposo, no prelo), considerando a amostra completa e a amostra de fumadores. Realizou-se o mesmo teste para comparar fumadores e não fumadores. Para a análise comparativa entre grupos, recorreu-se ao teste Post-Hoc de Bonferroni, tendo em atenção a observação da homogeneidade, estimativa de efeito parcial ( 2
p
), poder observado e atendendo ao teste Wilk’s Lambda. Determinou-se o nível de confiança mantido a 95% (p <.05). Para aprofundamento sugere-se a análise de Dancey & Reidy (2013).Resultados
A Tabela 2 apresenta os dados relacionados à média, desvio padrão, assimetria (skewness), achatamento (kurtosis) e consistência interna das variáveis dependentes.
53 Atendendo às recomendações da literatura (Dancey & Reidy, 2013), considerando os valores de confiabilidade aliados ao tamanho da amostra, assumiu-se as condições para proceder a análise estatística paramétrica.
Tabela 2:
Análise descritiva, da assimetria, do achatamento, da consistência interna.
Média Desvio-padrão Skewness Kurtosis α Cronbach
DASS-21 11.17 8.31 1.597 3.847 .918 Depressão 3.51 3.51 1.754 4.309 .876 Ansiedade 2.56 2.61 1.408 2.351 .743 Stresse 5.10 3.44 .953 1.369 .856 PHLMS 44.62 7.21 .349 .201 .658 Awareness 26.57 6.24 -.060 -.155 .826 Aceitação 18.05 5.88 .062 .054 .806
Nota: DASS-21- Depression, Anxiety and Stresse Scale -21 itens; PHLMS- Philadelphia Mindfulness
Scale;
Com a MANOVA comparámos as dimensões da DASS-21 e da PHLMS considerando o nível de prática de AF (Tabela 3), sendo que as diferenças entre grupos realizaram-se com o teste Post Hoc (Bonferroni). Quanto à DASS-21 identificámos diferenças significativas entre sujeitos inativos, pouco ativos e ativos face às médias da DASS-21, bem como para o stresse e depressão [Z (6,1128) = 4.587; p < . 001, Wilk’s λ
=.953]. Especificamente, observou-se que o grupo de sujeitos inativos apresentou valores superiores na escala geral (DASS-21) e na subescala de stresse,
comparativamente ao grupo de sujeitos pouco ativos e ativos. Verificou-se ainda níveis superiores na escala geral e no stresse nos sujeitos pouco ativos comparativamente aos sujeitos ativos, mediante uma magnitude de efeito pequena, para o total de queixas ( 2
p
=.025) e moderada para a dimensão stresse ( 2p
=.041). Quanto à subescaladepressão, sujeitos inativos apresentaram valores mais elevados de sintomatologia que os do grupo de sujeitos ativos, segundo uma magnitude de efeito pequena ( 2
p
54 Nas comparações da PHLMS identificámos efeitos significativos dos níveis de prática regular de AF sobre os valores médios globais da escala, bem como na dimensão awareness [Z (4,1130) = 3.682; p <.01, Wilk’s λ =.974]. Especificamente, observou-se que
os sujeitos muito ativos apresentaram níveis mais elevados na PHLMS,
comparativamente aos pouco ativos e inativos, sendo que sujeitos pouco ativos evidenciaram cotações da PHLMS mais elevados, comparativamente com os sujeitos inativos. Estas evidências explicam-se mediante um efeito parcial pequeno ( 2
p
=.024). Na dimensão awareness, verificou-se que sujeitos ativos obtiveram valores mais elevados em comparação com os sujeitos pouco ativos e inativos, sendo que os participantes pouco ativos apresentaram valores de awareness mais elevados comparativamente aos inativos, segundo uma magnitude de efeito pequena ( 2p
=.017). Tabela 3:Comparação das dimensões da DASS-21 e da PHLMS por nível de prática de AF (MANOVA)
I
M±DP M±DP PA M±DP A Z
2p Po≠ Sig. entre grupos (Post Hoc) DASS-21 12.90±8.73 10.91±8.08 9.54±7.79 7.392** .025 .940 I > PA> A Depressão 3.96±3.77 3.54±3.39 2.97±3.31 3.488* .012 .651 I > A Ansiedade 2.89±2.82 2.50±2.48 2.25±2.50 2.678 .009 .531 n.s. Stresse 6.05±3.59 4.88±3.33 4.31±3.20 12.083*** .041 .995 I > PA > A PHLMS 43.62±7.06 44.21±7.16 46.33±7.21 6.811*** .024 .920 I < PA < A Awareness 25.88±6.48 26.21±5.98 27.85±6.18 4.948** .017 .809 I < PA < A Aceitação 17.74±5.67 17.99±5.84 18.48±6.17 .695 .002 .168 n.s.
