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PARTE 2 – A FORMAÇÃO DE CAMPOS DO JORDÃO

7. ESTÂNCIA CLIMATÉRICA DE CAMPOS DO JORDÃO: A DAVOS PAULISTA

7.2 A cidade sanatorial: entre indigentes e pensionistas

Embora a ideia de construir um sanatório em Campos do Jordão tivesse um longínquo antecedente, tendo sido idealizada primeiramente por Clemente Ferreira, depois tendo sido solicitada pelas Ligas e, finalmente, utilizada como justificativa por Emílio Ribas e Victor Godinho para conseguirem apoio para a construção da EFCJ, foi somente em fins da década de 1920 que a primeira instituição sanatorial foi implementada na estância.

Em 1927, surge o primeiro grande sanatório em Campos do Jordão destinado a acolher tuberculosos pobres. Segundo o memorialista Paulo Filho (1986, p.285), Elisa Mendes de Abreu, filha de Octavio Mendes, primeiro Procurador da República e professor de Faculdade de Direito de São Paulo, após tornar-se viúva aos 24 anos, “abriu a luz dos seus olhos em busca de novos ideais” tendo se lançado a vida religiosa. Com o auxílio da companheira Beatriz Cintra Ferreira, também pertencente à vida religiosa e do Monsenhor Maximiano da Silva Leite, idealizaram a fundação de uma instituição de benemerência destinada ao tratamento dos tuberculosos desprovidos de recursos em Campos do Jordão.

Assim foi criado o Sanatório São Paulo, fundado no dia 13 de abril de 1927 com o intuito de manter na estância climatérica um hospital para tratamento gratuito de mulheres tuberculosas maiores de 12 anos. O Sanatório, criado sob ideais filantrópicos, era dirigido por uma congregação religiosa católica feminina que tinha por obrigação desempenhar serviços de enfermagem, manter a ordem no estabelecimento e velar para que as prescrições médicas fossem rigorosamente observadas (Escritura de Fundação de 13 de abril de 1927).

Por meio dos cuidados das religiosas do Instituto das Franciscanas Missionárias de Maria, o sanatório passou a servir doentes que não tinham condições de pagar para realizar o tratamento em hotéis ou pensões. Mas a iniciativa de Elisa Mendes de Abreu, embora imbuída

do espírito caritativo, não teria sido possível sem o apoio e o interesse de médicos, políticos e empresários em investir nesse empreendimento. Os proprietários de terras jordanenses foram, sem dúvidas, os principais apoiadores da ideia de construção de um sanatório em Campos do Jordão.

Elisa Mendes de Abreu, pelo prestígio de seu pai e também de seu avó, ambos personalidades no meio político de São Paulo, contou com o apoio de importantes atores que possibilitaram que sua ideia fosse adiante. A idealizadora do Sanatório São Paulo certamente era conhecida dentre a elite paulista e mantinha bons contatos com os empresários jordanenses. De tal forma que em 13 de junho de 1928, conforme consta na escritura do Sanatório São Paulo, ela conseguiu junto a José Carlos de Macedo Soares e sua esposa a doação de um terreno para a construção do sanatório.

A iniciativa do casal os colocava em situação de destaque entre as elites. A obra de caridade, em nome do bem estar social, elevava as personalidades donatárias a um status de benfeitores. Em conjunto, tentava-se resolver o problema de saúde pública que os tuberculosos pobres representavam a sociedade como um todo, além de evitar que os desprovidos de recursos perambulassem pela estância, causando temores a veranistas e também desconforto aos nobres doentes que circulavam entre as luxuosas pensões, hotéis e segundas residências.

