CAPÍTULO II TORÁ: A INSTRUÇÃO QUE DURA PARA SEMPRE
XX- A ARMADURA DE ELOHIM E A BATALHA ESPIRITUAL
Sha’ul (Paulo) fala de uma batalha espiritual que não está sendo travada “contra a carne e sangue” (ou seja, seres humanos), mas sim contra “principados e potestades” (demônios) nas regiões celestiais. Para lutarmos contra estes espíritos malignos, Sha’ul recomenda que nos equipemos com a “Armadura de Elohim”:
“Revesti-vos de toda a armadura de Elohim, para que possais estar firmes contra as astutas ciladas de HaSatan [Satanás]. Porque não temos que lutar contra a carne e o sangue, mas, sim, contra os principados, contra as potestades, contra os príncipes
das trevas deste século, contra as hostes espirituais da maldade,
nos lugares celestiais.
Portanto, tomai toda a armadura de Elohim, para que possais resistir no dia mau e, havendo feito tudo, ficar firmes.
Estai, pois, firmes, tendo cingidos os vossos lombos com a
verdade, e vestida a couraça da justiça;
E calçados os pés na preparação da mensagem de shalom [paz]; Tomando sobretudo o escudo da fé, com o qual podereis apagar todos os dardos inflamados do maligno.
Tomai também o capacete da salvação, e a espada da Ruach
[Espírito], que é a palavra de Elohim;
Orando em todo o tempo com toda a oração e súplica no
Espírito...” (Efessayah/Efésios 6:11-18)
Teólogos cristãos desavisados pensam que Sha’ul escreveu este texto baseado na imagem da armadura do soldado romano. Na realidade, a armadura descrita por Sha’ul é a armadura do soldado israelita, composta de várias partes, já narradas nas Primeiras Escrituras:
“Tomará a armadura de seu ciumento ardor, armará a criação para vingar os inimigos;
vestirá a couraça da justiça, cingirá o capacete do julgamento insubornável;
afiará a espada de sua ira implacável; a seu lado, contra os insensatos, pelejará o universo.” (Chochmat Shlomoh/Sabedoria de Salomão 5:17-20)
“Vestiu-se de justiça, como de uma couraça, e pôs o capacete
da salvação na cabeça; pôs sobre si a vestidura da vingança e se
cobriu de zelo, como de um manto.” (Yeshayahu/Isaías 59:17). “A justiça será o cinto dos seus lombos, e a fidelidade, o cinto
dos seus rins.” (Yeshayahu/Isaías 11:5).
“Como são belos, sobre os montes, os pés do mensageiro que
anuncia shalom [paz], do que proclama boas novas e anuncia a
salvação...” (Yeshayahu/Isaías 52:7)
Comparemos a armadura de Elohim descrita por Sha’ul (Paulo) com a armadura israelita retratada nas Primeiras Escrituras:
EFÉSIOS 6 PRIMEIRAS ESCRITURAS
ARMADURA DE ELOHIM “Tomará a armadura de seu ciumento ardor...” (Chochmat Shlomoh/Sabedoria de Salomão 5:17)
Partes componentes da Armadura Partes componentes da Armadura
CINTO DA VERDADE (Ef 6:14) “A justiça será o cinto dos seus lombos...” (Is 11:5).
COURAÇA DA JUSTIÇA (Ef 6:14) “vestirá a couraça da justiça...” (Chochmat Shlomoh/Sabedoria de Salomão 5:17). CALÇADOS (ou Sandálias) DA PAZ
(Ef 6:15)
“Como são belos, sobre os montes, os pés do mensageiro que anuncia shalom [paz]...” (Is 52:7).
ESCUDO DA FÉ (Ef 6:16) “usará o escudo da invencível santidade...”.
(Chochmat Shlomoh/Sabedoria de Salomão 5:19).
CAPACETE DA SALVAÇÃO (Ef 6:17) “... pôs o capacete da salvação na cabeça...” (Is 59:17).
