Capítulo 3: A cultura pós-moderna e o Movimento Devagar
"Não somos o que deveríamos ser; não somos o que queríamos ser; não somos o que iremos ser; mas, graças a Deus,
não somos o que éramos".
Martin Luther King
3.1 A sociedade em trânsito
A passagem de uma cultura9 ligada à burocracia e à disciplina onde a obsessão por economizar tempo era um valor preponderante para outra, a pós-moderna representada por uma sociedade mais fluida e flexível está em transição.
Com isso, a reflexão sobre novos valores incorporados após a crise da Modernidade toma corpo e se intensifica. Para Maffesoli (2001) o fechamento desta época impactou claramente em uma mudança de tom, da aspiração a um outro lugar e a volta de valores pré-modernos, esquecidos, mas não menos presentes nas estruturas antropológicas do imaginário como o nomadismo, a busca do qualitativo e de uma vida dotada de sentido. Isto representa uma mudança cultural profunda, de alinhamento entre as novas macro- estruturas para um novo modo de ser. Todavia, há uma acomodação perante certos valores em curso resistência comum aos grandes processos de mudança.
Como exemplo, pode-se tomar a interface tecnológica da Pós-Modernidade frente à moderna. O impacto causado por novas descobertas e aplicações é latente se for pensado sob a ótica das possibilidades de otimização do tempo. Contudo, pelo fato de ainda não haver a desvinculação total de alguns valores modernos e também porque ainda aprende-se a gerir as novas tecnologias em um primeiro momento é comum haver dispersão e mau uso do tempo. Hoje se trabalha mais porque houve aumento brutal no volume de informação disponível e na velocidade com que as informações circulam. coexiste
Frente a uma sociedade oximorônica10, não é de se estranhar que duas tendências coabitem no paradoxal cenário pós-moderno.
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Cultura aqui assumida como um conjunto de hábitos e valores que sustentam as práticas cotidianas. 10
(...) a que acelera os ritmos tende a desencarnação dos prazeres; a outra, ao contrário, leva a estetização dos gozos, à felicidade dos sentidos, à busca da qualidade no agora. De um lado, um tempo comprimido, "eficiente", abstrato, de outro, um tempo de foco qualitativo, nas volúpias corporais, na sensualização do instante. (LIPOVETSKY, 2004, p.81).
Assim, existe a necessidade de readequação de um sistema de crenças e valores. Por isso, a própria transição em si é devagar, pois está ligada a valores intrínsecos como autoconhecimento, equilíbrio, reflexão. A percepção efetiva da mudança da sociedade é um processo paulatino e gradual.
Soma-se a isso a percepção colocada por alguns especialistas: mais que uma época de mudança, vive-se hoje uma mudança de época, fato que ocorre quando todo um paradigma muda, e quando três inovações diferentes coincidem: novas fontes energéticas, novas divisões de trabalho e novas divisões de poder.
Portanto, usufruir a nova condição pós-moderna é um processo complexo à medida que não se abandonam rapidamente hábitos adquiridos e de certa forma já arraigados. Neste período de transição, existem pessoas e instituições ainda voltadas para o antigo paradigma moderno de ser e outras já caminhando para uma nova relação com a vida.
Este trabalho irá abordar esse segundo grupo, buscando entender se os novos valores percebidos por essa parcela da sociedade estão em consonância com a filosofia do Movimento Devagar.
3.2 Qualidade de vida
O bem-estar faz parte dos questionamentos do indivíduo pós-moderno, à medida que corpo e mente cada vez mais são entendidos como partes de um todo e por isso, devem ser trabalhados de forma integrada e complementar.
A busca por uma melhor qualidade de vida também está alinhada a uma nova forma de promover o descondicionamento do homo motor11, produto da revolução industrial e se aproximar do homo viator12, cujo caminho temática da iniciação reflete a procura pela transcendência do ser.
Nota-se o resgate dos valores dionisíacos representados pela busca do qualitativo e pela necessidade do imaterial, que ressurgem como essenciais para a construção de sentido à vida pós-moderna. De acordo com Maffesoli (1997 p.16): A preocupação de uma vida marcada pelo qualitativo, o desejo de quebrar o enclausuramento e o compromisso de residência próprios da modernidade são como momentos de uma nova busca do Graal, representando outra vez simultaneamente a dinâmica do exílio e da reintegração.
A questão ambiental, nesse ponto, é um importante sinalizador de interdependência e reintegração. A saturação dos recursos naturais, o aquecimento global e as catástrofes ambientais que parecem alertar para o esgotamento do meio-ambiente mostram que a tentativa de reintegração é uma necessidade premente para o a sociedade de hoje, e mais ainda para as futuras gerações. Edward Wilson está entre os cientistas que clamam pela atenção da humanidade para o perigo cada vez mais imediato que é a sobrevivência de nós mesmos, que podemos ser arrastados num paroxismo de autodestruição13 .
