3 Estudo de Caso PROSUB
3.2 O Brasil e o Mar
3.2.2 A Defesa do Mar
A despeito do Brasil defender a busca da paz entre as nações, a democracia, o multilateralismo, a cooperação e a proscrição das armas químicas, biológicas e nucleares, o País acredita que para exercer efetivamente sua soberania, sem delegar essa responsabilidade a terceiros, deverá prover os meios necessários e investir em uma capacidade militar de dissuasão, não apenas contra ameaças externas convencionais, mas também contra o terrorismo, o crime organizado transnacional, a pirataria e os ataques cibernéticos. (BRASIL, 2008)
O ex-Secretário-Geral do Exército, General-de-Brigada Luiz Eduardo Rocha Paiva (2012) concluiu que é improvável uma ampla invasão no território brasileiro. Todavia, caso ocorresse um bloqueio naval, pontual e momentâneo, somente na Bacia de Campos, o Brasil ficaria sem petróleo, a mercê da imposição das vontades do inimigo.
Não foi por menos que Amorim (2013) perseverou que a ausência de conflitos e a tendência pacífica do Brasil podem, eventualmente, transmitir a ilusão de que o país não necessita de defesa e de que não ocorrerão investidas contra os interesses brasileiros. Segundo ele, o Brasil deve dispor de uma força dissuasória, com autonomia estratégica, detentora de armamentos e equipamentos produzidos no Brasil, a fim de evitar embargos internacionais.
Nesse sentido, para garantir a soberania da Nação, sua inserção econômica no mercado internacional e seu pleno desenvolvimento, o Brasil carece de investir em uma capacidade de defesa condizente com suas potencialidades e aspirações. Para tanto, foram elaborados os principais instrumentos orientadores da defesa brasileira: a Politica Nacional de Defesa (PND) e a END.
A END foi organizada em torno de três eixos estruturantes: as FFAA, a composição de seus efetivos e a indústria nacional de material de defesa (BRASIL, 2008).
Nesse contexto, coube à MB estabelecer uma doutrina de desenvolvimento das tarefas estratégicas de negação do uso do mar, de controle de áreas marítimas e de projeção de poder sobre terra.
Por conseguinte, a Força Naval deverá se preparar para responder prontamente a qualquer ameaça às vias marítimas de comércio e a participar de operações internacionais de paz, sem retirar o foco da defesa proativa das plataformas petrolíferas, instalações navais e portuárias, arquipélagos e ilhas oceânicas brasileiras. Essa doutrina, implica na reconfiguração balanceada da Força entre os componentes submarino, superfície e aeroespacial.
Assim, o Plano de Articulação e Equipamento (PAED) relaciona as necessidades da MB até 2031. Dentre elas, estão previstas a fabricação de 15 submarinos de propulsão diesel-elétrica e seis de propulsão nuclear, dois navios-aeródromo, quatro navios de propósitos múltiplos, 30 navios-escolta, 12 navios-patrulha oceânicos e 46 navios-patrulha de menor porte (MD, 2015a).
Com o desenvolvimento dos projetos previstos no PAED, o Brasil incentiva a geração de benefícios que extrapolam o campo militar e o político, com repercussões no desenvolvimento socioeconômico, científico e tecnológico da sociedade, destacando-se o fortalecimento da indústria nacional, a geração de empregos, a elevação da qualificação científica, a absorção de tecnologias e a ampliação da presença do Estado junto às populações desassistidas.
Nesse contexto, a END prevê, em especial, que a MB implemente suas bases de submarino, desenvolva e mantenha a capacidade de projetar e fabricar submarinos convencionais e nucleares, bem como seus respectivos sistemas e mísseis (BRASIL, 2008). Contudo, conforme sugerido por Mendonça (2011), para dispor de uma força naval compatível com a estatura político-estratégica que o País deseja, em tempos de paz, é necessária uma política de Estado concreta e com contínuo e prioritário aporte de recursos financeiros.
O Orçamento de Defesa
O professor da Escola Superior de Guerra, Engenheiro Simon Rosental (2011), afirmou que para o Brasil trilhar a direção dos países desenvolvidos e deixar de produzir somente mercadorias (commodities), será necessário investir em ciência, tecnologia, inovação e planejamento. Para tanto deve-se priorizar, hoje, a destinação de recursos para investimento nas FFAA.
Quanto à distribuição de recursos para as FFAA, compete ao governo brasileiro, por meio do MD, coordenar o processo de alocação de recursos públicos a partir das prioridades estabelecidas na END e consolidação das metas da defesa nos planos plurianuais (MD, 2015a).
A figura à frente ilustra a evolução orçamentária da defesa brasileira, demonstrando o relevante incremento nominal, sem, no entanto, significar aumento de sua participação no Produto Interno Bruto (PIB).
Figura nº 3.8. Evolução do Orçamento de Defesa
Fonte: Ministério da Defesa (2015a)
O Secretário-Geral do MD, Ari Matos Cardoso (2014), reconheceu que o Setor de Defesa necessita de mais recursos. Entretanto, observou que, entre 2003 a 2007, somente 35% das necessidades do Setor foram atendidas e que, desde 2008, esse percentual foi elevado para 65%, evidenciando o esforço do governo brasileiro para incrementar projetos de investimento, tais como o PROSUB.
A matéria da revista The Economist (2015) contribui para justificar a elevação dos percentuais atribuídos à defesa, ao descrever que o Brasil, entre 2002 e 2008, transformou-se em um gigante em matéria de crescimento, expandindo-se a uma taxa de quatro por cento ao ano. Entretanto, destaca que, em 2015, o Brasil voltou a enfrentar graves problemas e inferiu uma contração de meio por cento do PIB, seguido por um crescimento previsto de 1,5% em 2016.
O atual Ministro da Defesa, Jaques Wagner (2015), ressaltou que o Brasil passa por um processo de adoção das medidas necessárias para a retomada da economia e estabilidade econômica. Sendo assim, afirma não ser razoável aplicar recursos em novas aquisições. Todavia, garante que a área econômica do governo federal está se esforçando para assegurar o fluxo de recursos para os projetos estratégicos na área de defesa, pois em casos de descontinuação, o ônus para retomá-los seria imenso. Exemplificou aduzindo o caso do PROSUB conduzido pela MB.