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4.3 A PRESENTAÇÃO DOS DADOS

4.3.3 Revista Veja

4.3.3.4 Área do leitor

secundá-ria na edição impressa, mas diverge do destaque recebido na edição para iPad, especialmente se comparada ao pequeno espaço deixado para o texto. Tal característica reduz, no iPad, a importância relativa do texto (e, consequentemente, da opinião da revista) em relação à ima-gem, embora esta – ao retratar um desafeto da publicação – também construa um sentido opi-nativo bastante evidente ao leitor, reforçando a identidade da publicação.

posicio-namentos) do que propriamente um vínculo com a Veja. Desse modo, observa-se a relação do leitor com a revista impressa (característica importante desse tipo de publicação) e a relação desse mesmo leitor com o site da publicação, que não parece corresponder à primeira. Contu-do, essa maior participação em textos de opinião permite vincular a relação da revista com o leitor à sua característica opinativa, com um posicionamento definido.

Em termos de design da informação, os elementos multimodais identificados na edi-ção impressa e para iPad são texto, foto e a miniatura da capa da ediedi-ção anterior. Na ediedi-ção para iPad, há, ainda, um ícone de interação que indica que o leitor pode ampliar a miniatura da capa e ter acesso à lista de assuntos mais comentados (Figura 18). Essa lista, na edição impressa, encontra-se ao lado da miniatura. Além disso, há também o ícone de interface que indica possibilidade de rolagem do texto. A área de comentários dos sites, por sua vez, exibe apenas os textos e os ícones de identificação dos usuários.

Figura 18 Ícone de interação (à esquerda) e página com assuntos mais comentados.

Fonte: capturas do autor.

Na edição impressa há uma concentração das manifestações dos leitores, um espaço propriamente dito de participação. Já nos sites, mesmo que houvesse participação constante e ativa de um grande número de leitores, ela estaria diluída nas diferentes matérias. Outro ponto relevante é o grau de importância atribuído pelo leitor a um comentário publicado na edição impressa: ele passa por um processo de seleção, sendo escolhido entre tantos outros para

figu-rar naquele espaço de distinção. Nos sites, em contrapartida, qualquer pessoa pode comentar, não havendo limite nem seleção dos comentários – o que, em termos relativos, torna a partici-pação no site bem menos interessante, pois ocupa um espaço menos nobre.

Quanto ao design de interface, as edições impressa e para iPad contam com espaço fixo. A edição impressa é organizada em página dupla, em um grid de três colunas. No iPad, o grid apresenta uma coluna maior, deslocada à direita, para o corpo do texto, e uma menor, à esquerda, ocupada pela imagem; a área destinada às mensagens dos leitores é fixa, com rola-gem exclusiva, sendo necessárias 10 rolagens para atingir o final. A área de comentários do site, por sua vez, não pode ser enquadrada como fixa, tampouco como responsiva ou adaptati-va, pois seu tamanho não depende (somente) do dispositivo de acesso ou da resolução da tela, mas especialmente da quantidade de comentários enviados (limitado a 50 comentários, os mais recentes primeiro, com um botão no final que permite carregar mais comentários). O grid é bem definido: ele ocupa a largura completa do corpo de texto da matéria, com uma coluna estreita, à esquerda, em que são exibidos os ícones de identificação dos usuários, e uma coluna maior, à direita, com o nome do usuário, data e hora de postagem e o seu comen-tário.

No impresso e no iPad, a marca está presente na miniatura da capa da edição anterior;

na edição em papel, aparece, ainda, no fólio. Não há presença da marca na área de comentá-rios dos sites. Nos três casos, os conjuntos informativos respeitam os grids específicos de ca-da plataforma – a edição impressa e a para iPad apresentam o mesmo número de manifesta-ções de leitores, 13 no total. A área de participação do leitor nos sites tem também um campo de entrada de texto solicitando o comentário, além de um boxe, de marcação obrigatória, em que o usuário declara que leu e concorda com os termos de uso do site.

No que se refere ao design da navegação, a única navegação observada é o link junto à miniatura da capa da edição anterior, que conduz o usuário a uma ampliação da capa, acom-panhada da lista dos assuntos mais comentados (o que, de certa forma, não pode ser caracteri-zado como uma página nova, mas um complemento). Essa área de interação por toque é iden-tificada pelo ícone específico. No espaço de comentários dos sites também é possível clicar sobre a expressão termos de uso, ação que exibe um boxe, abaixo dessa área e sobre o conteú-do da página, contenconteú-do os termos que devem ser aceitos pelo usuário. Tal link é identificaconteú-do por uma variação no peso da fonte utilizada. As edições impressa e para iPad têm, ainda, um indicador de localização baseado em texto, com o nome da seção no alto da página, à esquer-da; a área de comentários também é identificada por texto, com a expressão Comentários no alto da área específica, à esquerda.