3.3 Vita Simplex
Evidências da preocupação por uma vida mais equilibrada consigo mesmo, com o outro e com a natureza também são percebidas na mídia, pelo aumento considerável do número de programas de rádio e televisão e de publicações de livros e periódicos que têm na qualidade de vida seu aspecto principal. Um novo modelo de jornalismo voltado ao bem-estar14 se delineia um bom exemplo no Brasil é a revista Vida Simples da editora Abril, que encabeça, há três anos, este novo segmento editorial. Buscando
11 Termo utilizado pelo historiador Anson Rabinbach que caracteriza o homem no século XIX e faz uma metáfora da força de trabalho, ou seja, de que o corpo humano seria um reservatório como o das máquinas, capaz de converter energia em trabalho mecânico.
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Termo utilizado por Michel Maffesoli que reflete uma viagem rumo ao fluxo existencial e remete à temática mística da iniciação.
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Excerto de matéria publicada na revista Veja, edição 1926, ano 38, n. 41, pág. 85 com o pensamento do biólogo americano Edward O. Wilson.
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refletir sobre valores essenciais e práticas para se obter maior equilíbrio emocional, físico, mental e espiritual, a revista propõe um novo modo de pensar, mais harmônico e integrado aos novos valores pós-modernos. Coincidência ou não, tem refletida em seu nome (Vida Simples) o conceito Vita Simplex15, proposto pelo filósofo grego Diógenes, grande defensor dos valores simples e fundamentais à vida.
Diógenes acreditava que o homem deveria aliviar sua carga de existência, não a partir de um dogmatismo da pobreza, mas sim diminuindo todos os falsos pesos que não mais permitem a mobilidade própria à natureza humana. Tal comportamento fundamenta uma atitude de busca da leveza do ser, que enriquece o tempo de uma inegável generosidade e une a busca de prazeres corporais a uma profunda inquietação intelectual.
A convicção de que o progresso já tivesse se exaurido determina o modo de viver dos gregos e dos romanos: um modo de viver que não era baseando na quantidade das coisas, mas na qualidade, no sentido a elas atribuído.. Esse é um conceito atualmente determinante também para nós, pois caracteriza o pós-moderno, uma cultura na qual o "sentido" é mais importante do que a quantidade. Os gregos lapidaram ao máximo a arte de "dar sentido" às coisas. (DE MASI, 2000, p.37).
Na busca espiritual pelo sentido da vida surgem outros valores pós-modernos que também resgatam ideais pré-modernos. Entre eles podem ser destacados a errância16 e o nomadismo, que propõem a relativização do imperativo categórico que foi o trabalho para o mundo moderno. Se anteriormente tais valores eram muito mais ligados à atitude de caminhar em busca de um novo espaço, hoje este mesmo caminhar é interno, visando promover o autoconhecimento, pela saída de si.
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Um dos melhores momentos que traduz o modo de vida de Diógenes foi o celebre dialogo travado em 335 a.C. com Alexandre, o Grande, conquistador de um Império que se estendia desde a Grécia até a o atual Irã. Em visita a cidade de Corinto, Alexandre aproximou-se e postou-se em frente a Diógenes, que se aquecia tranqüilamente ao Sol. Em seguida disse: Sou Alexandre, o Grande . Respondeu-lhe o filósofo: Sou Diógenes, o cão . Alexandre então respondeu: Pede qualquer graça que eu lha concederei . Vendo que Alexandre lhe fazia sombra, Diógenes respondeu prontamente: Peço-te que não me tires o que não me podes dar: sai da frente do meu Sol .
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Errância refere-se à busca pelo sentido da existência e evoca o movimento, a partida, o longínquo. Também remete ao êxtase, presente nas efervescências contemporâneas, que permite encontro com as diversas facetas do eu.
Tal Movimento advém das viagens, das seitas espirituais, dos rituais místicos de cura, das raves17 do mundo virtual, que, embora em princípio pareçam caóticos e desorganizados, funcionam como lembretes de que todos somos parte de uma comunidade, seja ela global, virtual e/ou familiar e que há uma integração à medida que se restaura a unidade do eu e do todo.
3.4 O oriente mais próximo
Reflexões sobre a interdependência dos seres representam uma questão bastante presente nas tradições orientais, que sempre mantiveram uma visão mais holística do homem, cujos reflexos desta dimensão estão em práticas como a ioga, a meditação, a acupuntura, entre tantas outras técnicas milenares que buscam processos de equilíbrio através da integração entre corpo e mente. Assim, não é de se estranhar que seja um valor pós-moderno a orientalização do mundo, representada principalmente pela rápida expansão e adesão a tais filosofias.
