Taxas de variação homóloga e diferenciais
Total -1.0 0.0 1.0 2.0 3.0 4.0 5.0 6.0
I/99 I/00 I/01 I/02
Portugal
Euro
Diferencial
Total sem energéticos
-1.0 0.0 1.0 2.0 3.0 4.0 5.0 6.0
I/99 I/00 I/01 I/02
Portugal
Euro
Diferencial
Total sem energéticos e sem alimentares não transformados
-1.0 0.0 1.0 2.0 3.0 4.0 5.0 6.0
I/99 I/00 I/01 I/02
Portugal
Euro
Diferencial
Bens Alimentares não transformados
-2.0 -1.0 0.0 1.0 2.0 3.0 4.0 5.0 6.0
I/99 I/00 I/01 I/02
Portugal Euro Diferencial -6.0 -4.0 -2.0 0.0 2.0 4.0 6.0 8.0 10.0 12.0 14.0
I/99 I/00 I/01 I/02
Portugal Diferencial Euro 0.0 0.5 1.0 1.5 2.0 2.5 3.0 3.5 4.0 4.5
I/99 I/00 I/01 I/02
Portugal Euro Diferencial Alimentares transformados Industriais energéticos -15.0 -10.0 -5.0 0.0 5.0 10.0 15.0 20.0
I/99 I/00 I/01 I/02
Portugal Euro
Diferencial
Industriais não energéticos
0.0 1.0 2.0 3.0 4.0
I/99 I/00 I/01 I/02
Portugal Euro Diferencial Serviços 0.0 1.0 2.0 3.0 4.0 5.0 6.0 7.0
I/99 I/00 I/01 I/02
Portugal
Euro Diferencial
como o comportamento dos preços de importação deste tipo de bens, terão sido contrariados pelos efeitos do processo de conversão em euros de pre- ços em escudos e da subida da taxa normal do IVA.
Finalmente, no caso dos bens industriais não energéticos — agrupamento do IPC para o qual a taxa normal do IVA incide sobre uma maior propor- ção de despesas de consumo — verificou-se tam- bém uma relativa estabilidade da variação homólo- ga trimestral do índice desta classe. Refira-se, em particular, que a evolução dos preços da rubrica “vestuário e calçado” sugere que a transmissão do aumento do IVA para os preços no consumidor terá sido adiada, pelo menos em parte, para o lançamen- to de novas colecções, contribuindo assim para um impacto mais atrasado no índice de preços.
O IHPC constitui o indicador mais apropriado para analisar a evolução do diferencial de inflação entre Portugal e a área do euro. Com base neste ín- dice de preços, o diferencial de inflação diminuiu de 1.9 p.p. no quarto trimestre de 2001 para 0.8 p.p. no primeiro trimestre de 2002, aumentando no segundo e, novamente, no terceiro trimestres para 1.4 e 1.7 p.p., respectivamente (Gráfico 7.4.). A evo- lução do diferencial de inflação entre Portugal e a área do euro tem sido particularmente influencia- da pelo comportamento diferenciado dos preços dos bens alimentares não processados — compo- nente mais irregular do índice e com um peso con- sideravelmente superior para Portugal(38) — e dos bens industriais energéticos, em resultado de uma diferente repercussão nos preços no consumidor da evolução do preço do petróleo nos mercados internacionais. Excluindo ao IHPC estes dois agre- gados, por conveniência da análise, verifica-se que este diferencial de inflação se situou em 1.5 p.p. no primeiro trimestre de 2002, valor em torno do qual tinha já flutuado ao longo de 2001. Tal indicia que o impacto da conversão em euros de preços em es- cudos não determinou, neste período, qualquer efeito específico que distinguisse Portugal no con- junto da área. Contudo, no segundo trimestre e, novamente, no terceiro trimestre aquele diferencial aumentou para 1.8 p.p. e 2.3 p.p., respectivamente. Este aumento deverá estar em grande parte relaci- onado com os ajustamentos de preços verificados
no IHPC português, em resultado da alteração da taxa normal do IVA.
