2.3. ANÁLISE DAS ESTRATÉGIAS IMPLEMENTADAS PELO ESTADO
2.3.1. A ÇÕES E STRATÉGICAS DO P ODER E XECUTIVO
As estratégias de enfrentamento da exploração sexual comercial de crianças e adolescentes, no âmbito do Estado, são implementadas através do estabelecimento de uma política focal de combate a exploração sexual comercial de crianças e adolescentes; da gestão descentralizada e em rede dos programas e projetos (fortalecimento da municipalização); do estabelecimento de parcerias e cooperação entre governos e organizações não governamentais e da definição orçamentária para apoio a projetos e programas.
Neste contexto, coube ao Ministério da Justiça e ao CONANDA o monitoramento destas estratégias em nível institucional.
A estratégia fundamental adotada pelos governos para realizar uma política descentralizada de combate à Exploração Sexual Comercial foi a de estabelecer parcerias com as ONG's para viabilização de projetos e programas, haja visto que basicamente as ações de enfrentamento são desenvolvidas no âmbito privado, porém público30.
O enfrentamento da exploração sexual comercial, no Brasil, tem sido uma experiência exitosa em algumas regiões (Salvador, Recife, Natal, Belém, Rio de Janeiro, São Paulo, Manaus, Brasília e outras). Esse enfrentamento por organismos públicos e privados se expressa como instrumento de mobilização política e de garantia de direitos, quando as instituições se articulam na sua localidade para traçar um programa comum de combate a exploração sexual, a exemplo do Programa Brasília Diz Não a Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes - 1996.
No âmbito geral, tem sido as organizações não governamentais que vêm apresentando maior número de experiências exitosas nas áreas de prevenção, atendimento e defesa de crianças e adolescentes, vítimas de violência sexual, no Brasil. A defesa tem sido desempenhada pelos Conselhos, Ministério Público e Justiça, com apoio concreto das organizações não governamentais.
De acordo com o mapeamento31 de Programas e Projetos para o enfrentamento da exploração sexual comercial de crianças e adolescentes, realizado pelo CONANDA, nos municípios brasileiros, existem mais propostas de políticas públicas para o enfrentamento do fenômeno, do que propriamente projetos em execução. A prevenção (capacitação, mobilização, educação e campanhas) é uma das preocupações centrais das propostas de programas e projetos, seguida do atendimento (abrigos, profissionalização, esporte, lazer, cultura, e outros) e da defesa (responsabilização e repressão). No âmbito geral, o processo de mobilização e sensibilização do fenômeno, em nível nacional, tem se fortalecido pelas diversas manifestações da sociedade civil e governo via CPI’s e campanhas de prevenção do fenômeno.
30 Vide quadro, item c, págs. 64-66.
31 Relatórios das Conferências Estaduais dos Direitos da Criança e do Adolescentes realizados em 27 estados brasileiros – CONANDA – 1997.
Ministério da Justiça
Em 1996, a ação do Ministério da Justiça foi ampliada, Pós-Seminário contra a Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes nas Américas, promovido pelo CECRIA, em Brasília, e o Congresso de Estocolmo. Esta ampliação deu-se, fundamentalmente, em articulação com o CONANDA (Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente), o qual propõe que a questão da exploração e abuso sexual seja uma prioridade de sua atuação, estimulando a discussão do problema no sistema de atenção integral à criança e ao adolescente previsto no ECA, envolvendo Estado, sociedade e família, conforme o documento “Proteção Jurídico-Social a Crianças e Adolescentes em Situações de Abuso e Exploração Sexual” - Departamento da Criança e do Adolescente - 1996.
Nesta perspectiva, o Ministério da Justiça vem apoiando programas específicos, voltados para a questão da exploração sexual comercial, tanto em relação aos agressores como às vítimas, conforme atividades relacionadas, abaixo:
Atividades desenvolvidas Pós -1996:
Implantação/implementação dos Conselhos Tutelares e do SIPIA – Sistema de Informação para Infância e Adolescência (sistematização das notificações relativas às violações de direitos de crianças e adolescentes).