Técnicas corporais, medicinais, suaves, ecologia, roteiros espirituais, encontros filosóficos, astrologia, práticas religiosas (...). A ocidentalização do mundo triunfante durante a modernidade, o racionalismo, a expressão dele, que é a separação que lhe serve de vetor, dão lugar a uma verdadeira orientalização, a uma busca dos orientes místicos. (MAFFESOLI, 2000, p. 69).
A visão de que as filosofias orientais podem contribuir para o equilíbrio do indivíduo pós-moderno também parece ser partilhada pelas empresas, que criam espaços de descompressão onde os funcionários têm acesso, por exemplo, a massagens, aulas de canto e outras tantas terapias com o intuito de minimizar o estresse causado pelo competitivo e complexo ambiente empresarial em que estão inseridos.
A jornada neste caminho interior se cruza com a busca pela elevação do ser, ou seja, um exercício de ser melhor, de estar bem, impulsionado pelo entendimento de que todos os
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Do verbo delírio, extasiar. Rave é um tipo de festa que acontece em sítios ou galpões, com música eletrônica (basicamente variando entre os estilos House, Techno, Trance e Drum´n Bass). É um evento de longa duração, entre 5 a 24 horas.
momentos se equivalem e de que a existência está totalmente presente em cada um desses fragmentos do tempo. Dessa forma, o mais minúsculo ou o mais insignificante fragmento traz o todo completo. Nesse processo é preciso:
Abandonar as coisas secundárias ou abandonar uma visão puramente materialista, que permite chegar a essa ética do deserto pela qual se pode usufruir da menor parte das coisas - e pela solidariedade, cujo sentido reencontra suas cartas de nobreza (...). As diversas formas de solidariedade, a multiplicação das expressões de compaixão (...) tudo isso é incompatível com um suposto individualismo (...) completamente diferente é a inegável generosidade de ser que caracteriza o ambiente pós-moderno. (MAFFESOLI, 1997, p. 150).
3.5 O feminino além do gênero
Outro valor que ressurge, principalmente pelo rompimento das amarras modernas que subjugaram o homem à razão e mantiveram-no longe da emoção e também devido à mudança dos papéis sociais de homens e mulheres contemporâneos é a feminilização do mundo. Tal valor, representado pela intuição, pela emoção, pela cooperação e pelo cuidado, reforça principalmente a queda dos estereótipos machistas e a emancipação da mulher, que culminam em uma divisão social mais tênue entre quem provê e quem cuida atribuições que hoje homens e mulheres dividem de forma cada vez mais igualitária.
A feminilização é também um contraponto à dureza e frieza da sociedade industrial e também um elemento neutralizador diante das mazelas de nosso contexto atual como a grande competitividade empresarial, as guerras, a violência, a sustentabilidade ambiental, que evocam a necessidade do amor, talvez o mais Devagar dos sentimentos. "O amor é um impulso centrífugo. Amar é contribuir para o mundo, cada contribuição sendo o traço vivo do eu que ama." (BAUMAN, 2003, p. 24).
(...) nos mais antigos testemunhos do período paleolítico, quando vigorava o matriarcado, há mais de 40 séculos, representava-se o universo como uma grande mãe, Mater Mundi. Ela, por si mesma e sem concurso de ninguém, gerava tudo: os céus, os deuses, os seres humanos e todos os demais entes da
natureza (...). Num estágio posterior, sob a égide do patriarcado (...), elabora- se uma representação mais reduzida. A Terra não é mais sentida como a realidade total. (BOFF, 2001, p. 62).
No cenário mutante e imediatista da Pós-Modernidade, os valores femininos parecem auxiliar na manutenção de uma vida mais harmoniosa e equilibrada. Até as empresas perceberam tal necessidade, já que para ser competitivo nesse cenário de instabilidade, apenas aspectos lógicos e racionais não são mais suficientes. Desta forma, cresce a valorização de uma cultura organizacional mais humanizada, intuitiva, criativa e integradora. Podem-se também ressaltar os impactos de uma cultura mais feminina e maternal nos avanços dos projetos voltados para a qualidade de vida dos funcionários18.
A própria errância, citada anteriormente, tem em seu corpo valores femininos.
"A errância ... seria a expressão de uma outra relação com o outro e com o mundo, menos ofensiva, mais carinhosa, um tanto lúdica, e seguramente trágica, repousando sobre a intuição da impermanência das coisas, dos seres e dos seus relacionamentos." (MAFFESOLI, 2000, p. 28 e 29)
3.6 Tempo livre
Finalmente chega-se a outros dois valores pós-modernos interdependentes e que juntos refletem uma nova cultura em formação: o tempo livre, proporcionado principalmente pela mecanização e revolução digital; e o ócio criativo, como forma qualitativa e produtiva de se passar esse tempo.
