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Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDH-M) de Macaé

2 ROYALTIES DE PETRÓLEO E SEUS PRINCIPAIS

3.2 Indicadores de desenvolvimento sócio-econômico

3.2.2 Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDH-M) de Macaé

De acordo com o Programa das Nações Unidas – PNUD (2009), o IDH-M mostra outro lado do PIB per capita, que considera apenas a dimensão econômica do desenvolvimento, ou seja, o IDH-M mensura de forma concreta o desenvolvimento humano para países. No Brasil, o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) é o órgão responsável para mensuração e divulgação do grau de desenvolvimento sócio-econômico dos municípios, baseado nos dados censitários levantados pelo IBGE em relação as condições de saúde, educação e renda familiar de determinado município. (PNUD, 2009).

27 Em março de 2007, o IBGE adotou uma nova metodologia de pesquisa para o cálculo do PIB.

Houve uma ampliação na base metodológica que permitiu estimar com mais precisão os dados a respeito da economia brasileira. As novas contas passam a contar com referência dados de 2000, substituindo os dados de 1985. Além disso, foram incorporadas a nova base pesquisas anuais de Indústria, Comércio, Serviços, Construção Civil, pesquisas domiciliares e dados do Imposto de Renda de Pessoas Jurídicas. Vale ressaltar também que as pesquisas anuais do IBGE têm dois anos de defasagem, o que interferiu nos dados do PIB de 2005 e 2006. (FOLHA ONLINE, 2009).

Gráfico 7 – Evolução do IDH-M do Estado do Rio de Janeiro, da Capital e de Macaé

Fonte: Elaboração própria a partir de PNUD, 2009.

Assim como o IDH, o IDH-M é expresso de 0 a 1, sendo quanto mais próximo do 1, mais desenvolvida é o município. No Gráfico 7 pode-se dizer que o indicador IDH-M do município de Macaé apresentou considerável evolução sócio-econômica em comparação a trajetória do IDH-M do Estado do Rio de Janeiro. O IDH-M cresceu um pouco mais de 8% enquanto o do Estado cresceu por volta de 7,6% e a Capital 6,3%.

Segundo Navarro (2003, p.55), o Governo do Estado do Rio de Janeiro visando dirimir a realidade municipal “daquilo que foi definido pelos parlamentares constituintes, como uma sociedade ideal”, realiza desde 1998 uma análise a fim de verificar os níveis de carência de cada município. O Índice de Qualidade dos Municípios (IQM) é conseqüência de uma pesquisa da Fundação Centro de Informações e Dados do Estado do Rio de Janeiro (Fundação CIDE) e da Fundação de Apoio à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (FAPERJ).

3.2.2.1 Índice de Qualidade dos Municípios (IQM)

Desde sua criação, o IQM-1998 constatou existir uma relação entre as condições do município e a sua população, ou seja, municípios de maior população teriam melhor desempenho. São acompanhados indicadores econômicos, sociais e ambientais, tarefa primordial para determinação e acerto de rumos, assim como possíveis desigualdades que comprometam o desenvolvimento local. (CIDE, 2009).

A Fundação CIDE considera como condições básicas para o desenvolvimento de cada município: dinamismo, vantagem locacional, riqueza e potencial de consumo, qualificação de mão-de-obra, facilidades para negócios, infra-estrutura para grandes empreendimentos e cidadania. Portanto, o IQM avalia potencial de cada município, apresenta a realidade social e econômica local que possibilite o planejamento de políticas públicas que promovam o desenvolvimento. (FAPERJ, 2009).

Na metodologia do IQM, quanto mais alto o valor maior será o percentual de carências, ou seja, maior a distância que separa aquele município dos índices desejáveis para satisfação das necessidades básicas da sua população. No IQM-1998 os dados considerados são anteriores da inserção da indústria petrolífera no município de Macaé e a diferença pode ser percebida no último índice realizado, em 2005 conforme exposto no quadro a seguir:

Posição 1998 2005

Rio de Janeiro Rio de Janeiro

Niterói Niterói

Resende Macaé

Volta Redonda Volta Redonda

Macaé Resende

Quadro 11 – Evolução de Macaé no Ranking IQM-1998 e IQM-2005 de

Desenvolvimento

Observando-se o Quadro 12, é possível constatar que se mantiveram os cinco municípios no IQM de 1998 para 2005. Os municípios de Macaé e Volta Redonda subiram no ranking. A ascensão de Macaé para a terceira colocação pode estar ligada ao fator riqueza e potencial de consumo no cálculo do IQM, uma vez que, somente IQM-2005 os dados referentes ao PIB e PIB per capita do período correspondente a entrada dos royalties na receita municipal foram considerados.

Além disso, em 2001, a Fundação CIDE realizou uma pesquisa que avaliou as necessidades habitacionais municipais com o objetivo de ser uma ferramenta que utilizada para o planejamento quanto para a avaliação dos impactos da política habitacional e dos reflexos da política econômica ao longo dos períodos dos censos. (CIDE, 2001).

MUNICÍPIO E FAIXA DE

RENDA FAMILIAR TOTAL DE DOMICÍLIOS DÉFICIT HABITACIONAL

28 ALUGUEL MAIOR DO QUE 30% RENDA FAMILIAR

TOTAL URBANO RURAL TOTAL URBANO RURAL URBANO RURAL

Macaé 23.933 22.017 1.916 2.913 2.476 437 1.902 0

Até 2 salários mínimos 7.791 6.434 1.357 1.912 1.547 365 1.013 0

De 2 a 5 salários mínimos 7.977 7.556 421 704 649 55 563 0

De 5 a 10 salários

mínimos 4.152 4.067 85 172 164 8 279 0

Mais de 10 salários

mínimos 4.013 3.960 53 125 116 9 47 0

Quadro 12 – IQM-Necessidades Habitacionais de Macaé em 2001 Fonte: Elaboração própria a partir de CIDE, op cit.

28 O déficit habitacional, no que se refere às condições de moradia, é composto por três elementos: i)

domicílios improvisados - construções para fins não residenciais, mas que estavam servindo de

moradia por ocasião do Censo; ii) domicílios rústicos - domicílios permanentes, cuja construção é

feita, predominantemente, por material improvisado1, e que correspondem à parcela da necessidade

de reposição que pode ser definida como os domicílios a serem restaurados, substituídos ou repostos; e iii) coabitação familiar - representa a insuficiência do estoque habitacional para atender à demanda, compreendendo a convivência de mais de uma família no mesmo domicílio ou o aluguel de quartos ou cômodos para moradia de outras famílias.(CIDE, 2001, p.8)

No Quadro 13 nota-se que no déficit habitacional de Macaé, 65% correspondem ao que se chama de déficit habitacional primário, ou seja, número abrange as famílias em maior grau de precariedade habitacional. De acordo com a Fundação CIDE (op cit), precariedade habitacional demanda de investimentos em melhorias habitacionais e projetos de implantação de serviços básicos de infra-estrutura. No caso de Macaé a carência de infra-estrutura é maior na situação urbana do que na rural, correspondendo ao perfil de distribuição da população.

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