3.2 Fases do Processo de Auditoria
3.2.2 Execução
De acordo com a GI - 2310 do IIA: Identificação da informação, na fase de execução da auditoria, os auditores internos utilizam procedimentos de auditoria ao procurar, identificar e examinar a informação. A informação deve ser suficiente18, fidedigna19, relevante20 e útil21 para cumprir os objetivos do trabalho de auditoria.
(Morais & Martins, 2013), defendem que o auditor interno tem necessidade de fazer deslocações, observações, reuniões, recolha documental a fim de conhecer bem a entidade ou a área sujeita a auditoria. Com a deslocação ao local, o auditor pretende conhecer as pessoas, a natureza das operações e procedimentos de trabalho, o ambiente de trabalho ou a interligação com outras áreas da Organização, entre outros. A primeira reunião deve ser com o responsável do serviço sujeito a auditoria e no local a auditar. (Pires, 2010) refere que “(…)a fase de execução da auditoria constitui o core da
auditoria, uma vez que é nesta fase que se efetuam todos os tipos de testes aos controlos internos da área sujeita a auditoria, para assim se poderem retirar informações suficientes que permitam retirar elações sobre o funcionamento global do sistema de controlo interno da entidade ou de uma determinada área ou processo especifico. É também nesta fase que se detetam alguns tipos de risco, ao ser feita a análise dos controlos existentes e quais as consequências da sua não aplicação ou das falhas dos mesmos.”
Para (Morais & Martins, 2013) “ Uma forma (…) de o auditor obter informação acerca
do funcionamento do controlo interno da entidade é efetuar indagações, observações, leitura dos manuais de controlo interno, de procedimentos, de instruções internas e informações similares, dialogando também com os responsáveis de certas áreas da entidade.”
Nesta fase os auditores internos procedem à elaboração dos papéis de trabalho, que devem evidenciar a informação obtida, as análises efetuadas e suportar as conclusões e recomendações a relatar. Os objetivos dos papéis de trabalho, segundo (Morais & Martins , 2013) são:
18 Informação suficiente é adequada e convincente no sentido de que uma pessoa informada e prudente
chegaria às mesmas conclusões a que o auditor chegou, de acordo com a GI 2310.
19
Informação fidedigna é a informação que é considerada de confiança e a melhor informação possível de ser obtida através de técnicas de auditoria apropriadas, de acordo com a GI 2310.
20 Informação relevante suporta as conclusões e recomendações do auditor, de acordo com a GI 2310. 21 Informação útil é obtida pelo auditor e ajuda a Organização a atingir os seus objetivos, de cordo com a
Confirmar e apoiar as opiniões e os relatórios do auditor; Aumentar a eficácia e eficiência da auditoria;
Ajudar no planeamento, execução e supervisão das auditorias;
Conservar a prova do trabalho realizado e servir de suporte a trabalhos futuros;
Dispor de informações para a preparação dos relatórios e responder a questões da entidade auditada ou de outras partes interessadas;
Provar que o auditor cumpriu as normas de auditoria;
Servir de suporte para processos judiciais, reclamações de seguros e casos de fraude;
Facilitar as revisões por terceiros.
Os papéis de trabalho podem incluir de acordo com (Morais & Martins, 2013): Documentos de planeamento e programas de auditoria;
Questionários de controlo, fluxogramas, listas de verificação; Cópias de contratos e acordos importantes;
Notas e registos resultantes de entrevistas; Resultados de avaliações dos controlos;
Fornecer uma base para avaliar o programa de controlo de qualidade da atividade de auditoria interna;
Organigramas e descrições de postos de trabalho.
Os documentos de trabalho são guardados em dois tipos de dossiês:
Dossiê permanente - engloba todas as informações que o auditor interno considera importantes para consultar na auditoria que está a decorrer e em auditorias futuras.
Dossiê corrente - contém as informações específicas para a auditora que está a decorrer.
Os documentos de trabalho de auditoria são mantidos sob controlo da auditoria interna, acessíveis somente a pessoal autorizado e sujeitos aos mais exigentes critérios de confidencialidade.
O dossiê permanente inclui por norma os seguintes elementos, entre outros:
Cópia de documentos legais e regulamentares que regem a atividade da Organização;
Cópias de contratos, acordos, atas e outros documentos importantes;
Aspetos importantes ocorridos em cada auditoria e registo das decisões tomadas e a sua justificação.
Por sua vez o dossiê corrente inclui entre outros, os seguintes elementos: Lista de procedimentos aplicados em auditorias anteriores; Análise dos riscos de auditoria e a sua atualização;
Apreciação do trabalho e dos resultados de auditorias anteriores (internas ou externas) sobre a mesma realidade;
Planeamento e programas de auditoria;
Registo da natureza e extensão dos procedimentos de auditora realizados e dos respetivos resultados;
Correspondência ou notas respeitantes a assuntos comunicados ou debatidos no âmbito da auditoria realizada;
Cópia das demonstrações financeiras caso sejam objeto de auditoria; Cópia dos relatórios emitidos pelo auditor.
No caso de auditorias recorrentes, alguns dos documentos de trabalho classificados como de arquivo corrente podem passar a arquivo permanente, devendo neste caso ser mantidos de forma atualizada.
Conclui-se que os papéis de trabalho devem explicitar as ações desenvolvidas e comprovar os factos relatados, devendo fundamentar as observações e as recomendações servindo para fornecer o suporte principal para o relatório de auditoria.Os documentos de trabalho podem estar suportados em papéis e/ou em tecnologias informáticas contendo registos e componentes digitalizados, consoante a natureza, o objetivo e o âmbito da auditoria e os recursos informáticos utilizados.
