2.3 Algumas constru¸c˜ oes na categoria dos esquemas
3.1.2 A categoria das coberturas ´ etale finitas
Defini¸c˜ao 3.1.6. Um morfismo de esquemas f ∶ Y ⟶ X ´e dito afim se f−1(U)⊂Y for afim para cada aberto afim U ⊂X. Se f ´e afim e para cada U ⊂X aberto afim ti-vermos queOY(f−1(U))´e umOX(U)-m´odulo finitamente gerado (via o homomorfismo canˆonico OX(U)⟶OY(f−1(U))), dizemos que f ´efinito.
Note a diferen¸ca entre os conceitos de morfismo de tipo finito, definido anterior-mente, e de morfismo finito. A condi¸c˜ao de que um homomorfismo de aneis A ⟶ B torna B finitamente gerado como A-m´odulo ´e, em geral, bem mais forte do queB ser finitamente gerado comoA-´algebra.
Estaremos interessados na fam´ılia dos morfismos ´etale finitos f ∶Y ⟶X para um dado esquema conexoX.
Defini¸c˜ao 3.1.7. Seja X um esquema. Definimos FEtX, a categoria dos esquemas
´etale finitos sobre X, como aquela em que os objetos s˜ao os morfismos ´etale finitos f ∶ Y ⟶ X (quando n˜ao houver d´uvida, nos referiremos simplesmente a Y), e cu-jos morfismos (f ∶ Y ⟶ X) ⟶ (g ∶ Z ⟶ X) s˜ao os morfismos de esquemas f ∶Y ⟶Z tais que f =g◦h, sendo as composi¸c˜oes feitas da maneira usual.
Se f ∶Y ⟶ X em FEtX ´e sobrejetor, dizemos que Y ´e uma cobertura ´etale finita deX.
Note que a aplica¸c˜ao cont´ınua subjacente a um morfismo ´etale finito f ∶ Y ⟶X
´e aberta (por ser ´etale) e fechada (por ser finita), de modo que a imagem de f ´e uma componente conexa deX. Em particular, seX ´e conexo ent˜ao toda tal f (com Y ≠∅)
´e sobrejetora, de modo que neste caso nos referiremos a FEtX tamb´em como a categoria dos recobrimentos ´etale finitos de X.
Proposi¸c˜ao 3.1.8. Todo morfismo de esquemas finito ´e fechado como aplica¸c˜ao de espa¸cos topol´ogicos.
Demonstra¸c˜ao. Veja [GroEGA2], p´ag. 112, Prop. 6.1.10.
Corol´ario 3.1.9. Todo morfismo ´etale finito ´e aberto e fechado. Em particular, se f ∶X ⟶S ´e ´etale finito e S ´e conexo, ent˜aof ´e sobrejetor.
Segue que se S ´e conexo, FEtS ´e simplesmente a categoria das coberturas ´etale finitas de S. Em seguida, enunciamos um resultado de rigidez que justifica a analogia entre Cov(X), a categoria dos recobrimentos de um espa¸co topol´ogico X, e FEtS para um esquema conexoS. Este resultado permitir´a a caracteriza¸c˜ao de automorfismos de coberturas ´etale finitas atrav´es de permuta¸c˜oes de conjuntos finitos, o que em ´ultima an´alise permitir´a a existˆencia de uma teoria de Galois an´aloga, em termos geom´etricos,
`
a teoria de Galois para espa¸cos de recobrimento.
Proposi¸c˜ao 3.1.10. Sejam f, g ∶X ⟶ Y morfismos de esquemas sobre um terceiro esquema S, com X conexo e Y ´etale finito sobre S. Se existe um ponto geom´etrico x∶Spec(k)⟶ X tal que f ◦x=g◦x, ent˜aof =g.
Demonstra¸c˜ao. Veja [Szam], p´ag. 166, Cor. 5.3.3.
Se φ ∶ A ⟶ B ´e uma extens˜ao de aneis, diremos que um ideal primo q⊲B est´a acima do ideal primo p⊲A se p=φ−1(q) (ou p=q∩A, por abuso de nota¸c˜ao).