ESPADA DO ESPÍRITO, QUE É A PALAVRA DE ELOHIM (Ef 6:17)
“afiará a espada de sua ira implacável...” (Chochmat Shlomoh/Sabedoria de
Salomão 5:20).
Analisemos a Armadura de Elohim e cada um de seus componentes (deixaremos o “cinto da verdade” para o final).
a) A armadura de Elohim
Lendo todo o contexto do capítulo 5 do Livro de Sabedoria de Salomão, detecta-se que a armadura é colocada nos justos, que passam a receber a proteção do ETERNO. Ao abordar este tema, Sha’ul (Paulo) escreve que a armadura de Elohim foi dada para os crentes em Yeshua (justos) para combater as astutas ciladas de HaSatan (Satanás).
À luz das Escrituras, o que é ser justo? Justo é aquele que tem prazer e que anda de acordo com Torá de YHWH (Sl 1:1-2;112:1 e 119:1, 44, 72, 75, 77, 92, 97, 105, 106, 113, 121, 127, 128, dentre outros).
Consequentemente, aqueles que observam a Torá e têm o testemunho de Yeshua passam a ser odiados por HaSatan: “O dragão irou-se contra a mulher e saiu para lutar contra o resto de seus filhos, aqueles que obedecem aos mandamentos de Elohim [a Torá] e dão o testemunho de Yeshua” (Ap 12:17). Daí, para combater a ira do Adversário e travar a batalha no campo espiritual, os discípulos de Yeshua recebem a “Armadura de Elohim” (Ef 6), que é a proteção do ETERNO para aqueles que obedecem a seus mandamentos. Esta é a ideia que Sha’ul quis transmitir.
b) A couraça da justiça
Shlomoh (Salomão) dissertou que os justos seriam vestidos com a “couraça da justiça” (5:18), e Sha’ul (Paulo) também mencionou esta mesma “couraça da justiça” (Ef 5:14).
O que é justiça? YHWH é justo e os mandamentos de sua Torá são a justiça (Sl 119: 164, 165, 137-142; Sl 129:4).
Em decorrência, a “couraça da justiça” significa a Torá!!! Sha’ul está lecionando o seguinte: “vistam-se com as vestes da Torá para combater HaSatan”. Imperioso lembrar: guardar a Torá quer dizer abandonar o pecado, já que este é a violação dos mandamentos de YHWH. Quanto menor o nível de pecado na vida do ser humano, maior será a comunhão com o ETERNO, e mais distante estará o homem de HaSatan.
c) Calçados da shalom (paz)
Yeshua é a nossa paz/shalom (Jo 14:27, 16:33; Ef 2:14). Para o homem resistir ao pecado proposto por HaSatan, necessita de Yeshua. Não há comunhão com YHWH sem Yeshua.
Já ouvimos líderes do Judaísmo Messiânico afirmando que o judeu que cumpre a Torá, mas nega Yeshua, será salvo. Esta colocação é um erro gravíssimo. Ninguém obtém a salvação sem Yeshua (Jo 5:22-24; 5:45-47; 3:16-21 e 36; 10:27-28; 11:25-26; 14:6-7; 15:5-6; 15: 23-25; 16:27; 18: 37; Lc 10:16; 12:8-9; II Co 3:14-16; I Jo 2:23, dentre tantos outros).
Logo, a batalha espiritual somente pode ser vencida com a paz (shalom) concedida por Yeshua.
d) Escudo da fé
Shlomoh (Salomão) usou a metáfora “escudo da santidade” (5:19), enquanto Sha’ul (Paulo), “escudo da fé” (Ef 6:16). No fundo, os dois conceitos estão interligados. Vejamos.
Determinou o ETERNO: “sejam santos, pois eu sou santo” (Vayikrá/Levítico 11:45). Prescreve a B’rit Chadashá: “Esforcem-se pela manutenção da shalom [paz] com todos e pela santidade, sem a qual ninguém verá o Senhor” (Ivrim/Hebreus 12:4). Santidade significa estar separado para YHWH, e distante do pecado. Santo é quem abomina o pecado, pois vive em obediência aos mandamentos da Torá do ETERNO.