Financiamento de projetos e programas para o enfrentamento da exploração e abuso sexual de crianças e adolescentes nas áreas de prevenção e defesa, desenvolvidos pelas ONG's. Apoio ao lançamento da Campanha Nacional de Combate à Exploração Sexual Infanto- Juvenil em parceria com a ABRAPIA e apoio às Campanhas realizadas em diferentes estados brasileiros.
Implantação/implementação da Rede de Informações sobre Exploração e Abuso Sexual de Crianças e Adolescentes em parceria com o CECRIA e o UNICEF.
PERÍODO 1996/1997
IEPAM – Instituto Estadual de Proteção à Criança e o Adolescente do Amazonas/AM:
• Intervenção nas situações de violência e exploração sexual infanto-juvenil; Realização de Campanha educativa e de sensibilização social, permanente, sobre violência e exploração sexual, sob a responsabilidade do Conselho Estadual em parceria com os Conselhos Municipais dos Direitos da Criança e do Adolescente.
• Mobilização Social pelos Direitos da Criança e do Adolescente. Prevê ações de Combate a Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes, com a realização de campanha de mobilização e sensibilização, preparação de material para a campanha e realização de um encontro regional; realização de uma Pesquisa em nível estadual sobre violência e exploração sexual infanto-juvenil.
Fundação do Serviço Social/DF:
• Apoio a unidade de proteção a crianças e adolescentes vítimas de exploração sexual.
• Pesquisa/diagnóstico sobre as seis principais situações de violação de direitos da criança e do adolescente, nos dez maiores municípios do Estado, dentre elas a exploração sexual comercial.
Secretaria de Estado de Justiça/AL:
• Apoio ao Estudo Diagnóstico da Exploração Sexual em Maceió.
• Apoio para efetividade de encontros e seminários no combate a exploração sexual infanto-juvenil.
PROMOSUL – Fundação de Promoção Social de Mato Grosso do Sul/MS:
• Apoio a pesquisa de Mapeamento da Situação de Exploração Sexual em Municípios de Mato Grosso do Sul e Mato Grosso e apoio a Campanha Contra Exploração Sexual Infanto-Juvenil.
• Criação de uma central de denúncias pertinentes a exploração e abuso sexual de crianças e adolescentes (Rede Ação);
• Implementação do plano Estadual de combate à exploração sexual de crianças e adolescentes, e das comissões municipais de combate à exploração sexual de crianças e adolescentes em nove municípios;
• Realização de Seminários de sensibilização dos setores de segurança, turismo e transporte;
• Publicação de relatório do mapeamento sobre a exploração sexual em Mato Grosso do Sul;
• Dia de mobilização para combate à exploração sexual infanto-juvenil, em parceria com Prefeitura, CMDCA, Conselhos Tutelares, CEDCA, ONG's, Sec. Estadual, Municipais e comunidade em geral.
Tribunal de Justiça/AP:
• Pesquisa sobre a Violência e a exploração sexual de crianças e adolescentes, com a finalidade de criar um banco de dados que concentre as informações sobre os focos de incidência a fim de subsidiar a elaboração de programas e projetos para o enfrentamento da questão.
FUNDAC – Fundação da Criança e do Adolescente/RN:
• Implantação do Programa de Atenção a Vítimas de Abuso e Exploração Sexual nos municípios de Natal e Mossoró.
• Apoio a eventos de mobilização de opinião pública e campanha contra exploração sexual infanto-juvenil realizadas pela Secretaria de Segurança Pública;
• Combate à violência e exploração comercial, envolvendo diversos órgãos do Executivo, Prefeitura e Centro de Defesa.
FEBEM – Fundação Estadual do Bem-Estar do Menor/RS:
• Campanha pelo Fim da Violência, Abuso e Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes.
Secretaria de Estado do Trabalho e Ação Social/RO
• Campanha educativa de combate ao trabalho infantil, à exploração sexual e maus tratos a crianças e adolescente.
