CAPÍTULO IV OS ANTECEDENTES, A REVOLUÇÃO E AS REDES DE RELAÇÕES
4.2 Redes Exógenas
4.2.2 A conexão com os Radicais
Como vimos no segundo capítulo, durante toda a história da Argentina, ocorreu a tensão entre a centralização do Estado-nacional ou maior autonomia das províncias do interior e na Conjuntura de 1890, essa tensão retornou com toda a força. A Argentina vivia uma crise socioeconômica e política profunda.574
571
RECKZIEGEL, 1999, p. 116.
572
Ver: RECKZIEGEL. 1999. BARRÁN, 1974. ALBARNOZ, Vera do Pado Lima. Armour: Uma aposta no pampa. Santana do Livramento: Gráfica e Editora Pallotti, 2000.
573
RECKZIEGEL, 1999, p. 121.
574
Segundo Marta Bonaldo, a partir da década de 1880, haviam aumentado as iniciativas de centralização. Entre estas estava “la respuesta definitiva a la cuestión de la capital, el afianzaminto del monopólio de la coacción por parte del gobierno federal, eliminando los ejércitos particulares y la consolidación de instancias de consenso institucional”575. Ainda, segundo a autora, sob o federalismo Argentino
[...] se escondió una administración unitária, sostenida en una creciente apropiación de recursos, que dependió de una trama aceitada del poder electoral, de la instrumentación operativa de la intervención federal para controlar la oposición y de la eficaz vinculación de los gobernadores con el gobierno central a través del Senado nacional.576
Para compreendermos a aproximação dos radicais argentinos dos liberais-federalistas rio-grandenses é fundamental analisarmos a trajetória política do principal líder radical da década de 90, Leandro N. Alem, bem como do partido político por ele idealizado, a União Cívica Radical (UCR).
Leandro N. Alem nasceu em 11 de março de 1842. Sua Mão chamava- se Tomasa Ponce Gigena. Seu pai era Leandro Antonio Alem membro da Sociedade Popular Restauradora e da “Mazorca” composta de 191 membros, reunia fazendeiros e comerciantes, era uma das principais forças de apoio do governo Rosas. Outra importante organização foi La Mazorca “integrada por la capa de matarifes y mulatos sin ocupación precisa, era el elemento ejecutor, especialmente de los atentados e crímenes que la primera inspiraba”, a Mazorca era uma espécie de polícia secreta do governo Rosas577.
Leandro Antonio Alem apoiava o presidente Rosas. Sua casa, na esquina das ruas “Federacion y Ombu” (hoje: Av. Rivadavia com Matheus), em Buenos Aires, era um centro de discussão política onde se concentravam muitos federais – grupo que se opunha aos unitários - sendo uma pulperia578, era também
575
BONAUDO, 2003, p. 53. “a solução definitiva sobre a questão da capital, o balizamento do monopólio de coação por parte do governo federal, eliminando os exércitos particulares e a consolidação de instâncias de consenso institucional” [Tradução Nossa].
576
Ibidem, p. 53. “se escondeu uma administração unitária, sustentada em uma crescente apropriação de recursos, que dependia de uma trama de poder eleitoral, da instrumentação operativa da intervenção federal para controlar a oposição e da eficaz vinculação dos governadores com o governo central através do Senado nacional.” [Tradução Nossa].
577
PASO, 1974, p. 119. “integrada por uma camada de matarifes e mulatos sem ocupação precisa, era o elemento executor, especilmente dos atentados e cimes que a primeira inspirava” [Tradução Nossa].
