A ansiedade é uma sensação ou sentimento que decorre de uma excitação excessiva do Sistema Nervoso Central, em consequência de uma possível situação de perigo. Ballone (2002), refere que a simples participação do indivíduo na sociedade actual já preenche por si só, um requisito suficiente para o surgimento da Ansiedade. Nos nossos dias a Ansiedade passou a ser objecto de distúrbios emocionais, em muitos casos altamente condicionantes. Ainda segundo o mesmo artigo, psicologicamente a ansiedade pode monopolizar as actividades
psíquicas e comprometer seriamente, desde a atenção e memória, até a interpretação fiel da realidade.
Assim, a ansiedade é uma perturbação emocional de adaptação ao stress, podemos dizer que é uma reacção emocional a um determinado estímulo e é também a expressão de um traço da personalidade de cada sujeito, uma vez que diferentes sujeitos reagem de diferentes maneiras relativamente a um mesmo estímulo.
Tal como o stress, a ansiedade não tem necessariamente que ser negativa, ela pode funcionar como activação psico – biológica, sendo neste caso benéfica, pois funciona como um estímulo positivo para a obtenção de um determinado objectivo. Tal como o que referimos atrás quando falávamos de stress, também no caso da ansiedade ela passará a ser patológica quando nos limita e nos impede de dar o passo seguinte, despoletando medos e fobias irracionais que em muitos casos limitam a acção do sujeito.
Charles Spielberger (1975) debruçou-se (e orientou alguns dos seus estudos) com especial interesse pelas questões da ansiedade, estudos esses orientados para a tentativa tornar clara, a sua natureza e sentido, os efeitos na aprendizagem e nos desempenhos académicos, a influência do stress no desenvolvimento de perturbações de ansiedade e os efeitos do stress e da ansiedade nos diferentes comportamentos.
Ao longo das suas investigações Spielberger concluiu que a ansiedade deve ser vista como; um estado emocional transitório ou ainda como um traço da personalidade relativamente estável e como um processo psicológico complexo.
Para Spielberger (1975), há uma enorme confusão de conceitos relativamente à ansiedade por não ser feita a distinção entre dois tipos de ansiedade. Assim para este autor, existe uma ansiedade que se pode definir como “ansiedade estado” e que é uma reacção emocional provocada por um sentimento desagradável de tensão ou apreensão activando o sistema nervoso periférico a estímulos stressantes, dando origem a alterações do ritmo cardíaco, da pressão sanguínea, ao aumento da tensão muscular, e eventualmente, alterações da pele e a “ansiedade traço” que diz respeito às diferenças individuais
que podem indicar maior ou menor predisposição para uma reacção ansiosa a um determinado estímulo stressante.
Durante 10 anos Spielberger foi desenvolvendo um inventário de Ansiedade Estado -Traço (State-Trait Anxiety Inventory – STAI). Este inventário foi originalmente construído para investigar a ansiedade nos adultos, no entanto acabou por se revelar de grande utilidade na mensuração de ansiedade - traço nas escolas, nas universidades e em doentes neuro – psiquiátricos, médicos e cirúrgicos (Spielberger 1975).
A teoria da ansiedade nas suas dimensões, traço e estado (ansiedade traço – característica duradoura e típica que caracteriza habitualmente o indivíduo; ansiedade estado – ansiedade experienciada numa situação específica e pontual) tem sido desenvolvida por vários autores (Spielberger, 1983; Spielberger et al, 1980; Ponciano, 1980). 0s estudos têm demonstrado que as pessoas que sofrem de ansiedade traço têm mais propensão para se auto- percepcionarem de forma mais negativa, do que as pessoas que sofrem de baixa ansiedade estado. Spielberger (1983), refere igualmente que os indivíduos que sofrem de ansiedade traço respondem com níveis de ansiedade mais elevados a situações específicas vivenciadas na vida quotidiana.