Por sua vez, a palavra “fé”, em hebraico, é emuná, que tem o sentido de
crer e obedecer aos mandamentos prescritos por YHWH. Se no Cristianismo a fé é
meramente abstrata (“basta crer”), no Judaísmo bíblico a fé se traduz não apenas em uma crença, mas na prática desta por meio de ações concretas, que externam a obediência à Torá de YHWH. A fé de Avraham (Abraão) se manifestou por meio de sua conduta, consoante as palavras do ETERNO: “Tudo isto porque Avraham atentou para o que eu disse e realizou o que lhe ordenei fazer – ele seguiu minhas mitsvot [mandamentos], meus regulamentos e meus ensinos” (Bereshit/Gênesis 26:5). Este conceito de fé por meio de obras se repetiu na B’rit Chadashá: “Dessa forma, a fé por si mesma, se não for acompanhada de obras, está morta” (Ya’akov/Tiago 2:17).
Em suma, a verdadeira fé é externalizada por meio da obediência aos mandamentos de YHWH contidos na Torá, e tal obediência afasta o homem do pecado, tornando-o santo. Assim, a fé (emuná) genuína leva à santidade. É por isto que Sha’ul (Paulo) fala do “escudo da fé” e Shlomoh do “escudo da santidade”. São duas faces da mesma moeda. E por que a fé e a santidade são retratadas como um escudo contra HaSatan?
Porque HaSatan somente tem legalidade para lançar maldições aos desobedientes (Dt 28:1-14), nada podendo fazer contra os obedientes, que vivem debaixo das bençãos de YHWH (Dt 28:15-68). Logo, a fé e a santidade protegem o homem das maldições planejadas pelo inimigo, atuando como autêntico escudo.
e) Capacete de Salvação
Sha’ul (Paulo) e Yeshayahu (Isaías) mencionam o capacete da salvação na cabeça (Ef 6:17 e Is 59:17). A mente (cabeça) é a sede dos pensamentos, da vontade e das emoções do ser humano; e é na mente que HaSatan atua para covencer o homem a pecar, tal como o fez com Adam (Adão) e Havá (Eva) em Bereshit/Gênesis 3.
O Príncipe das Trevas é especialista em instigar e induzir o homem a pensar que sua conduta não é pecaminosa, e toda investida do Adversário começa na mente (cabeça). Nas Escrituras, a mente é chamada de “coração”, e é um ponto sensível às investidas do Maligno:
“Enganoso é o coração, mais do que todas as coisas, e perverso;
quem o poderá conhecer?” (Jr 17:9).
“Sobre tudo o que se deve guardar, guarda o teu coração, porque dele procedem as fontes da vida” (Pv 4:23).
Guardar o coração denota proteger a mente (cabeça) das astutas ciladas de HaSatan, que fará de tudo para transformar a verdade em mentira. Por exemplo, durante dois mil anos o Cristianismo propaga mentiras criadas por Satanás, e a maioria dos cristãos acredita no engano. Até mesmo cristãos sinceros e honestos foram convencidos pelas seguintes mentiras do Adversário: a) “Jesus criou uma nova religião, o Cristianismo”; b) “o Papa é o representante de Deus na terra”; c) “a salvação depende de Jesus mediante a aprovação da Virgem Maria”; d) “Deus se alegra com a adoração dos santos católicos”; e) “o domingo substituiu o sábado”; f) “o Novo Testamento substituiu o Antigo Testamento”; f) “a Lei foi abolida por Cristo”, etc.
