5. Instrumentos Empresariais de Avaliação de RSE
5.2. Índices de Sustentabilidade e de Reputação
Os índices de sustentabilidade surgiram para dar resposta às necessidades dos investidores que procuravam diversificar o seu risco, incluindo na sua carteira de investimento empresas que adoptem as melhores práticas empresariais e sociais. Estas carteiras, denominadas “investimentos sociais
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responsáveis”15 (ISR), são constituídas por empresas comprometidas com a RSE, sendo consideradas sustentáveis. Nesta perspectiva, estão melhor preparadas para a criação de valor a longo prazo (López et al., 2007), podem ser altamente atractivas na medida em que juntam os interesses dos stakeholders e dos accionistas (Steurer et al., 2012) e conseguem agregar valor das políticas de RSE à sua cotação em bolsa.
Por outro lado, os índices de reputação, apesar de não estarem associados aos investimentos, ganharam importância nos EUA e espalharam-se por toda a Europa sendo usados por alguns investigadores para compreender o desempenho social das empresas (Griffin e Mahon, 1997).
Nesta investigação analisamos os três índices mais relevantes para as pesquisas académicas: KLD – Kinder, Lydenberg, Domini; DJSI - Dow Jones Sustainability Index; e Fortune Index.
KLD – Kinder, Lydenberg, Domini
O KLD é, talvez, o índice de desempenho social mais conhecido e aceite (Carroll e Shabana, 2010). Destina-se a todos os investidores que pretendam incorporar a preocupação das empresas com a RSE nas suas decisões de investimento (McWilliams e Siegel, 2000) e tem sido usado por muitos pesquisadores para calcular o CSP em estudos empíricos (Carroll et al., 2013; Hillman, 2001; Wood, 2010).
O KLD é desenvolvido por uma empresa de consultoria e gestora de um fundo mútuo que se preocupa em oferecer aos seus clientes investimentos em empresas socialmente responsáveis, analisando por isso o envolvimento das 500 empresas do ranking Standard & Poor’s e 150 do índice DSI 400 – Domini Social Index (Michelon et al., 2013). Nesta perspectiva, o KLD apresenta uma análise extensa sobre empresas que aplicam critérios positivos e negativos de investimento social, com análises específicas para gestores de carteiras de investimentos (KLD, 2003, p. 2).
Este índice compreende a avaliação da RSE em áreas sociais como as relações com a comunidade, a governança corporativa, a diversidade da força de trabalho, as relações com empregados, o meio- ambiente, os direitos humanos e as questões de produtos. Têm ainda medidas específicas para analisar negócios controversos que envolvem o álcool, o jogo, o tabaco, a área militar, as armas de fogo e a energia nuclear (Carroll e Shabana, 2010).
A principal vantagem deste índice é incorporar a avaliação de fenómenos que podem ser usados para ilustrar o compromisso da empresa (ou a falta dele) com os princípios da RSE, o uso de processos de resposta e os resultados com os stakeholders e com a própria empresa (Wood, 2010). Para além disso, é elaborado por especialistas independentes (Harrison e Freeman, 1999; Waddock e Graves,
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1997) que usam dados de várias fontes, incluindo dados internos, como RC ou documentos gerais; e dados externos, como por exemplo, notícias ou informações de agências (Hillman e Keim, 2001). Este índice representa uma grande melhoria em relação aos métodos anteriores de classificação e aplica os critérios definidos de forma consistente a todas as empresas que o integram (Clement, 2005). Por outro lado, o KLD inclui uma classificação anual, numa escala de cinco pontos do tipo Likert, do relacionamento de uma empresa com vários grupos de stakeholders, permitindo relacionar perfis de empresas com fluxos de actividade de RSE (Barnett, 2007). Por último, pode ser aplicado à maior parte das empresas e cobrir várias áreas relevantes da RSE.
Como já foi referido, o KLD tem sido regularmente utilizado pelos investigadores que procuram estabelecer uma relação entre DF e social (ver Agle et al., 1999; Berman et al., 1999; Bird et al., 2007; Boesso et al., 2013; Carroll et al., 2013; Choi e Wang, 2009; Griffin e Mahon, 1997; Gregory e Whittaker, 2013; Hillman e Keim, 2001; Kim e Statman, 2012; McWilliams e Siegel, 2000; Michelon et al., 2013; Ruf, Muralidhar, Brown, Janney e Paul, 2001; Waddock e Graves, 1997) e deverá continuar a ser assim nos próximos anos (Harrison e Freeman, 1999). Não obstante, tem sido alvo de críticas ao ser considerado um banco de dados “com pontuações numéricas em bruto” (Wood e Jones, 1995) e com problemas na composição das dimensões (Hillman e Keim, 2001). Por outro lado, a classificação utilizada permite que empresas que tenham uma classificação elevada quando são excepcionais numa área-chave (mas não em todas) ou surjam muito abaixo no ranking quando têm um desempenho social “normal” (Wartick e Mahon, 2009; Wood, 2010). Alguns destes problemas podem ser resolvidos se estes dados foram trabalhados usando o IRT – Item Response Theory que permite medir acções observáveis, não observáveis e características latentes (Carroll et al., 2013) abrindo um novo campo de pesquisa nesta área.
