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3 Estudo de Caso PROSUB

3.3 O Programa de Desenvolvimento de Submarinos

3.3.1 Projeto de Submarinos

A END prevê a utilização de submarinos em ações no mar que produzam efeitos materiais ou psicológicos favoráveis. Esse tipo de armamento se destaca por navegarem ocultos no fundo do mar e pelo seu poder dissuasório (BRASIL, 2008).

O PROSUB dá continuidade ao plano de obtenção de um submarino nuclear que a MB desenvolve desde a década de oitenta conjuntamente com o PNM. As ações iniciais culminaram na parceria com a República Democrática Alemã para construção dos quatro

submarinos convencionais16 da classe Tupi e um da classe Tikuna e no domínio de todo o ciclo tecnológico para a construção do reator de propulsão nuclear (MB, 2015).

Importa mencionar que, desde a promulgação da Lei MacMahon (1946), os EUA vinham pressionando os governos brasileiros a não utilizarem energia nuclear. Essa lei estipulava a criação de um organismo internacional, que seria proprietário de todas as minas de urânio do mundo, administraria as usinas de combustível e as produtoras de energia elétrica de fonte nuclear (Corrêa, 2012).

Sabe-se, entretanto, que nos submarinos de propulsão nuclear prevalece uma ampliação exponencial do poder de ocultação, do desenvolvimento de altas velocidades e de profundidades. A propulsão nuclear dispensa o oxigênio necessário para a queima do diesel, o que eleva a autonomia e a navegação, pois a embarcação não necessita emergir, periodicamente, para reabastecimento de oxigênio (MB, 2015).

Releva destacar que, com o propósito de preservarem seus interesses, a tecnologia agregada ao sistema de propulsão nuclear não é comercializada pelos Estados detentores. Atualmente, apenas EUA, China, Reino Unido, França e Rússia possuem essa tecnologia. Coincidentemente, esses países são integrantes do Conselho de Segurança das Nações Unidas. Porém, a França aceitou transferir a tecnologia de projeto de submarinos e cooperar no projeto do submarino nuclear (MB, 2015).

O ano de 2008 marcou a criação do PROSUB, a partir de um acordo de cooperação e transferência de tecnologia (ToT) entre a República do Brasil e a República Francesa, além da construção do SN-BR, o programa, sob a responsabilidade da MB, prevê a construção de quatro submarinos tipo Scorpéne, de tecnologia francesa e propulsão convencional, a construção de uma Unidade de Fabricação de Estruturas Metálicas (UFEM)17 e a construção de um estaleiro18 e uma base naval. Por meio desse programa, o país adquirirá a capacidade de construir e projetar submarinos convencionais e nucleares. Todavia, a tecnologia de produção do combustível e do sistema de propulsão nuclear será de total responsabilidade brasileira e não terá participação francesa nesse processo (MB, 2015).

A ToT inicia-se com o projeto de adaptação do S-BR pelos engenheiros navais brasileiros. Em razão do número de submarinos a construir, a principal empresa contratada no

16 A propulsão dos submarinos convencionais faz-se por meio de um conjunto de motores diesel e geradores

elétricos (MB, 2015).

17

UFEM é uma unidade industrial de alta tecnologia, onde efetivamente começa a construção dos submarinos, posteriormente as seções são encaminhadas para o Estaleiro de Construção (MB, 2015).

18 Estaleiro é o responsável pela etapa final de preparação dos submarinos, são realizadas as etapas de

domínio do PROSUB, a Direction des Constructions Navales Services (DCNS), empresa pública controlada pelo governo francês, apresentou um vasto programa de nacionalização de itens e equipamentos, com o propósito de preparar a BID para futuros projetos da mesma natureza (TCU, 2014).

Os quatro novos S-BR receberão nomes das batalhas navais da Guerra do Paraguai (Riachuelo, Humaitá, Tonelero e Angostura), e o custo individual foi estimado em 500 milhões de dólares. O SN-BR, que será batizado de Álvaro Alberto, custará em torno de 2 bilhões de dólares (MB, 2015).

De acordo com a END, os S-BR serão empregados em ações de submarinos contra força ou tráfego marítimo inimigo. Em tempos de paz, contribuirão para a defesa das bacias petrolíferas brasileiras, com ênfase no Pré-Sal. Ao contrário do SN-BR, que será empregado em mar aberto, para acompanhar e neutralizar uma força naval que ameace o Brasil (BRASIL, 2008). A próxima figura relaciona as características dos submarinos que serão construídos no PROSUB.

Figura nº 3.9. Os Submarinos do PROSUB

Fonte: Brasil (2015)

O PROSUB será desenvolvido em um prazo de 15 anos, a contar de outubro de 2009 e operacionalizado por mais 30 anos (Carlos, 2015). Trata-se do maior contrato militar internacional do Brasil, que engloba um montante de 6,7 bilhões de euros, sendo que uma

parcela significativa desses recursos faz parte de uma operação de crédito externo de financiamento que será pago pelo Brasil ao consórcio formado pelos bancos BNP Paribas, Societé Generale, Calyon Credit Industriel et Commercial, Natixis e o Santander (TCU, 2014).

Em relação ao financiamento do programa, a efetivação da operação de crédito externa implicou que, em um horizonte imediato, compete à Secretaria do Tesouro Nacional (STN) administrar as obrigações externas assumidas pelo Brasil. Entretanto, cabe a MB competir com gestores de outros projetos pela alocação dos recursos dependentes de dotações orçamentárias. Vale registrar a existência de uma taxa de compromisso, pela não utilização do crédito contratado (0,5% a.a.) incidente sobre o montante não desembolsado pelos financiadores para os pagamentos aos contratados (TCU, 2014).

Quanto à economicidade do programa, para avaliação da vantajosidade do preço, consolidou-se o entendimento de não se elaborar análises aprofundadas, em função, principalmente, das contratações estarem alinhadas a acordos internacionais, da inexistência de projetos equivalentes que pudessem servir de parâmetro e ainda da impossibilidade de acesso a dados de outros países (TCU, 2014).

A MB enfatizou que o valor das contratações atinentes ao PROSUB é compatível com a magnitude da tecnologia a ser alcançada e com os objetivos de fortalecimento da BID e da dissuasão estratégica. Os montantes são justificados ao confrontar os interesses nacionais a proteger, tais como, a produção do petróleo no mar e o transporte marítimo, afora as riquezas biológicas e minerais da Amazônia Azul (TCU, 2014).

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