Defini¸c˜ao 3.1.11. Dizemos que uma extens˜ao de aneis φ ∶A⟶ B ´e inteira, ou que B ´einteiro sobre A, se todo b∈B ´e zero de algum polinˆomio mˆonico xn+an−1xn−1 +
⋅ ⋅ ⋅ +a1x+a0 ∈A[x].
Lema 3.1.12. (Going-up lemma) Se φ ∶ A ⟶ B ´e uma extens˜ao inteira de aneis, ent˜ao:
(a) Dadas cadeias de ideias primos p1 ⊂p2 ⊂...⊂pn em A e q1 ⊂q2 ⊂...⊂qm em B com 0 ≤ m < n e qi acima de pi para i ≤ m, ent˜ao ´e poss´ıvel completar a segunda para uma cadeiaq1 ⊂q2 ⊂...⊂qn com qi acima de pi para i≤n.
(b) Se ideais primos q1, q2⊲B est˜ao acima dep⊲A, ent˜ao q1 ⊄q2 e q2 ⊄q1. Demonstra¸c˜ao. Veja [AtMac], p´ag. 62, Th. 5.11.
Corol´ario 3.1.13. Se φ ∶ A ⟶ B ´e uma extens˜ao inteira de aneis, ent˜ao para cada primop⊲Aexiste um primoq⊲B acima dep. Al´em disso,q´e maximal se, e somente se, p o ´e. Em outras palavras, Spec(B)⟶Spec(A)´e sobrejetora e leva pontos fechados (resp. n˜ao fechados) em pontos fechados (resp. n˜ao fechados).
Lema 3.1.14. (Prime avoidance lemma) Em um anel A, se um ideal I est´a contido em uma uni˜ao finita de ideais primos ⋃
1≤i≤n
Nesta se¸c˜ao, definiremos para um morfismo afim e sobrejetor f ∶ X ⟶ S e um subgrupo finitoG de Aut(X/S)(∶=AutSch/S(f)) o chamado esquema quociente deX pela a¸c˜ao de G, denotado G\X. Por um lado, este ser´a o an´alogo ´algebro-geom´etrico da constru¸c˜ao topol´ogica do espa¸co quocienteG\Y de um recobrimento Y ⟶X pela a¸c˜ao de um subgrupo G⊂AutX(Y). Por outro lado, G\X ser´a uma generaliza¸c˜ao da constru¸c˜ao, para uma extens˜ao separ´avel de corposk ↪le um subgrupoG⊂Aut(l/k), do subcorpolG⊂l fixado pela a¸c˜ao de G.
Para isso, denotaremos por AfSob(S) a subcategoria plena de Sch/S cujos objetos s˜ao os esquemas X ⟶f S com f afim e sobrejetor. iso-morfismo canˆonico. Neste caso, denotamos ˜X por G\X.
Teorema 3.1.16. Para todoX ⟶f S em AfSob(S)eG⊂Aut(X/S)subgrupo finito, existe o quocienteG\X.
Demonstra¸c˜ao. Construiremos G\X explicitamente, seguindo o roteiro abaixo.
Parte (i) Construiremos um espa¸co anelado G\X (j´a assim denotado, por abuso de nota¸c˜ao) munido de um morfismo (de espa¸cos anelados) π ∶X ⟶G\X.
Parte (ii)Provaremos queG\X´e um esquema e queπ´e um morfismo de esquemas afim e sobrejetor.
Parte (iii) Exibiremos ˜f ∶ G\X ⟶ S afim e sobrejetor tal que f = f˜◦ π, e provaremos a propriedade universal.
Parte (i)Como espa¸co topol´ogico, definaG\X como o espa¸co quociente de X pela a¸c˜ao de G, isto ´e, o conjunto das ´orbitas de G em X munido da topologia quociente dada pela proje¸c˜ao canˆonica π ∶ X ⟶ G\X. Obtemos assim o feixe de aneis π∗OX
sobre G\X. Defina ent˜ao o pr´e-feixe OG\X por
OG\X(U)∶=(π∗OX(U))G =OX(π−1(U))G,
o subanel fixo pela a¸c˜ao de G.1 Para que seja um feixe, devemos ter a exatid˜ao, para cada cobertura abertaU = ⋃
i∈I
Ui de um aberto U ⊂G\X, da sequˆencia
OX(π−1(U))G ∏iOX(π−1(Ui))G ∏i,jOX(π−1(Ui∩Uj))G,
que ´e precisamente
OX(π−1(U))G (∏iOX(π−1(Ui)))G (∏i,jOX(π−1(Ui)∩π−1(Ui)))G.
