2 ROYALTIES DE PETRÓLEO E SEUS PRINCIPAIS
3.3 Análise dos Resultados no período de 2000-2008
A partir dos dados supracitados neste capítulo é possível observar a relação existente entre a evolução no arrecadamento das receitas municipais, trazida pelos royalties, e a o grau de comprometimento destas receitas com o desenvolvimento sócio-econômico do município de Macaé. De acordo com dados da Fundação CIDE (2001), Macaé pode ser uma cidade apontada como novo pólo industrial por admitir toda a infra-estrutura básica para a atividade petrolífera da Bacia de Campos.
Desde a inserção da indústria petrolífera no município, Macaé tem passado por um grande dinamismo econômico que reflete diretamente no perfil populacional. A cidade tornou-se atrativa por abrigar grandes empresas e fomentar o mercado de trabalho, que não comporta todos trabalhadores que procuram a cidade em busca de uma oportunidade de emprego devido às exigências de qualificação profissional. A principal conseqüência do inchaço populacional é o crescimento desordenado dos aglomerados sub-normais, das favelas e da criminalidade.
A arrecadação dos royalties, com exceção do ano de 2007, tem comprovadamente evoluído, tendo uma notável participação dentro da receita do município que pode ser considerado como rico. Considerando o PIB per capita em comparação aos índices do Estado do Rio de Janeiro e da Capital, a renda de cada indivíduo é em média duas vezes maior. Porém, o indicador econômico não garante que a renda é igualmente distribuída e que o município é desenvolvido.
No caso de Macaé há um contingente populacional não-residente considerável por uma característica da atividade petrolífera, onde todos os poços são do tipo off shore. Por esse fato, muitos trabalhadores embarcam nas plataformas permanecendo por vários dias, ao final desse período regressam para suas residências, não necessariamente no município de Macaé. Assim, pode ocorrer que parte da renda gerada, destinem-se à remuneração de indivíduos não residentes em Macaé.
O IDH-M e o IQM auxiliam na avaliação as condições sócio-econômicas de Macaé ao passo que apresentam a evolução de Macaé nos níveis de desenvolvimento econômico e a qualidade de vida e explicitam possíveis desigualdades que comprometam o desenvolvimento local, respectivamente.
CONCLUSÃO
A elaboração desta monografia teve como justificativa uma preocupação que ilustra o objeto de estudo da mesma, ou seja, verificar se a arrecadação dos royalties do município de Macaé se reflete nos indicadores sócio-econômicos da cidade. Para tanto, foram elaborados três capítulos antes da presente conclusão. No primeiro pode-se concluir que a indústria petrolífera é uma indústria de rede, onde alguns de seus segmentos possuem monopólios naturais exercidos pela Petrobras e e a ANP é o órgão responsável pela estabilidade e transparência do setor petrolífero.
No Brasil, o marco das atividades petrolíferas foi à criação da Petrobras, em 1953, com o objetivo de disciplinar o monopólio da União sobre as atividades (importação, exportação, transporte, distribuição e comércio de petróleo) vinculadas à indústria do petróleo. Essa função foi exercida até a flexibilização do monopólio estatal, em 1995, permitindo a entrada de outras empresas em alguns segmentos do setor.
A nova Lei do Petróleo (Lei n.º 9.478/97), sobretudo após sua regulamentação (Decreto n.º 2.705/98), proporcionou a indústria petrolífera brasileira uma série de mudanças estruturais. Além da presença de outras empresas para competir com a Petrobras, constituição de novos agentes (ANP e CNPE) e também a criação de quatro novas participações governamentais. Com isso, o Estado passa do papel de fomentador para a função de regulador da indústria, remunerando-se através da cobrança de participações governamentais exigíveis dos concessionários.
Dentre as mudanças ocorridas nas participações governamentais, a de maior impacto foi sobre os royalties de petróleo, na definição das alíquotas acerca do
percentual básico. Com isso, a partir de 1998 a arrecadação da indenização foi crescente, de acordo com as novas descobertas de lavras e o pagamento dos royalties passou a ser uma fonte de renda para Estados, Municípios, Comando da Marinha e Ministério de Ciência e Tecnologia.
No capítulo 2, ressaltou-se que na região norte-fluminense, Campos do Goytacazes e Macaé são os dois municípios responsáveis por quase 50% de toda arrecadação do Estado. Nas economias municipais os recursos ganhos devem ser convertidos na melhoria de vida da população local a fim de garantir o desenvolvimento econômico da cidade. Para corroborar o impacto a participação dos royalties da receita municipal, foi utilizado o caso de Campos, onde cerca de 30% de toda receita é proveniente das indenizações petrolíferas.