• Pesquisa sobre exploração sexual de crianças e adolescentes.
Secretaria de Estado do Trabalho e Ação Social/CE
• Apoio a eventos de mobilização e sensibilização de opinião pública e Campanha contra Exploração Sexual com material de divulgação do Estatuto da Criança e do Adolescente. • Apoio ao levantamento da situação de Exploração Sexual Infanto-Juvenil.
• Implantação de um Banco de Dados sobre Violência e Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes do Estado do Ceará.
Fundação da Criança e do Adolescente do Estado/PB.
• Pesquisa "Corpo e Mercadoria: Exploração Sexual de Meninas e Adolescentes em João Pessoa.
Fundação da Criança, do Adolescente e da Integração do Deficiente do Estado/GO.
• Realização de 10 (dez) cursos e 9 (nove) Seminários Regionais para Intervenção no quadro de Violência e Exploração Sexual Infanto-Juvenil e da Drogadição;
• Apoio ao Fórum Estadual de combate à Exploração e Abuso Sexual. Período 1998
Procuradoria Geral de Justiça/CE.
• Regionalização de dez Centros Operacionais/Promotorias da Infância e da juventude nos municípios de Sobral, Crato, Itapipoca, Cratéus, Baturité, Quixadá, Limoeiro do Norte, Iguatu, Aracati e São Benedito. Participação de 500 profissionais, no processo de capacitação, através de encontros. Os conteúdos incluem temas sobre a exploração laboral e sexual de crianças e adolescentes.
IEPAM – Instituto Estadual de Proteção à Criança e o Adolescente do Amazonas/AM.
• Mobilização Social pelos Direitos da Criança e do Adolescente, prevendo-se ações de combate à exploração sexual de crianças e adolescentes; com a realização de campanhas e um encontro regional sobre o tema, e preparação de documento para a campanha.
UNIMONTES – Universidade Estadual de Montes Claros/MG.
• Pesquisa sobre a Prostituição Infanto-Juvenil no Norte de Minas Gerais e Vale do Jequitinhonha/Minas Gerais.
FIA – Fundação para a Infância e Adolescência/RJ
• Realização de Curso de Formação de Policiais Civis, Militares, Guarda Municipais e outros operadores do sistema de garantia de direitos, nas questões da exploração sexual de crianças e adolescente.
Secretaria de Justiça e Defesa da Cidadania/MT
• Mobilização e sensibilização contra ás situações de vitimização com campanha de combate a violência e exploração sexual.
• Apoio à realização de Seminário sobre estratégias para o Combate à Prostituição e Trabalho Infanto-Juvenil Promotorias de Justiça e Conselhos Municipais de Direitos (produto final: Anais do Seminário).
Ações estratégicas de âmbito nacional
• 1996/97 – Implementação de "rede nacional" de proteção júridico-social a crianças e adolescentes vitimados, envolvendo 35 (trinta e cinco) entidades de defesa, especialmente Centros de Defesa da Criança e do Adolescente (Projeto ADVOGA CRIANÇA – Associação Nacional dos Centros de Defesa – ANCED).
• 1996/97/98 – Desenvolvimento, implantação e implementação do Sistema de Informações para a Infância e a Adolescência – SIPIA. Desse Sistema, o seu módulo 1 (para o monitoramento da violação dos direitos fundamentais da criança e do adolescente e o ressarcimento desses direitos por meio de programas e serviços), deverá estar com cobertura nacional até o final de 1999.
• 1997/98 – Campanha Nacional de Combate à Exploração Sexual Comercial e implantação de programa de Recebimento de Denúncias, em âmbito nacional, sobre abuso e exploração sexual de crianças e adolescentes ("Disque Denúncia", em parceria com a Associação Brasileira Multiprofissional de Proteção à Infância e Adolescência – ABRAPIA).
• 1997/98 – Implantação da Rede de Informações sobre Violência, Exploração e Abuso Sexual de Crianças e Adolescentes – RECRIA, por meio da Internet, em parceria com o Centro de Referência Estudos e Ações Sobre Crianças e Adolescentes – CECRIA.
