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A DIVISÃO DO CURSO DE GEOGRAFIA E HISTÓRIA

No documento partícipes do processo de “formação de (páginas 158-161)

3 A FORMAÇÃO DO PROFESSOR DE GEOGRAFIA E HISTÓRIA NA FEFCL DE

4.1 A DIVISÃO DO CURSO DE GEOGRAFIA E HISTÓRIA

[...] Houve uma divisão, porque antigamente o curso era Geografia e História, depois passou. [E o senhor lembra dessa divisão, professor, em função do que foi, foi legislação nacional?] Foi. Não foi coisa da própria Universidade, que antes não era [universidade]. Era Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras, a Universidade surgiu muito tempo depois... [1970] [...].

[Prof. Brasil Borba, entrevista em 17/02/2009].

O depoente afirma que a divisão do Curso foi uma iniciativa da própria Instituição, mas não esclarece as razões que levaram à mudança. Assim, infere-se que o professor Brasil Borba não teve maior envolvimento nos estudos e planejamentos para a implantação da primeira Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, a Lei 4024/61, pois não faz referências a nenhuma legislação.

Suas lembranças confundem-se com a fundação da UEPG, que ocorreu em 1970, conforme Lei 5.540/68.

A professora Josefina lembra-se da divisão dos Cursos de Geografia e História, mas não faz referência à legislação, e atribui a mudança à iniciativa dos professores.

[E, sobre a divisão do curso?] Ah! Isso foi coisa da minha cabeça, era muita matéria de História e de Geografia, então por minha conta disse que ia mudar, os colegas gostaram da ideia e ficaram dois cursos independentes.

Não é melhor? Até hoje é assim, né? [Profa. Josefina Ribas Milléo, entrevista em 21/11/2008].

Percebe-se que as lembranças da professora sobre a divisão do Curso estão relacionadas à sobrecarga de trabalho docente e não às prescrições legais da política educacional nacional. Por isso, atribui a divisão do curso à iniciativa própria, junto aos seus colegas professores. Justifica a opção pela necessidade em diminuir a sobrecarga de trabalho, pois no antigo curso de Geografia e História havia sobreposição de cadeiras aos professores126, devido à falta de docentes habilitados

126 Conforme depoimento professora Josefina, citado à Parte 2 deste trabalho.

ao magistério em nível superior, na cidade de Ponta Grossa e região. Nota-se também, que nos meados da década de 1950, já se sentia a falta de professores, mas nada se mencionava sobre a possibilidade de divisão do curso e, que medidas como a contratação de ex-alunos para compor o quadro docente do curso, como no caso do Profº Olavo Soares que formado em 1953, assumiu a cadeira de Geografia Física, em 1955, integrando o quadro docente do curso.

Constata-se que a visão sobre a mudança ocorrida no Curso como sendo iniciativa do corpo docente da Faculdade é constante nas memórias dos professores. O professor Aguiar, questionado se a divisão do antigo Curso se deu em atendimento à LDBEN 4024/61, afirma

[...] Não, não tinha nada a ver! Nós é que sentimos que as turmas eram muito grandes e não dava mais para conciliar [...] o trabalho era muito grande pelo número de alunos e pelo excesso de conteúdo a ser trabalhado. [...] foi iniciativa dos professores que se reuniram, planejaram e propuseram a divisão. Daí esse projeto foi levado à Secretaria de Educação, em Curitiba, para ser analisado e aprovado, e essa divisão já havia sido feita em outras instituições [Entrevista em 07/08/2008].

Ratifica-se, nas lembranças do docente, que a divisão do Curso foi uma iniciativa do próprio corpo docente da FEFCL-PG, medida que ele também atribui ao excesso de conteúdos previstos nos programas e ao elevado número de alunos do Curso de Didática, que atendia aos alunos formados nos três cursos: Letras Neolatinas, Geografia e História, e Matemática. Contavam com uma média de 30 alunos a cada ano letivo, até 1965, quando encerrou a última turma do antigo currículo (Relatório anual 1965. FACULDADE Estadual de Filosofia, Ciências e Letras de Ponta Grossa, 1965).

O professor Aguiar relata, também, que a divisão do Curso de Geografia e História já havia ocorrido em outras instituições, evidenciando que havia conhecimento sobre a possibilidade de divisão do curso, embora o depoente não faça menção a nenhuma legislação. A Lei 2.594, de 8/9/1955127 dispunha sobre o desdobramento dos Cursos de Geografia e História nas faculdades de Filosofia, e só se efetivou na Faculdade de Filosofia de Ponta Grossa, em 1963, com a implantação

127 Lei no 2.594, de 8/9/1955. [...] Art. 1º O atual curso de Geografia e História das Faculdades de Filosofia do país é desdobrado em dois cursos independentes, curso de Geografia e curso de História. Art. 2º O currículo mínimo dos cursos de Geografia e de História das Faculdades de Filosofia constará, respectivamente, das disciplinas de Geografia e de História, indicadas no artigo 14 do Decreto-lei nº 1.149, de 4 de abril de 1939, e de conformidade com o estabelecido no Decreto-lei número 9.092, de 26 de março de 1946. Art. 3º Esta lei entrará em vigor na data de sua publicação, revogadas as disposições em contrário. [...] (BRASIL, 1955).

da LDBEN nº. 4024/61 e as mudanças nos projetos dos cursos de formação de professores, neste caso, do professor de História.