A ação, dirigida pela Elisa Mendes de Abreu e fomentada por Macedo Soares também recebeu a colaboração de personalidades ligadas às políticas higiênico-sanitárias. Alguns médicos conhecidos, sobretudo aqueles vinculados à tuberculose, apoiavam e discursavam a favor desta obra como uma forma de obter o bem estar social. Assim, também se pronunciou em favor do Sanatório São Paulo o doutor Clemente Ferreira, que era nesta época presidente da Liga Paulista Contra a Tuberculose. Segundo o discurso de Clemente Ferreira, proferido durante o lançamento da pedra fundamental do Sanatório São Paulo em 1928:

O sanatório popular, admirável instrumento de cura, escola de prophilaxia, é uma instituição de assistência social collectiva na phrase de Sobral Cid, pois estende e amplia sua acção às classes proletárias, à população pobre das oficinas, ao proletariado industrial, o mais exposto e o mais desamparado do auxilio social [...]‘Combater a tuberculose, proclama Sersiron, é servir a humanidade, é o modo mais puro e nobre de servir a pátria’ (Discurso – Documentação do Sanatório São Paulo, 1928).

O apoio de Clemente Ferreira à construção da instituição sanatorial foi bastante significativo. O médico há muito tempo lutava para que fosse instalado um sanatório em

Campos do Jordão e a iniciativa de Elisa Mendes de Abreu veio a encontro de tudo o que o médico defendia. O Presidente da Liga Paulista Contra a Tuberculose, conforme observa-se no discurso, valorizava o fato da iniciativa estender-se às classes proletárias há muito apontadas pelo médico como objeto de atenção.

De fato, o Sanatório nasceu sob o ideal de servir a doentes pobres. Contudo, a instituição não servia apenas às tuberculosas “indigentes”, termo utilizado no período àqueles doentes que não poderiam pagar pelo tratamento. O Sanatório São Paulo também contava com alas particulares, destinadas a pensionistas. Oferecendo o serviço de internação para aqueles que poderiam pagar pelo tratamento, custeava-se a ala dos doentes pobres. Segundo um panfleto localizado nos arquivos da instituição, cada andar da edificação era destinado a uma classe de doentes.

O primeiro pavimento era destinado aos pobres, o segundo era destinado a semipensionistas em salão subdividido em compartimentos de um leito, a 400$000; e em salão comum, a 300$000. O terceiro pavimento era reservado para pensionistas, divididos em quartos de dois leitos, variando de 500$000 a 600$000 por pessoa e em quartos de um leito, variando de 700$000 a 1:000$000. Estes valores não incluíam os medicamentos e as radiografias, cobrados à parte (Tabela das pensões do Sanatório São Paulo, 19?).

Os quartos individuais, os mais caros, contavam com uma estrutura mais confortável.

Diferente das alas coletivas que tinham uma disposição mais próxima a estrutura de um hospital com camas enfileiradas e instrumentos médicos a mostra, os quartos privativos lembravam a estrutura de um hotel, com decoração apropriada e sacadas individuais para os banhos de sol. A vantagem dos sanatórios em relação a pensões e hotéis era que o paciente contava com uma assistência médica mais rigorosa, diferente dos outros estabelecimentos onde os médicos visitavam o doente periodicamente. Nas pensões era necessário aguardar a visita dos profissionais da saúde, enquanto no sanatório a assistência era frequente, dada a presença das enfermeiras que assistiam as pacientes initerruptamente.

Assim, doentes mais graves ou mesmo aquelas que desejavam uma assistência contínua optavam por se dirigirem ao Sanatório São Paulo. O regime sanatorial era embasado nas teorias europeias acerca da climatoterapia. A higiene, a ventilação, a insolação eram respeitadas nas edificações de forma a possibilitar o melhor tratamento do doente. No quarto, pias próximas a cama serviam para facilitar os escarros e a imediata higienização. O objetivo era manter o paciente em um regime disciplinar com boa alimentação, higiene, sol e ar puro.

Ilustração 10 – Foto de quarto individual do Sanatório São Paulo

Fonte: Acervo do Sanatório São Paulo. Autor e data desconhecidos.

A inspiração para a terapêutica utilizada no Sanatório São Paulo veio da França. A direção técnica da instituição ficou a cargo de Raphael de Paula Souza, médico especialista em tuberculose. Formado em 1927 pela Faculdade de Medicina da Universidade de Minas Gerais, foi convidado para dirigir o Sanatório São Paulo assim que se formou. Em busca da experiência necessária para assumir o cargo, viajou à França em 1929, para fazer um curso de Tisiologia. Em 1930, assumiu a direção do Sanatório e ali ficou até 1932 (SOUZA, 1990).