- 1996/97/98 – Produção de documentos em parceria com, o Centro de Referência, Estudos e Ações Sobre Crianças e Adolescentes – CECRIA.
- 1996 – anais do Seminário contra Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes nas Américas.
- 1997 – Fundamentos e Políticas Contra a Exploração e Abuso Sexual de Crianças e Adolescentes.
- 1998 – Políticas Públicas e Estratégias Contra a Exploração Sexual Comercial e o Abuso Sexual Intrafamiliar de Crianças e Adolescentes.
- 1998 – Indicadores de Violência Intrafamiliar e Exploração Sexual Comercial de Crianças e Adolescentes.
Ministério da Previdência e Assistência Social
Existem projetos específicos para o combate à exploração, abuso sexual e maus-tratos de crianças e adolescentes, através da erradicação do trabalho infantil e proteção às vítimas. O “Projeto de erradicação do trabalho infantil na área da assistência social para o ano de 1996 e 1997", da Secretaria de Assistência Social, destina apoio financeiro à família brasileira, preferencialmente, da área rural, vulnerabilizada com a pobreza, o que obriga seus filhos a se submeterem ao trabalho precoce. A Secretaria de Assistência tem apoiado as organizações governamentais e não governamentais, localizadas nos municípios brasileiros,
através da concessão da Bolsa de Desenvolvimento, cujo objetivo é recriar as condições materiais para a família prover suas necessidades básicas, assegurando condições mínimas para o regresso das crianças trabalhadoras à escola.
O referido projeto é parte integrante do “Programa Brasil Criança Cidadã”, dessa Secretaria, iniciado em 1996, cuja primeira experiência deu-se nas carvoarias do Estado de Mato Grosso do Sul, em seguida estendendo sua ação à região sisaleira da Bahia e aos canaviais fluminense e pernambucano.
Ainda no âmbito deste Ministério, em “Brasil Criança Cidadã - Fomento a Programas de
Atenção à Criança de 7 a 14 anos”, de 1996, publicado pelo IEE - Instituto de Estudos
Especiais - PUC/SP, a Secretaria de Assistência Social apoia e otimiza as redes locais de atenção à criança e ao adolescente entre 7 e 14 anos, no período complementar da escola. Busca somar esforços para garantir à criança e ao adolescente, vulnerabilizado pela pobreza, a permanência e o êxito escolar. Além disso, a Secretaria de Assistência Social apoia programas de atenção às crianças e aos adolescentes de 7 a 14 anos através de aportes técnicos e financeiros aos Conselhos e Governos Municipais. O Governo Federal, através do Ministério da Previdência e Assistência Social tem repassado recursos financeiros de acordo com as demandas e prioridades estabelecidas conjuntamente com os governos estaduais e municipais.
O Ministério da Previdência e Assistência Social/Secretaria de Assistência Social implantou, em setembro de 1997, juntamente com o Governo do Amazonas o "Projeto Cunhantã e Curumin", que vem viabilizando, na prática, o seu discurso para a prevenção e combate à exploração sexual de crianças e adolescentes em 29 municípios daquele Estado, cuja meta é o atendimento de 10.000 crianças/adolescentes em situação social de risco.
As estratégias desse Projeto têm sido o estabelecimento de parcerias (redes), a gestão descentralizada (municipalização) dos recursos financeiros e humanos e a multidisciplinaridade.
Ministério do Trabalho
No “Programa Nacional de Centros Públicos de Educação Profissional” da Secretaria de Formação e Desenvolvimento do Profissional - SEFOR, encontramos ações voltadas para capacitação profissional do adolescente.
Esse Programa tem como metas: diversificar e ampliar a oferta de cursos em 50% das escolas técnicas existentes; investir na adequação do processo pedagógico de estágio em todas as unidades de ensino técnico identificadas como Centros Públicos de Educação Profissional; oferecer cursos de curta e média duração a 100 mil trabalhadores que não tiveram oportunidade de ingressar nas escolas profissionalizantes; implantar unidades produtivas em todas as escolas, oportunizando experiências de gestão do seu próprio negócio e/ou de trabalho associativo e cooperativo; encaminhar para o trabalho assalariado ou autônomo todos os egressos dos cursos.
