3. JUVENTUDE DO CAMPO E CONFLITUALIDADES DEMARCADAS NA
3.1.3 A constatação da realidade da juventude do campo no brasil
A problemática geral que envolve o modo de produção da vida no campo é processo que traz no seu interior a problemática da juventude camponesa e diz respeito às possibilidades de sua reprodução social. Isto traz à tona, por consequência, as diferentes contradições enfrentadas por esses sujeitos, em suas múltiplas dinâmicas sociais. Sendo assim, faz-se importante identificar a realidade desses sujeitos juvenis no contexto das relações sociais que movimentam a vida no campo brasileiro. Para tanto, será necessário colocar em relevo aqueles aspectos principais que determinam a situação do campo brasileiro na atualidade e, por extensão, determinam as possibilidades de vida dos jovens no campo (TAFFAREL et al., 2015). Sendo assim, a compreensão da realidade da juventude do campo, requer a identificação dos dados da população juvenil brasileira e inserção nos seus condicionantes sociais e políticos para permitir perceber o que revelam esses dados. Desse modo, antes mesmo de entrar nesses dados, cabe aqui destacar que no Brasil, a partir do Estatuto da Juventude aprovado em 2013, há uma demarcação a título da garantia de direitos desse sujeito político, que passa a ser
identificado em termos de composição de recorte etário, como o sujeito jovem com idade variando entre 15 a 29 anos.
Esse recorte adotado pelo Brasil, é originário das orientações da Organização Iberoamericana de Juventude (OIJ). No entanto, é fato que mesmo o país adotando esse recorte etário, segue as orientações e ações da Organização das Nações Unidas (ONU), órgão do qual o Brasil é signatário. Para esse organismo multilateral, o recorte etário utilizado para a definição de juventude é aquele que abarca os jovens entre 15 a 24 anos.
Para a ONU está ocorrendo um “bônus demográfico” em atualmente 59 países, pois segundo essa organização, a proporção de jovens na população mundial atingiu seu auge. Existem 1,8 bilhão de jovens no mundo, sendo que 87% dessa população vive nos países em desenvolvimento e dentre esses países encontra-se o Brasil. Esse bônus ocorre quando há, proporcionalmente, um maior número de pessoas em idade ativa aptas a trabalhar. Essa perspectiva compreende o jovem enquanto sujeito estratégico no mundo do trabalho, quer seja na cidade e/ou no campo.
O Censo Demográfico de 2010, realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), nos 5.565 municípios, das 27 Unidades da Federação, identificou a existência de uma população brasileira chegando à marca numérica de 190.755.799 habitantes. Houve, com isso, um crescimento de aproximadamente 11% em comparação à população encontrada pelo Censo do ano 2000, que foi de 169.799.170 habitantes. No Brasil, em 2010, os dados do IBGE sobre juventude, identificou 50 milhões de jovens, entre 15 a 29 anos, ou seja 26% da população do país. Desse universo de jovens, a pesquisa mostrou que 53,5% dos jovens trabalham, 36% estudam e 22,8% trabalham e estudam simultaneamente. Quanto à população jovem no campo no Brasil, os dados informaram um total de 8 milhões, respondendo a 4% dessa população.
Segundo Menezes (2014), a população jovem residente no campo se apresenta com maior concentração nas regiões Norte e Nordeste, as quais concentram significativo nível de pobreza e exclusão social, além de também apresentarem dificuldades no acesso às políticas públicas. Essa autora também destaca a continuidade dos processos migratórios com relação à população jovem. Assim, conforme verificado pelo IBGE (2010), dos dois milhões de pessoas que deixaram o campo entre os anos 2000 a 2010, 1 milhão refere-se à população com idade considerada jovem, o outro 1 milhão diz respeito aos grupos etários de crianças, adultos e idosos. Desse modo, 50% da população migrante do campo encontra-se no grupo etário jovem. Ainda segundo o Censo Demográfico de 2010, no universo da população brasileira, mais da metade de todas as crianças e adolescentes são afrodescendentes e mais de um terço
dos 821 mil indígenas são crianças. Desse modo, aspectos das desigualdades socioespaciais ainda são extremamente significativos no Brasil, pois enquanto 37% das crianças e dos adolescentes brancos viviam na pobreza em 2010, entre os negros e pardos, esse percentual se ampliava para 61% (IBGE, 2010).