No âmbito do esqueleto, os elementos indicam a presença de hipertextualidade, no link do iPad, e de interatividade (seletiva, na rolagem de texto do iPad, e comunicativa, permitida pela área de comentários nos sites). A multimidialidade manifesta-se apenas na presença de texto e imagens estáticas, havendo pouca apropriação das possibilidades abertas (especial-mente no caso do iPad) para elementos dinâmicos. Vídeos e áudios, por exemplo, seriam for-mas possíveis de manifestação da opinião do usuário inviáveis na edição impressa, e configu-rariam uma apropriação mais completa das potencialidades da plataforma.

Em relação ao nível da superfície, na tipografia, os níveis hierárquicos encontrados foram o título corrente, os subtítulos, o corpo de texto, além de uma chamada (com uma frase em destaque) e uma legenda de foto. As duas famílias tipográficas já observadas em outras unidades de análise também aparecem nas edições impressa e para iPad. Na área de comentá-rios dos sites, a mesma família tipográfica sem serifa é utilizada, com três níveis hierárquicos.

Novamente, esse uso coeso e harmônico (CALZA, 2015) reforça, a partir da identidade visual da revista, o vínculo com o leitor.

No tocante às imagens, encontradas somente no impresso e no iPad, há uma particula-ridade: a foto, que é acompanhada da legenda “Atado pela burocracia” (remetendo à matéria da edição anterior, sobre a burocracia no Brasil), mostra uma pessoa literalmente “atada”, com fitas prendendo seus pulsos, braços e tornozelos – e a cor dessas tiras é o vermelho, no-vamente reforçando a presença dessa cor como institucional nessas duas plataformas. No im-presso, o vermelho também aparece na linha localizada acima do título da seção (na página par) e abaixo dele (na ímpar), além da seta que liga o assunto mais comentado da edição ante-rior à miniatura da capa; no iPad, a linha acima do título da seção e no ícone que indica a pos-sibilidade de toque também são vermelhas; a cor também aparece na página suplementar, aplicada na seta e no fio pontilhado que ligam o assunto à capa da publicação. Também nessa unidade, portanto, identificamos a utilização do recurso cromático como elemento de familia-ridade para o leitor, reforçando seu vínculo com a revista a partir da visualidade.

As manifestações dos leitores dentro de uma área delimitada, com rolagem exclusiva, propõe uma hierarquização que não é identificada na edição impressa, determinada pela posi-ção que cada texto ocupa na coluna. Como a ordem dos textos repete aquela encontrada na edição impressa, que, por sua vez, é determinada não somente pela hierarquia dos assuntos, mas também por questões associadas à diagramação (que texto ocupará melhor o espaço dis-ponível?), podemos supor que a hierarquia proposta na edição para iPad é, em certa medida, acidental, imposta por critérios que delimitaram, originalmente, a configuração visual da

se-ção Leitor na edise-ção impressa, mas que pouca relase-ção tem com as características dessa plata-forma.

A composição dos elementos em relação ao espaço é bastante conservadora nas três plataformas, respeitando, de maneira geral, o grid em cada uma delas. Há predomínio de texto nas edições impressa e para iPad, e exclusividade dele nos sites. Identifica-se, nas edições impressa e para iPad, um desalinhamento na legenda, aproximando-a mais da imagem, para criar uma relação de sentido entre os elementos. Tal associação é reforçada também pelo boxe cinza dentro do qual a legenda se encontra. Uma frase de leitor em destaque, dentro do mes-mo boxe, tem orientações de sentido diferentes: no impresso, o alinhamento à direita aproxi-ma a frase da iaproxi-magem, vinculando-as; no iPad, o alinhamento à direita – em função da posi-ção em que a frase se encontra – parece afastar os dois elementos, que se mantêm conectados apenas pelo boxe (Figura 19).

Figura 19 Boxe na seção Leitor, na edição impressa (topo) e para iPad (abaixo).

Fonte: capturas do autor.

Em termos de superfície, é possível observar o uso de elementos tipográficos e cromá-ticos nas edições impressa e para iPad, reforçando a identidade visual da revista, materiali-zando a identidade editorial a partir de elementos visuais que, pela recorrência, estabelecem vínculo com a marca. Parece contraditório, à primeira vista, a inexistência de um link de con-tato como o encontrado no editorial, mas a dinâmica da seção Leitor (que se organiza em tor-no dos temas da edição anterior) justifica essa ausência: os ícones de contato serão encontra-dos ao final das matérias, associando o comentário a um determinado assunto. Quanto à pre-sença do leitor no site, a característica mais relevante é a sua dispersão e o baixo nível de

par-ticipação. Assim, enquanto na revista impressa a seção Leitor é um espaço de interatividade comunicativa que auxilia no fortalecimento do vínculo entre leitor e revista, no site tal relação não é reforçada.