578
O mesmo que Bolicho ou Bolichão, casa de comércio, onde se vendiam vários artigos. O dono da pulperia, ou do bolicho, tinha sempre contato com todos os passantes e vizinhos de sua região. O comércio também lhe
um lugar de passagem de grande parte das pessoas que vinham das províncias do Oeste, em direção a Buenos Aires. Após a derrota de Rosas, o pai de Leandro Alem passou a ser perseguido e acabou fuzilado na praça Independência, também conhecida como Concepcion.579
Leandro N. Alem aprendeu as primeiras letras com o Clérigo Gozáles – amigo da família - mais tarde foi matriculado na escola de instrução de Don Lorenzo Jordana, onde encontrava consolo “em el estúdio y la lectura”580. No final da década de 60, iniciou sua atividade política mais intensa. Em 1869, bacharelou-se defendendo tese intitulada “estúdio sobre la obligaciones naturales581”. Após sua formatura, foi designado secretário da Legação Argentina na Corte do Brasil. Retornando a Buenos Aires, passou a advogar e intensificou sua atuação política junto ao Partido Autonomista.582
Em 1868 e 1869, Leandro N. Alem, participou, com outros jovens do subúrbio de Buenos Aires, da fundação do Clube Igualdade. O clube, eminentemente político, destacou-se na defesa dos direitos dos povos, do respeito ao sufrágio, do fim das fraudes, o lema dos jovens reproduzia o da Revolução Francesa, Igualdade, Liberdade e Fraternidade – outros autores sustentam que o lema do clube seria liberdade, progresso e democracia. Posteriormente fundou o Clube 25 de maio e lançou, com os demais membros do Clube, o periódico El Fênix, defendendo uma reforma na constituição provincial. Apesar de favorável à União Nacional, os membros do Clube eram contrários à federalização de Buenos Aires, defendendo a autonomia das províncias e dos municípios. O seu programa expressava claramente o desejo de que a “Argentina” se tornasse um Estado Federal descentralizado, com respeito à autonomia das províncias. Em 1872, participou da fundação do Clube Eleitoral.583 Esses diversos clubes e seus programas já traziam diversas idéias e propostas que estariam presentes no programa do Partido Republicano, da União Cívica e da União Cívica Radical. Em
garantia prestígio social e uma clientela política. As pulperias eram lugares de socialização e difusão de sistemas de representações sociais e políticas. PAGANI, 2005. pp. 293-321. (Ver representação de uma pulperia no Anexo “I” e “J”).
579
CLUCELAS, María Isabel. Prólogo. In: CÍRCULO DE LEGISLADORES DE LA NACIÓN ARGENTINA.
Leandro N. Alem. Un Caudillo en el Parlamento. Buenos Aires: Círculo de Legisladores de la Nación.
Argentina/Artes Gráficas Yerbal, S.R.L., 1998. 94p. (Colección: vida, Ideas y Obras de los Legisladores Argentinos).
580
Ibidem, p. 9. “No estudo e na leitura” [Tradução Nossa].
581
CLUCELAS,1998. “Estudo sobre as obrigações naturais” [Tradução Nossa].
582
Ibidem.
583
1872, conseguiu eleger-se deputado provincial de Buenos Aires; em 1874, elegeu-se deputado federal. Durante esse período manteve-se ao lado dos autonomistas, na defesa do governo de Sarmiento.
A partir de 1876, Leandro N. Alem passou a críticar os rumos do governo e do partido autonomista. As críticas de Alem eram motivadas pelo acordo estabelecido entre Mitre e Alsina e pela possibilidade de que os autonomistas apoiassem a candidatura de Julio Argentino Roca. Uma parte do Partido Autonomista não aceitou este acordo e a dissidência reunia Leandro Alen, Aristobollo del Valle, Hipólito Yrigoyen, entre outros.584
Em 1876, Alem e outros descontentes do autonomismo fundaram o Comitê Republicano, pouco tempo depois, transformado em Partido Republicano. Apesar de efêmero, o Partido Republicano afirmava em seu programa a defesa da “Descentralización política, administrativa y judicial dentro de los límites de la Constitución”, também defendia o respeito ao sufrágio, o fim das fraudes e da violência política.585
Da eleição presidencial de 1880, saiu vitorioso o candidato Julio Argentino Roca, apoiado pela Liga dos Governadores, somente a província de Buenos Aires e de Corrientes se opuseram. Nas discussões ocorridas em 1880, sobre a federalização de Buenos Aires, Alem tomou uma série de posições que lhe acompanhariam até seu trágico fim em 1896. É vital compreendermos os posicionamentos de Alem neste momento, para entendermos a aliança que este buscou construir com os liberais-federalistas em 1893-1895.
Partindo de leituras liberais, em especial das críticas presentes em Edouard Laboulaye, mas também de Aléxis Toqueville, Alem criticou e apontou os males que poderiam advir da centralização.586 Achava que não era o momento de fazer a federalização de Buenos Aires. Segundo ele, deveria ser eleito um novo corpo legislativo, pois o que estava atuando em 1880 havia sido eleito pela máquina eleitoral montada por Roca e, portanto, era em sua imensa maioria simpático ao
584
É importante destacarmos desde a década de 1870 a fração mais popular do Partido Autonomista, liderada por Leandro Alem e Aristóbulo del Valle, lutava pelo estabelecimento do regime municipal na região da campanha argentina bem como por outras exigências em prol do interior. PALÁCIO, 1973.
