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A Educação

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CAPÍTULO 2 – O CONTEXTO

2.2. A Educação

Para o professor Octavio Ianni (2002, p.32) é pela educação que o indivíduo situa-se na sociedade e no seu grupo social, formando seu modo de ser, pensar e agir nas articulações com outros membros da coletividade. Para Ianni, a educação formal é decisiva para a formação cultural e profissional do indivíduo, independente se seu ensino for privado, público, religioso ou leigo, “compreendendo

as condições de transformações da população em povo, sendo este uma coletividade de cidadãos; todos os seres sociais em condições de se inserirem nas diversas formas de sociabilidade e nos mais diversos jogos de formas sociais”.

Define o indivíduo como “cidadão do mundo” que não se define apenas pelo trabalho e emprego, mas também pela sua “participação em partido político, sindicato, movimento social, corrente de pensamento”. Sua consciência social envolve o trabalho, a educação, a religião, a família, a política, a cultura. Movendo-se nesse “conjunto de articulações” ele forma seu “modo de ser, sentir, pensar, agir, compreender, explicar, imaginar”.

Afirma ainda que “Sob vários aspectos, o ‘indivíduo’, ‘eu’, ‘ser’, ‘ator’, com sua identidade e dignidade, alienação e revolta, luta e emancipação, é sempre movimento heurístico de tudo o que é social ou histórico, modo de ser e devir”. Ianni, 2002 (p.30 e 32)

A filósofa e professora Maria Lúcia Aranha (1996, p.15) discutindo educação e ideologia, afirma que os homens em suas relações criam padrões de comportamento, instituições e saberes que são aperfeiçoados pelas gerações sucessivas através da assimilação de sua cultura. Assim a educação mantém viva a memória de um povo e é a “instância mediadora que torna possível a reciprocidade entre indivíduos e sociedade”.

Dada a importância da educação formal para esse “movimento heurístico” de formação do cidadão, poderemos perceber, desde o início da República, como a educação vai se tornando essencial à medida que o país avança no desenvolvimento de seu capital, até o período do “milagre econômico” cujas condições econômicas e educacionais - desenvolvimento industrial e social com demanda crescente por ensino – propiciaram aos empresários, amplas oportunidades para criação de empreendimentos no setor educacional.

Neste tópico, apresentaremos uma síntese da história da educação no Brasil, com vistas a situar o leitor no contexto de desenvolvimento do ensino, sobretudo o privado, relevando o universitário, para contextualizar o papel de

Antonio Veronezi nesse setor, ocupando papel importante como empreendedor ativo no principal momento de expansão deste tipo de ensino no país.

O dantes professor, encontra no bojo da Reforma Universitária de 1968, solo propício para se transformar em empreendedor54. Conjuntamente com o

desenvolvimento setorial em 1990, e a fixação de seus negócios nele, se transforma em forte e atuante empresário55 do setor. Veronezi tem sido nas últimas quatro

décadas um expressivo “agente” da educação superior no setor privado.

O “saber superior” no Brasil

Luiz Antonio Cunha, mapeando o ensino superior da Colônia à Era Vargas, retrocede no tempo. Conta que o Brasil foi sede da monarquia Lusa de 1808 até 1820, quando a Revolução Constitucionalista do Porto exigiu a volta de D. João VI a Portugal. Durante esse período, passou de Colônia a Reino Unido, o que significava que o rei de Portugal seria também o rei do Brasil, que passou a ser outro Estado. Na volta a Portugal, o rei “prisioneiro das Cortes” (Parlamento) não foi acompanhado pelo aparelho de Estado que trouxe. Este permaneceu no Brasil com seu filho Pedro, quem por conselho paterno tomou para si a coroa, proclamando a Independência de Portugal. Por isso é possível dizer que o Estado Nacional tem sua origem no Brasil, não em 1822, mas em 1808.

Assim que D. João VI chegou ao Brasil, ele determinou as primeiras medidas para criar escolas de nível superior para formar oficiais do exército e da marinha (para defesa da Colônia), engenheiros militares e médicos. (Aranha, 1996, p.153)

Qual a importância de remeter a pesquisa a tempo tão distante? A educação escolar sob os efeitos dos novos tempos foi utilizada para promovê-lo.

54O empreendedor se caracteriza por aquele que enxerga e aproveita as oportunidades correndo os riscos e

enfrentando as dificuldades iniciais do negócio.

