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CAPÍTULO I – INTRODUÇÃO

1. Enquadramento temático da investigação

1.1. O Turismo

1.1.2. A conservação da natureza e as áreas protegidas

Nas sociedades ocidentais a conservação da natureza é um conceito relativamente recente que surge no limiar do século XX como corolário das profundas reformas industriais agrícolas e florestais introduzidas na Europa durante os séculos XVIII e XIX e concomitantemente dos desequilíbrios e disfunções demográficas sentidos à escala planetária (MA, 1999, p. 5).

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A tomada de consciência de um conjunto de problemas ambientais que emergem, resultado das novas dinâmicas territoriais, leva vários países a declararem diversos espaços naturais como “Área Protegida”4 (A.P) no sentido de preservar o património

natural e cultural evitando, desta forma, a sua destruição maciça e acelerada.

Entendemos que os espaços naturais, em sentido estrito, são aqueles que não foram objeto de intervenção do Homem. Evoluíram de forma espontânea e apresentam um estado de pureza antes de serem ocupados pelas atividades do Homem. Mantêm um nível de conservação dos seus valores naturais bastante elevado e constituem verdadeiros reservatórios de recursos naturais.

As primeiras declarações de A.P estão ligadas a motivações de ordem naturalista e tiveram a sua primeira expressão nos Estados Unidos da América do Norte. Com efeito, já em 1872 foi criado o National Park Yellowstone. Na Europa, surgem os primeiros parques naturais no início do século XX e a sua génese prende-se não só com as preocupações ambientalistas na preservação de espécies, mas também com interesses de certas elites da população desejosas de estabelecer uma relação com a natureza.

O conceito de área protegida remete para a existência de um estatuto legal de proteção de um espaço natural com base nas suas características ecológicas, ambientais, patrimoniais, paisagísticas e culturais.

As designações de proteção mais conhecidas a nível mundial são a de “Parque Nacional”, "Parque Natural" ou "Reserva Natural" embora existam outras classificações, mas sempre com o objetivo de preservação do património natural e cultural. Um aspeto importante é que os termos utilizados englobam tanto uma gama de áreas protegidas onde a entrada de visitantes é limitada e de áreas protegidas onde o enfoque é a conservação do ambiente mas é permitida a entrada de visitantes ou áreas protegidas com objetivos de conservação memos restritivos e que se integram com os modos de vida humanos tradicionais (Dudley, 2008).

A nível internacional existe um considerável acervo de documentos legislativos e declarações que fazem referência às A.P.

A União Internacional Para a Conservação da Natureza (IUCN – sigla em inglês) define A.P como

an area of land and/or sea especially dedicated to the protection of biological diversity, and of natural and associated cultural resources, and managed through legal or other effective means (IUCN, 1994, p. 7).

4 Diversos autores utilizam diferentes terminologias (por ex: paisagem natural, espaços naturais protegidos, unidades de

conservação, espaços territoriais especialmente protegidos, territórios protegidos entre outros) para delimitar o conceito. Ao longo deste trabalho utiliza-se o termo Área Protegida para que, desta forma, o conceito compreenda os elementos naturais, culturais e humanos que devem ser considerados no património a proteger.

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Em Portugal a criação das áreas protegidas ocorreu nos anos setenta, do século XX, na sequência da adoção legislativa específica cujo enfoque contempla a proteção da natureza, incluindo os valores ditos naturais, subjacentes a um certo tipo de paisagem. O estabelecimento de uma Rede Nacional de Áreas Protegidas foi, sem dúvida, um marco importante na perspetiva de conservação do património natural. Contudo, o grande incremento na criação de áreas protegidas foi dado nos finais da década de oitenta, do anterior século (Castro, 2004).

A Rede Natura 20005 (RN 2000), Reserva Ecológica Nacional e a Rede Nacional de Áreas

Protegidas constituem, atualmente, regiões e sítios cuja preservação e manutenção sustentável é um objetivo que se deve perseguir e “por toda a parte – e não só no chamado mundo civilizado – as áreas protegidas constituem uma das principais redes do futuro ambiental” (Schmidt, 2007, p. 119).

A ligação entre as áreas protegidas e o turismo é remota. No momento em que as áreas protegidas tiveram a sua génese, o turismo estabeleceu uma ligação com elas, ligação que embora por vezes tenha sido complexa e conflituosa, é facto que o turismo é uma componente sempre a considerar na gestão e conservação daquelas.

A função recreativa e turística das áreas naturais não é um fenómeno recente mas o seu desenvolvimento tem sido incrementado nas últimas décadas para que, cada vez mais, as pessoas possam ter contacto com a natureza.

Segundo Mangano (2005) o turismo e A.P emergiram como elementos "divergentes" e transformaram-se, com o passar do tempo, em elementos convergentes. Convergência que não se pode atribuir a um motivo ligado ao meio ambiente. É simplesmente consequência natural da evolução do fenómeno turístico, assim como das exigências de gestão dos parques que devem satisfazer uma determinada procura. Segundo a autora, a procura turística tem aumentado o que favorece a sua segmentação e, neste contexto, as áreas protegidas podem obter um complemento para a sustentabilidade económica, social e ambiental, aproveitando a dinâmica financeira que o turismo induz.

Diversos estudos, como por exemplo os de Ruiz (2007), Wearing, Archer & Beeton (2007), Donaire & Gordi (2003), Buckley & Sommer (2001), García, Fernandez & Guerra (2000), Eagles (2002) e Garcia (1999) destacam que os fluxos turísticos, com destino a lugares onde a natureza é um património presente, são cada vez mais crescentes e as atividades

5 A Rede Natura 2000 é um "instrumento de relevo para a conservação da natureza e consiste num conjunto de áreas criadas

por imposição comunitária, surgidas a partir do contributo individual (e obrigatório) de todos os países membros da União Europeia para uma listagem de áreas que contribuíssem para a preservação de habitats naturais, da fauna e flora, tendo em consideração as exigências económicas, sociais e culturais. Foi assim criada a nível europeu uma rede ecológica denominada Natura 2000, constituída por Zonas Especiais de Proteção e que pretende a conservação de habitats de grande valor ecológico, bem como a determinação de Zonas de Proteção Específica (Sítios de Interesse Comunitário) relativas à conservação de aves selvagens" (Silva, 2005, pp. 66-79).

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turísticas que aí se podem desenvolver são diversas e satisfazem um amplo conjunto de necessidades dos visitantes.