Os dados apresentados no capítulo 3 evidenciam que Macaé, assim como Campos, é economicamente dependente dos royalties, aonde a quantia recebida corresponde a cerca de 40% de todo orçamento municipal. Para acompanhar o crescimento econômico ocasionado pela atividade da indústria de petróleo houve um desenfreado crescimento urbano. A partir dos indicadores sócio-econômicos estudados pode-se concluir que:
§ PIB per capita não é um indicador suficiente para averiguar o desenvolvimento local por relacionar o crescimento da produção com a quantidade de habitantes do município. Macaé possui uma renda per capita alta, mas não significa que toda a população desfruta das mesmas condições;
§ IDH-M de Macaé elevou-se 8% no período estudado 1991-2000. Isso porque em 1991 a indústria de petróleo não era tão presente quanto no ano de 2000. Logo como mensuração do índice é baseada nos dados censitários levantados pelo IBGE em 2000, não se pode ter uma idéia do desenvolvimento humano ocorrido no período 2000-2008;
§ IQM do município estudado subiu para a terceira colocação no período de 1998 a 2005, porém o índice que avalia as necessidades habitacionais aponta que Macaé demanda de investimentos em melhorias habitacionais e projetos de implantação de serviços básicos de infra-estrutura;
Desta forma, o recebimento expressivo dos royalties proporciona ao município Macaé desenvolvimento econômico, não acompanhando pelo desenvolvimento social advento ao crescimento das favelas. Assim, existência de contrastes habitacionais pode indicar a ocorrência de dois fatos:
§ má distribuição da renda, com grande parte concentrada na minoria da população; e,
§ falta de uma política pública habitacional eficaz que comporte o fluxo migratório da cidade;
Subentende-se que os royalties recebidos pelo município estudado não estão sendo aplicados conforme proposto pelo TCE-RJ, ou seja, em investimentos para o bem-estar da população local. A existência de um órgão fiscalizador poderia auxiliar no direcionamento dos recursos em: i) novos empreendimentos independentes da indústria de petróleo como ocorre em Campos a partir da FUNDECAM; e, ii) investimentos na parte rural da cidade, uma vez que a área urbana encontra-se com
sérios problemas de infra-estrutura. Assim, seria possível fomentar a geração de empregos e melhorar o déficit habitacional do município de Macaé.
Vale ressaltar que durante a elaboração do presente estudo deparou-se algumas dificuldades apresentadas como as informações inconscientes ou simplesmente não divulgadas pela Prefeitura de Macaé. Além disso, o fato de o último levantamento censitário do IBGE ter sido em 2000 dificultou na elaboração dos indicadores sócio-econômicos correspondentes a realidade atual enfrentada em Macaé.
Como sugestão para pesquisas futuras seria interessante que fosse realizado estudos sobre a arrecadação de royalties em outros Municípios da Região Norte Fluminense, como também em outros Estados arrecadadores de royalties. Além disso, outra sugestão seria a averiguação da aplicação dos recursos provenientes dos royalties em melhorais para a população local das cidades que comportam a indústria petrolífera.
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CAPÍTULO 1
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ANEXO
ANEXO 1 – ART. 45 A 52 DA LEI N. 9.47829 DE 06 DE AGOSTO DE 1997.
SEÇÃO VI Das Participações
Art. 45. O contrato de concessão disporá sobre as seguintes participações governamentais, previstas no edital de licitação:
I - bônus de assinatura;
II - royalties;
III - participação especial;
IV - pagamento pela ocupação ou retenção de área.
§ 1º As participações governamentais constantes dos incisos II e IV serão obrigatórias.
§ 2º As receitas provenientes das participações governamentais definidas no caput, alocadas
para órgãos da administração pública federal, de acordo com o disposto nesta Lei, serão mantidas na
Conta Única do Governo Federal, enquanto não forem destinadas para as respectivas programações.
§ 3º O superávit financeiro dos órgãos da administração pública federal referidos no parágrafo anterior, apurado em balanço de cada exercício financeiro, será transferido ao Tesouro Nacional. Art. 46. O bônus de assinatura terá seu valor mínimo estabelecido no edital e corresponderá ao pagamento ofertado na proposta para obtenção da concessão, devendo ser pago no ato da assinatura do contrato.
Art. 47. Os royalties serão pagos mensalmente, em moeda nacional, a partir da data de início da
produção comercial de cada campo, em montante correspondente a dez por cento da produção de petróleo ou gás natural.
§ 1º Tendo em conta os riscos geológicos, as expectativas de produção e outros fatores pertinentes, a ANP poderá prever, no edital de licitação correspondente, a redução do valor dos
royalties estabelecido no caput deste artigo para um montante correspondente a, no mínimo, cinco
por cento da produção.
§ 2º Os critérios para o cálculo do valor dos royalties serão estabelecidos por decreto do
Presidente da República, em função dos preços de mercado do petróleo, gás natural ou condensado, das especificações do produto e da localização do campo.
§ 3º A queima de gás em flares, em prejuízo de sua comercialização, e a perda de produto
ocorrida sob a responsabilidade do concessionário serão incluídas no volume total da produção a ser
computada para cálculo dos royalties devidos.
Art. 48. A parcela do valor do royalty, previsto no contrato de concessão, que representar cinco por cento da produção, correspondente ao montante mínimo referido no § 1º do artigo anterior, será