A nota técnica do Atlas da Violência 2016, feita pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA) em parceria com o Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), revela alta prevalência de homicídios da população jovem, no Brasil. Os dados dessa nota revelam que a morte violenta de jovens cresce em marcha acelerada desde os anos 1980, gerando custo de 1,5% do PIB, no que tange ao bem-estar associado à violência letal da juventude (IPEA, 2016). Esse mesmo estudo revela que 46,4% dos óbitos de homens na faixa etária de 15 a 29 anos, no Brasil, são ocasionados por homicídios. Além disso, o estudo aponta a gravidade e emergência desse problema, no desenvolvimento socioeconômico do país, quando considera que a partir de 2023 o país sofrerá uma diminuição substancial na proporção de jovens na população em geral. Esse fato implicará negativamente as gerações futuras quanto a mercado de trabalho, previdência social e aumento da produtividade.
Segundo o referido estudo, o fenômeno dos homicídios, ocorre de maneira heterogênea no país, tendo uma incidência territorial, temporal e socioeconômica sob as vítimas. Moradores de cidades menores no interior do país e especialmente na região Nordeste, tem apresentado um crescimento no número dos homicídios, sendo as principais vítimas identificadas como jovens e negros. Assim, são os jovens negros, acrescentando a eles o fenômeno da permanência de baixa escolaridade, as principais vítimas da violência no Brasil.
Desse modo, os dados do IPEA (2016) indicam que o indivíduo jovem afrodescendente possui maior probabilidade de sofrer homicídio no Brasil23. “Aos 21 anos de idade, quando há o pico das chances de uma pessoa sofrer homicídio no Brasil, pretos e pardos possuem 147% a mais de chances de ser vitimados por homicídios, em relação a indivíduos brancos, amarelos e indígenas” (IPEA, 2016, p. 22). Nesse sentido, quando se observa a realidade dos jovens afrodescendentes brasileiros da classe trabalhadora, moradores das periferias das cidades e do campo, se constata que as chances de um indivíduo desse grupo social, com até sete anos de estudo sofrer homicídio no Brasil são 15,9 vezes maiores do que as de alguém que ingressou no ensino superior.
A ocorrência desse fato demonstra ser a educação e, sobretudo, a garantia do acesso a um projeto de educação voltado ao desenvolvimento integral das capacidades humanas da
23Cenário que tem motivado a instituição do Plano Nacional de Enfrentamento ao Homicídio de Jovens, através do projeto de Lei nº 9.796, de 2018.
juventude da classe trabalhadora do campo e da cidade, e em especial, da juventude negra, um verdadeiro escudo contra os homicídios, a exclusão e os processos de desigualdades socioespaciais.
Nessa mesma direção, o estudo do IPEA (2016), aponta o problema da violência de gênero, cujo tratamento comprometido com sua superação, precisa avançar significativamente. Esse estudo informou que treze mulheres foram assassinadas por dia no Brasil, no ano de 2014. Assim, nesse ano, aproximadamente 4.454 mulheres foram vítimas de mortes e agressões.
Desse modo, a concretização das Leis 11.340/2006, denominada Lei Maria da Penha e Lei 13.104/2015, que torna o feminicídio crime hediondo, representa marco político na luta pelos direitos das mulheres. Não obstante, nesse contexto a taxa de homicídios entre mulheres apresentou crescimento de 11,6%, entre 2004 e 2014. Esse quadro de realidade que afeta as mulheres, requer um maior aprofundamento quanto ao problema, para compreender as reais origens das suas causas e identificar soluções concretas e viáveis ao mesmo. O aprimoramento das políticas públicas no campo do direito das mulheres se revela condição necessária ao enfrentamento dessa realidade.
Essa realidade social na qual insere-se a juventude em seu conjunto, indica que na montagem do mapa da violência no Brasil, as vítimas têm classe social, posição de gênero, condição de raça e etnia, condição fundiária e localização geográfica. Desse modo, elas estão inseridas em um cruel processo que revela as reminiscências da escravidão brasileira e as extrapolam, para dinamizar-se por intermédio de relações sociais produtoras de insegurança, opressão e violência letal.