Raphael de Paula e Souza foi uma figura importante não apenas para o Sanatório São Paulo, mas também para outras instituições sanatoriais de Campos do Jordão. Junto a Clemente Ferreira o médico foi responsável por abrir outros sanatórios na cidade.

O Sanatório São Paulo foi a primeira instituição do gênero em Campos do Jordão e sua implementação deu início a uma nova ordem no território. Logo após o início das atividades deste sanatório outros surgiram configurando uma cidade sanatorial. Os motivos que levaram a construção de outros sanatórios foram diversos. Listando alguns deles, pode-se dizer que a alta demanda de doentes pobres levou a pulverização de sanatórios pela cidade.

O próprio sanatório São Paulo, após sua implementação, precisou ampliar o número de leitos, tamanha era a procura de doentes. Necessitando de mais recursos, Elisa Mendes de Abreu contou com doações do Conde Francisco Matarazzo e sua esposa Mariângela

Matarazzo, que cederam recursos financeiros para a construção de uma nova ala do sanatório.

Nas paredes da instituição, que hoje funciona como hospital e maternidade, ainda estão as placas de homenagem à família Matarazzo, principais beneméritos da obra.

Contudo, apesar das ampliações, o Sanatório São Paulo recebia apenas mulheres. De tal forma, que rapidamente outro problema surgiu na estância: as crianças. Muitas crianças ficaram desassistidas em virtude do tratamento das mães tuberculosas. Foi assim que, em 1927, surgiu o Preventório Santa Clara destinados às crianças não doentes, mas predispostas, filhos de tuberculosos. Embora houvesse um número significativo de mulheres que procuravam a estância em razão do sanatório, o preventório recebia filhos de doentes de ambos os sexos, visto que muitas famílias dirigiam-se a Campos do Jordão em busca de tratamento ainda que não houvesse sanatórios populares disponíveis para todos.

No preventório eram acolhidos meninos de 7 a 10 anos, meninas da mesma faixa etária e adolescentes, onde recebiam educação primária e acompanhamento médico. Os meninos adolescentes iam para a Fazenda-Escola do Preventório em Paraíba do Sul, onde recebiam, além de tratamento, ensino agropecuário. Os preventórios eram mantidos por meio de sócios, subvenções e donativos e tinham como objetivo combater a tuberculose infantil (ROZETO, 1968, p.61).

Além do preventório destinado a receber crianças não tuberculosas, logo outras instituições surgiram para tratar os pequenos doentes. Preocupado com as crianças tuberculosas, Clemente Ferreira começou uma campanha. Como as instituições voltadas a doentes carentes não contavam com apoio financeiro governamental e dependiam basicamente de doações da elite para sua manutenção, em 1927 Clemente Ferreira deu início a “Campanha do Selo” liderando, durante vários anos, 14 dessas campanhas com a finalidade de educar a população e angariar verba para a Liga de Combate à Tuberculose (ROSEMBERG, 2007).

Por meio dessas campanhas o médico conseguiu financiamento para as obras do Preventório Santa Clara e também para a criação de um orfanato para os filhos dos consultivos em Campos do Jordão. As crianças com tuberculose ganhavam assistência por meio dessa instituição. O número de crianças tuberculosas era tão significativo quanto o de adultos. O alto poder de contágio da doença fez com que, durante vários anos, as crianças se tornassem alvo da moléstia. Por meio dos incentivos de Clemente Ferreira para cuidar da tuberculose infantil, outras instituições sanatoriais foram criadas especificamente para este público em Campos do Jordão. O Sanatório São Vicente de Paula, por exemplo, criado em

1933, atendia exclusivamente as crianças pobres. Sob doações de Macedo Soares e da Associação das Damas de Caridade, a instituição cuidava de aproximadamente 60 crianças internadas.

Ilustração 11 – Dormitório do Sanatório São Vicente de Paula. Atendimento infantil (194?)

Fonte: Acervo do Instituto do Patrimônio Histórico de Campos do Jordão

O zelo de Clemente Ferreira pelas crianças não era novidade. O médico ficou famoso em São Paulo não apenas por seu conhecimento em tisiologia, mas também por suas pesquisas relacionando a doença à pediatria. Em 1893, Ferreira publicou no "Bulletin de Therapeutique", o seu primeiro estudo sobre a tuberculose infantil (ROSEMBERG, 2007).