O Gráfico 7.4 evidencia também a existência de um diferencial muito elevado, no caso dos servi- ços, que deverá estar relacionado com o facto de, em Portugal, os custos salariais terem registado re- gularmente crescimentos superiores aos observa- dos para o conjunto da área do euro. Em 2002, em- bora em desaceleração, o crescimento dos custos de trabalho por unidade produzida em Portugal, deverá ter continuado a situar-se em níveis superi- ores. Esta diferença persistente constitui um obstá- culo à redução significativa do diferencial de infla- ção entre Portugal e a área do euro. O aumento do diferencial no segundo e no terceiro trimestre re- flecte, numa parte muito significativa, o já referido efeito da alteração da taxa normal do IVA na evo- lução dos preços em Portugal.
8. BALANÇA DE PAGAMENTOS
Em 2002, as necessidades de financiamento da economia portuguesa deverão diminuir, tal como o sucedido no ano anterior. Deste modo, o défice agregado das balanças corrente e de capital deverá situar-se entre 5¼ e 6¾ por cento do PIB em 2002, o que compara com 8.4 por cento em 2001 (Quadro 1.1). Para a redução deste défice deverá contribuir uma nova redução do défice da balança de bens e serviços (em cerca de 2 p.p. do PIB). A forte recu- peração assumida para as transferências públicas associadas a fundos recebidos pela União Euro- peia (UE) permitirá uma melhoria da balança de capital e uma estabilização da balança de transfe- rências correntes — neste último caso, mesmo com a redução prevista do saldo das transferências pri- vadas. Assinale-se, por último, o novo aumento previsto para o défice da balança de rendimentos, associada ao aumento do endividamento externo da economia portuguesa — em particular das ins- tituições financeiras monetárias — face ao exterior nos últimos anos.
No primeiro semestre de 2002, o défice resul- tante da soma da balança corrente e de capital foi de 8.9 por cento, face a 10.7 por cento no mesmo período do ano 2001 (Quadro 8.1). Esta evolução resultou de um comportamento favorável quer da balança corrente, quer da balança de capital. A re- dução do défice da balança corrente, de 11.0 para 10.0 por cento do PIB, resultou de uma nova redu-
38 Banco de Portugal /Boletim económico /Setembro 2002 (38) O peso dos bens alimentares não processados no IHPC é de
Quadro 8.1
BALANÇA DE PAGAMENTOS
Em milhões de euros
Jan.-Dez. 2001
Janeiro a Junho 2001 Janeiro a Junho 2002 Saldo em % PIB
Saldo Débito Crédito Saldo Débito Crédito Saldo Jan.-Dez. 01 Jan.-Jun. 01 Jan.-Jun. 02
