O campo religioso (pentecostal), em Rio Grande da Serra, não está fora do contexto religioso brasileiro, esse marcado por considerável diversidade, tanto quanto por um significativo fluxo, ou trânsito, de pessoas pelas diversas instituições, ou mesmo por ideias e práticas religiosas (ALMEIDA, 2004).
Se a Igreja Católica, de tempos em tempos, vem perdendo espaço na sociedade brasileira, outros grupos religiosos buscam ocupá-los. Entre eles estão os pentecostais, como mostram os dados do censo demográfico do IBGE, para o ano de 2000: 73,7% da população brasileira declarava-se católica e 15,4% evangélica. Os “sem religião”
107 São as seguintes igrejas presentes no primeiro dia do congresso: Assembleia de Deus (Ministério de Santos e Ribeirão Pires), Comunidade Além do Véu, Ministério Êxodo e Igreja Shekiná.
perfaziam um total de 7,3%, enquanto outros grupos não atingiam 1,8%. Esses números vão sofrendo alterações na medida em que se aproximam das regiões periféricas, tendendo para o aumento da pertença religiosa evangélica, conforme observamos nas tabelas abaixo, com dados referentes aos números religiosos em Rio Grande da Serra.
Tabela n. 10 - Dados religiosos em Rio Grande da Serra - (em %)
Católicos 64,38 Evangélicos 24,74 Espíritas 0,56
Umbanda / Candomblé 0,20
Sem religião 7,53
Total
Fonte: IBGE - 2000
Tabela n.11 - Participação dos evangélicos pentecostais em Rio Grande da Serra – (em%)
Evangélicos não pentecostais (missão) 13,35
Evangélicos não pentecostais (outros) 6,10
Evangélicos pentecostais 80,55
Total 100
Fonte: IBGE - 2000
Ao chegamos, de trem, em Rio Grande da Serra, e nos dirigirmos ao centro da cidade, veremos “de pronto” a Igreja Católica. Isso porque a Paróquia de São Sebastião (ao lado da histórica Capela de Santa Cruz), se posta de tal maneira, que é (quase) impossível não vê-la. Mas qual impacto sua localização tem causado para o município?
Foto n.6 Paróquia e Capela de São Sebastião.
Foto do autor
Ao longo da história da formação das cidades brasileiras, a Igreja Católica estabeleceu-se como referencial no espaço, de forma que as cidades nasciam e se desenvolviam em seu entorno. Esse processo demarcou o desejo de “territorialidade”, entendido como um conjunto de práticas desenvolvidas para controlar certo território (ROSENDAHL, 1996). A igreja estava no centro territorial, espiritual e social da Cidade. No caso de Rio Grande da Serra, acontece algo inusitado, pelo menos na opinião de Lote Filho, ao descrever a relação da Igreja Católica no município:
De um modo geral, em toda cidade interiorana, a Igreja Matriz ocupa uma posição central e para ela convergem todas as atividades religiosas. Em Rio Grande da Serra, de imediato, constatamos fato contrário: sendo o município muito fragmentado, não há possibilidade de sua pequena igreja ser considerada centro religioso. Esta, como as demais capelas isoladas, não atendem as necessidades dos fiéis e permanecem fechadas nos dias úteis. (...) O comportamento dos munícipes, em geral, não reflete nenhuma ideologia religiosa (1970, p.72).
No período em que foi realizada a pesquisa por Lote Filho (1970), havia poucos núcleos religiosos: poucas igrejas católicas108, evangélicas ou mesmo centros espíritas.
Certamente contribuiu para isso a cidade ter se emancipado há pouco, pois muitos frequentavam templos em cidades vizinhas (ibidem, p.76). Para ilustrar, segue citação de membros de quatro grupos religiosos diferentes, entrevistados por Lote Filho. Nosso intuito é resgatar um fragmento do pensamento religioso da época.
[Possuo minha crença religiosa] porque toda minha família é religiosa e segundo ela devo acreditar em Deus. (...) Sim, vou frequentemente à Igreja.
(...) Cada um segue a religião que quiser, a que melhor lhe convier. (...) [Ser religioso para mim] significa uma velha tradição. Meus avós também eram católicos (membro da Igreja Católica, Vila Lopes).