Segue assim a exatid˜ao, usando que OX ´e feixe e que (como se verifica facilmente) a exatid˜ao ´e preservada tomando-se os subaneis fixados por G.
Com isso, OG\X ´e feixe e as inclus˜oes
OG\X =OX(π−1(U))G ⟶OX(π−1(U)) tornamπ um morfismo de espa¸cos anelados.
1Dado um anel munido de uma a¸c˜ao de um grupo, digamos G×A ⟶ A, ´e imediato que o subconjunto fixoAG´e um subanel deA. Para aneisAeBmunidos de a¸c˜oes deGe um homomorfismo φ∶A⟶B compat´ıvel com elas (isto ´e,gφ(a)=φ(ga)para todosg∈G,a∈A), est´a claro queφse restringe para um homomorfismoφG ∶AG⟶BG. Isso mostra queOG\X ´e um pr´e-feixe de aneis.
Parte (ii) Mostremos que existe uma cobertura de X por abertos afins da forma V ≅Spec(B) tais que
(a) π(V) ´e aberto em G\X, com π−1(π(V))=V.
(b) (π(V),OG\X∣π(V))≅ Spec(BG), com o morfismo de esquemas V ⟶ π(V) in-duzido da inclus˜aoBG ⟶B.
Com isso, seguir´a queG\X´e um esquema e queπ ∶X ⟶G\X ´e um morfismo de esquemas afim e sobrejetor.
A existˆencia de uma tal cobertura seguir´a do fato de que f ∶ X ⟶ S ´e afim:
tome qualquer cobertura de S por abertos afins da forma U ≅ Spec(A), donde os V =f−1(U)≅Spec(B)formam uma cobertura deX. A propriedade (a) segue do fato de que ϕ(V) = V para todo ϕ ∈ G, donde V cont´em inteiramente as ´orbitas de seus elementos, o que implicaπ−1(π(V))=V. Pela defini¸c˜ao de topologia quociente, π(V)
´e aberto.
O item (b) ´e a parte central do teorema. Denote π(V) =G\V, e provemos inicial-mente que existe um diagrama comutativo de espa¸cos topol´ogicos
V =Spec(B) G\V
Spec(BG),
˜ π
η
comη um homeomorfismo. ComoU eV s˜ao afins, podemos supor queG´e simples-mente um subgrupo finito de Aut(B/A), sendo sua a¸c˜ao em V dada por p ⟼ ϕ(p) para cada p⊲B primo. Com isso, para todop∈X temos p∩BG=ϕ(p)∩BG, o que define uma fun¸c˜aoη∶G\X ⟶Spec(BG) levando a ´orbita dep∈X em p∩BG. Note queBG ⟶B ´e uma extens˜ao inteira, pois cadab∈B ´e um zero do polinˆonio mˆonico
∏
ϕ∈G
(x−ϕ(b))∈BG[x]. Pelo Corol´ario 3.1.13, η ´e sobrejetora. Para que seja injetora, devemos mostrar que se p eq s˜ao ideais primos de B tais que p∩BG =q∩BG, ent˜ao existeϕ∈G tal que ϕ(p)=q. Suponha por absurdo que n˜ao exista uma tal ϕ. Ent˜ao
p≠ϕ(q) e portantop⊄ϕ(q)para cadaϕ∈G, pelo Lema 3.1.12, item (b). Pelo Lema 3.1.14, existe b ∈ p com b ∉ ⋃
ϕ∈G
ϕ(q). Seja b′ = ∏
ϕ∈G
ϕ(b). Por um lado, b′ ´e invariante porG, dondeb′∈p∩BG. Por outro, a hip´otese sobre b implica ϕ(b)∉q para todaϕ, e como q ´e primo segue que b′ ∉ q, uma contradi¸c˜ao com p∩BG = q∩BG. Logo η ´e bijetora. Para que seja um homeomorfismo, note (conforme o diagrama acima) que os fechados deG\V s˜ao (por defini¸c˜ao) aqueles subconjuntos cuja pr´e-imagem em Spec(B)
´e fechada. Mas o mesmo vale para Spec(BG), usando que Spec(B) ⟶ Spec(BG) ´e sobrejetora e que a imagem de V(I)⊂Spec(B)´e V(I∩BG)⊂Spec(BG).
