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2.2 SOCIOLOGIA DO CONHECIMENTO CIENTÍFICO

2.2.2 A ciência e a sociedade

Na literatura encontramos diversos autores que discutiram as características da sociedade na qual estamos inseridos. Com base em Giddens (1991), Giddens, Beck e Lash (1997) e Morin (2000) estamos hoje em uma sociedade de risco e incertezas, que, em muitos casos, são criados pelo próprio desenvolvimento do conhecimento humano.

Bauman (2003), por meio de uma metáfora, denominou a sociedade da pós- modernidade de sociedade líquida, caracterizada por um “esforço de modernização compulsiva e obsessiva” em que tudo é temporário, em constante desmonte, sem nenhuma perspectiva de permanência. Ele ressaltou que os riscos a que a sociedade está sujeita são muito maiores do que em qualquer outra época e exemplificou sua afirmação citando as condições climáticas, os níveis de radiação, a poluição, a diminuição de matérias-primas e de fontes de energia não-renováveis, bem como os processos de globalização sem controle político e ético. Tudo isso vem sobrecarregar os indivíduos com um grau de incerteza e ansiedade que não houve precedentes na história.

Tanto Bernal (1997) quanto Morin (2000) afirmaram que é por meio da ciência que toda a nossa civilização está sendo transformada muito rapidamente, e que a própria ciência está se desenvolvendo de modo cada vez mais rápido e de forma cada vez mais perceptível para os indivíduos, o que vai ao encontro do conceito de sociedade líquida defendida por Bauman (2003).

Valente, Cazelli e Alves (2005) discutiram que existe uma contradição entre avanço científico e tecnológico e fabricação de incerteza, que modifica o modo de produção do conhecimento científico e confronta a confiança depositada nos sistemas especialistas13. Enfatizaram que, em áreas como medicina e agricultura, as decisões e ações dos sistemas

13 Sistemas especialistas – conceito desenvolvido por Giddens – significa sistemas de excelência técnica ou

competência profissional que organizam grandes áreas dos ambientes material e social em que vivemos. (GIDDENS, BECK, LASH, 1997)

especialistas, bem como os resultados de pesquisas devem ser objeto de grande debate popular. Defenderam que a relação entre especialistas, cientistas e leigos não pode mais estar baseada na forma tradicional de dependência dos sistemas especialistas, mas no reconhecimento das contribuições que cada um pode oferecer de forma que, juntos, possam tomar as decisões que dizem respeito à sociedade em geral. Eles afirmaram que a frase “agir na urgência, decidir na incerteza ”14, torna-se uma imagem adequada para sintetizar processos decisórios em que cidadãos, políticos, gestores públicos ou empresários tomam decisões acerca de questões como a dos alimentos transgênicos e outros temas de grande impacto social.

Giddens (1991) e Morin (1997) reforçaram a argumentação de que nossa sociedade é caracterizada pelo risco, incerteza e complexidade. Morin (1997) discutiu os princípios do pensamento complexo, entre os quais destacou o anel retroativo ou circularidade retroativa, e o anel recursivo ou circularidade autoprodutiva. No primeiro, ao contrário da ideia linear de que toda causa tem um efeito, Morin sugeriu uma causalidade circular, em que não só a causa age sobre o efeito, mas o efeito retroage informacionalmente sobre a causa. No segundo princípio – circularidade autoprodutiva – Morin afirmou que produzimos a sociedade que nos produz, ou seja, o efeito é ao mesmo tempo a causa, em que somos ao mesmo tempo produto e produtores, em que os indivíduos produzem a sociedade que, por meio da sua cultura, linguagem e regras, produzem o indivíduo.