A fala (acima) apresenta-se com certa ambiguidade. Ao mesmo tempo em que notamos um “clima” de secularização - “cada um segue a religião que melhor lhe convier”, - há (ainda) uma “dose” da influência do catolicismo cultural, cuja transmissão, de geração em geração, é uma de suas características.
108 A atual Matriz da Igreja Católica, paróquia de São Sebastião, foi erguida no final da década de 1970.
[Atribuo o fato de possuir uma crença religiosa] à fé. Ela nos leva a acreditar na religião. (...) [Vou à igreja] toda semana, apesar de não haver Igreja Adventista aqui. Espero que haja no futuro. Vou toda semana a Ribeirão Pires. (...) Antes eu era católica. Mudei para adventista e agora estou satisfeita com a religião que adotei. (...) [Ser religioso] significa ter fé, esperar a segunda volta de Jesus Cristo para melhora a vida futura (membro da Igreja Adventista).
[Atribuo o fato de possuir uma crença religiosa] aos livros. Leio muito a fim de elevar o espírito. (...) Não há igreja desta religião. É só nos livros que encontro o que procuro. (...) [Ser religioso para mim significa] procurar a verdade (Espiritualista).
[Atribuo o fato de possuir uma crença religiosa à:] (...) meus pais também pertenciam a esta religião. (...) Faço estudos bíblicos em Ribeirão Pires [pois]
aqui não há. (...) Estou muito satisfeito com minha religião. Espero a divina salvação. Cristo vai voltar. (...) [Ser religioso para mim significa] fazer o bem sempre, senão Cristo castiga (aqui na terra). (Testemunha de Jeová).
As citações acima nos dão pistas interessantes sobre o campo religioso no início da década de 1970. As falas, de uma forma ou de outra, nos parecem corroborar a opinião de Lote Filho, de que a igreja católica não era o centro religioso no município.
Embora a maioria (ainda) fosse massivamente católica, é possível observar conversões às igrejas evangélicas, mesmo ainda não havendo muitos templos, o que fazia necessário ir à outras cidades para cultuar a “nova” fé.
As primeiras igrejas evangélicas
Nos últimos anos da década de 1960, os evangélicos de Rio Grande da Serra costumavam se encontrar nas casas dos irmãos, ou em salões, para reuniões de oração, enquanto não havia templos. Uma das primeiras igrejas a se constituir foi a Assembleia de Deus, Ministério de Santos, situada no centro da cidade. Essa foi fundada em julho de 1970109, e teve papel importante na criação de outras “Assembleias de Deus” no
109 Cf. Ata de fundação guardada nos arquivos da igreja, que por regras internas, não nos foi permitido foto copiar o documento.
município. Segue abaixo depoimento de um obreiro da denominação sobre o desenvolvimento de igrejas (Assembleia de Deus) na época.
(...) três ou quatro anos antes da fundação da cidade já existia aqui salão onde os irmãos se reuniam para fazer cultos à Deus na cidade. Então vamos dizer que é a igreja pioneira aqui nessa cidade, o ministério de Santos é pioneiro no Estado de São Paulo. A primeira igreja Assembleia de Deus no estado de São Paulo foi o ministério de Santos. A primeira igreja evangélica em Rio Grande da Serra, foi a Assembleia de Deus, Ministério de Santos. A igreja se fundou aqui nessa data [1970], e começou a abrir trabalhos, como fundar templos, nos demais bairros. Temos aí congregações em praticamente todos os bairros da cidade. E uma coisa contribuiu para o crescimento da igreja no total, é que nós prezamos para ensinar a palavra de Deus, e é um dos fortes da igreja Assembleia de Deus. Uma coisa muito importante a se relatar também, é que tem igrejas que foram fundadas, ou várias igrejas que foram fundadas de outros ministérios a partir de membros que saíram da Assembleia de Deus, Ministério de Santos, e fundaram igreja no decorrer do tempo, e ao redor da cidade (presbítero, membro da igreja há dezoito anos, 21.04.10).
Ainda sobre o desenvolvimento das igrejas (em especial as Assembleia de Deus), segue depoimento de um obreiro do Ministério de Belém. Com setenta anos de idade, chegou a Rio Grande da Serra em 1973.
Quando eu cheguei aqui em Rio Grande da Serra, 1973...74, existiam já duas Assembleias de Deus, a do Ministério de Santos e o Ministério de Madureira.