Mostremos que os feixes η∗OG\V e OSpec(BG) sobre Spec(BG) s˜ao os mesmos, o que implica que G\V ´e um esquema afim. Note que η∗OG\V = η∗(π˜∗OSpec(B))G = ((η◦π)∗OSpec(B))G. Mas este ´ultimo ´e, como feixe de grupos abelianos, o n´ucleo do morfismo
θ ∶(η◦π)∗OSpec(B) ⟶⨁
ϕ∈G
(η◦π)∗OSpec(B)
deOSpec(BG)-m´odulos quasi-coerentes dado pors ⟼(s−ϕ(s))ϕ∈G para toda se¸c˜ao s. (Aqui, (η◦π)∗OSpec(B) ´e quasi-coerente sobre Spec(BG) por ser induzido do ho-momorfismo BG ⟶ B. Como QCoh(Spec(BG)) ´e abeliana, a soma direta tamb´em
´e quasi-coerente. Para que θ − que ´e um morfismo de feixes de grupos abelianos − seja morfismo deOSpec(BG)-m´odulos, ´e suficiente verificar que cada(η◦π)∗OSpec(B) ⟶ (η◦π)∗OSpec(B) dado por s ⟼ ϕ(s) ´e um morfismo de OSpec(BG)-m´odulos. Mas isso segue do fato de que a a¸c˜ao deG sobre o feixe estrutural de Spec(BG)´e trivial.) Logo OSpec(BG) ⟶ η∗OG\V ´e um morfismo de feixes quasi-coerentes (de aneis) induzindo isomorfismo entre se¸c˜oes globais (OSpec(BG)(G\V) ≅ BG ≅ η∗OG\V(G\V)). A equi-valˆencia entre QCoh(Spec(BG) e BG-Mod implica que OSpec(BG) ⟶ η∗OG\V ´e um isomorfismo, o que conclui o item (b).
Parte (iii)Mostremos que existe ˜f completando o diagrama
X G\X
S.
π
f f˜
Observe que basta mostrar que, para cada aberto afim U ⊂S, ´e poss´ıvel completar de maneiraunica´ o diagrama
f−1(U)≅Spec(B) π(f−1(U))≅Spec(BG)
U ≅Spec(A),
o que tamb´em implicar´a que ˜f ´e ´unica. (Essencialmente, use que um morfismo de feixes sobre uma base de S estende-se univocamente para um morfismo entre os feixes correspondentes, conforme o Teorema 2.1.16.) Mas isso segue do fato de que G age em B fixando a imagem de A, donde A ⟶ B se fatora de maneira ´unica como A ⟶ BG ↪ B. ´E imediato que a ˜f obtida ´e afim e sobrejetora. A propriedade universal segue de forma idˆentica, substituindo-se f ∶ X ⟶ S pela φ ∶ X ⟶ Y desejada e notando queφ tamb´em ´e um morfismo afim.
Lema 3.1.17. Sejam g ∶X ⟶S ef ∶Y ⟶X morfismos de esquemas. Se g◦f eg s˜ao ´etale (resp. ´etale finitos), ent˜aof ´e ´etale (resp. ´etale finito).
Demonstra¸c˜ao. Veja [Szam], p´ag. 166, Lem. 5.3.2.
Proposi¸c˜ao 3.1.18. SeS ´e um esquema conexo, ent˜ao um morfismo afim e sobrejetor f ∶ X ⟶ S ´e uma cobertura ´etale finita se, e somente se, existe um morfismo finito, localmente livre e sobrejetor g ∶ Y ⟶ S tal que X ×S Y ´e isomorfo a uma uni˜ao disjunta finita de c´opias de Y, com a mudan¸ca de base X×SY ⟶Y correspondendo
`
a proje¸c˜ao canˆonica. Dizemos que X×SY ´e umacobertura trivial de Y. Demonstra¸c˜ao. Veja [Szam], p´ag. 162, Prop. 5.2.9.
