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ÁREAS PRIORITÁRIAS PARA DESENVOLVIMENTO DA CT&I

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Capítulo 1 COMUNICAÇÃO INSTITUCIONAL E DIFUSÃO CIENTÍFICA:

3.1 ÁREAS PRIORITÁRIAS PARA DESENVOLVIMENTO DA CT&I

A Estratégia Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação elencou áreas prioritárias de desenvolvimento da CT&I que envolvem cadeias importantes para alavancar a economia brasileira. São elas tecnologias da informação e comunicação, fármacos e complexo industrial da saúde, petróleo e gás, complexo industrial da defesa, aeroespacial, nuclear e áreas relacionadas com a economia verde e desenvolvimento social. Esta última inclui popularização da CT&I, melhoria do ensino de ciências, inclusão produtiva, tecnologia social e tecnologias para Cidades Sustentáveis (BRASIL, 2012).

Essas áreas prioritárias foram definidas considerando-se a sua relevância e impacto para o alcance dos objetivos da Estratégia Nacional, o conhecimento acumulado do setor ou áreas relacionadas à soberania nacional, com infraestrutura e vigor suficientes, além daquelas que precisam ser adensadas para que o país alcance competitividade e inserção internacionais.

Além dessas competências, o estudo também elegeu como áreas complementares a “indústria química, bens de capital, energia elétrica, carvão mineral, minerais estratégicos, produção agrícola sustentável, recursos hídricos, amazônica e semiárido, pantanal e cerrado” (BRASIL, 2012, p. 88).

Entre os maiores desafios do Brasil, destacados pela Estratégia Nacional, estão a redução da defasagem em Ciência e Tecnologia, que separa o país das nações desenvolvidas, a expansão da liderança brasileira em temas ligados à sustentabilidade ambiental e a superação das desigualdades sociais e regionais. O mesmo documento propõe ações que visam reforçar a pós-graduação e a infraestrutura de pesquisa nas regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste, sem comprometer os níveis de excelência nas regiões Sudeste e Sul (BRASIL, 2012).

Já no Plano de Ciência, Tecnologia e Inovação para o Desenvolvimento da Amazônia Legal (CGEE, 2013), foram estabelecidas diversas linhas de ação, nas quais é possível verificar alguns temas contemplados como arte e cultura regional, tecnologia de manejo florestal de usos múltiplos, recuperação de áreas degradadas, bioinformática, engenharias, biologia, zoologia, nanotecnologia, biotecnologia, genômica, biodiversidade e recursos naturais, cadeia aeroespacial, tecnologias industriais básicas.

3.1.1 Áreas prioritárias para desenvolvimento da CT&I em Mato Grosso

No contexto do estado de Mato Grosso, o Sistema de Ciência, Tecnologia e Inovação, juntamente com a comunidade científica e com organizações que o compõem, propuseram uma Agenda Estratégica de Ciência, Tecnologia e Inovação para Mato Grosso (SECITECI, 2015a)8, onde se estabeleceram áreas prioritárias para investimentos. São elas:

 Agropecuária e agroindústria;

 Biodiversidade e biotecnologia;

 Educação;

 Energia e recursos energéticos renováveis;

 Logística de transporte;

 Recursos hídricos e mudanças climáticas;

 Recursos minerais;

 Saúde;

 Segurança pública;

 Tecnologia da informação e comunicação (TICs);

 Turismo.

Essa Agenda Estratégica descreve áreas prioritárias com vistas a orientar programas e projetos a serem financiados por organismos nacionais e internacionais, bem como orientar a formulação de políticas públicas. Portanto, o alinhamento das ações de instituições de ensino e pesquisa de Mato Grosso a essas áreas estratégicas pode contribuir para o fortalecimento das organizações e para o próprio sistema estadual de C&T.