585
PASO, 1974, p. 245. “Descentralização política, administrativa e judicial dentro dos limites da Constituição”. [Tradução Nossa].
586
Presidente e ao seu projeto. Na sessão de 15 de novembro deste mesmo ano, ele se posicionou sobre a “federalização” de Buenos Aires:
En esta cuestión y en la forma en que se presenta, se entrañan, por aí decirlo, las dos tendencias que más han preocupado a nuestros hombres públicos y más han trabajado nuestra organización política: la tendencia centralista unitaria y aun puede decirse aristocrática, y la tendencia democrática descentralizadora y federal que se le oponía.
Siempre que esta cuestión ha surgido, pretendiendo una solución como la presente, al momento también han aparecido en lucha aquellas dos tendencias y la razón es sencilla. Para el régimen centralista y unitario, dadas las condiciones de nuestro país y el estado de las otras provincias, la capital en Buenos Aires es necesaria, es indispensable, tiene que ser uno de los resortes principales del sistema, y para la tendencia opuesta, para ele principio democrático y el régimen federal en que aquél se desarrolla, la capital en este centro poderoso entraña gravísimos peligros y puede comprometer seriamente el porvenir de la República constituida en esa forma y por ese sistema.587
Após uma longa exposição histórica sobre a tensão entre um Estado centralizado com sede em Buenos Aires e um Estado federal descentralizado, Alem argumentou que a federalização de Buenos Aires poderia, na realidade, tornar-se uma nova forma de centralização, gerando novas revoltas no interior, por isso era contrário ao projeto do presidente Roca. Em sua opinião, a federalização feria de morte o princípio que ele defendia: a autonomia das províncias e das cidades.
Para Leandro Alem, Buenos Aires
[...] no podia, ni debia ser, ni seria la Capital de la Republica, no solamente por el derecho que tenía a conservar su autonomía y la influencia legítima que sus antecedentes y sus elementos le dan, sino también porque esa solución a la cuestión pendiente envolvía gravísimos peligros para el porvenir de la República, minando por su base, como antes lo ha hecho, el régimen de gobierno por que tanto habían batallado los pueblos que la componían.588
587
ALEM, Leandro N. Sesión del 15 de noviembre de 1880. In: CIRCULO..., 1998. p 58-59. "Nesta questão e na forma em que se apresenta, se estranham por assim dizer, as duas tendências que mais têm preocupado a nossos homens públicos e que mais tem trabalhado em nossa organização política: a tendência centralista unitária e ainda pode se dizer aristocrática e a tendência democrática descentralizadora e federal que se opõe à primeira.
Sempre que esta questão surgiu, se apresentou-se uma solução como a presente, apareceu também a luta entre estas duas tendências. Para o regime centralista e unitário, dadas as condições de nosso país e o estado de nossas províncias, a capital em Buenos Aires é necessária, é indispensável, tem que ser um dos pilares principais do sistema, e para a tendência oposta, para o princípio democrático e o regime federal em que se desenvolve, a capital neste centro poderoso encerra gravíssimos perigos e pode comprometer seriamente o futuro da República constituída desta forma e por este sistema". [Tradução Nossa].
588
ALEM, Leandro N. Sesión del 15 de noviembre de 1880. In: CIRCULO..., 1998, p. 66."...não podia, nem devia ser, nem seria a capital da República, não somente pelo direito que tinha de conservar sua autonomia e a influência legítima que seus antecedentes e seus elementos lhe dão, como também, porque essa solução a questão pendente, envolvia gravíssimos perigos para o futuro da República, minando por suas bases, como antes o havia feito, o regime de governo por que tanto haviam batalhado os povos que a compunham". [Tradução Nossa].