Esses princípios podem ser aplicados perfeitamente para a compreensão do fenômeno da ciência e tecnologia produzida pelo homem, que interfere no desenvolvimento da sociedade que a produziu. A ciência e tecnologia vêm influenciando diretamente a vida dos homens, a sociedade e o planeta, nesse contexto o homem se vê diante de contradições decorrentes do avanço da ciência e tecnologia. Entre essas contradições está o benefício versus danos ao planeta e à sociedade resultado dos diversos conhecimentos científicos e tecnológicos que foram desenvolvidos e utilizados ao longo da história. De acordo com Silva, Arouca e Guimarães (2002) as dimensões cotidiana, cívica e cultural dos indivíduos estão cada dia, mais impregnadas e determinadas pelo processo de desenvolvimento científico e tecnológico.

Bernal (1991, 1997), Morin (2000) e Russell (1976) afirmaram que as relações entre a ciência e a sociedade são recíprocas. Da mesma forma que no interior da ciência são

14 Esta frase integra o título de um livro de PERRENOUD, Phillipe. Ensinar: agir na urgência, decidir na

produzidas transformações decorrentes de acontecimentos sociais, também estes, e de forma crescente, são produzidos por influência da ciência.

Para Bernal (1991) essas influências são múltiplas, diretas e indiretas, atuando tanto sobre a estrutura material da sociedade quanto sobre as ideias. Ele considerou que os efeitos diretos das mudanças materiais são mais fáceis de serem observados e são considerados comuns como um dos principais resultados da ciência. Entretanto, considerou os efeitos indiretos das mudanças materiais produzidas pela ciência como muito mais importantes.

Bernal (1991) complementou afirmando que as ideias científicas exercem uma profunda influência sobre todas as formas de pensamento e de ação humanas, tanto filosóficas como políticas, religiosas e artísticas, e, nesse caso, as influências são mais complexas que no plano material. As ideias científicas não se constituem em simples produto da lógica dos métodos experimentais, são, antes de qualquer coisa, ideias derivadas da estrutura social e intelectual e de ideias produzidas nas épocas anteriores, porém transformadas. Cabe ressaltar, no entanto, que as ciências aparecem ao longo da história como catalisadoras e não geradoras de mudanças sociais. As condições políticas e econômicas de determinados lugares e períodos históricos são particularmente favoráveis ao progresso da ciência, ao apresentar problemas e recompensar soluções úteis.

Morin (2000) afirmou que a ciência tornou-se uma instituição poderosa no centro da sociedade, subvencionada, alimentada e controlada pelos poderes econômicos e estatais, produzindo assim um processo interretroativo; em que a técnica produzida pela ciência transforma a sociedade, e, por sua vez, a sociedade tecnologizada transforma a própria ciência.

[...] Os interesses econômicos, capitalistas, o interesse do Estado desempenham seu papel ativo nesse circuito de acordo com suas finalidades, seus programas, suas subvenções. A instituição científica suporta as coações tecnoburocráticas próprias dos grandes aparelhos econômicos ou estatais, mas nem o Estado, nem a indústria, nem o capital são guiados pelo espírito científico: utilizam os poderes que a investigação científica lhes dá [...] (MORIN, 2000, p. 20).

Ziman (1981) argumentou que a ciência tornou-se fundamental para o desenvolvimento e bem-estar da humanidade, ou seja, precisa cumprir a sua função social na produção do conhecimento necessário ao desenvolvimento da sociedade. No entanto, há diversas abordagens que discutem as diferentes correntes de opinião sobre a ciência e a sociedade, seus prós e contras. De maneira geral, há um conjunto de correntes que considera a ciência boa – fundamental para o desenvolvimento da sociedade –, em contraposição, há outra corrente que a considera como instrumento de dominação, o que resulta em discussões quanto

à ciência como instrumento de desenvolvimento econômico, bem como quanto aos aspectos éticos.

Quanto a essa dualidade, tanto Morin (2000), Russell (1976) quanto Ziman (1981) concordaram que a ciência tem dois lados. Ela é elucidativa, enriquecedora, conquistadora e triunfante, ou seja, tem um lado positivo. Em contraposição, há um lado negativo, pois os conhecimentos que produz determinam ações que transformam a sociedade podendo ser, ao mesmo tempo, tanto libertadora como apresentar possibilidades de subjugação, dependendo do grupo social ao qual atende. Russell (1976) arrolou diversos exemplos quanto a esse tipo de dualidade, em que um grupo social foi favorecido e outro prejudicado por uma determinada descoberta científica ou tecnológica.