3.2.2.1 Testes de auditoria
Os procedimentos de auditoria são tarefas que os auditores executam com o objetivo de obterem as provas necessárias para a emissão do seu parecer no relatório final. A determinação da natureza e extensão dos procedimentos de auditoria compreende a
selecção da quantidade e qualidade dos procedimentos a executar e a combinação adequada dos vários tipos de testes/procedimentos: testes aos controlos e testes substantivos. Estando na posse de prova suficiente e adequada, o auditor interno está em condições de elaborar as conclusões e recomendações a apresentar no relatório. São identificados no quadro 3.1 alguns tipos de prova mais e menos credível:
Quadro 3.1 – Tipos de Prova
Mais credível Menos Credível
Documentadas.
Opiniões de especialistas ou de profissionais informados.
De sistemas com um bom controlo interno.
Confirmadas.
Independentes da opinião do auditor.
Simples opiniões.
Opiniões deficientemente fundamentadas.
De sistemas com um fraco controlo interno.
Não confirmadas.
Influenciadas pelo auditor. Fonte: Morais & Martins (2013)
Os testes ao controlo são utilizados para determinar se os procedimentos internos instituídos pela Organização estão a ser cumpridos pelos seus colaboradores. São executados para obter prova de auditoria relativamente à eficácia:
Da conceção do sistema de controlo interno:
Os testes de controlo focados na eficácia da conceção dos controlos têm como objetivo avaliar se estes estão ou não adequadamente concebidos, para detetar distorções materialmente relevantes.
Do funcionamento dos controlos internos durante o período em análise:
Os testes de controlo dirigidos à eficácia do funcionamento dos controlos têm como propósito avaliar a forma, a consistência e quem aplicou os controlos durante o período de auditoria.
Mesmo que alguns dos procedimentos levados a efeito para obter a compreensão do controlo interno possam não ter sido planeados como testes de controlo, eles podem proporcionar prova de auditoria sobre a eficácia da conceção e funcionamento dos controlos internos relevantes para determinadas asserções e consequentemente servir como testes de controlo.
Os testes substantivos são utilizados para obter provas suficientes e convincentes sobre as transações ou asserções, que lhe proporcionem fundamentação para a sua opinião sobre determinados factos. No caso de serem auditadas transacções, os objetivos fundamentais dos testes substantivos são a confirmação de:
Existência real: as transacções registadas realmente ocorreram; Integridade: não existem transações por registar;
Avaliação e aferição: os itens que compõem determinada transacção foram corretamente avaliados e aferidos;
Partes interessadas: os interessados num determinado registo obtiveram as informações na sua totalidade.
Divulgação: as transações foram corretamente divulgadas.
Para a obtenção de prova de auditoria deverão ser executados testes de auditoria, devendo o auditor adotar entre outros, os seguintes procedimentos:
Inspeção de registos ou documentos - consiste em examinar registos ou documentos, internos ou externos, em forma de papel, electrónica ou outra.
Observação - consiste em olhar para um processo ou procedimento que está a ser desempenhado pelos colaboradores que diz respeito à área auditada. A observação é uma prova de auditoria limitada ao momento no qual a observação tem lugar, pois o facto de o colaborador ser observado pode afetar a forma como o processo ou procedimento é executado.
Inquérito - consiste em obter informação de pessoas conhecedoras, podendo ser de forma formal ou informal. Nalguns casos, as respostas podem proporcionar um fundamento para o auditor modificar ou executar procedimentos adicionais de auditoria.
Confirmação - é o processo de obter uma declaração de informação ou de uma condição existente, sendo usada frequentemente em relação a saldos de contas e aos seus componentes.
Reexecução - consiste na verificação do rigor de documentos ou de registos, é a execução independente de procedimentos ou controlos do auditor, quer manualmente, quer por intermédio do uso de técnicas de auditoria com recurso à informática.
Procedimentos analíticos na revisão das demonstrações financeiras - consistem na avaliação da informação financeira, feita por relacionamentos plausíveis entre dados financeiros e não financeiros.
É através da correta aplicação deste tipo de testes substantivos que o auditor obtém evidências sobre os saldos/transações ou asserções apresentadas pela Organização. Como grande parte do trabalho do auditor concretiza-se na obtenção e avaliação de evidências que suportem a sua opinião, o auditor pode usar de forma isolada ou combinada os vários tipos de procedimentos de auditoria: inspecção, observação, inquérito, confirmação, repetição das operações e procedimentos analíticos.
Sendo o objetivo principal do auditor no que respeita à qualidade do seu trabalho, reduzir ao mínimo possível a possibilidade da sua opinião não ser consistente com a realidade que pretende certificar, os procedimentos analíticos podem ser fonte direta de prova de auditoria e ajudam a reduzir o risco atribuível a uma qualquer auditoria assim como a quantidade de outros testes substantivos a executar.
Os procedimentos analíticos são fundamentais em todas as fases de um processo de auditoria, desde o seu planeamento até à revisão final antes da emissão da última versão do relatório. Sempre que forem utilizados numa fase intercalar da auditoria, o auditor pode ter que realizar procedimentos analíticos adicionais ou combinados com testes de controlo para poder aplicar as conclusões dessa fase até ao final do período a auditar. No que respeita à extensão da execução de procedimentos substantivos, quanto maior for o risco de distorção material, maior é a extensão de procedimentos substantivos.