O incremento do tempo livre não diz respeito a um futuro distante, mas sim ao aqui e agora, que irrompe na História pela constatação de que equipamentos ultra-eficientes somados à tecnologia da informação elevam a produtividade a um inédito patamar o que torna contraditório que o trabalhador atual continue se rendendo ao trabalho como operários de uma fábrica têxtil de Manchester, em passados tempos industriais.
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Depois de séculos de subjugação burocrática o homem tem chance de escolher como passar o tempo, fato que promove, além de si mesmo, a ciência, a arte, a sociedade como um todo, a qualidade de vida e volta a integrar o lar e o trabalho, abruptamente separados com o advento da revolução industrial. Esta última também é responsável por uma separação na vida de mulheres e homens e atribuiu ao trabalho uma importância desproporcional em relação a qualquer outra coisa como a família, o estudo e o tempo livre.
O ócio criativo, principal bandeira de De Masi (2000) é a junção entre trabalho, lazer e jogo e se configura como um tempo que se ganha, e não se perde, de forma qualitativa. Não é um tempo violento, de tédio, de roubo, de vagabundagem, e sim um tempo (...) com vantagens para mim e para os outros, fazendo com que eu e os outros sejamos felizes, sem prejudicar ninguém. Neste caso, e só neste caso, atinjo a plenitude do conhecimento e da qualidade de vida. (DE MASI, 2000, p336).
Para que uma sociedade sobreviva, é necessário que, ao lado da produção ou reprodução, possa existir alguma coisa de improdutivo (...). É nisso que a pós-modernidade se aparenta com a pré-modernidade: não se preocupar com o amanhã, gozar o instante, acomodar-se ao mundo como ele é. (MAFFESOLI, 2000, p. 132).
Assim, não basta ter tempo livre para ter qualidade de vida, é preciso definir como passar este tempo, critério subjetivo que nasce da reflexão e que significa, antes de tudo, (re)descobrir o que gostamos de fazer, os prazeres simples da vida que não estão ligados ao dinheiro e assim a re-significar nosso entorno, tão deturpado pelo consumismo e pelo poder, valores fugazes.
3.7 A nova cultura e o Movimento Devagar
Apesar dos estudiosos da cultura pós-moderna não falarem especificamente do Movimento Devagar, observa-se que nos valores contemporâneos destacados anteriormente, encontram-se ecos da filosofia Devagar. É comum ao discurso de ambos reforçar a busca de valores simples e essenciais que parecem sucumbidos pela velocidade, fundamentais para a felicidade e o bem-estar da sociedade.
Delineia-se uma nova forma de viver, mas a cultura da sociedade ainda está passando por um período de transição. Este raciocínio nos leva a indagar se o Movimento Devagar não seria, ele próprio, a ponte para a assimilação dos novos valores pós- modernos.
Ao questionar sobre a cultura da pressa e propor caminhos alternativos a partir de condutas pessoais, o Movimento Devagar parece ser a própria transição. Honoré (2004) defende que a revolução Devagar não pode ser rápida, até por princípios, o que reforça a idéia de De Masi (2000), ao ponderar que a homogeneização quanto a percepção de mudança de época é um processo paulatino. Ao propor uma volta ao bem viver, aos prazeres simples do dia-a-dia, a filosofia Devagar se enquadra perfeitamente aos valores contemporâneos do nomadismo, da vida simples, da orientalização e da feminilização.
Mas como o Movimento é a transição, posto que ele também não está acabado, de fato, apenas representa a passagem para uma nova forma de viver que ainda não sabemos qual será, é mais interessante pensar conceitualmente o Movimento como uma onda, uma passagem entre um ponto e outro, e não como uma congregação formal. Até mesmo porque Honoré (2004) esclarece que o Movimento ainda está tomando forma: não tem uma sede, um líder, nem um site na internet e que muitas pessoas decidem diminuir o ritmo sem nunca chegar a se sentir parte de alguma tendência cultural. É provável que o nome Movimento indique uma estrutura mais organizada do que a atual, já que as entidades em favor do Devagar têm grande independência entre si e não estão ligadas a qualquer tipo de rede.
No Movimento Devagar, o ponto de partida desta passagem é sabido, mas o de chegada depende certamente do grau da absorção dos novos hábitos e condutas dos rebeldes19 atuais, como o próprio Honoré (2004) coloca, a um sistema e a um código cultural de toda uma sociedade.
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Termo já utilizado na página 24 para designar os pioneiros na busca por um novo modo de vida, distante da dominação da velocidade.
Porém, é certo que o Movimento Devagar representa um movimento de contra-cultura, aos moldes do que foi o Movimento Feminista na década de 60. No entanto, diferentemente desse movimento que foi articulado, teve representação nacional e internacional através da sociedade civil organizada e que reconheceu seus membros como uma comunidade, o Devagar funciona de forma mais individual e informal. E isto pode constituir uma grande barreira para sua sedimentação.