Esta problemática é hoje muito frequentemente sentida na nossa sociedade pelos sujeitos em geral e pelos professores em particular. Todos nós ouvimos frequentemente, queixas de professores sobre o seu estado físico e emocional que apontam claramente a existência de transtorno de ansiedade. Podemos dizer, de forma empírica que, dos professores com quem contactamos no nosso dia a dia, poucos são os que nunca tomaram ansiolíticos e, um número considerável desses mesmos professores já tomou ou ainda toma anti depressivos.
Podemos considerar (tal como também referem alguns investigadores destas matérias) que a situação é preocupante pois ela é reveladora de que algo não vai lá muito bem com a saúde mental dos docentes
Para uma breve abordagem desta temática, recorreremos à classificação da DSM-IV (p.403). Segundo este manual diagnóstico, dentro das perturbações de ansiedade encontramos:
Fobias; Perturbações de Pânico; Perturbações de Ansiedade generalizada; Perturbações Obsessivo – Compulsiva; Perturbações Pós-Traumático.
Faremos apenas uma abordagem à Fobias, Perturbações de Pânico e Perturbações da Ansiedade Generalizada por nos parecer serem estas as que mais afectam os profissionais de ajuda entre os quais se encontram os professores.
2.3.3 - Fobias
Para alguns autores, quer a Fobia Social, quer as Perturbações de Pânico, frequentemente estão associadas a uma depressão. Também o DSM-IV refere que com muita frequência um Distúrbio Depressivo coexiste com o Transtorno de Pânico,”A Perturbação Depressiva Major ocorre frequentemente em sujeitos com
Perturbação de Pânico (50%-65%). Em aproximadamente um terço dos sujeitos com ambas as perturbações, a depressão precede o início da Perturbação de Pânico. Nos restantes dois terços, a depressão ocorre simultaneamente ou a seguir ao inicio da Perturbação de Pânico” (p.408).
Em alguns estudos feitos e também segundo o nosso conhecimento empírico, tanto a Fobia Social como as Perturbações de Pânico são altamente perturbadoras e causadoras de grande sofrimento, tornando-se em muitos casos incapacitante, tendo em conta a intensidade dos sintomas que levam as pessoas a desenvolver medos irracionais que, por vezes, as impossibilitam de desenvolver as suas actividades profissionais e pessoais, remetendo-as frequentemente ao isolamento, tornando-as incapazes de agirem de forma autónoma.
Muito embora a Fobia Social e as Perturbações de Pânico se façam sentir de modos diferentes, os seus efeitos nefastos são idênticos. A Fobia social caracteriza-se pelo medo persistente de contactos sociais ou de actuações em público, por se temer que essas situações resultem embaraçosas. Quando o sujeito é exposto a esses estímulos, quase sempre é acometido por uma imediata resposta de ansiedade juntamente com sintomas autonómicos (do sistema
nervoso autónomo, como palpitações, rubor, sudorese, etc.), o que, normalmente faz com que essas situações sejam evitadas. (Ballone 2002).
Citando a DSM-IV, (p.424) “as características associadas à Fobia Social
incluem a hipersensibilidade à crítica negativa; avaliação negativa ou rejeição; dificuldades em ser afirmativo; e baixa auto-estima ou sentimentos de inferioridade. Os sujeitos com Fobia Social temem de igual modo, frequentemente, a avaliação indirecta de outros…. A Fobia Social pode estar associada com a Perturbação de Pânico com Agorafobia, Agorafobia sem história de Perturbação de Pânico, Perturbação Obsessivo – Compulsiva, Perturbações de Humor, Perturbações Relacionadas com Substâncias e Perturbação de Somatização e habitualmente precede estas perturbações”.
Assim, podemos constatar que a Fobia Social não surge, normalmente, isolada de outras perturbações, daí que consideremos importante referi-la, pelas implicações que tem na vida pessoal e profissional do sujeito.