Proposi¸c˜ao 3.1.19. Sejam f ∶ X ⟶ S uma cobertura ´etale finita, com X conexo, e G ⊂ Aut(X/S) um subgrupo finito. Ent˜ao π ∶ X ⟶ G\X e ˜f ∶ G\X ⟶ S s˜ao ambos coberturas ´etale finitas.
Demonstra¸c˜ao. Pelo Lema 3.1.17, basta provar que ˜f ´e ´etale finito. Pela Proposi¸c˜ao 3.1.18, existeg ∶Y ⟶S finito, localmente livre e sobrejetor tal queX×SY ´e isomorfo aI×Y para algum conjunto finito I, conforme o diagrama
I×Y
X Y
S.
p q
f g
A ideia ´e mostrar que o quociente de X por G induz um quociente de I ×Y por G que permanece sendo uma cobertura trivial deY. Associando a a¸c˜ao de G em X `a sua a¸c˜ao trivial em Y, obtemos uma a¸c˜ao canˆonica de Gem X×SY, que denotaremos ϕ∈G⟼ϕ˜∈Aut(X×SY/S). Por constru¸c˜ao, temos que para cada ϕo diagrama
I×Y I×Y
Y
q
˜ ϕ
q
comuta, donde ˜ϕcorresponde simplesmente a uma permuta¸c˜ao dos elementos deI, e segue facilmente queG\(I ×Y)≅(G\I)×Y, onde G\I ´e o conjunto das G-´orbitas deI. Por outro lado, para cada ˜ϕ o diagrama
X×SY X×S Y
X X
S
p
˜ ϕ
p ϕ
comuta, o que fornece um morfismo, denotadoG\p, tornando
X×SY G\(X×SY)
X G\X
S
p
˜ ϕ
G\p ϕ
comutativo. Obtemos assim um diagrama comutativo
G\(X×SY)
G\X Y
S,
G\p
f˜ g
no qual denotamos η ∶ G\(X ×S Y) ⟶ S. Afirmo que o morfismo canˆonico G\(X×S Y)⟶ (G\X)×SY ´e um isomorfismo. Isso concluir´a a demonstra¸c˜ao, pois (G\X)×S Y ser´a ent˜ao uma cobertura trivial de S, e bastar´a aplicar a rec´ıproca da Proposi¸c˜ao 3.1.18. Como f eg s˜ao afins, para qualquer aberto afim U ≅Spec(A)de S podemos escreverf−1(U)≅Spec(B)eg−1(U)≅Spec(C). Ent˜ao ˜f−1(U)≅Spec(BG), de modo que ˜f−1(U)×Ug−1(U)≅Spec(BG⊗AC). Ainda,
η−1(U)≅G\(f−1(U)×U g−1(U))≅G\Spec(B⊗AC)≅Spec((B ⊗AC)G). Com isso, o diagrama de esquemas
η−1(U)
f˜−1(U)×Ug−1(U)
f˜−1(U) g−1(U)
U
corresponde ao diagrama canˆonico de aneis (B⊗AC)G
BG⊗AC
BG C
A.
(Usamos aqui que C = CG, j´a que G age trivialmente em Y.) Assim, para que G\(X ×S Y) ⟶ (G\X)×S Y seja um isomorfismo ´e suficiente que, para alguma cobertura de S por abertos U ≅ Spec(A), o homomorfismo BG⊗AC ⟶ (B ⊗AC)G acima seja um isomorfismo. Como g ∶ Y ⟶ S ´e localmente livre, podemos escolher abertos U suficientemente pequenos tais que C seja um A-m´odulo livre. Com isso, em A-Mod temos
(B ⊗AC)G≅(B⊗A⨁
j∈J
A)G≅⨁
j∈J
(BG⊗AA)G ≅⨁
j∈J
BG
≅⨁
j∈J
(BG⊗AA)≅BG⊗A⨁
j∈J
A≅BG⊗AC,
logo o homomorfismo de aneis correspondente tamb´em ser´a um isomorfismo. Isto conclui a prova.