Nota: I- Inativos; PA- Pouco Ativos; A- Ativos; n.s. – não significativo; DASS-21 – Depression Anxiety and
Stress Scale; PHLMS- Philadelphia Mindfulness Scale;
***p < .001; **p < .01; *p < .05
A partir da MANOVA comparámos as dimensões da DASS-21 e da PHLMS considerando os grupos de fumadores e não fumadores (Tabela 4). Nestas comparações
55 identificámos efeitos significativos do consumo de tabaco sobre os valores médios da ansiedade [Z (3,565) = 6.681; p <.001, Wilk’s λ =.966]. Especificamente, verificaram-se
níveis de ansiedade mais elevados nos fumadores do que nos não fumadores, segundo uma magnitude de efeito pequena ( 2
p
=.026). Quanto à PHLMS não se identificou diferenças significativas entre grupos [Z (2,566) = 2.911; p>.05, Wilk’s λ =.990].Tabela 4:
Comparação da DASS-21 e da PHLMS entre fumadores e não fumadores (MANOVA)
F M±DP M±DP NF Z
2p Po ≠ Sig. entre grupos (Post Hoc) DASS-21 12.13±8.30 10.70±.8.28 3.674 .006 .482 n.s. Depressão 3.60±3.37 3.47±.3.58 .158 .001 .068 n.s. Ansiedade 3.16±2.76 2.27±2.49 15.095*** .026 .972 F > NF Stresse 5.37±3.44 4.97±3.45 1.687 .003 .254 n.s PHLMS 44.69±7.05 44.58±7.30 .025 .001 .053 n.s. Awareness 27.32±6.29 26.21±6.20 3.899 .007 .504 n.s Aceitação 17.38±6.03 18.37±5.78 3.613 .006 .475 n.s. Nota: F- Fumadores; NF- Não Fumadores; n.s.- não significativo; DASS-21 – DepressionAnxiety and Stress Scale; PHLMS- Philadelphia Mindfulness Scale;
***p < .001
A partir de uma MANOVA comparámos as dimensões da DASS-21 e da PHLMS pelos grupos de fumadores inativos, pouco ativos e ativos (Tabela 5), com recurso ao teste Post Hoc (Bonferroni). Na comparação dos valores da DASS-21 identificámos efeitos significativos nos níveis de prática de AF sobre os valores médios globais da escala, bem como nas dimensões do stresse e ansiedade [Z (6,358) = 2.414;
p<.05, Wilk’s λ =.924]. Especificamente, observou-se que o grupo de sujeitos inativos apresentou maiores queixas relacionadas com os estados emocionais negativos, em
56 comparação ao grupo de sujeitos ativos, explicados por um efeito moderado ( 2
p
=.049). Quanto ao stresse e à ansiedade, as comparações evidenciaram médias superiores para os fumadores inativos, comparativamente aos ativos, explicadas por uma magnitude de efeito moderado para o stresse ( 2p
=.070) e pequeno para a ansiedade ( 2p
=.036). Já nos valores da PHLMS identificámos efeitos significativos da prática de AF sobre os valores médios da escala geral, bem como na dimensão awareness [Z (4,360) = 4.654;p>.01, Wilk’s λ =.904]. Em detalhe, observou-se que o grupo de sujeitos ativos apresentou níveis de mindfulness mais elevados, comparativamente ao grupo de inativos. Estas evidências explicam-se mediante um efeito forte ( 2
p
=.094). Quanto às subescalas, verificou-se que fumadores mais ativos revelaram níveis de awareness mais elevados face aos pouco ativos, mediante um efeito baixo ( 2p
=.033). Tabela 5:Comparação da DASS-21 e da PHLMS por nível de prática de AF dos fumadores (MANOVA)
I
M±DP M±DP PA M±DP A Z
2p Po≠ Sig. entre grupos (Post Hoc) DASS-21 14.39±8.85 11.65±7.99 9.87±7.35 4.678* .049 .780 I> A Depressão 4.09±3.76 3.52±3.06 3.08±3.20 1.350 .015 .289 n.s. Ansiedade 3.83±3.02 2.96±2.59 2.58±2.46 3.406* .036 .635 I> A Stresse 6.47±3.32 5.18±3.47 4.21±3.15 6.845** .070 .918 I> A PHLMS 43.18±7.52 43.50±5.84 48.12±6.79 9.377*** .094 .977 I <A Awareness 26.80±6.92 26.41±5.68 29.12±5.93 3.104* .033 .592 PA <A Aceitação 16.38±5.80 17.09±5.85 19.00±6.33 2.920 .031 .564 n.s.
Nota: I- Inativos; PA- Pouco Ativos; A- Ativos; n.s. – não significativo; DASS-21 – Depression Anxiety and
Stress Scale; PHLMS- Philadelphia Mindfulness Scale;