Ainda no Ministério do Trabalho, o “Programa Nacional de Formação Profissional para Jovens em Situação de Risco Total”, de 1996, vinculado à Secretaria de Formação e Desenvolvimento Profissional – SEFOR, visa, até 1998 e em articulação entre Estado e
iniciativa privada: oferecer cursos de habilidades básicas, específicas e de gestão; apoiar financeiramente, em média, 200 instituições executoras/ano, pretendendo encaminhar para o Sistema Nacional de Emprego e para o Programa de Geração de Emprego e Renda os jovens e adolescentes qualificados.
Esse programa tem um alvo específico: dar oportunidade de inserção econômica e social para adolescentes e jovens, entre 14 e 21 anos, e que vivem em situação de risco (pobreza crítica, carência de vínculos familiares, sem escolaridade de 1º e/ou 2º graus concluídos, sem acesso aos serviços de saúde e sem formação para o trabalho), oferecendo educação profissional e acesso ao mundo de trabalho.
No Ministério do Trabalho é preciso destacar que a Educação Profissional também se estende ao campo, através do “Programa Nacional de Educação Profissional para Assentamentos e Comunidades Rurais”, para apoiar técnica e financeiramente instituições executoras de educação profissional rural em todos os estados com assentamento. Busca incrementar anualmente, em 15%, o número de matrículas oferecidas; oferecer 100 mil matrículas a trabalhadores rurais com idade acima dos 14 anos; atender 20% dos trabalhadores de assentamentos rurais dos Estados da região Norte, Nordeste e Centro- Oeste e 10% das demais, priorizando os que estão na fase de consolidação.
Ministério da Saúde
Destaca-se o “Programa de Saúde do Adolescente - PROSAD”, vinculado à Secretaria de Assistência à Saúde/Departamento de Assistência e Promoção/Coordenação Materno- Infantil que visa oferecer um atendimento especializado ao adolescente, abrangendo a população entre 10 e 19 anos, em especial: acompanhamento do crescimento e desenvolvimento; desenvolvimento psicológico do adolescente; saúde mental; sexualidade na adolescência; planejamento familiar.
Esse programa tem como objetivos divulgar e assegurar o cumprimento das normas propostas pelo Estatuto da Criança e do Adolescente (Brasil, 1990). No que tange a violência doméstica, os artigos 13º, 47º e o 245º, estabelecem a obrigatoriedade do médico em comunicar casos suspeitos ou confirmados às autoridades competentes, e em especial ao Conselho Tutelar, cabendo ao setor saúde a prevenção e o atendimento médico e psicossocial.
Tem com objetivo ainda, propor linhas de ação, nas áreas de ensino, pesquisa, assistência e extensão de serviços à comunidade que propiciem a prevenção e a atuação na área da violência doméstica contra a criança e o adolescente.
São previstas as seguintes linhas de ação: 1) - ensino
Considera-se que é estratégico o papel de 1º e 2º graus na prevenção e identificação dos casos, e que é obrigatória a notificação por parte dos profissionais de educação, nos casos envolvendo suspeita ou confirmação de maus-tratos (ECA, art. 245). Dessa forma, aponta- se a necessidade de se incluir, como conteúdo programático nos cursos de formação e reciclagem de professores, o tema da violência contra crianças e adolescentes, possibilitando enfrentar adequadamente o problema.
Ressalta-se a importância da inclusão do tema nos currículos escolares, viabilizando aos alunos a conscientização dos seus direitos, a prevenção e a identificação de situações de violência.
