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Este tópico objetiva, em síntese, apresentar as principais contribuições que o modelo traduzido no funcionograma pode oferecer à experiência desenvolvida em Florianópolis. Ou seja, quais elementos constitutivos das etapas, presentes no funcionograma, não são identificados, no todo ou em parte, no Programa Capital Criança (PMF, 2004), no período 1997 – 2004.

Conforme descrito nas etapas de apresentação do Programa Capital Criança, a interação entre a prefeitura e a “sociedade (organizada e informada)”, com base na parceria e difusão de rotinas de atenção à saúde da gestante, ensejou o amadurecimento dessa relação no período em que perdurou o programa, isto é, sete anos. Pelo vértice do modelo proposto, é reconhecida a necessidade de crescente participação, conhecimento e autoria por parte da sociedade, concebendo tal evolução com amadurecimento político e educação.

O estado democrático de direito exige o engajamento dos poderes constituídos – “legislativo, judiciário e executivo”. No case de Florianópolis, o programa foi suportado por bases legais da Constituição Federal do Brasil, da Constituição do Estado de Santa Catarina, do Estatuto da Criança e do Adolescente e da Lei Orgânica do Município de Florianópolis. Tais dispositivos são premissas para o correto desenvolvimento de programas sociais, conforme prescrito na etapa que trata de poderes públicos do funcionograma.

As “Políticas Públicas e Indicadores” do programa em questão, mesmo sem a quantificação de objetivos a serem alcançados, foram além de seus propósitos iniciais, conforme PMF (2004). Os objetivos, as operações e ações ensejadas pelas políticas públicas na ocasião determinaram o sucesso do programa. Destaca-se que, embora não houvesse o tópico específico voltado à sustentabilidade (conforme caracterizado no funcionograma), a abrangência de stakeholders envolvidos viabilizou sua durabilidade ao envolver, além das mães e crianças de zero a seis

anos de idade, os componentes social, econômico, ecológico, espacial e cultural. No tocante às “Políticas Públicas – Perspectivas/Objetivos e Indicadores”, elementos que definem ações para alcançar os objetivos e o modo de aferir os resultados podem ser caracterizados no fluxograma 1 (critérios de acesso ao tratamento diferenciado) e 2 (procedimentos para preservar o conjunto mãe-filho do parto até a fase puerperal) já descritos. Mesmo considerando que os fluxogramas e os indicadores produzidos tenham sido apropriados à gestão da época, ao efetivar uma comparação com os atuais indicadores, percebe-se uma defasagem quanto ao compêndio de indicadores atuais, como a seguir alinhados:

 Proporção de resíduos reciclados. Proporção de resíduos destinados a aterro. Uso de material reciclado na embalagem (LERÍPIO, 2009).

 Níveis de lixo tóxico e cooperação internacional (caso haja) (Dashboard of Sustainability - HARDI, 2000).

 Porcentagem da economia local baseada em recursos locais renováveis. Porcentagem dos produtos produzidos, que são duráveis, reparáveis ou facilmente recicláveis ou compostáveis. Uso conservador e cíclico de materiais. Razão entre a energia renovável utilizada na taxa de energia renovável em relação a não-renovável (SUSTAINABLE MEASURES, 2010).

 Gastos com pesquisa e desenvolvimento (R$/setor; % do PIB; % do total). Esgotamento sanitário (% população urbana e rural atendidas por rede geral ou fossa séptica) (IBGE, 2010b).

 Indicadores de intervenção na sociedade civil. Indicador de conforto ambiental (ESI, 2010).

 Carga (fardo) de doenças provocadas pela degradação ambiental (EPI, 2010).

 Participação dos 20% mais pobres na renda total. Porcentual de gravidez na adolescência. (Objetivos para o Milênio - AGENDA 21/ONU, 2007).

 Esgoto e efluentes tratados (ONU - AGENDA HABITAT, 2010). Dos indicadores apresentados, nem todos são concernentes às atividades do

Programa Capital Criança. Além disso, determinado indicador pode ter sido utilizado e não considerado explicitamente na publicação. Justifica-se a seleção para caracterizar o desenvolvimento do compêndio de indicadores.

Nas etapas de “Observatórios: auditorias, ações e agentes” e “Políticas públicas: processos e resultados”, constatam-se as maiores contribuições que o presente funcionograma pode prestar quando cotejado com o do programa em questão.

Considerando que os agentes públicos não podem ser auditores de suas próprias ações, os resultados devem ser encaminhados para análise às auditorias interna e externa. Pois, como exalta Jannuzzi (2005), os Tribunais de Contas devem avaliar o desempenho dos programas além de uma conformidade legal.

Daí a relevância de observatórios (enquanto formas autônomas de aferição de desempenho) que, ao reunir em banco de dados os principais indicadores, podem e devem, em paralelo, aferir e disseminar para a sociedade os resultados com a devida transparência e idoneidade.

Da mesma forma, o encaminhamento dos resultados às auditorias demanda a utilização de TIC‟s apropriadas. Fazendo a analogia com o Capital Criança (no ambiente do “trabalho em rede”), notou-se carência de TIC disponível na base de sistema de saúde, ou unidade sanitária, para que as informações chegassem em tempo real e permitissem determinadas tomadas de decisões. Essa carência pode e deve ser suprida pela disponibilidade de TIC´s apropriadas. Pode-se inferir que, neste ponto, constata-se a convergência do modelo com o Programa de Engenharia e Gestão do Conhecimento.

Tal situação suscita a seguinte pergunta: os indicadores são tratados como informação ou podem gerar capacidade para tomada de decisão?

Pela ótica do observatório, ambas as possibilidades ocorrem. Inicialmente, os indicadores são informação; posteriormente, passam a gerar capacidade de tomada de decisão pelos agentes envolvidos.

No case descrito, em face do caráter da informação, que envolve muitas vezes a sobrevida da criança ou mesmo da mãe, os indicadores são fundamentais para a tomada de decisão do agente da unidade sanitária.

A motivação e o engajamento que levam à aferição de desempenho e, por conseguinte, à correção/recompensa, são sub-etapas vinculadas diretamente aos agentes e aos observatórios, conforme direciona o funcionograma. No Capital

Criança, os resultados alcançados pelos agentes públicos e a capacitação das equipes constituíram o instrumento animador e a “referência de satisfação”, conforme PMF (2004), ao reunir gestantes e parceiros na finalidade de buscar o melhor direcionamento das ações do programa.

As etapas contempladas levam à “Aferição dos resultados” como forma de retroalimentar o processo, buscando melhorar a realidade social. É o que intenta o funcionograma.

Da parte do Programa Capital Criança, mais que os prêmios, o que conta são os resultados aferidos e o reconhecimento do segmento social envolvido e de agentes públicos e parceiros que participaram do programa. A adoção do processo no âmbito do Estado e mesmo fora atestam o método adotado.

Desse modo, ao contrapor o referido programa ao fluxograma buscou-se, inicialmente, não partir para a identificação de eventuais lacunas do programa, e, sim, refletir sobre quais aspectos em que o modelo proposto poderia “contribuir” com vistas ao desenvolvimento de um programa com resultados notórios. Assim, entende-se que a demonstração, em cada etapa, da inserção de instrumentos adequados pode viabilizar o modelo proposto.