Nesse panorama, a juventude sai da invisibilidade, porém passa a ocupar espaços em que se evidenciam tragédias humanas e familiares, implicando em prejuízos à reprodução social da vida, pela continuidade da histórica negação de direitos, os quais expressam a luta da classe trabalhadora. Essa situação revela uma das faces da questão social brasileira, a qual na relação campo-cidade, se particulariza na questão agrária (SANT’ANA, 2012), sendo ambas marcadas por processos de violência e exclusão aos jovens da classe trabalhadora do campo e da cidade, que bloqueiam o direito à vida.
Nesse contexto marcado por profundas contradições, inserem-se os sujeitos do campo e seus enfrentamentos à questão agrária, cujas estratégias acionadas por eles, articulam campo e cidade, fazendo avançar a questão social brasileira. No interior da questão agrária, se movem disputas por territórios e por modelos distintos de desenvolvimento do espaço agrário brasileiro. Nesse espaço, as conflitualidades se revelam na correlação de forças entre os processos de luta e resistências na concretização do projeto societário defendido pelos agricultores familiares e
camponeses, comunidades tradicionais e povos das águas e das florestas, no enfrentamento ao projeto hegemônico do agronegócio (PAULA, SANTOS e PEREIRA, 2015).
Contudo, é importante destacar que, mesmo se reconhecendo a existência de projetos distintos de campo, há divergências tanto em relação aos sujeitos que defendem o agronegócio, quanto em se tratando dos que atuam no fortalecimento do modelo agrícola alternativo defendido pelos agricultores camponeses (FERNANDES, 2017). Não obstante, prevalecem consensos, sobretudo entre o projeto do campesinato, no que tange às lutas assumidas em conjunto por um desenvolvimento que garanta a democratização da terra para a realização do trabalho camponês.
Assim, frente às conflitualidades e disputas societárias no campo brasileiro, a questão agrária traz em seu bojo, as múltiplas frações camponesas e suas territorializações, manifestadas na ordenação das parcelas do território sob o monopólio do capital e como expressão do seu desenvolvimento desigual e combinado (PAULINO, 2006). Neste contexto, a juventude do campo, se coloca como segmento social e político amparado por arranjos familiares, que articulam processos socioespaciais de reprodução da existência, em distintos territórios (CASTRO, 2009; RIBEIRO, 2015). Dessas relações são estabelecidos nexos e dinâmicas socioespaciais, os quais permitem identificar os dilemas, lutas e estratégias delineadas por essa juventude. Tais relações se movem no intento de assegurar a reprodução da vida, no espaço camponês, ou fora dele – na cidade, ainda que o propósito maior da saída de muitos jovens do campo em direção à cidade, seja a construção das condições viabilizadoras de um posterior retorno ao campo, conforme nos aponta Leão e Antunes-Rocha (2015).
Desse modo, segundo Taffarel et al. (2015), a problemática do campo, cuja luta fundamental é a reforma agrária, traz consigo dentre outros aspectos, o direito da juventude de permanecer no campo. Direito que deve estar acompanhado da garantia de vida digna no campo, alicerçada por melhoria nas condições de trabalho, renda, educação, saúde, acesso à cultura, e a outros espaços de sociabilidade humana. No entanto, esse direito vem sendo ameaçado por aqueles que se dizem “donos do poder”, “da política” e “da terra”, os quais para Castilho (2012), se caracterizam enquanto uma elite política e fundiária que estabelece estratégias de domínio do território, ocupando o Legislativo, invadindo o Executivo e cultivando o Judiciário. Esse processo movimenta a macro e micropolítica, conforme aponta o referido autor:
Mas esta não é apensas uma história de celebridades políticas, que pairam em relação ao país concreto – construído centímetro por centímetro, grão por grão, pasto por pasto. Veremos que a base desses políticos é regional. Familiar. A macropolítica no Congresso tem sua base na micropolítica: das prefeituras às fazendas. A teia coronelista dos votos é feita também de arame farpado (CASTILHO, 2012, p. 11).