Balança Corrente. . . -11 539.4 31 363.0 24 704.8 -6 658.2 30 630.9 24 333.3 -6 297.6 -9.3 -11.0 -10.0 Mercadorias . . . -14 923.3 22 039.0 14 605.9 -7 433.1 20 878.6 14 262.8 -6 615.7 -12.1 -12.3 -10.5 Serviços . . . 2 924.5 3 485.0 4 292.9 807.9 3 445.7 4 383.4 937.7 2.4 1.3 1.5 Transportes . . . -445.6 1 105.8 832.9 -272.9 1 034.0 843.5 -190.5 -0.4 -0.5 -0.3 Viagens e turismo . . . 3 768.6 1 135.8 2 516.9 1 381.2 1 151.5 2 547.9 1 396.3 3.0 2.3 2.2 Seguros . . . -39.6 51.2 35.9 -15.3 77.6 42.2 -35.4 0.0 0.0 -0.1 Direitos de utilização . . . -232.6 150.1 12.5 -137.6 163.9 14.3 -149.5 -0.2 -0.2 -0.2 Outros serviços. . . -48.5 925.9 837.2 -88.8 923.6 872.2 -51.4 0.0 -0.1 -0.1 Operações governamentais . . . -77.6 116.3 57.5 -58.7 95.1 63.3 -31.8 -0.1 -0.1 -0.1 Rendimentos . . . -3 423.5 4 670.6 2 988.6 -1 681.9 4 887.2 2 928.4 -1 958.8 -2.8 -2.8 -3.1 Rendimentos de trabalho . . . 4.7 78.0 81.2 3.1 79.8 62.7 -17.1 0.0 0.0 0.0 Rendimentos de investimento . . . -3 428.1 4 592.5 2 907.5 -1 685.1 4 807.4 2 865.7 -1 941.7 -2.8 -2.8 -3.1 Transferências correntes . . . 3 882.8 1 168.5 2 817.3 1 648.9 1 419.4 2 758.6 1 339.2 3.1 2.7 2.1 Transferências públicas. . . 188.3 740.3 726.2 -14.1 831.4 756.4 -74.9 0.2 0.0 -0.1 Transferências privadas . . . 3 694.5 428.2 2 091.1 1 662.9 588.0 2 002.2 1 414.1 3.0 2.7 2.2 Balança de Capital. . . 1 195.6 109.8 321.6 211.8 103.5 797.9 694.5 1.0 0.4 1.1 Transferências de capital . . . 1 214.5 87.1 302.0 214.9 90.1 785.9 695.8 1.0 0.4 1.1 Transferências públicas. . . 1 206.9 22.8 237.8 215.0 30.4 730.4 700.0 1.0 0.4 1.1 Transferências privadas . . . 7.7 64.3 64.3 -0.1 59.6 55.5 -4.2 0.0 0.0 0.0 Aquisição/cedência de activos não prod. não fin. . . -19.0 22.7 19.6 -3.1 13.4 12.0 -1.4 0.0 0.0 0.0
Balança Financeira. . . 10 550.0 341 326.6 347 886.6 6 560.0 312 293.4 318 284.5 5 991.1 8.5 10.8 9.5
Investimento directo . . . -2 100.6 17 952.4 15 720.5 -2 231.9 10 450.7 12 207.4 1 756.7 -1.7 -3.7 2.8 Investimento de Portugal no exterior . . . -8 818.9 8 727.8 2 137.3 -6 590.5 1 971.0 1 292.1 -678.9 -7.1 -10.9 -1.1 Investimento do exterior em Portugal . . . 6 718.3 9 224.5 13 583.1 4 358.6 8 479.7 10 915.2 2 435.6 5.4 7.2 3.9 Investimento de carteira . . . 2 248.5 78 611.4 78 101.3 -510.1 88 921.2 88 925.1 3.9 1.8 -0.8 0.0 Activos. . . -7 174.6 28 164.5 24 546.2 -3 618.3 41 482.0 37 976.4 -3 505.7 -5.8 -6.0 -5.6 Passivos . . . 9 423.1 50 447.0 53 555.2 3 108.2 47 439.2 50 948.7 3 509.5 7.6 5.1 5.6 Derivados financeiros . . . 284.3 1 811.0 2 019.8 208.8 1 587.8 1 492.3 -95.5 0.2 0.3 -0.2 Outro investimento . . . 11 087.6 216 195.9 225 405.6 9 209.7 185 330.6 190 563.4 5 232.9 9.0 15.2 8.3 Activos. . . -5 429.9 109 722.6 109 220.3 -502.3 98 558.9 90 385.3 -8 173.6 -4.4 -0.8 -13.0 Passivos . . . 16 517.5 106 473.2 116 185.3 9 712.0 86 771.7 100 178.2 13 406.5 13.3 16.1 21.3 Activos de reserva . . . -969.8 26 755.9 26 639.4 -116.5 26 003.1 25 096.3 -906.8 -0.8 -0.2 -1.4 Erros e omissões. . . -206.2 -113.6 -387.9 -0.2 -0.2 -0.6 Por memória:
ção do défice da balança de mercadorias e de um ligeiro aumento do excedente da balança de servi- ços (Gráfico 8.1). Ao nível das restantes compo- nentes verificou-se uma redução das transferên- cias correntes (em cerca de 0.6 p.p. do PIB) e um agravamento do défice da balança de rendimentos (de 2.8 para 3.1 por cento do PIB).