Logo, seus trabalhos científicos nessa área foram reconhecidos, e o clínico conceituado como

“médico das crianças” (BERTOLLI FILHO, 1993).

As ações de Clemente Ferreira em prol das crianças fizeram com que o médico ganhasse força entre as elites. A causa ganhou espaço por meio de leilões e eventos filantrópicos em apoio a tuberculose infantil. Neste cenário, Clemente Ferreira reforçou seus discursos sobre a necessidade de medicalização da classe pobre como um todo, dada as proporções de contágio dentre os menos favorecidos. Publicava artigos e proferia discursos chamando as parcelas favorecidas da população a cumprir sua função social no combate à

moléstia. Segundo afirmava o médico, o problema da tuberculose era muito mais social do que propriamente um problema médico:

O problema da tuberculose é um problema medico e em mais alto grau social, e, mais, que é preciso modificar o meio social no qual prospera a endemia, sendo certo que como problema 1/3 medico e 2/3 social, a peste branca necessita de uma profilaxia e de uma terapeutica sociais (FERREIRA, 1939) 54.

Assim, caberia aos ricos auxiliarem no tratamento dos mais pobres. Os sanatórios eram, como defendia o médico, uma das melhores formas de combate à doença, na medida em que ofereciam a estrutura e a disciplina necessária. Preocupado com a falta de estabelecimentos em Campos do Jordão para tender a um maior número de doentes pobres, ele liderou um campanha para angariar fundos para a construção dos Sanatorinhos, um conjunto de sanatórios destinados a receber exclusivamente doentes pobres. Por meio de uma Campanha do Selo natalina, Clemente Ferreira iniciou a busca de fundos para a construção do conjunto de sanatórios.

Ilustração 12 – Selo da Campanha Pró-Sanatorinhos (193?)

Fonte: SOUZA (1990).

A falta de leitos suficientes em Campos do Jordão era uma preocupação perene. A fama da estância dentre os tuberculosos começava a atingir níveis mais altos em fins da década de 1920. A divulgação das propriedades climáticas da estância aliada a sua estrutura para recepção de curistas começou a surtir efeitos. São diversos os relatos de doentes que não                                                                                                                          

54 Vide Estudo e Conferencias (1939-1943) (HOLANDA, 1950).

encontravam vagas em Campos do Jordão neste período (VIANNA, ELIAS, 2007; PAULO FILHO 1986). Um dos casos mais significativos foi o de uma das religiosas pertencentes à Congregação das Pequenas Irmãs da Divina Providência que adoeceu gravemente de tuberculose, em 1928, e teve de ser transportada de São Paulo a Campos do Jordão não encontrando, porém, vaga em nenhum lugar.

De acordo com Paulo Filho (1986), o relato foi contado pela madre superiora a José Carlos de Macedo Soares, que prontamente prometeu um lote de terras às irmãs para que a Instituição lá erguesse um abrigo para doentes. Nesse mesmo ano, foram iniciadas as obras para a construção de uma pequena casa para as irmãs, dotada de ala e enfermaria. Em novembro de 1929, a pequena casa transformou-se no Pensionato Divina Providência que recebia doentes pobres de ambos os sexos. Novamente, pelas mãos de Macedo Soares, um sanatório foi edificado em Campos do Jordão. Mas o Pensionato, que passou, posteriormente, a ser denominado Sanatório Divina Providência, ainda não era suficiente para atender a demanda de doentes. Tuberculosos não apenas das capitais paulista e carioca, mas também de outras regiões do país começaram a procurar a Suíça brasileira para tratamento da doença.

Segundo Bertolli (2001, p.143) , “os enfermos afluíam em massa, esperando encontrar com facilidade acolhida sanatorial, ou pensando que apenas a presença no ambiente serrano fosse o suficiente para recuperar a saúde comprometida”. Nesse cenário, era comum observar-se a morte pública de doentes esvaindo-observar-se em sangue observar-sem qualquer possibilidade de socorro.