Como resultado das discussões para a construção da Agenda, foram elencados cinco grandes eixos temáticos e respectivas prioridades para desenvolvimento estratégico de Mato Grosso9. Interessante notar que ações de comunicação se configuram dentre as estratégias prioritárias, para cada eixo contemplado. No quadro a seguir (Quadro 4), destaco, em cada eixo estruturante da Agenda estadual de CT&I, as respectivas estratégias prioritárias propostas, dando ênfase àquelas que contemplam a necessidade de maior estruturação de ações de difusão científica, em seus distintos gêneros e formatos.

8 A construção da Agenda Estratégica de Ciência, Tecnologia e Inovação de Mato Grosso ocorreu, durante o

segundo semestre de 2015, ao longo de encontros com representantes de 36 instituições relacionadas à CT&I no âmbito estadual, dentre as quais, universidades, governo, empresas e ONGs. O lançamento oficial ocorreu em 16 dez. 2015, em Cuiabá (SECITECI, 2015a). A Agenda estabelece as diretrizes de Ciência, Tecnologia e Inovação para o estado, baseada em diagnóstico prévio realizado em cinco eixos temáticos que compõem os Cadernos de Ciência, Tecnologia e Inovação de Mato Grosso.

9 Os cadernos com os conteúdos abordados em cada eixo encontram-se disponíveis online, no portal da Secretaria

de Estado de Ciência, Tecnologia e Inovação. Para outras informações: <http://www.secitec.mt.gov.br/agenda- estrategica-ciencia-tecnologia-e-inovacao/agenda-estrategica-de-ciencia-tecnologia-e-inovacao/82506>.

Quadro 4. Estratégias prioritárias para o fortalecimento dos cinco eixos estruturantes da

Agenda Estadual de Ciência e Tecnologia (SECITECI, 2015a).

Eixo I - Sistema Estadual de Ciência, Tecnologia e Inovação:

 Fortalecer a cultura da CT&I no sistema educacional mato-grossense.

 Divulgar os marcos legais da CT&I para servidores públicos no sentido de melhorar a compreensão no tratamento jurídico do tema.

 Fortalecer a participação social no sistema de CT&I: realizar consultas, audiências públicas e promover a divulgação das ações de CT&I.

Eixo II – Inovação nas ICTs e nas Empresas:

 Sistematizar, integrar e divulgar as informações sobre inovação: banco de expertise, base de dados de projetos, projetos de crowd funding, lista de atores do sistema de inovação e divulgação dos programas de incentivo existentes.

 Fomentar ações de divulgação de pesquisas existentes nas instituições para o setor empresarial.

 Criar o Portal de Inovação do Estado.

 Criar um centro de inovações (HUB de expertise) que concentre informações de mercado conectando os diversos atores.

Eixo III - Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação em Áreas Estratégicas:

 Promover o intercâmbio de conhecimento científico e tecnológico entre instituições públicas e privadas.

Eixo IV- Educação Superior: Graduação e Pós-graduação:

 Aperfeiçoar o processo de informação sobre profissões e sobre acesso ao ensino superior por meio de financiamento de projetos de qualificação do ensino médio, a fim de ampliar o acesso ao ensino superior público.

 Financiar projetos que visem à articulação do ensino superior com o ensino médio.  Financiar publicações para disseminação do conhecimento (livros impressos e e-

books, eventos nacionais e internacionais, periódicos impressos ou online etc.),

visando facilitar o acesso ao conhecimento produzido.

 Construir agenda com as forças produtivas e a sociedade organizada para a discussão de pesquisa, visando à produção do conhecimento que contribua para o desenvolvimento de áreas estratégicas do Estado.

EixoV- Educação Profissional e Educação Tecnológica:

 Definir uma agenda de Informações para compor o ambiente: mapa e oferta de cursos, estudos de demanda, arranjos produtivos locais, acompanhamento de egressos, índices de empregabilidade, relação de docentes, relação das instituições de ensino, planos de capacitação profissional das instituições de ensino etc.