Russell (1976) comentou que os efeitos da ciência sobre a vida humana são de espécies diferentes. O primeiro diz respeito ao efeito intelectual no que se refere à eliminação de crenças tradicionais sem fundamento e consequentemente a adoção de outras crenças sugeridas pelo êxito do método científico, afirmativa corroborada por Bernal (1997).

O segundo refere-se aos efeitos na técnica da indústria e da guerra. Como consequências de novas técnicas ocorrem mudanças profundas na organização social, que vão gerando/provocando alterações políticas correspondentes. Com relação a esse item, Russel (1976) destacou a importância da democracia, comentando que governos oligárquicos podem utilizar a ciência e a tecnologia para práticas não-desejáveis de acordo com os princípios éticos, que podem levar a uma dominação sem precedentes e sem retorno. Esclareceu que a democracia é necessária, porém não é suficiente, pois deve haver o respeito pelo indivíduo de acordo com a doutrina dos Direitos Humanos (RUSSELL, 1976).

O último efeito refere-se ao desenvolvimento de uma filosofia, em que Russell (1976) ressaltou que se essa filosofia não for examinada poderá originar uma forma de incompreensão, em que poderão advir consequências desastrosas, porém no documento citado o autor não discutiu com profundidade esse efeito. Independentemente de a ciência ser utilizada, para o bem ou para o mal ela precisa ser compreendida em razão de sua importância, é preciso compreender a ambivalência, a complexidade intrínseca que se encontra no centro da ciência.

Bizzo (2002), Fourez (1997), Vale (1996) e Ziman (1981) argumentaram que apesar da função social da ciência na produção de conhecimento ser considerada necessária para o desenvolvimento da sociedade, os interesses dos cientistas se sobrepõem aos interesses da sociedade, o que induz ao pensamento de que a forma como os cientistas veem o mundo e pensam é a única forma correta ou possível. Esse comportamento acaba tornando-se contínuo,

uma vez que as comunidades científicas são responsáveis por sua própria perpetuação, ao mesmo tempo que treinam e educam os novos cientistas, bem como definem práticas, hábitos, comportamentos etc.15 As práticas comunicacionais também são definidas, sendo comprovado que internamente à comunidade o fluxo de informação pode ser considerado relativamente suficiente, porém no nível externo é considerado insatisfatório.

Conforme Fourez (1995) a ciência pressupõe um enraizamento social e histórico e uma interpretação global que não deixa de ter influência sobre as pesquisas locais, em que os cientistas pertencem à cultura para a qual por sua vez contribuem. Afirmou, também, que existem múltiplos fatores que podem levar um grupo de cientistas ou um indivíduo apenas, a abandonar certas teorias ou linhas de pesquisas. Esses fatores são globais e possuem componentes econômicos, técnicos, afetivos, culturais e políticos.

Bernal (1997) acrescentou que consiste em um equívoco a afirmação de que, considerando que a ciência afeta cada dia mais a vida das pessoas, e os cientistas responsáveis pelo seu desenvolvimento controlariam efetivamente o mecanismo da civilização, e consequentemente, seriam responsáveis ampla e imediatamente pelos males e catástrofes de nossa era. Ponderou que definir a responsabilidade moral de um cientista é uma tarefa difícil, e que o processo de mudança de uma ciência socialmente irresponsável para uma ciência socialmente responsável está apenas começando, pois sua natureza e diretrizes não foram completamente formuladas.