2) - pesquisa
Tendo em vista que o ensino e a pesquisa estão indissociavelmente ligados e que os estudos na área da violência são acordo com os artigos que regulam a conduta dos profissionais de saúde. ainda pouco realizados, caberá à coordenação Materno-Infantil do Ministério da Saúde: - garantir como linha prioritária de investigação o tema da violência; - possibilitar a formalização de um centro de documentação que constitua um acesso de publicações, pesquisas e outros trabalhos sobre o tema.
3) - assistência
A atuação em casos de violência contra crianças e adolescentes envolve um trabalho multiprofissional dos níveis superior, médio e elementar (médico, enfermeira, psicólogo, assistente social, auxiliar de enfermagem, agente de saúde, entre outros) e inter-setorial devido à complexibilidade das situações.
4) - extensão dos serviços à comunidade
Reconhece-se como prioridade a mobilização social em torno da defesa dos direitos da criança e do adolescente, em especial, no que se refere à violência. Por isso, recomenda-se: • a divulgação do problema nos meios de comunicação de massa;
• realização de seminários sobre o tema junto aos vários setores da sociedade;
• promoção de campanhas sistemáticas e seqüência sob orientação de especialistas no tema;
• incentivos a lideranças comunitárias para a notificação e o acompanhamento dos casos identificados.
Ministério da Educação
Podemos caracterizar as propostas do Ministério da Educação como sendo diretrizes para a população jovem, em geral. Os principais documentos dizem respeito à orientação curricular. No texto “Parâmetros Curriculares Nacionais - Convívio Social e Ética-Pluralidade Cultural de 1996”, o MEC, através da Secretaria de Educação Fundamental, se propõe, por meio da escola, desenvolver um trabalho educativo voltado para a cidadania e a valorização cultural. Em “Parâmetros Curriculares Nacionais-Convívio Social e Ética-Saúde de 1995”, propõe a inclusão do tema “Educação para a Saúde” no currículo escolar, e que tem por objetivo desenvolver nos alunos a consciência do direito à saúde e o conhecimento de seus determinantes e capacitá-los para a utilização de medidas práticas de promoção, proteção e recuperação da saúde ao seu alcance. Considerando-se a questão da integridade e da dignidade do corpo em função dos direitos humanos.
No documento “Parâmetros Curriculares Nacionais - Convívio Social e Ética de 1995”, o MEC visa incluir no currículo escolar o tema - “Ética”, - entendendo que é a ética que norteia e exige de todos e da escola e, educadores em particular, que proponham e desenvolvam iniciativas de superação do preconceito e da discriminação. A contribuição da escola na
construção da democracia significa promover os princípios éticos de liberdade, dignidade, respeito mútuo, justiça e eqüidade, solidariedade e diálogo no cotidiano.
O “Projeto Conscientização e Iniciação Escolar para o Turismo” do Departamento de Programas Nacionais do MEC, para ser aplicado em nível de 1º e 2º graus, na rede pública e privada tem como objetivo mostrar que o turismo traz benefícios a toda a comunidade quando realizado de modo profissional, além de ser acessível às camadas da população de baixa renda, e identificar os cuidados que a comunidade deve ter em relação ao seu produto turístico. Em 1996 o MEC introduziu nos currículos escolares a disciplina “Educação Sexual”. Ministério da Indústria e Comércio - EMBRATUR
O projeto publicitário da EMBRATUR da campanha “Exploração do Turismo Sexual Infantil - Cuidado o Brasil está de Olho” foi lançado no dia 05 de fevereiro de 1997, pelo Presidente da República. Essa campanha teve abrangência nacional e internacional. Contou com o apoio o Ministério da Justiça, INFRAERO, ANDI (Agência Nacional dos Direitos da Infância), ABAV (Associação Brasileira de Agentes de Viagem), ABIH (Associação Brasileira da Indústria Hoteleira) e teve como objetivo a mobilização, a sensibilização da sociedade brasileira e dos turistas estrangeiros contra o fenômeno no Brasil. Além da campanha, a EMBRATUR apoiou o CECRIA na implantação da RECRIA (Rede de Informações sobre Exploração Sexual e Abuso Sexual de Crianças e Adolescentes), em 1997. (anexo mapa)