Com a nova legislação, os novos professores, ex-alunos do antigo curso, ingressaram no corpo docente do Curso de Licenciatura História na década de 1960.

Eles guardam lembranças sobre as mudanças ligadas às inovações, mas não as relacionam com nenhuma legislação pertinente. Rememora o professor Hélcio128, ao ser questionado:

[...] [S - O senhor foi aluno ainda do curso de Geografia e História?] Sim, a penúltima turma. Teve mais uma depois, e depois separaram os cursos.

[Como é que o senhor, enquanto docente, viveu essas mudanças; o que o senhor percebeu de mudanças?] [...] Evidentemente no sentido que identificou os campos, no caso, porque a gente fazia Geografia e História, era superficial demais, porque os conteúdos assim eram tratados de maneira meio superficial, porque não seria possível, em três anos, você dominar toda a Geografia e toda a História. E um ano era só de Didática, no caso. Agora, a mudança para depois, quando se tornou licenciatura, não deu para sentir assim grandes diferenças! [...] [Entrevista em 08/04/2009].

O docente salienta a importância da divisão do antigo Curso, apontando aspectos inovadores como a possibilidade de se tratar com mais profundidade ou detalhamento os conteúdos históricos e, ainda, valoriza as mudanças para o curso de Licenciatura em História, com a junção do Curso de Didática. Assim, também, a professora Maria Aparecida discorre sobre a divisão a partir de sua atuação como professora do curso:

[...] Ah! Sim. Aí já era o curso de História, aí já eram separados, História e Geografia, [...] não era mais! Já entrava tudo nos quatro anos [...] com todas as disciplinas pedagógicas, já desde o primeiro ano, inclusive. [...]

[Entrevista em 05/12/2008].

128Hélcio de Oliveira Ladeira, nascido em 1938 na cidade de Ourinhos, SP. Sua formação escolar foi em Ponta Grossa, fez o curso primário no Grupo Escolar Julio Teodorico, concluído em 1951; no Colégio Estadual Regente Feijó concluiu o curso ginasial, em 1956, e o curso colegial em 1960.

Cursou, na Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Ponta Grossa, o bacharelado em Geografia e História, licenciado no Curso de Didática, entre 1961 e 1964. Em nível de pós-graduação, fez o curso de especialização em História do Brasil na UFPR, cujos registros não se encontram em ficha cadastral no Arquivo institucional, assim como os créditos cumpridos no Curso de Mestrado em História – PUC-SP, no início da década de 1970. Foi professor de História em uma instituição particular de ensino, escola confessional católica, Colégio Diocesano São Luiz – Ponta Grossa-PR, em nível ginasial, de 1965 a 1967. Ingressou no magistério superior em 1967, quando prestou concurso para o Departamento de História, da FEFCL-PG, em 1967 e, em 1971, foi aprovado no concurso no Departamento de Economia, assumindo a disciplina de História Econômica do Brasil. Como professor titular do Departamento de História, encontra-se em atividade, cumprindo o tempo de serviço de seu segundo padrão docente, na UEPG. (Cf. PRÓ REITORIA de Recursos Humanos, in: UEPG, 2009- h). (ENTREVISTA em 08/04/2009).

Os depoimentos dos professores Hélcio e Maria Aparecida valorizam as modificações e não os seus motivos e, à primeira vista, parecem divergentes quanto à incorporação do Curso de Didática ao Curso de Bacharelado em História.

Enquanto o professor comenta que não houve mudanças significativas nessa área, a professora afirma que as disciplinas pedagógicas foram distribuídas nas quatro séries do novo curso. Como se verificará na sequencia, os docentes apresentam elementos que se completam para o entendimento sobre a nova grade curricular do Curso de História, como afirma Maria Aparecida − as disciplinas pedagógicas foram distribuídas nas quatro séries do curso − e como lembrou Hélcio, a disciplina de Didática Geral passou a ser ministrada na 3a série e a Didática Especial de História, sob nova denominação − Didática e Prática de Ensino de História −, era ministrada na 3a e na 4a séries do Curso de Licenciatura, portanto concentradas no final do mesmo.

Com a implantação da Lei 4024/61, incorporou-se a Lei 2.594, de 1955, constatando-se que, na experiência vivenciada pelos docentes, parece ter havido uma simbiose entre as duas leis, devido à implantação concomitante desses dois dispositivos legais, na FEFCL-PG. Ainda nos relatos docentes apresentam-se duas questões importantes: a integração do curso de Didática e a priorização do ensino.

Nas mudanças apontadas, não há referência à questão da pesquisa no Curso de formação de professores de História da FEFCL-PG, o que estava previsto entre os objetivos estabelecidos pela nova legislação da década de 1960, e que será analisado a seguir.

No documento partícipes do processo de “formação de (páginas 158-161)