De acordo com Fourez (1995) a ciência é um saber ligado a grupos sociais determinados. A ciência moderna ligou-se à ideologia burguesa e a sua vontade de dominar o mundo e de controlar o meio ambiente. Constituiu-se em um instrumento intelectual que permitiu à burguesia suplantar a aristocracia e dominar econômica, política, colonial e militarmente o planeta. De forma semelhante ao comerciante para o qual todos os objetos se tornam mercadoria e são reduzidos ao seu equivalente geral que é a moeda, também para os cientistas tudo tornou-se mensurável e o mundo transformou-se em cifras, perdendo a sua particularidade e tornando-se mera expressão de leis absolutamente gerais. Entretanto, em decorrência do movimento ecológico os indivíduos começaram a questionar se a ciência e a tecnologia acarretam necessariamente a felicidade aos seres humanos, iniciou-se uma espécie de revolta diante da atitude técnico-científica, em que a civilização da ciência passou a ser questionada, diante de uma busca em reencontrar um contato mais autêntico com a natureza. Questionou-se a capacidade do mundo técnico-científico em resolver os problemas sociais do

planeta, sua incapacidade de suprimir as dominações humanas, principalmente aquelas criadas pela indústria e pela exploração do Terceiro Mundo. A ciência não se mostrou eficaz para resolver as grandes questões éticas e sociopolíticas da humanidade, pelo contrário as desigualdades mundiais aumentaram.

Fourez (1995) citou o trabalho de Habermas (1986) que classificou a maneira de ver as interações entre a ciência e a sociedade em três grupos distintos, que consistem em modelos conceituais os quais permitem uma representação do que ocorre: as interações tecnocráticas, decisionistas e pragmático-políticas. Ele esclareceu que essas interações não ocorrem separadamente de maneira isolada uma da outra, mas em muitos casos de maneira simultânea, bem como destacou que há momentos em que uma predomina sobre a outra. Esses modelos podem ser utilizados tanto em interações interpessoais quanto coletivas.

• Modelo tecnocrático – as decisões cabem única e exclusivamente aos especialistas. Por exemplo, durante uma cirurgia o médico deverá tomar as decisões conforme o conhecimento que possui. Esse modelo é bastante difundido em nossa sociedade, em que há uma tendência em recorrer aos especialistas como os indivíduos que detêm conhecimento, tendo em vista a pressuposição de que o homem comum não compreende nada. Há também a pretensão de que as decisões dos especialistas sejam neutras, ditadas puramente pela racionalidade científica. Assim, seriam os conhecimentos científicos, portanto os especialistas, que determinariam as políticas a serem seguidas, tanto os objetivos quanto os meios. Considerando que o conhecimento científico não é neutro, é construído de acordo com um projeto organizador que pode determinar a sua natureza, o uso do enfoque tecnocrático comete um abuso de saber. Em nossa sociedade adota-se com frequência uma tecnocracia interdisciplinar, da qual participam especialistas de diferentes disciplinas, entretanto essa equipe poderá privilegiar certa visão. O uso da interdisciplinaridade com o objetivo de corrigir os defeitos da tecnocracia não modifica a sua estrutura, de recorrer aos especialistas na expectativa de encontrar uma resposta neutra a problemas da sociedade, pois os especialistas sempre apresentarão um ponto de vista particular, uma vez que a especialidade não se liga apenas às disciplinas científicas, mas à maneira pela qual o especialista traduz o problema da vida comum em seu paradigma disciplinar. Até mesmo a escolha dos especialistas já demonstra uma tendência, existe uma razão, portanto não é neutra. Nesse sentido, as decisões tomadas em uma equipe interdisciplinar não são pura e unicamente por razões científicas, mas o resultado da negociação prática entre vários especialistas. Cabe ressaltar, no entanto que, quanto mais tecnologias complexas forem utilizadas em uma sociedade, mais as linhas de ação serão

determinadas pelas próprias tecnologias e consequentemente deverão ser definidas por especialistas. Porém, as tecnologias também não são neutras, e não são meros instrumentos materiais, mas organizações sociais ou um sistema social, uma vez que as escolhas tecnológicas determinam o tipo de vida social de um grupo.