O ministério de Santos já era mais encorpado, mas também muito
“fraquinho”. E ai a população foram crescendo [sic], e o pessoal foram trabalhando, foi evangelizando e as almas foram prendendo-se aos pés de nosso Senhor Jesus Cristo, hoje eu posso dizer que a Assembleia de Deus está muito bem situada no município de Rio Grande da Serra, por que todas as vilas tem templos bons, cheios de seguidores, de membros e fiéis, mas não só a Assembleia de Deus, mas outros ministérios também (presbítero, membro da igreja há 45 anos, 21.02.10).
Além da Assembleia de Deus, outras igrejas formaram-se a partir de reunião de membros em casas, salões, etc. Segundo relatos, a Congregação Cristã no Brasil, no
bairro de Vila Lopes foi fundada em 1965110, e formou-se a partir de reuniões de oração.
A igreja O Brasil para Cristo, na Vila Lopes, figura (também) entre as mais antigas, devendo estar na cidade por volta de trinta e cinco anos.111Vale ressaltar que a situação da cidade na época era bastante precária, o que dificultava a formação de igrejas.
Aarão Teixeira (ex-prefeito), cujo mandato ocorre no período em que as igrejas evangélicas estavam começando a se desenvolver112, afirma que a cidade, bem como a população, era muito pobre na época em que foi prefeito e afirma ter estabelecido uma relação de ajuda mútua entre as religiões, tanto católica (sua própria religião) como evangélica. A atual Igreja Matriz (Católica) estava sendo construída em seu mandato e afirma que a prefeitura contribuiu (como pôde) em sua construção. O ex-prefeito lembra que seu vice-prefeito, bem como um vereador na época, eram membros da Assembleia de Deus, Ministério de Santos. Essa inserção política de alguma forma ajudou no desenvolvimento das igrejas evangélicas no município, pois como já vimos, muitas outras igrejas surgiram com a ajuda de membros do Ministério de Santos.
Ao longo do tempo novas igrejas evangélicas constituíram-se, e atualmente representam um grupo importante, e diversificado, na cidade. No campo evangélico não pentecostal, encontramos as igrejas Batista, Presbiteriana, Congregacional, Adventista do Sétimo Dia, Mórmons e Testemunhas de Jeová. Entre as evangélicas pentecostais, podemos encontrar as mais diversas denominações. Variam também o tamanho dos templos. Encontraremos desde a Congregação Cristã no Brasil, no centro da cidade, que comporta cerca de 600 pessoas, como pequenos templos, que mal acolhem 15 pessoas.
Contudo, esses estão espalhados pelos diversos bairros do município.
Nas próximas linhas faremos o registro de nosso trabalho de campo, seja na transcrição, bairro a bairro, das igrejas (evangélicas) que encontramos, ou destacando os elementos que observamos em nossa participação nos cultos regulares. Para tanto, seguem considerações preliminares:
110 Tentamos obter as datas exatas de fundação das três igrejas citadas como as mais antigas. Nesse caso, apenas a Assembléia de Deus (Ministério de Santos) nos mostrou a Ata de Fundação, o que não foi possível na CCB e Brasil para Cristo. Também buscamos no Cartório de Registro (em Ribeirão Pires), e nesse caso ocorreram duas situações. Para o Cartório nos fornecer a data, somente de forma verbal, é necessário o nome exato de registro da igreja quando da fundação, o que os atuais membros não têm conhecimento. Para uma procura mais detalhada, é necessária a solicitação de toda a documentação constante no cartório, o que ficaria inviável financeiramente, pois é muito grande o volume de folhas, pois são emitidos, além da Ata, também o estatuto da igreja. Por essa razão citamos datas que nos foram informadas verbalmente, por membros mais antigos na igreja, que não quiseram gravar entrevista.
111 Nesse caso também não houve disposição para gravar entrevista.
112 Entrevista gravada em 21.05.10.
- O levantamento apresentado refere-se aos bairros em que realizamos nossa pesquisa de campo. Para facilitar o registro, agrupamos bairros por sua proximidade.
Isso nos permitiu abranger um número maior de igrejas e nos ajudou a resolver a dificuldade de identificação a que bairro pertencia determinados templos. Vale ressaltar que, embora todo o município possua uma situação socioeconômica frágil, existe uma heterogeneidade de situações nos diferentes bairros pesquisados. De alguma maneira tentaremos demarcar essas diferenças, relacionando suas características “religiosas”.