Fonte: Construído pela autora, com base nas estratégias prioritárias definidas para os cinco eixos temáticos da Agenda Estratégica de CT&I de MT (SECITECI, 2015a, p. 21-26), com ênfase às estratégias de Divulgação Científica.

Vê-se no Quadro 4 como a comunicação da CT&I se articula aos cinco eixos temáticos:

1) O Sistema Estadual de Ciência, Tecnologia e Inovação evidencia a necessidade de divulgar ações e marcos legais de CT&I;

2) Inovação nas ICTs e nas Empresas, onde se aponta a necessidade de sistematizar e divulgar as ações de pesquisa e inovação, em diferentes plataformas, dando maior visibilidade às competências estaduais;

3) Na dimensão Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação em Áreas Estratégicas, a comunicação pode contribuir no intercâmbio de conhecimento científico e tecnológico entre instituições públicas e privadas;

4) No âmbito da Educação Superior, as estratégias evidenciam a necessidade de divulgar as pesquisas produzidas, assim como informações sobre acesso ao Ensino Superior e maior diálogo com Ensino Médio;

5) Já na Educação Profissional e Tecnológica, há demanda por definir uma agenda sistematizada com informações sobre oferta e demanda de cursos.

Dessa maneira, as estratégias propostas visam promover a pesquisa, ampliar as inovações e difundir novas tecnologias na economia mato-grossense. Nas distintas dimensões do Sistema Estadual de Ciência e Tecnologia, a comunicação institucional/difusão científica aparece como fundamental para articulação e desenvolvimento das instituições que compõem o sistema.

3.1.2 Sistema estadual de CT&I

Desde 1981, o estado de Mato Grosso possui formalmente um Sistema Estadual de Ciência e Tecnologia, instituído pelo Decreto nº 954, de 9 de abril de 1981 (SECITECI, 2015a, p. 9). A partir de então, várias ações vêm sendo desenvolvidas no sentido de estruturar e consolidar esse sistema, ao mesmo tempo em que são implementadas iniciativas governamentais, a fim de articular a interação entre as instituições de pesquisa e os diversos setores da sociedade.

Na região Centro Oeste, no ano de 2013, os dispêndios dos governos estaduais em pesquisa e desenvolvimento apresentaram a seguinte distribuição em relação às suas receitas totais: Mato Grosso do Sul (0,57%), Goiás (0,24%), Distrito Federal (0,21%) e Mato Grosso (0,17%) (MCTI, 2015).

Reconhecendo que uma Política Estadual de Ciência, Tecnologia e Inovação se constitui como fator determinante para aumentar a competitividade de produtos e serviços e para uso sustentável das riquezas do Estado, as ações do poder público, nesse segmento, deveriam garantir articulações necessárias para acelerar o desenvolvimento científico e tecnológico regional.

Desta forma, o desafio que se impõe ao Estado é o de agregar conhecimento em sua produção e proporcionar as condições para o aumento da produção científica das instituições locais, diversificando a oferta de níveis e modalidades de ensino e trazendo ao setor privado a confiança para o investimento seguro nas instituições de pesquisa públicas e privadas do estado de Mato Grosso (SECITECI, 2015a, p. 10).

O Sistema Estadual de Ciência, Tecnologia e Informação é composto pela Secretaria de Estado de Ciência, Tecnologia e Inovação (Seciteci), pela Secretaria de Estado de Educação (Seduc), por órgãos da administração descentralizada, bem como por todas as ICTs. Para uma melhor compreensão da estrutura, destaco, a seguir, (Figura 2) os atores que compõem esse sistema, assim como a articulação entre eles.

Figura 2. Principais atores do Sistema Estadual de Ciência, Tecnologia e Inovação. Fonte: Seciteci,

3.2 EDUCAÇÃO SUPERIOR NO SISTEMA ESTADUAL DE CIÊNCIA E

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