Desse modo, direcionando o olhar sob os instrumentos que legitimam o poder nas terras rurais do território brasileiro, Taffarel et al. (2015), identifica quatro pontos cruciais. Esses pontos caracterizam a situação do campo brasileiro na atualidade e, consequentemente, determinam as possibilidades de reprodução de vida dos jovens no campo. São eles: a propriedade da terra concentrada nas mãos de poucos; o predomínio do modelo atual de desenvolvimento agroexportador; a falta e a insuficiência de políticas públicas no campo e a elevada conflitividade no campo. Outro ponto importante é retratado por Castilho (2012) ao trazer à tona aspectos da manutenção do poder de uma elite política latifundiária no Brasil, cujo aporte político partidário assegura a conquista da terra, do território e das relações socioespaciais, fomentando a ingestão de novos implantes ao modelo de desenvolvimento do campo.
O latifúndio, enquanto estrutura socioespacial predominante da posse da terra no Brasil, é um dos condicionantes quanto à situação vivida pela juventude do campo. Isto porque as condições de vida e de permanência da população jovem no campo brasileiro se fragilizam à medida da prevalência do fenômeno da concentração da propriedade privada da terra e da exploração do trabalho, processos que afetam drasticamente as famílias camponesas. Um dos efeitos desse processo tem sido a migração de jovens do campo para a cidade, antes mesmo de concluir sua trajetória formativa escolar na educação básica.
Essa força produtiva em desenvolvimento, vem sendo cerceada em seus direitos fundamentais e, ao adentrar as periferias dos grandes centros urbanos do país, enfrenta cotidianamente as tensões e os problemas produzidos pelas contradições do modo de produção dominante. São cooptados pelo universo em ascensão dos negócios ilícitos, das drogas, prostituição, pornografia, altamente lucrativos ao capital e destrutivos à classe trabalhadora (TAFFAREL et al. 2015).
Nesse sentido, procurando identificar respostas aos problemas cotidianamente vivenciados pela população trabalhadora camponesa, Görgen (2018), defende a reforma agrária como uma urgente necessidade nacional para aqueles que entendem o desenvolvimento brasileiro com justiça social, equilíbrio ambiental e distribuição racional da população no espaço geográfico do país. Nessa direção ele afirma:
É impossível quitar a dívida social da Nação e propiciar condições dignas de vida à maioria da nossa população sem extirpar o câncer do latifúndio. A concentração da terra e a exclusão camponesa – com uma de suas mais perversas consequências que é o êxodo rural desordenado – estão na raiz, na causa estrutural da situação de miséria que desgraça milhões de lares brasileiros (GÖRGEN, 2018, p. 1).
Portanto, a construção das condições efetivas de realização da reforma agrária no Brasil, requer o esforço estratégico da garantia da unidade das forças contra-hegemônicas. Esse trabalho demanda aporte teórico, político e prático dessa fração revolucionária do território, cuja necessidade de clareza de pensamento pauta-se na luta pela democratização da propriedade privada dos bens materiais e imateriais. Tal empreitada exige compromisso com a ruptura do sistema social e econômico dominante no Brasil na particularidade do campo, e convergências de tarefas em defesa das lutas camponesas e do fortalecimento dos seus sistemas de produção. Mas, por hora, o que se impõe nas relações socioespaciais são práticas de violação dos direitos da classe trabalhadora do campo e da cidade. Elas impactam a natureza, destroem a vida, ameaçam as condições de existência e o futuro da juventude, que se vêem cada vez mais destituídas do acesso às políticas sociais, pois suas demandas são desviadas nas práticas dos representantes políticos do Estado patriomonialista, que asseguram privilégios para os detentores da terra, do poder econômico e financeiro (TAFFAREL, 2010).
Educação, saúde, comunicação, lazer, segurança públicas saneamento básico, infraestrutura pública para a produção – colheita, armazenamento e transporte da colheita – inexistem ou são insuficientes para os pequenos agricultores. O que existe é a iniciativa privada assegurando aos latifundiários os seus benefícios privados. O caso da maior seca dos últimos quarenta anos, que assolou o Nordeste brasileiro, é um exemplo da falta de políticas públicas para o campo (TAFFAREL et al., 2015, p. 209).