Argumentava que a federalização de Buenos Aires seria o “más rudo golpe, […] a las instituciones democráticas y al sistema federativo” e que se o projeto passasse os argentinos teriam como conseqüência “un gobierno (central) tan fuerte que al fin concluirá por absorber todas las fuerzas de los pueblos e de los ciudadanos” da República.589 Logo, para Leandro Alem, a federalização da cidade de Buenos Aires era um duro golpe na autonomia da província de Buenos Aires e, a médio prazo, ocasionaria uma maior centralização. A solução de transformar Buenos Aires em capital definitiva já havia sido proposta diversas vezes. Essas propostas sempre haviam partido dos setores unitários e centralistas, segundo Alem:
[...] la solución que hoy se nos propone ha sido especialmente buscada por los monarquistas, los ultra unitarios, los déspotas y los que querían dominar desde aquí a la República, levantando una oligarquía siempre subversiva de las instituciones democráticas, como lo pretendió el general Mitre en 1862 y que la tendencia descentralizadora y el sentimiento autonómico de los pueblos ha salvado hasta ahora a la República federal.590
Os discursos de Alem nesse período e seus posicionamentos posteriores demonstram claramente suas concepções em defesa do federalismo e da autonomia das províncias. Em outros discursos proferidos nas sessões dos dias 12 (doze), 15 (quinze),17 (dezessete) e 23 (vinte e três), esclareceu suas propostas federalistas.
Segundo suas palavras:
Es en el sistema federal en el que pueden con más amplitud y facilidad desarrollarse las instituciones democráticas y el gobierno de propios. Es el que mejor responde a las legítimas aspiraciones de las colectividades, el único que perfectamente se armoniza con la naturaleza humana y con su propia dignidad, por que no es verdaderamente meritorio a un pueblo o un individuo sino cuando vive de su propio aliento, desarrolla por si solo suas fuerzas y carga con sus responsabilidades. […] Cuando un centro atrae todos os elementos y vitalidad del país a ese solo punto, sucede que si este punto vacila, toda la nación se conmueve, no tiene fuerzas, defensas
589
ALEM, apud, MONTEVERDE, p. 7. “o golpe mai violento, (...) as instituições democráticas e ao sistema federativo” (...) “um governo (central) tão forte que acabará abasorvendo todas as forças dos povos e dos cidadãos” [Tradução Nossa].
590
ALEM, Leandro N. Sesión del 24 de noviembre de 1880. In: CIRCULO, 1998, p. 75-76."...a solução que hoje se propõe, tem sido buscada pelos monarquistas, os ultra-unitários, os déspotas e os que queriam dominar desde aqui a República, levantando uma oligarquia sempre subversiva as instituições democráticas, como o pretende o general Mitre em 1862 e que a tendência descentralizadora e o sentimento autonômico dos povos tem salvado até agora a República federal." [Tradução Nossa].
convenientemente distribuidas. Allí está todo. Allí se da el golpe a toda la nacionalidad. 591
O trecho selecionado permite compreender a sólida formação de Alem sobre o federalismo e de sua defesa intransigente ou “radical”. Também percebemos claramente a presença da idéia de fracionamento do poder e da soberania. Para ele, o federal era o melhor existente, vujo princípio serviu como bandeira nas revoluções de 1891 e de 1893. A federalização de Buenos Aires foi identificada por Alem como um
[...] rudo golpe para las instituciones democráticas y el sistema federativo en que ellas se desenvuelven [...] cuando el poder general, por si solo, tenga más fuerza que todos los Estados Federales juntos, el régimen republicano quedará escrito en la Carta, pero fácilmente podrá ser, y será, paulatinamente subvertido en la práctica y al fin avasallado completamente en cualquier momento de extravío. […] El centralismo absorberá todos los pueblos y ciudadanos de la República. […] el día que se entregue la ciudad de Buenos Aires, ese centro poderoso, la suerte de la República Argentina Federal quedará librado a la voluntad y pasiones del jefe de Estado. El día que venga un presidente porteño un poco voluntarioso, con su círculo respectivo, ya verán las provincias qué les sucederá.592
A previsão de Alem também foi confirmada. Os acordos oficialistas entre o presidente e a “liga dos governadores” deixava pouco espaço para a atuação de qualquer grupo de oposição e para qualquer decisão que se opusesse à vontade do mandatário da nação pois a autonomia das províncias existia somente no papel.