55Empresário é a pessoa jurídica que desenvolvem atividades de produção e/ou comercialização de produtos ou

Formou-se nesse período o núcleo do ensino superior edificador do que existe até então. O ensino superior atual nasceu junto com o Estado Nacional, gerado por ele e para cumprir as funções próprias dele, seguindo a lógica de promover a formação dos burocratas na medida em que se faziam necessários. (Cunha, 1980, p. 71)

A primeira universidade nas colônias espanholas da América, embora efêmera, foi fundada em São Domingos, em 1538. A segunda foi no México em 1553. Depois as de São Marcos no Peru, de São Felipe no Chile, de Córdoba na Argentina. Existia no Brasil os Colégios Jesuítas na Bahia, Rio de Janeiro, São Paulo, Olinda, Maranhão e Pará, e embora não trouxessem esse nome, suas estruturas se assemelhavam e poderiam ser comparadas às primeiras universidades, segundo cogita Cunha.

Quando o Brasil se tornou independente em 1822 não possuía universidade nenhuma, enquanto que na América Espanhola havia 26 universidades. A primeira no Brasil surgiu somente 100 anos após a independência. (p.11).

Portugal, segundo argumento de convencimento quase geral, bloqueava o desenvolvimento do ensino superior no Brasil de modo a manter a colônia incapaz de cultivar e ensinar ciências, letras e artes. E como forma de manter o vínculo que sustentava a dependência das colônias concedia bolsas para estudo em Coimbra.

Luiz A. Cunha traçando esse histórico entre a história do Brasil e o ensino, define o ensino superior como: “Aquele que visa ministrar um saber superior”, categorizando como tais o ensino de filosofia, teologia e matemática (na Bahia), do período colonial; o ensino de anatomia e cirurgia nos hospitais militares criados em 1808; o curso de engenharia implícito na Academia Militar; o ensino de direito, e outros ministrados em aulas, cadeiras, cursos, escolas, academias, faculdades, e já no século XX, nas universidades. (p.14)

Para a professora Gladys Beatriz Barreyro, que fez um “Mapa do Ensino Superior Privado” para o MEC/INEP no ano de 2008, o ensino superior

privado no Brasil se constituiu, a partir da República, com instituições de confissão católica ou criadas pelas elites locais, com apoio de governos ou iniciativa privada, pois foi a Constituição de 1891, que, citando Sampaio “descentralizou o ensino superior, que era exclusivo do poder central, delegando-o também para os governos estaduais e permitindo a criação de instituições privadas” Sampaio (2000, p. 37 apud Barreyro, 2008, p.15)

Barreyro, citando que a criação de escolas por particulares permitiu o desenvolvimento do ensino superior, apresenta números: se em 1880 havia 2.300 estudantes, em 1915 eram mais de 10 mil, em 1930, quase 20 mil alunos. Entre 1892 e 1910, foram criadas 27 instituições de ensino superior. (2008, p.15)

Com base em Cunha (1980), a professora Gladys contextualiza que durante o governo de Getúlio Vargas em 1931, foram estabelecidas normas para a organização do ensino superior, pela promulgação do Estatuto das Universidades Brasileiras (Decreto n° 19.851/31, vigente até 1961) “que organizava o ensino superior no país permitindo as formas de universidade e institutos isolados. As universidades poderiam ser mantidas pelo governo federal ou pelos estaduais, portanto oficiais, ou ‘livres’, mantidas por fundações ou associações particulares.” (Barreyro, 2008, p.16)

A educação superior no Brasil, na concepção de José Carlos Rothen, tem como marco de regulamentação legislativa esse mesmo decreto-lei (nº 19.851 de 11 de abril de 1931), promulgado na gestão de Francisco de Campos à frente do Ministério da Educação e Saúde Pública, do Governo Vargas.

O professor Rothen, estudando as universidades brasileiras na época da Reforma Francisco de Campos, esclarece que ela recebeu o nome de “Estatuto das universidades brasileiras”. Nesse dia foi criado o CNE – Conselho Nacional de Educação decreto-lei nº 19.850 e outro, de nº 19.852 tratando da Organização da Universidade do Rio de Janeiro, que segundo o professor eram decretos relacionados.

O estatuto definia o modelo de universidade, e a Universidade do Rio de Janeiro foi a aplicação do modelo para “definição de moldes” às demais

faculdades. O CNE apontou a instalação de um “conselho técnico” com atribuição de órgão consultivo do ministério. A educação superior foi então concebida, valorizando a ciência aplicada e implementação de escolas técnicas e profissionais segundo concepção da Reforma Pombalina que concebia faculdades isoladas, e a universidade por sua vez, aglutinava as faculdades. (Rothen, 2008).

