2.3 Conhecimento Organizacional
2.3.2 Dados e Informação como Base do Conhecimento
De forma semelhante à dos índios americanos, que passam seus conhecimentos de uma geração para outra, uma organização que cultiva sua memória organizacional preserva o conhecimento de seus colaboradores. Isso permite à organização repetir as experiências que deram certo, acrescentar novos conhecimentos e, acima de tudo, evitar erros já cometidos.
Como a saída de indivíduos de uma organização é, não raro, inevitável, o desafio concentra-se na sua capacidade de gerenciar o conhecimento vivenciado por seus membros, captando, registrando e disseminando. Dessa forma, a rotatividade dentro da empresa pode ser vista como um fator positivo para a soma de novos conhecimentos aos já existentes no âmbito da organização.
O conhecimento organizacional é “aquilo” que as pessoas sabem sobre seus clientes, produtos, processos, erros e sucessos, somado aos insights e às intuições construídas por meio da memória de longo termo, que guarda as experiências vividas e as emoções relacionadas a essas vivências. Todavia, existe confusão quanto aos conceitos de dados, informações, conhecimento e inteligência, e é justamente o conjunto destes elementos que compõe a maioria dos processos nas
organizações.
É com conhecimento que se transforma dados em informações e, posteriormente, conforme Davenport e Prusak (1998), por meio da análise e compreensão das informaçõe,s é que se chega a novos produtos e processos que, por sua vez, trarão novas experiências e conhecimentos à organização.
Na prática, esses elementos obedecem a uma hierarquia na geração do conhecimento e da inteligência. Conforme a Figura 2, os dados coletados, processados e distribuídos formam a base da informação que, por meio do raciocínio das pessoas e da tecnologia, geram conhecimento: informação interpretada e inteligência que é a aplicação do conhecimento, a maneira como ele é gerido pela empresa.
Figura 2: Etapas na geração do conhecimento e inteligência Adaptado de: Souza, 2002.
Entende-se por dado um conjunto de fatos sobre um evento ou objeto, facilmente obtido, armazenado e catalogado, sendo este a parcela quantificável e objetiva do estoque de informação e conhecimento da organização. Os dados não têm significado inerente e se encontram armazenados em banco de dados ou documentos da empresa (DAVENPORT; PRUSAK, 1998).
Informação, como explica Davenport e Prusak (1998), é o dado dotado de
DADO 1ª etapa INFORMAÇÃO 2ª etapa CONHECIMENTO
INTELIGÊNCIA 3ª etapa Instrumento de coleta de dados Processamento Distribuição
Custo versus Benefício
Efetividade Pertinência Valor Agregado Valor da Informação
significado e, quando usado de maneira positiva, transforma a realidade e educa o homem. A informação é o dado analisado, dotado de relevância e de propósito para quem o percebe.
O conhecimento, por fim, é o resultado da percepção humana, do entendimento e da aprendizagem de um novo modo de agir. Como ensinam Davenport e Prusak (1998), conhecimento é a informação devidamente tratada como conjunto de experiências, informação contextual e intuição que habilitam o indivíduo a interpretar, avaliar e tomar decisões.
Com base em Davenport e Prusak (1998), no Quadro 2, são assim conceituados e relacionados dados, informação e conhecimento.
Dados Informação Conhecimento
Simples registros de observações sobre o estado do mundo. Facilmente estruturados. Facilmente obtidos por
máquinas. Frequentemente quantificados. Facilmente transferíveis. Dados dotados de relevância e propósito. Requer unidade de análise. Exige consenso em relação ao significado. Exige necessariamente a mediação humana. Informação valiosa da mente humana.
Inclui reflexão, síntese, contexto. De difícil estruturação. De difícil captura em máquinas. Frequentemente tácito. De difícil transparência. Quadro 2: Dados, informação e conhecimento
Fonte: Davenport; Prusak, 1998, p. 18.
Para Sveiby (1998), o conhecimento se refere às capacidades de agir do indivíduo, orientado para a ação; é sustentado por regras e está constantemente em transformação. Davenport e Prusak (1998) elucidam ainda que o conhecimento:
É uma mistura fluida de experiência condensada, valores, informação contextual e insight experimentado (...), tem origem e é aplicado na mente dos conhecedores. Nas organizações, ele costuma ser embutido não só em documentos ou repositórios, mas também em rotinas, processos, práticas e normas organizacionais (p. 6).
Para Probst, Raub e Romhardt (2002, p. 24), o conhecimento é relacionado ao conjunto de cognições e habilidades com os quais os indivíduos solucionam problemas teóricos e práticos; baseia-se em dados e informação, mas, diferentemente destes, está ligado às pessoas.
mudança de paradigma das empresas da era industrial para as baseadas no conhecimento. As pessoas passaram da condição de geradoras de custos na era industrial para a de geradoras de receitas na era do conhecimento.
Stewart (2002) expõe que os ativos convencionais, capital físico e financeiro, não desapareceram e não desaparecerão, mas em face de sua importância crescente, como produto em si e nos processos que agregam valor ao trabalho, é inevitável que o conhecimento se transforme em ativo cada vez mais importante para as organizações.
Item Era Industrial Era do Conhecimento
Pessoas Geradores de custos ou recursos. Geradores de receita.
Fonte de poder dos
gerentes Nível hierárquico na organização. Nível de conhecimento.
Luta de poder Operários x Capitalistas. Trabalhadores do
conhecimento x gerentes.
Informação Instrumento de controle. Ferramenta para comunicação.
Produção Operários processando recursos
físicos para criar produtos tangíveis. Trabalhadores do conhecimento convertendo conhecimento em estruturas tangíveis. Gargalos da
produção Capital financeiro e habilidades humanas. Tempo e conhecimento. Fluxo de produção Direcionados pelas máquinas;
sequencial. Direcionado pelas ideias, caótico.
Conhecimento Ferramenta ou recursos como
outros. O foco do negócio.
Propósito do
aprendizado Aplicação de novas ferramentas. Criação de novos ativos. Valores de mercado Decorrentes em grande parte dos
ativos tangíveis. Decorrentes em grande parte dos ativos intangíveis. Quadro 3: Paradigmas das Empresas da Era Industrial e do Conhecimento.
Fonte: Fialho et al. (2006, p. 6).
De acordo com Crawford (1994), existem quatro características fundamentais do conhecimento que o tornam um recurso único na criação de uma nova economia:
O conhecimento é difundível e se auto-reproduz; O conhecimento é substituível;
O conhecimento é transportável; O conhecimento é compartilhável.
Com o advento e a consolidação da nova economia, segundo Dening (2004), o conhecimento tornou-se a principal fonte de vantagem competitiva das organizações.
Além da produção de bens e serviços, tem-se a inserção do desenvolvimento de atividades variadas que buscam gerar soluções inovadoras por meio de ações estratégicas no ciclo de criar, adotar, disseminar e recuperar o conhecimento (BHATT, 2000).
Mundim e Ricardo (2004) salientam que tais características criam um novo ambiente em que o conhecimento é o principal instrumento para alianças e para o estímulo da inovação e do desenvolvimento face às suas múltiplas possibilidades de aplicação.