Abandonados a própria sorte, os doentes que não tinha condições de pagar por sanatórios contribuíam com um cenário chocante na estância, agravando os problemas de saúde pública.

Ainda segundo o autor, “o custo de vida elevou-se ainda mais no decorrer dos anos 30 e o acúmulo de infectados pobres fez proliferar as choupanas e pensões clandestinas”.

Mediante a tal situação, em janeiro de 1931, surgiu a ideia da construção de um hospital popular em Campos do Jordão. De acordo com jornal de circulação interna da Ação Comunitária de Saúde (SANATORINHOS, 2004), o sanatório foi construído por preocupação do chefe da estação de trem, Sebastião Gomes Leitão, do Dr. Raphael de Paula Souza e da população jordanense com os tuberculosos pobres que não tinham condições de se internar em sanatórios particulares e acabavam por morrer na estação de trem local.

Diante desse preocupante quadro e descontente com os serviços do Sanatório São Paulo, que só atendia a mulheres, o Dr. Raphael Paula e Souza resolveu criar um sanatório que pudesse atender a um maior número de tuberculosos pobres. Apoiado por Clemente

Ferreira, pela Liga Paulista Contra a Tuberculose juntamente com os recursos obtidos pela campanha natalina de selos pró-sanatorinhos, bem como das promoções organizadas na capital paulista por Adelaide Pudente de Morais para angariar fundos, o médico concretizou sua ideia. Segundo Paulo Filho (1986, p. 290):

[...] o Dr. Raphael Paula Souza, que era diretor-clínico do Sanatório São Paulo, rebelara-se contra a escolha dos métodos feitos pela sua instituição no combate à tuberculose [refere-se ao Sanatório São Paulo], entendendo que o setor de assistência médica deveria ter prevalência sobre a dimensão e qualidade das obras de construção de sanatórios, os quais, despidos de ostentação, deveriam obter aproveitamento máximo, propiciando o maior número possível de internações.

O Dr. Raphael Paula e Souza começou, então, a colocar em prática seu plano:

programar construções baratas, simples abrigos higiênicos, inicialmente para permitir a instalação de equipamentos eficazes no combate à tuberculose. O terreno para construção de um abrigo foi doado pelo Dr. José Carlos de Macedo Soares cujo pedido de doação foi feito pessoalmente pelo médico. O primeiro pavilhão (Sanatório S1) foi inaugurado em 22 de novembro de 1931 e, segundo Paulo Filho (1986, p. 290), "a comunidade de Campos do Jordão, de forma natural e espontânea, começou a chamá-lo de Sanatorinho, denominação que ainda perdura até hoje". Em 15 de outubro de 1934, foi inaugurado o segundo pavilhão (Sanatório S2), com capacidade para 75 doentes, e sempre obedecendo ao critério de manter o máximo de internações com o mínimo de investimento em construção.

Com a construção dos Sanatorinhos o problema dos tuberculosos pobres estava, parcialmente, solucionado na estância. Mas a demanda era crescente e a necessidade de mais leitos se ampliava a cada ano. Contando apenas com as ações de médicos e membros da elite que custeavam todas essas obras, a Prefeitura Sanitária passou a ser cobrada em razão da falta de apoio. Clemente Ferreira não deixava de exigir uma maior participação do governo frente ao combate contra a moléstia, acusando a Prefeitura Sanitária até mesmo de negligência pela falta de auxílio financeiro para as ações realizadas pela Liga e empresários benfeitores.

Por seu turno a acção official tem sido até aqui por demais apagada, para não dizer nulla, e entretanto indispensável se faz uma campanha de tão grande porte, no manejo de um problema de tanta complexidade e polymorphismo, a assistência financeira efficaz do Poder Publico, pois, como já affirmou Calmette, a solução do problema da tuberculose é uma questão de dinheiro (FERREIRA, 1930 apud BERTOLLI FILHO, 1993, p.56).

  Segundo Bertolli Filho (2001), a falta de apoio financeiro do poder público nas ações de edificação de sanatórios populares se dava em razão do escasso orçamento da Prefeitura Sanitária para a manutenção da estância. A verba, advinda dos poucos impostos arrecadados, eram direcionadas as ações de urbanização, não sobrando valores suficientes para investir na

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