O presidente Roca buscava fazer com que o Estado-nação estivesse acima de qualquer ação ou revolução, tornando-se, dessa maneira, o árbitro dos
591
ALEM, apud, MONTEVERDE, 1982. p. 7. “É no sistema federal, no qual podem com maior amplitude e facilidade desenvolver-se as instituições democráticas e o auto-governo. É ele que melhor responde as legítimas aspirações das coletividades, o único que perfeitamente se harmoniza com a natureza humana e com sua dignidade, por que não é verdadeiramente louvável a um povo ou a um indivíduo, senão quando vive de seu próprio trabalho, desenvolve por si só suas forças e arca com as suas responsabilidades (...) quando um centro atrai todos os elementos e vitalidade do país, nesse uníco ponto, ocorre que se este ponto vacila, toda a nação se comove, não tem forças e defesas convenientemente distribuídas. Alí está tudo. Ali se dá o golpe em toda a nacionalidade." [Tradução Nossa].
592
ALEM, apud, MONTEVERDE, 1982. p. 7. "...violento golpe para as instituições democráticas e para o sistema federativo em que elas se desenvolvem (...) quando o poder geral, por si só, passe a ter mais força que todos os Estados Federais juntos, o regime republicano ficará escrito na Carta, mas facilmente poderá ser, e será, paulatinamente subvertido na prática e, por fim avassalado completamente em qualquer momento de desatenção (...) O centralismo absorverá todos os povos e cidadãos da República. (...) no dia que se entregue a cidade de Buenos Aires, esse centro poderoso, a sorte da República Argentina Federal ficará subjugada a vontade e as paixões do chefe de Estado. O dia que venha um presidente portenho, um pouco voluntarioso, com seu círculo respectivo, já vieram as províncias o que lhes acontecerá". [Tradução Nossa].
diversos interesses nacionais593. O projeto de Roca e sua maneira de governar foram continuados por Miguel Juarez Celmam (1886-1890), com crescente fortalecimento do poder presidencial. Vigorava, então, na Argentina um regime de partido único, o Partido Autonomista Nacional (PAN), comandado pelo presidente da República, que tinha seu poder sustentado por uma:
[...] suerte de compadrazgos donde el presidente de la República, los legisladores y los gobernadores de provincias formaban una estrecha malla de intereses políticos, que eran los que en realidad gobernaban y permitían que la ideología tuviera andamiento.594
A partir de 1889, Leandro N. Alem participou de uma série de reuniões na estância de seu amigo Manuel Gorostioga, no Café Paris e na Casa de Aristóbulo del Valle595. O Café Paris foi o centro de reunião e de agrupamento, de homens de diferentes tendências, como Bernardo de Irigoyen, Aristóbulo del Valle, Hipólito Yrigoyen, Luis Lagos, Delfin Gallo, Emilio Mitre, entre outros. Nessas reuniões, foi idealizada a fundação de um novo partido. Finalmente, em 1º de setembro de 1889, no Jardim Florida, foi fundada a União Cívica da Juventude (UCJ). Entre os motivos apontados pelo grupo estavam:
La supresión del sufragio libre en todo el país, la corrupción administrativa entronizada; el autoritarismo del gobierno de Roca: la desaparición del gobierno municipal libre y autónomo; el vejamen que sufrían las provincias; la violación de las garantías constitucionales protectoras de la libertad civil; un exceso de poder concentrado en las manos del presidente de la República; el sensualismo erigido en sistema administrativo; la crisis económica que empezaba a perturbar los negocios; la dilapidación de la renta pública y el derroche de los dineros bancarios; el régimen de favoritos avaros que rodeaban al presidente…596
593
A partir de Roca “el presidente dictaba la ley, su opinión era lo único que contaba”, mais tarde esta preponderância do poder executivo federal sobre a política Argentina foi denominada de “unicazo”. PALÁCIO, 1973. p. 277.
594
LUNA, Félix. Breve historia de los argentinos. Buenos Aires: Booket, 2004. p. 125."...quantidade de correligionários onde o presidente da República, os legisladores e os governadores de províncias formavam uma estreita teia de interesses políticos, que eram os que na realidade governavam e permitiam que a ideologia tivesse andamento". [Tradução Nossa].
595
ALONSO, Paula. Cap. V. La Unión Cívica Radical. Fundación, oposición y triunfo (1890-1916). In: LOBATO, Mirta Zaida. El Progreso, La Modernización y sus límites. (1880-1916). Buenos Aires: Editorial sudamerica, 2000. pp. 209-259. p. 212.
596
A supressão do voto livre em todo o país, a corrupção administrativa entronizada; o autoritarismo do governo de Roca: a desaparição do governo municipal livre e autônomo; a huminhação que sofriam as províncias; a violação das garantias constitucionais protetoras da liberdade civil; um excesso de poder concentrado nas mãos