A identificação das vantagens da RSE tem apaixonado os investigadores numa tentativa quase exaustiva de validar a participação da empresa em actividades sociais. A justificativa financeira e estratégica, ou seja, que a RSE torna as empresas mais lucrativas ou que pode ser fonte de vantagem competitiva, já foi suficientemente detalhada no capítulo III – 7 e III - 8. No entanto, existem outros argumentos a explorar.
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Uma justificativa histórica é a “licença para operar”, ou seja, a comunidade autoriza a empresa a desenvolver a sua actividade e, em troca, esta deve ajudá-la promovendo o bem-estar dos seus membros (Carroll e Shabana, 2010; Maignan e Ferrell, 2004; Porter e Kramer, 2006). Actualmente, as pessoas defendem que, para além dos lucros, as empresas devem ser responsáveis pelos seus trabalhadores, pela comunidade e por outros stakeholders. Este argumento é consistente com um outro que defende que a empresa tem um interesse específico a longo prazo para ser socialmente responsável (Davis, 1973; Carroll e Shabana, 2010), isto é, as empresas desenvolvem acções de RSE porque retiram benefícios desse envolvimento (Branco e Rodrigues, 2007). Ao promover iniciativas sociais, a empresa defende, simultaneamente, os seus interesses na medida em que, para ter viabilidade futura, necessita de fomentar um clima económico favorável. Pode dizer-se que, para além de reduzir o risco, a empresa compra um seguro de reputação nomeadamente quando está comprometida com a sociedade e quando dá suporte a causas que estão relacionadas com a estratégia da empresa (Peloza, 2006).
O argumento ético, da obrigação moral (Argandoña e Hoivik, 2009; Carroll, 1979, 1991; Porter e Kramer, 2006; Wood, 1991, 2010), defende que a empresa deve empreender acções de RSE porque é assim “que a empresa deve comportar-se”. Se este argumento não for encarado como uma vantagem é, pelo menos, uma desvantagem, ou seja, se a empresa não for beneficiada por estas acções, poderá ser fortemente prejudicada no caso de não o fazer.
A RSE ajuda a construir a reputação das organizações (Du et al., 2010; Melo e Garrido-Morgado, 2012; Vilanova et al., 2009) e é uma componente difícil de imitar por parte dos seus concorrentes (Alniacik et al., 2011; Barney, 1991). No entanto, para beneficiar dessa reputação, a empresa tem de divulgar e comunicar essas acções (Branco e Rodrigues, 2008), especialmente junto dos stakeholders (Du et al., 2010). As empresas com uma comunicação eficaz seleccionam os stakeholders mais importantes e fornecem-lhe informação constantemente (Brunch e Walter, 2005; Walter, 2014) apesar desta comunicação dever ser modesta para ser credível (Peloza, 2006).
No que diz respeito à legislação, a RSE pode ser vista como uma forma de evitar regulamentação governamental (Davis, 1973) ao adoptar previamente determinadas práticas socialmente responsáveis. Este argumento, apesar de ser difícil de verificar ou medir, é extremamente importante na medida em que é expectável que a legislação seja mais punitiva e aumente os custos operacionais da organização. Por outro lado, a empresa antecipa-se à intervenção governativa estando em melhores condições para responder às restrições legais quando estas entrarem em vigor (Berman et al., 1999; Caroll e Shabana, 2010). Esta ideia é ainda consistente com a noção de que é mais económico prevenir do que remediar, ou seja, é melhor evitar determinados problemas sociais do que intervir para os resolver.
No enumerar de vantagens de RSE não se pode excluir o argumento da sustentabilidade. Estando este conceito estritamente ligado à noção de futuro, ou seja, desenvolvimento sustentável implica que
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o presente não comprometa o futuro das próximas gerações, as empresas devem empreender acções de RSE para cumprir o seu papel neste desígnio maior que é a protecção e sustentabilidade do planeta (Elkington, 1997; Porter e Kramer, 2006, 2011). Assim, a empresa responde às expectativas públicas do negócio, ou seja, a sociedade espera que as empresas contribuam para um mundo melhor.
Em termos puramente utilitários, a RSE pode tornar um problema social numa oportunidade ou benefício económico (Drucker, 1984) pagando-se a si própria na medida em que pode gerar benefícios substanciais à organização (Bhattacharyya, 2010; Burke e Logsdon, 1996). Neste âmbito, vale ainda referir que os custos explícitos com a RSE são mínimos comparados com o impacto económico que pode gerar, por isso a questão que se coloca não é se é legítimo desenvolver acções de RSE, mas como é que se pode fazer isso atendendo à finalidade económica da empresa (Smith, 2003a). Por outro lado, pode gerar um capital positivo junto dos stakeholders e da comunidade e o capital moral pode oferecer aos accionistas uma protecção para as empresas, especialmente nas relações baseadas em activos intangíveis (Godfrey, 2005).
Dois argumentos adicionais que são postulados pela teoria da RSE incluem os recursos das organizações e “os negócios vão tentar” (Carroll e Shabana, 2010; Davis, 1975). O primeiro é uma constatação na medida em que as empresas têm capital e RH com elevadas competências que podem ser postos à disposição do bem comum. A teoria dos recursos já foi utilizada por diversos autores para justificar esta abordagem (Bowen, 2007; Branco e Rodrigues, 2006a, 2008; Choi e Wang, 2009; Falkenberg e Brunsael, 2011; Husted e Allen, 2001; McWilliams e Siegel, 2001). O segundo, é que chegou a vez das empresas tentarem resolver um problema social que já se procurou solucionar (ou não), pelos estados ou pela sociedade civil, sem sucesso.
Por último, e em linha com esta investigação, um dos principais motivos das empresas adoptarem políticas de RSE é por causa da pressão exercida pelos stakeholders, sejam internos, sejam externos (Carroll e Shabana, 2010). Responder aos seus interesses é fundamental para desenvolver relações de confiança com todos os seus públicos. Assim, as acções de RSE têm um impacto positivo na relação da empresa com os seus colaboradores (Alniacik et al., 2011; Berman et al., 1999; Bhattacharyya, 2010; Brammer, Millington e Rayton, 2007; Maignan et al., 1999; Turker, 2009a), com a comunidade (Baird et al., 2012; Barnett e Salomon, 2006; Berman et al., 1999; Carroll, 1991; Godfrey, 2005), com os seus clientes (Alniacik et al., 2011; Maignan et al., 1999; Peloza, 2006; Perrini, Russo, Tencati e Vurro, 2011; Pivato et al., 2008; Turker, 2009a), com os fornecedores (Goodstein e Wicks, 2007; Mason e Simmons, 2014; Waddock et al., 2002), e mesmo com os accionistas (Godfrey, 2005; Jamali, 2008; López et al., 2007; Mason e Simmons, 2014). Não será ainda de negligenciar o facto da RSE proporcionar a criação de novas parcerias e fortalecer as relações com diferentes parceiros de negócios (Pearce II e Doh, 2005).