- Classificamos as igrejas em evangélicas pentecostais e evangélicas não pentecostais. No primeiro grupo, incluímos todo o conjunto de igrejas que encaixam-se no chamado pentecostalismo, cuja principal característica é a crença nos “dons carismáticos do Espírito Santo”. No segundo grupo incluímos as chamadas igrejas do protestantismo histórico tanto quanto igrejas Adventistas do Sétimo Dia e Testemunhas de Jeová e Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias (Mórmons).
O Centro da Cidade
Apesar da situação socioeconômica frágil do município de Rio Grande da Serra, a região central possui melhores indicadores, o que confirma que periferia também possui seu “centro”, que em geral tem melhor infra-estrutura, há maior concentração de comércio, maior investimento público, tanto quanto melhores condições de habitação.
Em Rio Grande da Serra, o contraste entre o centro e periferia no centro da cidade não é tão demarcado, mas existe. Vejamos abaixo fotos da região central:
Foto n.7 - Comércio – Av. D. Pedro I - Foto do autor
O que chamaremos de região central engloba também as Vila Figueiredo, Vila Albano e Vila Progresso. Encontramos nessa região as seguintes igrejas evangélicas113.
- Igrejas evangélicas não pentecostais: Ig. Presbiteriana do Brasil, Ig. Batista Central, Ig. de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias e Ig. Adventista do Sétimo Dia.
- Igrejas evangélicas pentecostais: Assembleia de Deus (Ministérios de Santos, Belém e Rio Grande da Serra), CCB, IURD, Internacional da Graça, 1º Ig. Evangélica Cristã Presbiteriana, Ig. Batista Água Viva, Ig. “o Amor de Jesus Cristo Brasil”, Ig. do Evangelho Quadrangular, Ig. Apostólica Renascer, Casa da Benção, Ig. Pentecostal do Poder de Deus no Brasil, Efésios do Brasil e Ig. Mundial do Poder de Deus.
113 Levantamento realizado em fevereiro e maio de 2009, com atualização em janeiro de 2010.
Foto n.8 – Rua residencial na região central da cidade - Foto do autor
Foto n. 9
Igreja Assembleia de Deus, Ministério de Santos (Centro) Foto do autor
Foto n. 10 - Faixa / Assembleia de Deus Foto do autor
Foto n.11 - Congregação Cristã no Brasil – Centro - Foto do autor
Foto n.12 - Terreno ao lado da Igreja Congregação Cristã no Brasil - Centro Foto do autor
No centro, chamamos a atenção para duas igrejas pentecostais. A Assembleia de Deus, Ministério de Santos, e a Congregação Cristã no Brasil. São duas das mais antigas, e a Congregação possui um dos maiores templos na cidade. Conforme fotos (acima) para ilustração:
Ao longo da pesquisa, acompanhamos cultos em diversas igrejas da região do centro, como Assembleia de Deus, Congregação Cristã no Brasil, Primeira Igreja Cristã Presbiteriana, Internacional da Graça, IURD, Igreja Batista Central, Igreja Adventista do Sétimo Dia e Efésios do Brasil.
Ainda que as formas doutrinárias, ou de culto, de uma igreja para outra, sejam similares, há também inúmeras particularidades. Entre as igrejas evangélicas não pentecostais, observamos cultos com louvores mais “contidos”, pregações com maior sobriedade, como também maior conservadorismo nos usos e costumes de santidade.