• Modelo decisionista – são identificadas as finalidades e valores do cliente, a partir dessas informações, os especialistas, com base em seus conhecimentos, deveriam encontrar os meios mais adequados para atingir os objetivos definidos pelo cliente. Esse modelo faz uma distinção entre tomadores de decisão e técnicos, pois aqueles definem os fins e estes os meios. Esse modelo diminui a dependência em relação ao técnico, deixa o poder aos não-especialistas – as próprias pessoas que decidem quanto aos seus objetivos –, por outro lado, reconhece que há duas classes de cidadãos, aqueles que sabem mais do que outros sobre determinados assuntos específicos. Em uma sociedade decisionista cabe às instituições políticas determinar os objetivos visados por essa sociedade e caberá aos técnicos encontrar os meios adequados. De acordo com esse modelo, as políticas – os objetivos e os fins – deveriam ser determinados por decisões livres, de maneira independente da ciência, enquanto os meios deveriam ser definidos pelos especialistas. Entretanto, o modelo negligencia o fato de que os meios influenciam na perseguição dos fins, pois a escolha dos meios técnicos implica organização da sociedade. A debilidade do modelo decisionista é pressupor que, uma vez determinadas as finalidades, a escolha dos meios é indiferente, pois a escolha dos meios técnicos determina toda uma organização social e não é indiferente em relação aos valores e aos fins. Há ainda a considerar que nessas decisões também incluem decisões éticas e políticas, pois quando está relacionado com decisões relativas à sociedade está no campo da negociação sociopolítica, por outro lado quando se trata da discussão quanto ao que deve ser considerado como comportamento social adequado está no campo da ética. Este modelo é considerado mais democrático, pois aceita que as pessoas tomem decisões tendo em vista a sua vida, dando pareceres com base em valores que são importantes para elas. Dependendo da maneira pela qual o saber será partilhado debates democráticos tornar-se-ão possíveis. Um exemplo prático desse modelo seria o caso de um paciente, em estado terminal, discutir com seu médico como deseja seus últimos momentos, e esse, de acordo com a vontade do paciente, adotar as medidas necessárias.

• Modelo pragmático-político – privilegia e pressupõe uma discussão e negociação, permanente e interminável, existente entre o técnico e os clientes, em todas as etapas do processo. Como exemplo o arquiteto deve discutir passo a passo com seu cliente como

este deseja, deve colocá-lo a par das implicações técnicas ligadas a sua escolha, no que pode resultar em mudanças nos objetivos do cliente, em suma o arquiteto não deve tomar decisões no lugar do cliente. Neste modelo pressupõe uma negociação e uma discussão na qual os conhecimentos e negociações sociopolíticas entram em consideração, consiste em estabelecer estruturas de negociações entre diferentes espécies de interlocutores, alguns técnicos, outros não, de forma a determinar, de maneira pragmática, mas por meio de negociações sociopolíticas, as decisões que se deseja tomar.

Morin (2000) teceu alguns comentários quanto ao uso de especialistas que se encaixam perfeitamente nas características, críticas e inconvenientes apresentados por Fourez (1995) e Habermas (1986), quanto ao modelo tecnocrático descrito acima. Morin argumentou que surge um problema político pelo superdesenvolvimento da especialização, em que o cidadão perdeu o direito de ter um ponto de vista em favor do especialista, que monopoliza o direito à decisão, já que é ele quem tem a competência e o conhecimento. Morin questionou como pode funcionar uma democracia, cada vez mais esvaziada, em que o cidadão é desqualificado pelo especialista.

Como traço negativo Morin (2000) comentou que o progresso científico produz potencialidades tanto subjugadoras ou mortais quanto benéficas. Ele ressaltou que os poderes criados pela atividade científica escapam totalmente aos próprios cientistas, pois esse poder encontra-se reconcentrado no nível dos poderes econômicos e políticos. Nesse sentido, Schwartzman corroborou, afirmando que quando os valores da ciência não são respeitados, “quando a inteligência e a racionalidade são colocadas a serviço do poder, a lógica da força prevalece sobre a força da lógica e da inteligência, os frutos do conhecimento se voltam contra seus criadores, e a própria sobrevivência da atividade científica torna-se impossível” (SCHWARTZMAN, 2001, p. ix).