O ensino superior católico havia cessado em 1805. O período de 1931 e 1945 caracterizou-se por amplas disputas entre autoridades laicas e a igreja católica pelo controle da educação. O governo Vargas ofereceu à igreja introdução do ensino religioso facultativo no ciclo básico em troca de apoio ao novo regime e autorizou abertura dos cursos de Direito e de Filosofia, inaugurados em 1941 e incorporados em 1943 à Escola de Serviço Social. Com a criação da Escola Politécnica, foi reconhecida como universidade em 1946, tornando-se a primeira Universidade Católica do Brasil. Na década seguinte a igreja católica criou suas próprias universidades. (Martins, 2002)

Antonio Carlos Pereira Martins caracteriza o período de 1945 a 1968, como marcado pelas lutas do movimento estudantil e de professores na defesa do ensino público, que permeou o debate da reforma geral da educação.

Em 1961 foi aprovada a primeira Lei de Diretrizes e Bases da Educação - LDB/61 (decorrente da Constituição de 1946) cuja legislação normalizou a autorização e reconhecimento das instituições de ensino superior. Para os “reformadores” a LDB/61 representou uma derrota, com vitória para os defensores do ensino privado.

Em 1964 foi instituído o regime militar de governo, que segundo Martins, atacou direitos civis e políticos, perseguindo opositores do regime, especialmente professores e estudantes, “desmantelou o movimento estudantil” vigiando as universidades públicas como foco de subversão, resultando no expurgo de lideranças estudantis. (Martins, 2002)

Em 1965, o consultor americano Rudolph Atcon realizou estudo que “propunha a implantação de modelo empresarial de estrutura administrativa universitária” a pedido do MEC. Houve também estudo da Comissão Meira Matos

para analisar as questões estudantis, e um Grupo de Trabalho Interministerial para estudo da reforma. Esses estudos todos, levaram à instituição da Reforma Universitária - Lei nº 5.540/68, que promulgava a indissociabilidade entre ensino e pesquisa nas universidades. (Barreyro, 2008, p.18)

Expansão pós – Reforma Universitária

Barreyro aponta com dados do INEP56, que a Reforma Universitária -

Lei nº 5.540/68, possibilitou expansão acelerada do ensino superior na década de 1970, passando de menos de 280 mil matriculas em 1968 para mais de 1 milhão e 400 mil em 1980, “dando razão ao surgimento de empresários do ensino superior, oriundos de instituições privadas de 1° e 2° graus”.

Ainda segundo Barreyro, o Conselho Federal de Educação autorizou a conversão das instituições isoladas em universidades, a Constituição Federal de 1988 e a LDB, lhes outorgaram autonomia para maior flexibilidade na gestão e para abrir cursos segundo a demanda do mercado. De 1980 a 1994 o número de universidades privadas sobe de 20 para 59. (2008, p.18-20).

Segundo Castro (1978), considerando as universidades integradas, centros universitários e estabelecimentos isolados federais, estaduais, municipais e privados, em 1970 havia 184 instituições públicas para 435 privadas e com 2.221 cursos. Em 1990 tínhamos 222 públicas contra 696 privadas com 4.712 cursos.

O processo de abertura de novos cursos foi facilitado, e quando a UnG completa 30 anos, no ano 2000, o MEC registra 2.594.245 matrículas no ensino superior. Havia 1.807.219 matriculados, com disponibilização de 10.583

56 As tabelas presentes neste capítulo fazem parte de relatórios e tabelas do Censo da Educação Superior, e estão

cursos em 1.004 instituiçoes privadas. O país contava com 122 instituições públicas. Entre o período de 1970 a 2000 o percentual de alunos concluintes era 16%, com média de matrículas de apenas 30% em escolas públicas.

Tabela 2 - Número de Instituições e vagas - 1970/2004

As vagas do setor privado cresceram quase cinco vezes no período 1970/2004 (em 34 anos) e quase duplicaram entre 2000 e 2004 (em 4 anos) após as normatizações provenientes da LDB promulgada em 1996.

A LDB nº 9.394/96 institui o sistema federal de ensino superior, constituído pelas Instituições de Ensino Superior (IES) mantidas pelo poder público (as públicas), e as mantidas por pessoas físicas ou jurídicas (iniciativa privada), que por sua vez distinguem-se por particulares, de natureza comercial (com finalidade de lucro) e as comunitárias, confessionais ou filantrópicas, de natureza civil (sem

finalidade de lucro). As entidades que se apresentaram com natureza de finalidade lucrativa deixaram de receber participação de fundos públicos e isenções fiscais.