Entre as igrejas pentecostais a diversidade é bem maior, com exceção à CCB. Em geral, acontecem cultos mais avivados, com grupos de louvor muito “entusiasmados” e pregações menos contidas. No caso dos usos e costumes, há grande variação, desde igrejas conservadoras, em que as mulheres não devem usar calças, jóias ou maquiagens, como aquelas em que há total flexibilidade nesse aspecto. Em relação aos elementos cúlticos, doutrinários e relativos aos usos e costumes, entrevistamos lideres de igrejas da região, com a seguinte indagação: Como você avalia as atuais práticas dentro da sua igreja, como o culto, os usos e costumes e aspectos doutrinais, tanto quanto possíveis mudanças, caso essas estejam ocorrendo? Seguem citações nesse sentido:
(...) eu avalio [que] como uma igreja que ela tem como prioridade o ensino da palavra. (...) tem igrejas que elas são mais fortes no louvor, tem igrejas que é mais forte no ensino da Bíblia, e a igreja Assembleia de Deus tem prioridade em ensinar a palavra de Deus. Agora quanto às mudanças, agente sabe que os tempos mudam e os costumes e os usos tem alguma mudança. (...) atualmente o pastor comentou com a igreja sobre essas mudanças [que] não podem ser muito forte, no sentido de prejudicar a espiritualidade da igreja. As práticas dos cultos se mantêm, muitas coisas se mantêm desde os primórdios, que agente chama de liturgia. O uso de cantar hinos da harpa, muitas igrejas já não cantam mais hinos da harpa. Nós ainda permanece [sic] cantando (...).
(presbítero, Assembleia de Deus, 21.04.10).
Tenho uma profunda admiração pela prática adotada por esta denominação (Cristã Presbiteriana) em virtude da seriedade adotada em tudo que envolve a administração eclesiástica. Pelo testemunho dado pelo atual presidente, bem como, o valor as Escrituras Sagradas. A sociedade tenta impor um padrão profano de conduta nas igrejas, porém somente aquelas que não cedem consegue resistir ao mundanismo (pastor, Igreja Cristã Presbiteriana).
O ser humano tem o senso de pertença, querem pertencer à algo que o identifique, que o valorize. Mas por outro lado, não querem compromisso, não estão dispostos à renunciar, mudar de hábitos e costumes que não condigam com a religião a qual participam. Daí surgem as mudanças frequentes (dirigente, Igreja Adventista do Sétimo Dia).
Região do Bairro Santa Tereza
O bairro Santa Tereza é vizinho ao centro da cidade, e consideramos uma região importante no contexto de nossa pesquisa, tanto porque concentra o maior número de igrejas pentecostais, como também o maior número de práticas associativas. O contraste entre moradias melhores e mais precárias, tanto quanto maior ou menor atuação do poder público, é visível nessa região. Há ruas cujos investimentos públicos são notórios, contudo, há lugares “esquecidos”. De forma geral, possui uma população carente.
A diversidade de igrejas é grande, embora não possua nenhum templo de grandes dimensões. Por outro lado, reúne grande quantidade de templos da igreja Assembleia de Deus. Se somarmos os Ministérios mais tradicionais e alguns poucos conhecidos, temos cerca de dez templos dessa denominação, que possui entre suas características principais, a formação de comunidades, em especial nas periferias. As pequenas igrejas proliferam no bairro, o que o torna um espaço religioso dinâmico. Se o visitarmos, de tempos e tempos, encontraremos novas igrejas se formando com relativa frequência.
As igrejas evangélicas pentecostais, relacionadas são114: Igreja Pentecostal Deus é Amor, Assembleia de Deus (Ministérios: de Belém, de Ribeirão Pires, Fogo e Avivamento, Metropolitano, Casa do Oleiro), Igreja Sinos de Belém “Missão das Primícias“, Adventista da Promessa, Avivamento Bíblico, O Brasil para Cristo, Igreja Evangélica Novas da Paz, Igreja Aliança Eterna, Igreja Evangélica Casa de Deus, Igreja
114 Levantamento realizado em novembro de 2008 e março de 2009. Em janeiro de 2010 realizamos uma atualização dos dados. Não identificamos igrejas evangélicas não pentecostais nessa região
Evangélica Missionária “Amor e Fé”, Igreja Assembleia Pentecostal Unidos em Cristo, Igreja Chama de Fogo, Igreja Evangélica “Pavilhão do Amor”.
Entre as igrejas que visitamos, e estabelecemos contato com lideranças, estão:
Assembleia de Deus (Ministério de Belém), O Brasil para Cristo, Comunidade Além do Véu, Adventista da Promessa, Chama de Fogo, A Casa de Deus, Assembleia Pentecostal Unidos em Cristo.
Em relação à Igreja Assembleia de Deus, encontramos uma acentuada diversidade de ministérios. Há também templos bem pequenos, havendo mais de um numa mesma rua. Nesses templos menores, tivemos dificuldade, e resistência, para obter informações. Isso ocorre, geralmente, por que os pastores estão ligados à outros em igrejas centrais. No templo situado na Avenida Jean Lieutaud, talvez a maior e mais expressiva comunidade assembleiana no bairro, conseguimos acompanhar cultos, estabelecer algum vínculo, e realizar entrevista.