Os conceitos falsos semeados por HaSatan são instalados na mente e passam a ser considerados dogmas pela Igreja Cristã, e ninguém pode contestá-los, sob pena de serem considerados hereges. As mentiras são tantas que, em muitos casos, levam o homem a perder a salvação. Aliás, a tese de que “a salvação não se perde” é mentirosa, visto que as Escrituras declaram que alguém pode ter o seu nome riscado do Livro da Vida, caso não esteja vestido com roupas brancas, que simbolizam a santidade (Ap 3:5; leia também: Ez 18:24 e 26; Ez 33:13,18; Hb 10:26-31; II Pe 2:20-22; Hb 6:4-6; Is 1:27-28; Rm 11:20-22; 1 Jo 2:3-7 e 3:3-10, Ap 2:7 e 3:11; II Tm 2:21; Ex 32:33; Ez 3:20-21).
Em hebraico, a palavra “salvação” também tem a acepção de “libertação”. Por conseguinte, temos que colocar o capacete da salvação para nos libertarmos de todas as mentiras lançadas por HaSatan. Aqueles que se afundarem em suas mentiras estarão sem o capacete, recebendo um golpe mortal na cabeça, cuja consequência será a condenação do Dia do Juízo.
f) A espada da Palavra
Sha’ul discursa sobre a espada da Ruach (Espírito), explicando que se trata da Palavra de Elohim (Ef 6:17). Esta espada é descrita por Shlomoh como sendo a ira implacável de YHWH (5:20). Em Guilyana (Apocalipse), Yochanan (João) vê Yeshua com uma espada saindo de sua boca (Ap 1:16), e o Mashiach convoca os homens ao arrependimento, pois, caso contrário, irá puni-los com a espada (Ap 2:16). Deduz-se que a espada simboliza: a) a Palavra de Elohim (Ef 6:17) e b) o instrumento de punição, o juízo contra os ímpios (Ap 1:16 e 2:16 e Sb 5:20). Logo, todos os homens serão julgados de acordo com a Palavra.
Este ponto é importantíssimo, visto que a mesma Bíblia (Palavra) é interpretada de diversas maneiras, existindo mais de duas mil religiões, seitas e denominações divergentes, e todas elas juram que “seguem apenas a Bíblia”. Não existem “muitas verdades”, mas apenas 1 (uma) verdade. Com tantos grupos religiosos, quem está certo? Quem alcançou a verdade? Aliás, o que é a verdade?
g) O cinto da verdade
Propositalmente, deixamos para analisar o “cinto da verdade” por último, apesar de este ser a primeira parte da armadura descrita por Sha’ul em Efésios 6:14. É intuitivo o porquê de Sha’ul começar pelo cinto da verdade, afinal, de nada adianta a armadura para aqueles que estão na mentira; a busca pela verdade é o pressuposto indispensável para se aproximar de YHWH.
Ao discorrer sobre a armadura de Elohim, o emissário não estava abordando a armadura romana, mas sim a israelita. Usavam os guerreiros hebreus como vestuário uma espécie de saia e, antes de partirem para a batalha, prendiam um cinto na roupa e a ajustava para que ficassem com os movimentos livres durante a guerra. Logo, o cinto
da verdade (Efésios 6) faz parte da armadura a ser usada por todo israelita, crente em
Yeshua, para travar a guerra espiritual. Vejamos o significado escriturístico do cinto da
verdade.
Quando estava sendo julgado perante Pilatos, disse Yeshua:
“Você diz que sou rei. De fato, a razão do meu nascimento e da minha vinda ao mundo é testemunhar a verdade. Quem pertence à verdade ouve a minha voz.” (Yochanan/João 18: 37-38).
Então Pilatos formulou uma importante questão: “Que é a verdade?” (Yochanan/João 18:38). Vamos estudar o Tanach para acharmos a resposta à pergunta de Pilatos:
“Tua justiça é uma justiça eterna,
“Tu estás perto, YHWH,
e todas as tuas mitsvot [mandamentos] são a verdade” (Salmo
119: 151).
Assim, à luz do Tanach, a Torá e seus mandamentos são a VERDADE. Esta definição explica muitas frases da B’rit Chadashá:
“Ó insensatos gálatas! Quem vos fascinou para não obedecerdes à
verdade [ = a Torá].” (Gálatas 3:1).