Marca essa conjuntura brasileira, uma crise agrária, revelada na evolução do quadro dos conflitos agrários e caracterizada, sobretudo pelo desmonte do conjunto das políticas públicas de desenvolvimento do campo, conquistadas pelos trabalhadores e voltadas para a reforma agrária. Esse processo encontra explicação no contexto do neoliberalismo e no seu modo de inserção no território brasileiro. A relações daí derivadas tem feito intensificar a lógica do mercado no campo brasileiro, agregando a ela forças e intencionalidades políticas e econômicas. Por consequência emergem, reivindicações, resistências, conflitualidades, conflitos sociais e institucionais.
Geram-se, portanto, conflitos de classes no campo em decorrência da propriedade privada dos meios de produção e exploração do trabalho, do trabalhador e da natureza. São os conflitos entre os trabalhadores e os latifundiários, que contam com o braço armado do Estado e, além de suas próprias milícias armadas, contam com a bancada ruralista no Parlamento e com as forças políticas que eles mantêm no judiciário. Os números de mortes crescentes no campo evidenciam essa gravíssima luta de classes expressa na conflitualidade do campo brasileiro. O campo brasileiro é um campo em conflito. É neste meio que a juventude do campo convive. Essa é a base material da existência da juventude (TAFFAREL et al., 2015, p. 209).
Nesse cenário de lutas sociais e de luta de classes, as juventudes organizadas, das periferias urbanas e do campo, se manifestam em atos de resistência à lógica produtiva do capital na produção das relações socioespaciais desiguais. A organização dessa juventude, alinhada ao projeto popular de sociedade, é originária de diversos grupos, coletivos, movimentos sociais e sindicais. São sujeitos que se identificam enquanto jovens do campo e da cidade, diferenciando-se pela condição espacial, de gênero, étnico-racial, de classe, religiosa, partidária, de vinculações culturais, entre outras. São exemplos dessa juventude, Coletivo Kizumba, Levante Popular da Juventude, União dos Estudantes Secundaristas, União Nacional dos Estudantes, Frente das Minas Contra o Golpe, Pastoral da Juventude Rural, Juventude do PT, União da Juventude Socialista (UJS), entre outras.
Um dos exemplos dessa juventude organizada é o Levante Popular da Juventude, uma organização de jovens militantes do campo popular, voltada para a luta de massa da juventude brasileira, com o propósito de dar visibilidade a essa juventude e ao seu papel ativo na sociedade. O Levante atua na organização da juventude da cidade e do campo, articulando os setores da juventude brasileira e desenvolvendo posição de resistência e enfrentamento às injustiças e desigualdades sociopolíticas. Seu trabalho se dá sob três frentes ou campos de atuação: frente estudantil, frente territorial e frente camponesa. Essas frentes buscam unificar a juventude trabalhadora do campo, da cidade e da favela, em torno de uma proposta democrática e popular de nação, fazendo frente ao projeto societário de Brasil, que vem sendo implementado pelas forças políticas conservadoras, de caráter neoliberal.
Sendo assim, as condições de reprodução da existência das juventudes, se sustentam na luta de classes empreendida entre trabalhadores da cidade, trabalhadores camponeses e representantes do agronegócio e/ou da sua ideologia. Essas lutas se expressam por meio da conflitualidade imanente ao campo brasileiro, assim como influenciam nas posições a serem tomadas pela juventude. Tal processo evidencia as conflitualidades vividas na dimensão campo-cidade e nas problemáticas enfrentadas pelos jovens.
Nesse contexto, os jovens do campo enquanto um segmento da fração camponesa do território brasileiro, se manifestam enquanto sujeitos em condições de representar latente força produtiva, necessária aos processos de mudança sociopolítica a serem implementados no país. Assim, o quadro de realidade que determina as circunstâncias do arrefecimento das políticas sociais, também possibilita o realinhamento da emergente força contra-hegemônica dessa juventude. Neste sentido, a juventude do campo se constitui enquanto sujeito sociopolítico produzido na conflitualidade da questão agrária, tensionando práticas socioespaciais e estrutura social predominantes no campo brasileiro, assim como opondo-se a ela.