No início do ano a Igreja realizou uma semana de “avivamento”. Em um dos cultos, em que a igreja estava repleta, o pastor conduzia uma pregação bastante
“entusiasmada”, cujas respostas dos participantes aconteciam na mesma proporção. Em determinado momento, quando às palavras do pregador, juntou-se um
“emocionadíssimo” louvor, podia-se observar muitas coisas acontecendo ao mesmo tempo: pessoas orando, dançando, rodopiando. Muitos se abraçavam e choravam. O pastor indagou se havia alguém que não tinha sido batizado pelo Espírito Santo. Ao levantar das mãos, os obreiros se dirigiram aos postulantes para batizá-los, o que foi o ponto alto do culto. Em entrevista com um obreiro da igreja, indagamos sua opinião sobre o espaço do culto, e se considera que esse tem atendido aos anseios de sua comunidade. O obreiro nos disse o seguinte:
Acredito que sim, tem atendido (...) Algumas pessoas dizem “eu sirvo à Deus em casa mesmo, eu fico em casa”, mas ir à igreja é essencial, é na igreja que você reúne a família, recebe e ouve a palavra, a palavra segundo a sua necessidade...o momento que você está passando. Então indo à igreja, participar no culto, ouvir a palavra, é inevitável (05/05/10).
Na Comunidade Além do Véu, o culto não é dos mais avivados, como o louvor também não é dos mais “emocionais”. Há pouca expressão corporal durante as músicas.
Isso tudo não a faz uma igreja (tão) rígida, pois, há grande liberdade em termos de usos e costumes. Participamos em alguns cultos da igreja. Em um deles, nos chamou a atenção as palavras de uma obreira que pregava no púlpito. Ao salientar aos irmãos que não deveriam passar o dia reclamando com Deus, sobre seus problemas, salienta que o ato de “reclamar”, o dia todo, é coisa daqueles que não são crentes. “Nós que somos filhos de Deus não devemos nos apegar às coisas do mundo”. Aqui há uma forte conotação do “nós” e “eles”, demarcando uma visão “do crente” com um grupo de eleitos. Contudo, não entendemos isso como um posicionamento sectário, até porque a igreja tem buscado inserção na comunidade. Além de sua participação na “Rede Social”, e visita a outras igrejas, tem organizado atividades para a comunidade, como o ocorrido em 06 de março quando da realização da “Ação Social”, em que ocorreram atividades de corte de cabelos, manicures, etc.
Igreja Adventista da Promessa. Embora tenham a influência do adventismo - não usar jóias, maquiagem, ou mesmo a moderação na ingestão de carnes - essa é uma igreja pentecostal. Em nossa participação, observamos um culto sem exageros, mas intenso. O louvor é bastante envolvente, com alguma expressão corporal, principalmente entre as mulheres, que possuem relativo espaço no púlpito durante o culto. Por ser uma igreja “adventista” estão presentes ideias que remetam à vinda iminente de Jesus. Em um dos cultos, a pregação (cujo tema era o Apocalipse) foi iniciada com a seguinte frase: “Os acontecimentos que vêm ocorrendo é a demonstração de que Jesus está voltando”. No contexto do discurso, o pregador ressaltou a necessidade da evangelização, salientando que em geral as pessoas vêm para a igreja porque alguém mostrou-lhe a “verdade ”. Chamou-nos a atenção foi a parte final do culto em que o pastor pede para todos que estejam precisando de alguma benção para dirigir-se a frente da Igreja, momento em que o pastor e obreiros oram por esses. A igreja tem boa presença na “Rede Social”, integrando o grupo gestor, e sediando o lançamento da Campanha de Páscoa. Também participam da Associação de Bairro.