“Mas quem pratica a verdade [ = a Torá] vem para a luz, a fim de que as suas obras sejam manifestas, porque são feitas em Elohim.” (Yochanan/João 3:21).
“Muito me alegro por achar que alguns de teus filhos andam na
verdade [ = Torá], assim como temos recebido o mandamento do
Pai.” (Yochanan Beit/2 João 1:4).
“Faça tudo o que puder para se apresentar a Elohim como alguém digno de aprovação, um trabalhador que não precisa se envergonhar, porque anda retamente na Palavra da Verdade [
= a Torá]. Mantenha-se, porém, distante de conversas ímpias...
Himeneu e Fileto estão entre eles; eles erraram o alvo, no que
diz respeito à verdade [ = a Torá], e estão pervertendo a fé das pessoas.” (2 Tm 2: 15-18).
A definição de “verdade” dada pelo Tanach nos dá um novo significado para as palavras de Yeshua:
“De fato, a razão do meu nascimento e da minha vinda ao mundo é testemunhar a verdade [ = Torá]. Quem pertence à verdade [ =
Torá] ouve a minha voz.” (Yochanan/João 18:37-38).
Conclui-se, pois, que Yeshua veio ao mundo para dar o testemunho da Torá. Quem ouve a Torá ouve a sua voz.
Importante registrar que Yeshua asseverou: “Eu sou o Caminho, a Verdade
e a Vida” (Yochanan/Jo 14:6). À luz das Escrituras, as palavras “Caminho” (Sl 119:1),
“Verdade” (Sl 119:142) e “Vida” (Dt 30:15-16) se referem à Torá. Então, Yeshua quis dizer: “Eu sou o Caminho (a Torá), a Verdade (a Torá) e a Vida (Torá), ou seja, eu sou
Sim, pois, com respaldo nas Escrituras, sabemos que o vocábulo “palavra do ETERNO” também significa “Torá” (Sl 119: 89-92 e 105-109). Se a Palavra do ETERNO é a Torá (instrução, ensino) e se Yeshua é a Palavra (Jo 1:1), logo, Yeshua é a Torá. Yeshua é a manifestação da Torá, a Torá Viva:
“No princípio, era a Palavra [a Torá], e a Palavra [a Torá]
estava com Elohim, e a Palavra [Torá] era Elohim...
E a Palavra [a Torá] se fez carne, e habitou entre nós, cheio de
graça e de verdade; e vimos a sua glória, como a glória do unigênito do Pai.” (Yochanan/João 1: 1 e 14).
“A Palavra [a Torá] da Vida existia desde o princípio. Nós o ouvimos, nós o vimos com nossos olhos, nós o contemplamos, e tocamos nele com nossas mãos! A vida apareceu, e nós a vimos. Testemunhamos dela e a anunciamos a vocês, a vida eterna! Ele
estava com o Pai e apareceu para nós.” (Yochanan Álef/1 João
1: 1-2).
“Depois disso, apareceu sobre a terra e no meio dos homens
conviveu. Ela é o livro dos preceitos de Elohim, a Torá que subsiste para sempre” (profecia de que o Mashiach seria a
encarnação ou manifestação da Torá, em Baruch 3:38 e 4:1) “ [Yeshua] Está vestido com um manto tingido de sangue, e o seu
nome é ‘A PALAVRA [A TORÁ] DE ELOHIM’.” (Ap 19:13).
Com alicerce nas Escrituras Sagradas, conclui-se facilmente que: 1) a Torá é a Verdade; 2) Yeshua é a Verdade; 3) logo, Yeshua é a Torá. Infere-se daí que Yeshua veio para testemunhar a Torá, que é a Verdade.
Isto nos leva a outra importante lição do Mashiach:
“Yeshua dizia, pois, aos judeus que criam nele: Se vós permanecerdes na minha palavra, verdadeiramente, sereis meus discípulos e conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará.” (João 8: 31-32).
No texto acima, percebe-se que Yeshua está ensinando que a Torá, que é a verdade, tem por objetivo libertar o homem do pecado, tornando-o livre.
