4.5 A Auditoria Interna nos Hospitais EPE
4.5.2 A Auditoria Interna e o Controlo Interno no SNS
O Serviço de Auditoria Interna (SAI) foi criado pelo Decreto-Lei nº 244/2012, de 9 de novembro, sendo que até então, a função de Auditoria Interna em qualquer Hospital EPE regia-se pelo artigo 17º - Auditor Interno, do anexo II do Decreto-Lei nº 233/2005 de 29 de dezembro. Atualmente, no âmbito da sua atividade, o SAI colabora com a Administração Central do Sistema de Saúde (ACSS) e a Inspeção Geral das Atividades de Saúde (IGAS).
O SAI conjuntamente com todos os serviços de um Hospital,EPE deve melhorar de forma contínua a sua performance e monitorizar os seus planos de ação, de modo a contribuir para: a eficiência e eficácia das operações e processos, para a confiança e integridade da informação financeira e operacional, para a salvaguarda dos ativos e por último para a conformidade com a legislação, regulamentos e contratos.
No sentido de obter dados e informação adequada para o desenvolvimento do seu trabalho, o SAI tem acesso livre a registos, documentação, computadores, instalações e pessoal do Hospital, com exceção dos registos clínicos individuais dos utentes.
Segundo o artigo 17º da secção III do DL nº 233/2005 de 29 de dezembro, competia ao auditor interno a avaliação dos processos de controlo interno e de gestão de riscos, nos domínios contabilístico, financeiro, operacional, informático e de recursos humanos, contribuindo para o seu aperfeiçoamento contínuo. De um modo mais concreto, ao auditor interno competia:
a) Fornecer ao conselho de administração análises e recomendações sobre as atividades revistas para melhoria do funcionamento dos serviços;
b) Receber as comunicações de irregularidades sobre a organização e funcionamento do hospital EPE apresentadas pelos demais órgãos estatutários, trabalhadores, colaboradores, utentes e cidadãos em geral;
c) Elaborar o plano anual de auditoria interna;
d) Elaborar anualmente um relatório sobre a atividade desenvolvida, em que se refiram os controlos efetuados, as anomalias detetadas e as medidas corretivas a adotar.
Em 2017, o Serviço de Auditoria Interna passou a reger-se pelo artigo 19º do Anexo II do Decreto-Lei nº18/2017 de 10 de fevereiro, diploma que aborda os estatutos dos Hospitais, Centros Hospitalares e Institutos Portugueses de Oncologia EPE. O SAI possui ainda objetivos de reporte e de conformidade:
Elaborar o plano de gestão de riscos de corrupção e infrações conexas e os respetivos relatórios anuis de execução – artigo 19º, nº2 alínea e) e nº13 do DL supra citado;
Relatórios de Execução Financeira Trimestral – Circular Normativa 20/2016 da ACSS sobre a operacionalização do Despacho nº 7709-B/2016 de 9 de junho;
Reporte de informação relativa às ações de controlo interno desenvolvidas semestralmente – Instrução nº1/2016 da IGAS;
Reporte de informação relativa ao plano anual de auditoria interna – Instrução nº1/2016 da IGAS;
A direção do serviço de auditoria interna compete a um auditor interno que exerce as respetivas funções pelo período de cinco anos, renovável por iguais períodos, até ao limite máximo de três renovações consecutivas ou interpoladas, segundo o artigo 17º do DL nº 233/2005 de 29 de Dezembro. Contudo, foi efetuada atualização deste ponto, sendo que o artigo 19º nº 3 do Anexo II do DL nº18/2017 de 10 de fevereiro, que altera o DL 233/2005, menciona que o auditor interno passou a poder exercer as suas funções apenas pelo período de três anos, renovável por iguais períodos até ao limite máximo de três renovações consecutivas ou interpoladas.
O auditor interno é recrutado pelo conselho de administração e deve reunir os seguintes requisitos: qualificação técnica, competências e experiência em auditoria e inscrição no organismo nacional que regula a atividade de auditoria interna, o IPAI, exercendo as suas funções a tempo inteiro, de acordo com as normas internacionais para a prática profissional de auditoria interna e gestão de riscos. O plano anual de auditoria e o relatório anual de auditoria são aprovados e submetidos pelo Conselho de Administração à ACSS, à Direção-Geral do Tesouro e Finanças (DGTF), à Inspeção Geral de Finanças (IGF) e à IGAS, assim como também é comunicado às mesmas entidades a identidade do auditor interno e as datas de início e fim de funções.
De acordo com o artigo 17º do Capítulo II do anexo II, ao DL nº 233/2005 de 29 de dezembro, alterado e republicado pelo Decreto-Lei nº 12/2015 de 26 de janeiro, o Hospital, EPE dispõe de um sistema de controlo interno e de comunicação de irregularidades, competindo ao Conselho de Administração assegurar a sua implementação e manutenção e ao SAI a responsabilidade pela sua avaliação. O sistema de controlo interno compreende o conjunto de estratégias, políticas, processos, regras e procedimentos estabelecidos no Hospital, EPE com vista a garantir:
Um desempenho eficiente da atividade que assegure a utilização eficaz dos ativos e recursos, a continuidade, segurança e qualidade da prestação de cuidados de saúde, através de uma adequada gestão e controlo dos riscos da atividade, da prudente e correta avaliação dos ativos e responsabilidades, bem como da definição de mecanismos de prevenção e de proteção do serviço público contra atuações danosas;
A existência de informação financeira e de gestão que suporte as tomadas de decisão e os processos de controlo, tanto no nível interno como no externo;
O respeito pelas disposições legais e regularmente aplicáveis, bem como pelas normas profissionais e deontológicas aplicáveis, pelas regras internas e estatutárias, regras de conduta e de relacionamento, orientações tutelares e recomendações aplicáveis de entidades externas como o Tribunal de Contas.
De forma a serem uniformizados os trabalhos de Auditoria Interna dentro dos Hospitais EPE e outras unidades de saúde, em 2007 foi criado pela ACSS um Manual Padrão de Auditoria Interna, incidindo sobre os princípios, conceitos e técnicas de trabalho com exemplos de documentos, assim como questionários de controlo interno e programas de trabalho estandardizados, tendo como objetivo principal promover a implementação da AI como função de apoio à Administração e à Organização em geral.
O auditor interno tem vindo a demonstrar um papel importante no apoio à boa gestão e ao funcionamento eficiente e adequado do sistema de controlo interno, na medida em que atua como um elemento externo à Organização, identificando pontos fracos, aspetos a melhorar ou a corrigir no sentido da melhoria contínua.