No bairro há ainda igrejas menores como: a Assembleia Pentecostal Unidos em Cristo e A Casa de Deus. A Assembleia Pentecostal é bem recente no bairro e começou a funcionar em janeiro de 2010 e possui espaço físico muito pequeno, atraindo um público bem carente. Um de seus obreiros realiza trabalho na instituição “Desafio Jovem”, citado acima. A Casa de Deus mudou-se recentemente para um espaço maior, acolhendo um número maior de fiéis. Praticamente todo o culto estrutura-se no louvor, e
não existem regras em termos de usos e costumes. A igreja realizou recentemente uma atividade chamada o “Ministério das Mulheres Saradas”. Organizadas por pastoras, conta com a participação de profissionais como psicólogas para discutir, entre outras coisas, o papel da mulher (como mãe e esposa) na família. Por fim, citemos a Igreja O Brasil para Cristo. É uma das igrejas mais antigas do bairro. Seu trabalho expoente é realizado com os jovens, a partir dos coordenadores do grupo de louvor. Seguem citações, de lideranças religiosas do bairro, acerca das atuais práticas dentro da igreja, em especial, o culto, os usos e costumes e aspectos doutrinais:
Bom, nós nos baseamos na palavra de Deus. Como todo mundo sabe, existem os usos e costumes, e nem todo o costume é pecado. Agente procura mostrar dentro das escrituras, o que é pecado e o que não é pecado. No sentido dos usos e costumes, desde que não sejam exagerados, alguns trajes, é (sic) tolerado dentro da igreja. (...) Cada culto é um culto. A forma de Deus operar num culto, não significa que no próximo culto ele vai fazer a mesma coisa.
Sempre há algo novo. Não tem como dizer, o próximo culto vai ser assim, ou vai ser de tal forma. É o próprio Deus, o próprio Espírito Santo que comanda (Comunidade Além do Véu)
Quanto às práticas de culto, considero essencial. Quanto aos usos e costumes, em alguns casos, é conflitante, pois fere códigos doutrinários, toda via, a missão da igreja é ajuntar. Quanto as doutrinas, não vejo a necessidade de qualquer alteração. Com o passar do tempo, podemos ver algumas mudanças, e muitas destas, na minha avaliação é negativa (...) (Adventista da Promessa).
(...) a doutrina, ela tem que existir. É o ensinamento da Bíblia. (...) Eu vejo os usos e costumes, depende de igreja a igreja. Eu sou do tipo que o homem tem que vestir calça e a mulher saia. De calça, eu não concordo, tenho o meu ponto de vista. Mas Deus fala, Jesus fala: “venha como estás”. São as doutrinas, os usos e costumes. E na igreja Pentecostal, isso é uma doutrina, é uma prática já. Existe o povo pentecostal, e existe o povo não pentecostal.
(...) a doutrina tem que ter, o ensinamento tem que ter, tem o louvor, tem o culto, tem as adorações à Jesus. Alguns estão perdendo esses valores (...) o que eu não concordo (obreiro, Assembleia Pentecostal Unidos em Cristo).
Região da Vila Lopes, Vila Marcos, São João e Monte Alegre
Nessa região encontramos as seguintes igrejas evangélicas115:
- Igrejas evangélicas não pentecostais: Igreja Congregacional, Igreja Batista (filial da igreja Batista Central) e Testemunhas de Jeová.
- Igrejas pentecostais: Assembleias de Deus (Ministérios de Belém, Shekinah no Brasil, entre outros não identificados), Igreja Batista Deus Vivo, Assembleia Pentecostal do Brasil, Igreja Evangélica Chama de Fogo, Igreja de Deus no Brasil, Avivamento Bíblico, Igreja Pentecostal Deus é Amor, Congregação Cristã no Brasil, Igreja O Brasil para Cristo, Igreja Evangélica Novas da Paz, Igreja Aliança Eterna, Igreja Evangélica Casa de Deus e Igreja Missionária Amor e Fé e Igreja Primitiva de Cristo Jesus, além da casa de oração da Igreja Cristã Evangélica.
Nessa região conseguimos observar cultos (com maior regularidade) na Igreja Congregacional, Vila Lopes, e Assembleia de Deus, Vila Marcos. Entre os bairros incluídos na região, Vila Lopes é o que demonstra melhores condições de estrutura, pois vem passando por melhorias em suas vias públicas, mas ainda apresenta alguns problemas, e conforme mapa da vulnerabilidade, essa região situa-se num local entre vulnerabilidade média e alta.
115 Levantamento realizado em novembro de 2008 e março de 2009, atualizado em janeiro de 2010.
Foto n.13 - Rua Residência – Vila Lopes.
Foto do autor