Aliás, no texto de Êxodo 32:16, originalmente consta a palavra “cherut” (liberdade) e não “charut” (esculpida), conforme atestam os Manuscritos do Mar Morto. Assim, eis a tradução correta de Êxodo 32:16:
“E aquelas tábuas eram obra de Elohim; também a escritura era a mesma escritura de Elohim, liberdade em tábuas”.
Vejam que fantástico: o ETERNO entregou a Moshé (Moisés) duas tábuas contendo as asseret hadibrot (“Dez Palavras” ou “Dez Mandamentos”) e chama expressamente os mandamentos de liberdade em tábuas. Ou seja, desde a entrega da Torá no Monte Sinai, os hebreus enxergavam a Torá como um instrumento de liberdade, e não como um jugo, como ensinam incorretamente os cristãos. Por tal razão, consta dos Manuscritos do Mar Morto o seguinte texto:
“A Torá de Elohim, escrita por Elohim, é liberdade em
tábuas”.
Sabendo deste conceito, isto é, que a Torá é a verdade e tem por finalidade conferir liberdade ao homem, Ya’akov (Tiago) se valeu deste pensamento em dois momentos em sua Escritura:
“... a Torá perfeita da liberdade.” (Ya’akov/Tiago 1: 25)
“Assim falai e assim procedei, como devendo ser julgado pela
Torá da liberdade.” (Ya’akov/Tiago 2:12).
Voltemos à questão inicial: as Escrituras definem claramente e sem sombra de dúvida que a verdade é a Torá!
Sha’ul, entretanto, fala que os homens “transformaram a verdade de
Elohim em mentira” (Rm 1:25). Assim, se o Mashiach veio para ser testemunha da
verdade (a Torá), HaSatan (Satanás) será testemunha de quê? As Escrituras respondem:
“Desde o princípio, ele [HaSatan] foi um assassino e nunca se
apegou à verdade, porque não há verdade nele. Quando mente,
fala de seu caráter, porque é mentiroso e, de fato, o pai da
mentira.” (João 8:44).
“HaSatan, o enganador do mundo todo.” (Ap 12:9).
Quando HaSatan fala mentira, ele está falando sua própria linguagem. Se a Torá é a verdade, o que é a mentira de HaSatan? Sua mentira consiste em afirmar que a
Torá foi anulada, revogada, destruída e que não existe mais. Existe uma palavra grega para este ensino maligno, que se chama ANOMOS (Strong nº 459).
ANOMOS vem de um prefixo grego “A” (significa “sem”, “não há” ou “contrário à”) e do vocábulo NOMOS (significa “Torá” ou “Lei”). Consequentemente,
ANOMOS pode ser traduzido como “sem Torá”, “não há Torá” ou “contrário à Torá”.
Enquanto Yeshua HaMashiach veio para ser testemunha da Torá, HaSatan veio para testemunhar o ANOMOS (“contrário à Torá” ou “inimigo da Torá”). Disse o Mashiach que quem ensinasse contra a Torá seria chamado de “último” no Reino (Mt 5:19).
Existem dois livros da B’rit Chadashá que são dedicados a combater o ensinamento do ANOMOS (Kefá Beit/2ª Pedro e Yehudá/Judas).
Vejamos alguns textos bíblicos em que consta o termo ANOMOS nos Manuscritos em grego:
“Então eu [Yeshua] lhes direi abertamente na cara: ‘Nunca vos
conheci! Apartai-vos de mim, vós que praticais ANOMOS [obras contrárias à Torá].” (Mt 7:23)
“O Filho do Homem enviará seus anjos, e eles tirarão do seu Reino tudo o que faz pecar e aqueles que fazem ANOMOS
[obras contrárias à Torá].” (Mt 13:41)
“aparecerão vários falsos profetas e enganarão muitas pessoas. E, por se multiplicar ANOMOS [“ o que é contrário à Torá”], o amor de muitos esfriará.” (Mt 24:11-12).
