O Texto constitucional em vigor destaca e ressalta o valor social do trabalho. Não só garante um extenso rol de direitos, previstos no Artigo 7º da Lei Maior, mas também fundamenta este reconhecimento nos artigos 1º - IV e ainda no artigo 170, “caput”. 148
Artigo 1º : A República Federativa do Brasil, formada pela união indissolúvel dos Estados e Municípios e do Distrito Federal,
148 Constituição a República Federativa do Brasil. São Paulo: Saraiva, 2005. Artigo 7º: São direitos dos trabalhadores
urbanos e rurais, além de outros que visem a melhoria de sua condição social: I – relação de emprego protegida contra despedida arbitrária ou sem justa causa, nos termos de lei complementar, que preverá indenização compensatória, dentre outros direitos; II – seguro-desemprego, em caso de desemprego involuntário; III – fundo de garantia do tempo de serviço; IV – salário mínimo fixado em lei, nacionalmente unificado, capaz de atender as suas necessidades vitais básicas e as de sua família com moradia, alimentação, educação, saúde, lazer, vestuário, higiene, transporte e previdência social, com reajustes periódicos que lhe preservem o poder aquisitivo, sendo vedada sua vinculação para qualquer fim; V – piso salarial proporcional à extensão e a complexidade do trabalho; VI irredutibilidade do salário, alvo o disposto em convenção ao acordo coletivo; VII – garantia de salário, nunca inferior ao mínimo, para os que percebem gratificação variável; VIII – décimo terceiro salário com base na remuneração integral ou no valor da aposentadoria; IX – remuneração do trabalho noturno superior à do diurno; X – proteção do salário na forma da lei, constituindo crime sua retenção dolosa; XI – participação ns lucros ou resultados, desvinculada da remuneração, e, excepcionalmente participação na gestão a empresa, conforme definido em lei; XII – salário família pago em razão do dependente do trabalhador de baixa renda nos termos da lei; XIII – duração do trabalho normal não superior a oito horas diárias e quarenta e quatro semanais facultada a compensação de horários e a redução de jornada mediante acordo ou convenção coletiva de trabalho; - XIV – jornada de seis horas para trabalho realizado em turno ininterrupto de revezamento, salvo negociação coletiva; XV – repouso semanal remunerado, preferencialmente aos domingos; XVI – remuneração de serviços extraordinários superior, no mínimo, em cinqüenta por cento à do normal; XVII – gozo de férias anuais remuneradas com, pelo menos, um terço a mais do que o salário normal; XIII – licença à gestante, sem prejuízo do emprego e do salário, com a duração de cento e vinte dias; XIX – licença - paternidade nos termos fixados em lei; XX – proteção do mercado de trabalho da mulher, mediante incentivos específicos, nos termos da lei; XXI – aviso prévio proporcional ao tempo de serviço, sendo no mínimo de trinta dias, nos termos da lei; XXII – redução dos riscos inerentes ao trabalho, por meio de normas de saúde, higiene e segurança; XXIII – adicional de remuneração par as atividades penosas, insalubres ou perigosas, na forma da lei; XXIV – aposentadoria; XXV – assistência gratuita aos filhos e dependentes desde o nascimento até seis anos de idade em creches e pré – escolas; XXVI – reconhecimento das convenções e acordos coletivos de trabalho; XXVII – proteção em face da automação, na forma da lei; XXVIII – seguro contra acidentes de trabalho, a cargo do empregador, sem excluir a indenização a que esta obrigado, quando incorrer em dolo ou culpa; XXIX – ação quanto aos créditos resultantes das relações de trabalho, com prazo prescricional de cinco anos para os trabalhadores urbanos e rurais, até o limite de dois anos após a extinção do contrato de trabalho; XXX – proibição de diferenças de salários, de exercício de funções e de critério de admissão por motivo de sexo, idade, cor ou estado civil; XXXI – proibição de qualquer discriminação no tocante a salário e critérios de admissão do trabalhador portador de deficiência; XXXII – proibição de distinção entre trabalho manual, técnico e intelectual ou entre os profissionais respectivos; XXXIII – proibição de trabalho noturno, perigoso ou insalubre, a menores de dezoito e de qualquer trabalho a menores de dezesseis anos, salvo na condição de aprendiz, a partir de quatorze anos; XXXIV – igualdade de direitos entre o trabalhador com vínculo empregatício permanente e o trabalhador avulso.
constitui-se em Estado Democrático de Direito e tem como fundamentos:
IV: Os valores sociais do trabalho e da livre iniciativa.