DJSI - Dow Jones Sustainability Index
O índice DJSI foi criado em 1999 em parceria com a empresa SAM com o intuito de desenvolver um índice que reunisse as empresas mundiais cotadas na bolsa de Nova York e que tivessem adoptado as melhores práticas de RSE e de sustentabilidade (DJSI, 2013, p. 3).
A selecção para integrar o índice começa com um contacto às empresas cotadas nas bolsas dos vários continentes16 (DJSI, 2013, p. 5) para preencher voluntariamente um questionário que integra três áreas gerais (aplicado a todas as empresas e que corresponde a 60% da nota obtida) e uma específica para cada sector de actividade (trata questões particulares do sector onde a empresa opera e representa 40% da nota final). O questionário aborda temas como o desempenho social, ambiental e económico, inovação, governança corporativa, relações com os investidores e comunidade em geral. As empresas enviam ainda documentos diversos – RC e RdS – e são
16 Em 2013, das 3.300 empresas contactadas (2500 pertenciam ao índice Dow Jones de Nova York), foram analisadas 1831 e recebidos 818 questionários completos (DJSI 2013, p. 5).
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recolhidas informações prestadas aos analistas, à imprensa e a diversos stakeholders. Em termos gerais, os conceitos que são utilizados para medir a RSE no DJSI são semelhantes aos itens usados nas directrizes GRI (López et al., 2007).
A escolha final das empresas que irão compor o índice segue a metodologia Best in Class (DJSI, 2013, p. 3) que consiste em seleccionar as empresas com melhor desempenho em cada sector de actividade, ou seja, são apenas integradas no DJSI 10% das empresas de cada sector.
Não sendo o índice mais popular entre os investigadores que analisam a CSP e o DF, já foi usado para estudar esta relação (ver Jackson e Apostolakou, 2009; López et al., 2007,). Como principais vantagens do DJSI, destaca-se o facto de permitir uma comparação entre um grande número de empresas cotadas e durante vários anos (López et al., 2007); funcionar como referência para analisar o comportamento das empresas e do seu valor em bolsa; e ter sido dos primeiros a surgir ajudando a colocar a RSE e a sustentabilidade como critério de investimento. Em contraponto, a principal desvantagem diz respeito ao facto do índice medir processos, políticas e sistemas de gestão em vez de impactos ou resultados das acções de RSE.
Fortune Index
A utilização do Fortune Index ganhou destaque entre os pesquisadores nos anos 80 (Wood, 2010), sendo uma fonte de informação sobre desempenho social (Griffin e Mahon, 1997) e, até 1997, era o único ranking de reputação de grande dimensão existente apesar de ser restrito aos EUA (Schwaigner, 2004). O ranking anual das “Empresas Mais Admiradas” é constituído com base nas opiniões de executivos de topo e de analistas financeiros, em várias dimensões entre as quais uma sobre responsabilidade ambiental e a comunidade (Wood, 1995). Os entrevistados avaliam as dez maiores empresas do seu sector de actividade em oito atributos relacionados com a reputação (Griffin e Mahon, 1997): a inovação; a qualidade de gestão; o valor do investimento a longo prazo; a responsabilidade ambiental e a comunidade; a capacidade de atrair, desenvolver e manter pessoas talentosas; qualidade dos produtos e serviços; solidez financeira; e o uso dos activos corporativos (Schwaigner, 2004).
O Fortune Index foi utilizado na sua dimensão social para estudos de RSE (Griffin e Mahon, 1997; Melo e Garrido-Morgado, 2012; Preston e O’Bannon, 1997; Wu, 2006) mas tem sido bastante criticado. A principal crítica é o possível efeito de halo que possa existir porque a escala de desempenho social pode estar correlacionada com a reputação corporativa global uma vez que as más acções tendem a ser mais publicitadas nos media do que as boas e os executivos e analistas são influenciados por estas informações (Harrison e Freeman, 1999). No seguimento desta crítica, este ranking baseia-se em opiniões de desempenho de toda a organização e não especificamente de RSE tendo o inconveniente desta variável poder estar altamente correlacionada com outras
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(Waddock e Graves, 1997). Por último, fornece apenas um resumo de um indicador de desempenho social (Harrison e Freeman, 1999) e não pode, nem deve, ser usado como uma verdadeira medida de desempenho de RSE sendo apenas um bom indicador de reputação – exactamente a área que o índice avalia (Wood, 2010).