A LDB/96 estabelece ainda, um sistema de avaliação, para autorização de funcionamento e reconhecimento de cursos, a serem renovados periodicamente, sob responsabilidade da União. Explica a professora Barreyro que “na prática, a avaliação foi realizada pela implementação do Exame Nacional de Cursos – o Provão (1996) e a Avaliação das Condições de Oferta de Cursos de Graduação (1997), baseados na verificação em campo das dimensões: corpo docente, organização didática e pedagógica e instalações físicas.” (2008, p.20-22).

A LDB permitiu a diversificação da organização acadêmica, tornando possível, a criação de universidades, centros universitários, faculdades integradas, faculdades e institutos ou escolas superiores, propiciando expressivo aumento no número de instituições, e como decorrência, mais vagas disponibilizadas.

Tabela 3 - Número de Instituições e vagas - 2002/2008

Questões complexas

As matriculas entre o ano 2000 a 2008 dobraram, de 2.594.245 para 5.080.056 de acordo com sinopse estatística do ensino superior do MEC.

Porém, embora a professora Barreyro tenha apresentado seu mapa em 2004, ainda hoje a educação superior possui os mesmos pontos críticos: ampliação de vagas, democratização do acesso, permanência do aluno, e qualidade do ensino.

Políticas de acesso estão sendo criadas tais como ProUni, Fies, e criação de universidades federais, além de sistemas de avaliação da qualidade do sistema, o Sinaes, aprovado em 200457. Na Universidade Guarulhos, a

autoavaliação institucional é da competência da CPA - Comissão Própria de Avaliação.58

Não nos aprofundaremos no tema, mas cabe registrar dois importantes problemas enfrentados no sistema de Ensino Superior privado, uma vez que suas fontes de financiamento provêm do pagamento das mensalidades por parte dos próprios alunos: evasão e sobra de vagas, que para o empresariado do setor, são fontes de ociosidade de professores e de espaço físico, enfim, desperdício de recursos.59

Como exemplo, uma pesquisa apresentada no SBPO60, específica

de uma instituição, aponta que o setor conta com uma média de 30% de vagas que

57 O Sinaes, aprovado por lei n° 10.861/04 consta de três pilares: Avaliação institucional, Avaliação de Cursos de

Graduação e Exame Nacional de Avaliação de Desempenho dos Estudantes (Enade).

58 A CPA – Comissão Própria de Avaliação, é o departamento em que a pesquisadora está alocada como Apoio

Acadêmico, durante a fase de qualificação e defesa dessa pesquisa.

59 Importante atentar para o conceito de perecibilidade como característica da prestação de serviço, não havendo

estocagem de vagas, a evasão resulta em perda financeira, quadro que tende a se elevar dada a profusão de vagas abertas a cada ano, diluindo o faturamento das IES.

60 A Sociedade Brasileira de Pesquisa Operacional (SOBRAPO) foi fundada em 1969, para ajudar a divulgar em

congressos e revistas a produção científica dos pesquisadores brasileiros. No Brasil, foi aceita em 2007 como membro da SBPC, e realiza o Simpósio Brasileiro de Pesquisas Operacionais, SBPO, conforme dados do portal em http://www.sobrapo.org.br.

não são preenchidas, e das preenchidas apenas 65% dos alunos são concluintes, sobretudo devido a motivos financeiros.61

Dados do MEC/INEP destacam que o aumento do número de vagas oferecidas não foi acompanhado pelo crescimento no número de ingressos, resultando em vagas ociosas, sobretudo nas universidades e centros universitários. Em 2004, 40,19% das vagas oferecidas não foram ocupadas. Em 2008, foram registradas em todo o Brasil 1.479.318 vagas ociosas em relação ao número de ingressos.62

Tabela 4- Vagas não ocupadas em 2004

Pesquisas realizadas pelo Instituto Lobo para o Desenvolvimento da Educação, da Ciência e da Tecnologia - empresa que realiza atividades de pesquisa em ciência, tecnologia e educação - registra que entre 2000 e 2005 a evasão oscilou em torno de 12% nas instituições públicas e 26% nas instituições privadas, correspondendo a 19% nas universidades e centros universitários e 29% em faculdades, sendo a evasão média nacional de 22%.63

61 XXXVI SBPO, São João del Rei, MG, 23 a 26/11/2011 “Análise fatorial e evasão de alunos no ensino

superior, p. 599-606, pesquisa com 283 alunos sintetizando 13 principais motivos de evasão em uma universidade privada, entre eles, mas não principal, a financeira.

62 Resumo Técnico – Censo da Educação Superior 2008 (Dados preliminares). Ministério da Educação e INEP.

Brasília, DF, 2009. Pg 13. Disponível em www.inep.gov.br. Acesso 14/07/2014

63 A evasão média é caracterizada pelo número de alunos que não se formou e no entanto não se matriculou no

período seguinte, e a evasão total é caracterizada pelo número de alunos que entrantes em uma instituição não

Barreyro aponta que como o poder público não criou instituições, mas a demanda pelo acesso à educação superior cresceu com o desenvolvimento do país, houve necessidade de serem criadas legislações para facilitar a expansão do sistema pela via privada, permitindo o acesso dos estudantes.