Artigo 170 ; “ A ordem econômica, fundada na valorização do trabalho humano e na livre iniciativa, tem por fim assegurar a todos existência diga, conforme os ditames da justiça social, observados os seguintes princípios”.
Ao ser elevado ao patamar de princípio constitucional e, mais ainda, ao ver elencado no texto da Constituição, em seu artigo 7º, a norma de proteção ao trabalhador, resta clara a opção do legislador pátrio, ao elaborar as diretrizes de nossa Lei Maior, em estender as garantias trabalhistas a um nível de efetividade absoluta, pois, como norma constitucional, sua destituição carece de procedimentos constitucionais rígidos, demandando Emenda à Constituição o que, como temos visto, impede que os ataques às garantias ali contidas seja objeto de mera alteração por normas infraconstitucionais.
Sobre os princípios, Eros Grau 149 assim se manifesta :
valorização do trabalho humano e reconhecimento do valor social do trabalho consubstanciam cláusulas principiológicas que, ao par de afirmarem a
compatibilização – conciliação e composição – a que acima referi, portam em si evidentes potencialidades transformadoras. Em sua interação com os demais princípios contemplados no texto constitucional, expressam prevalência dos valores do trabalho na conformação da ordem econômica – prevalência que José Afonso da Silva reporta como prioridade sobre s demais valores da economia de mercado.
Entretanto, são estes mesmos princípios e garantias que dão ao trabalhador a possibilidade de equilibrar a balança ante ao poder maior do empregador, que se tornaram alvo de toda sorte de ataques vindo dos detentores do poder econômico, sob a alegação de que, por estarem inseridos dentro do texto constitucional, acabam por trazer elevado ônus às empresas ocasionando o desemprego.
Também Maurício Godinho 150 comenta o texto constitucional no tocante ao trabalho nos seguintes termos:
De fato, logo após o surgimento a Carta magna de 1988, fortaleceu-se no país, no âmbito oficial e nos meios privados de formação de opinião pública, um pensamento estratégico direcionado à total desarticulação das normas estatais trabalhistas, com a direta e indireta redução dos direitos e garantias laborais. Ou seja, mal se iniciara a transição democrática do Direito do Trabalho ( já guardando, em si mesma, inúmeras contradições), a ela se acoplava uma proposta de desarticulação radical desse ramo jurídico especializado. A crise e transição do Direito do Trabalho, que despontaram na Europa Ocidental a
partir de meados ou fins da década de setenta, fizeram-se sentir tardiamente no Brasil, ao longo da década de 1990 – em pleno processo de transição democrática desse ramo jurídico detonado pela Constituição de 1988.
Ou seja, quando finalmente atingimos a plenitude dos direitos e garantias aos trabalhadores dentro do texto constitucional, já imediatamente começaram os ataques para desestabilizar estas garantias, calcadas nas mudanças que se verificavam na Europa na forma de prestação do trabalho subordinado.
A modificação do panorama econômico mundial apresentou munição para o poder econômico bombardear o texto que mal acabara de ser acrescentado ao nosso ordenamento jurídico, sob a alegação de que os direitos e garantias ali contidos inviabilizam a contratação de trabalhadores dada às novas formas de prestação de serviço reclamadas pelo quadro atual de globalização econômica.
Tal discussão permanece até hoje, tendo sido realizadas inúmeras tentativas de se flexibilizar ou ainda desregulamentar os direitos contidos na Constituição pátria, em nome do aumento do número de empregos, fato que, conforme demonstrado ao longo deste trabalho, não corresponde à verdade. Trata-se, isso sim, de ataques oportunistas dos detentores do capital que se beneficiariam ainda mais da nova situação por eles proposta.