O défice da balança de mercadorias reduziu-se de 12.3 por cento do PIB nos primeiros seis meses de 2001 para 10.5 por cento do PIB no primeiro se- mestre de 2002. Como se pode constatar pelo Grá- fico 8.2, a redução do défice comercial no primeiro semestre resultou, em larga medida, de um efeito termos de troca, associado à significativa variação positiva dos termos de troca no comércio de mer- cadorias (2.5 por cento no período Janeiro-Junho de 2002, o que compara com -0.9 por cento no mes- mo período do ano anterior), que reflecte, em par- te, o comportamento do preço do petróleo. De acordo com estimativas preliminares(39), no primei- ro semestre de 2002, os preços de exportações de mercadorias terão diminuído 2.5 por cento en- quanto os preços das importações de mercadorias terão diminuído 4.8 por cento, resultando no refe- rido ganho significativo dos termos de troca e num contributo positivo do efeito preço, em contraste com o sucedido nos últimos dois anos. Em termos reais, verificou-se um crescimento praticamente nulo das exportações (0.1 por cento) e uma redu- ção, em cerca de 0.5 por cento, das importações, determinando assim um efeito volume igualmente positivo.
Na primeira metade de 2002, o excedente da balança de serviços ascendeu a 1.5 por cento do PIB, face a 1.3 por cento no mesmo período de 2001. Registou-se, neste período, uma redução do défice de serviços de transportes, resultando, em parte, da evolução do défice associado a fretes de mercadorias e um aumento do excedente de ou- tros serviços fornecidos por empresas. Por outro lado, em percentagem do PIB, o saldo de viagens e turismo piorou ligeiramente nos primeiros seis meses de 2002 face ao mesmo período do ano ante- rior, de 2.3 para 2.2 por cento do PIB. As receitas nominais de turismo cresceram 1.2 por cento face ao período homólogo, apresentando uma desace- leração quando comparado com o ano anterior.
Este comportamento está em linha com a evolução desfavorável das dormidas de estrangeiros em es- tabelecimentos de hotelaria nacionais. As despesas em viagens e turismo efectuadas no exterior por residentes aumentaram 1.4 por cento, em termos nominais, apresentando igualmente um comporta- mento menos dinâmico que o registado no ano anterior.
O défice da balança de rendimentos aumentou de 2.8 para 3.1 por cento do PIB no primeiro se- mestre de 2002. Este comportamento ficou a de- ver-se ao aumento do défice de rendimentos de outro investimento, de 1.3 para 1.9 por cento do PIB. O défice de rendimentos de investimento di- recto apresentou valores semelhantes aos do perío- do homólogo (0.8 por cento do PIB) enquanto que o défice de rendimentos de investimento de cartei- ra apresentou uma ligeira redução (de 0.6 para 0.5 por cento do PIB).
O excedente de transferências correntes dimi- nuiu de 2.7 por cento, no primeiro semestre de 2001, para 2.1 por cento do PIB, no mesmo período do ano 2002, como resultado da evolução das transferências privadas. Esta evolução resulta não só de uma redução, em cerca de 8 por cento, das remessas de emigrantes — para a qual contribuí- ram em particular as remessas provenientes de França e Alemanha — mas também de um novo aumento das remessas de imigrantes superior a 100 por cento, associado aos fluxos imigratórios provenientes da Europa de Leste. No mesmo pe- ríodo, ao nível das transferências públicas corren-
Banco de Portugal /Boletim económico /Setembro 2002 40 (39) Estimativas do Banco de Portugal sobre informação fornecida
pelo Instituto Nacional de Estatística (INE).
Gráfico 8.1