Contudo, o crescimento do setor privado mesmo tendo contribuído para a ampliação do acesso à educação superior, não trouxe a democratização do acesso, mantendo desigualdades sociais que refletem a situação social do país. “Mais estudantes que cursaram o ensino médio em escolas públicas encontram-se estudando nas IES privadas e mais estudantes que cursaram todo o seu ensino médio em escolas privadas estão estudando nas IES públicas.” (2008, p.60).

No Brasil, o ensino sempre foi essencialmente privado. No ensino superior é nas instituições públicas que estão os melhores resultados no ENADE, tendo elas inclusive maior prestígio social e processo seletivo mais rigoroso, porém não disponibiliza vagas em quantidade suficiente.

Vale ressaltar que o crescimento do setor privado, segundo Luciane Stallivieri (2007, p. 89) é proporcional à capacidade de pagamento dos seus alunos; da existência de alternativas de fontes de financiamento como programas de crédito educativo, bolsas de estudos e do investimento individual feito pelos alunos.

Já para Martins (2002), o aspecto mais importante que aconteceu com a expansão do setor foi justamente o acesso das classes mais pobres, as vagas sendo destinadas não mais somente para a elite. Encontra-se então na instituição privada alunos de famílias com renda até 6 salários mínimos e também acima de 10 salários mínimos que são os que frequentavam a instituição pública. Porém, observa que, os alunos de classe intermediária e de baixa renda têm ainda dificuldades de acesso no ensino superior público, e também no privado, devido a deficiências no ensino fundamental ou problemas sociais.

obteve o diploma ao final de um determinado número de anos. Sendo o índice a diferença dele para 100%. A evasão no ensino superior brasileiro. Instituto Lobo para o Desenvolvimento da Educação, da Ciência e da Tecnologia. Cadernos de Pesquisa, v. 37, n.132, p. 641-659, set/dez 2007, cálculos com dados do INEP.

Tabela 5 - Percentual por categoria

Faz-se importante destacar que mesmo à época da industrialização brasileira, quando cresceu a demanda social por educação, como “o pilar” para o desenvolvimento da nação, o acesso à educação superior, é fortemente vinculado à origem social dos alunos, com inserção dos mais pobres predominantemente nos cursos menos remunerados. Os cursos mais prestigiados e valorizados são ocupados pelos alunos das classes altas da sociedade, não ocorrendo uma “expansão democrática”, sendo o ensino elitista e o acesso às universidades públicas restrito. Reid citando Vargas (2008)64

Aranha, discutindo ideologia como fenômeno das sociedades divididas em classe, aponta que muitos alunos não têm sucesso na escola não por

64 II congresso Fluminense de Iniciação Científica e Tecnológica, UFF - Universidade Federal Fluminense. “A

expansão do ensino superior: uma análise do perfil socioeconômico dos alunos que frequentam as diferentes instituições e cursos”. Reid, T.L.S; Silva, A.P; Ney, M.G, com base de dados Enade 2004 e 2005 pelo INEP/Sinaes)

serem ignorantes ou incompetentes, mas por tornarem-se assim, graças à divisão social que distribui desigualmente os bens de que a sociedade dispõe, inclusive a educação. “A maneira como ela é oferecida traz embutida a impossibilidade de sua universalização.” (1996, p.16)

Nesse aspecto do acesso e renda, Helena Sampaio, registra que a média de 19% de jovens entre 18 a 24 anos que frequentou ou frequenta o ensino superior, está abaixo da média dos países industrializados, que é de 30%. Porém, com as políticas de aumento da classe “C”, 23% dos seus integrantes ingressaram nas IES, boa parte por meio dos financiamentos estudantis, (PROUNI e FIES), e devido à redução nas mensalidades, de 54% entre 1996 a 2009. (Sampaio, 2000)

Quando a UnG chega aos seus quarenta ano, em 2010, já havia 2.378 estabelecimentos de ensino superior. Apenas 89 eram universidades privadas. Em 2010 houve 2.196.822 ingressantes e total de 6.407.733 matriculados em 29.737 cursos, incluindo os de formação sequencial. A média de concluintes é de 14,91%, mantendo-se alto o índice de evasão.

Em 2010 do total de alunos informado 73,04% estudavam em instituições privadas, sendo 30,9% nas universidades, embora elas representassem

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