Interessante observar que o texto que fala sobre a vinda do AntiMashiach
(”o Anticristo”) declara que ele é o próprio ANOMOS (“contrário à Torá”, “inimigo
da Torá”):
“Porque já se opera o mistério do ANOMOS...
E, então, será revelado o ANOMOS [“o inimigo da Torá”], a quem o Senhor desfará pelo assopro da sua boca e aniquilará pelo esplendor de sua vinda. A esse cuja vinda é segundo a eficácia de
HASATAN, com todo o poder, e sinais, e prodígios de MENTIRA, e com todo o engano da injustiça para os que perecem, porque não receberam o amor da VERDADE para se salvarem. E, por isso, Elohim lhes enviará a operação do erro,
que não creram na VERDADE [a Torá]; antes, tiveram prazer na injustiça.” (2 Ts 2:7-12).
Conclusão: o ANOMOS (inimigo da Torá) é HaSatan. Quem defende que “a Lei não vale mais” está propagando uma mentira inventada pelo Adversário! Como está escrito no texto acima de 2ª Tessalonicenses, aqueles que não creram na verdade (a Torá) e aceitaram o ensino do ANOMOS (HaSatan) serão julgados. Este é o grande problema do Cristianismo: expande o ensino de HaSatan de que a “Lei foi abolida”.
De fato, muitas pessoas têm recebido o ensino do ANOMOS (HaSatan). No Cristianismo, existem dois grandes grupos teológicos que são defensores do ANOMOS: o Dispensacionalismo e a Teologia da Substituição. Estes afirmam que a Torá não é mais válida para os dias de hoje.
Ensina o Dispensacionalismo que a “aliança eterna” de Elohim foi substituída por “Eras”. Existiram basicamente duas grandes “Eras”: a “Era da Torá/Era da Lei”, que compreenderia basicamente os “tempos do Antigo Testamento”, e a “Era da Graça”, que teria sido inaugurada no tempo do “Novo Testamento”, isto é, com a vinda de Yeshua. De acordo com os Dispensacionalistas, durante a “Era do Antigo Testamento” o homem estava “debaixo da lei”, e durante a “Era do Novo Testamento” o homem passou a ficar “debaixo da graça”. Alguns Dispensacionalistas, chamados “Ultra-Dispensacionalistas”, lecionam que na “Era do Antigo Testamento” o homem era salvo pela Lei, porém, com o advento da “Era do Novo Testamento”, passou a ser salvo pela Graça. Por tais motivos, os Dispensacionalistas propagam o falso ensino de que “não existe mais Torá” e “a Torá não é mais válida nos dias de hoje”.
A Teologia da Substituição afirma que o ETERNO substituiu Israel pela Igreja, o Judaísmo pelo Cristianismo, o Antigo Testamento pelo Novo Testamento, e a Lei pela Graça. Disto resulta que também defende os falsos ensinos de que “não existe mais Torá” e “a Torá não é vigente nos dias de hoje”.
Você, caro leitor, poderá estar se indagando: “Tudo bem, eles ensinam que a Torá não é mais válida, porém, não chegarão a tal ponto de ensinar que a imoralidade sexual é aceitável. Quem ensina contra a Torá dentro de uma Igreja nunca usaria a expressão ‘a Lei foi anulada’ para promover a imoralidade sexual”. Errado!
Muitos pastores e teólogos cristãos ensinam que a imoralidade sexual não é pecado, porque a Lei foi abolida. O falso raciocínio deles é o seguinte: “a Torá proíbe o homossexualismo. A Torá foi abolida. Logo, o homossexualismo deixou de ser pecado”. Vejamos um texto que defende este ensino maligno:
“No Antigo Testamento, a aliança de Deus com o povo de Israel dependia do cumprimento da lei mosaica, que compõem os cinco primeiros livros da Bíblia chamado Pentateuco, e que
posteriormente foi compilado pelo filósofo judeu Maimônides em seiscentos e treze mandamentos.