Em 1970, ano em que a Seleção Brasileira ganhou o tricampeonato mundial de futebol, a população brasileira era de 93.139.037, “90 milhões em ação”.89
A população urbana quando nasceu Veronezi na década de 40 era de 31%, já em 1970 a população na área urbana era da ordem de 58% da população brasileira. (Brasil, 2006, p.20)
No Brasil, o Ministro da Guerra de Castello Branco, Arthur da Costa e Silva, da Arena, foi eleito pelo Congresso Nacional. Atuou no período de março de 1967 a agosto de 1969. Na área econômica promoveu crescimento, expansão
89 Em 2000 a população brasileira era quase 170 milhões. (Brasil, 2003, p. 10). Em 2010, quase 191 milhões segundo IBGE.
industrial, acesso ao crédito, e controle da inflação. Criou o Movimento Brasileiro de Alfabetização (Mobral), a Fundação Nacional do Índio (Funai), a Empresa Brasileira de Aeronáutica (Embraer).
Enfrentando forte oposição e manifestações contra o regime militar promulgou o ato institucional nº 5 (AI-5), ampliando os poderes presidenciais, fechando o Legislativo, suspendendo direitos políticos e garantias constitucionais, intervindo em estados e municípios. Houve três pequenos governos provisórios. Em agosto de 1969 afastou-se do cargo em virtude de uma trombose cerebral, sendo substituído por uma junta militar, falecendo em dezembro. Eleito indiretamente Emílio Garrastazu Médice presidiu o país a partir de outubro de 1969.
No campo da indústria nacional, seguindo explanação de Amanda Barros, nos anos 1960 e 1970 as indústrias avançam para os municípios e áreas próximas à região metropolitana levando ao fenômeno da “concentração geográfica industrial”.
Em Guarulhos a indústria química está presente na década de 70, quando marca presença cidades do Vale do Paraíba, Taubaté e São José dos Campos, com a instalação de indústrias automobilísticas que cresce em franco desenvolvimento. (Barros, 2011, p.127).
No campo da educação a Lei nº1.821, de 12 de março de 1953, que estabeleceu que os cursos técnicos industriais possibilitassem o ingresso de alunos concluintes das escolas técnicas em cursos superiores de Engenharia, Química Industrial, Arquitetura, Matemática, Física, Química e Desenho, redundam em desdobramentos nas reformas educacionais dos anos 1970.
Em agosto de 1971, a Lei Federal n º 5.692 fixa as diretrizes para o ensino de 1º e 2º graus (alterando o ginásio e colegial). O ensino primário e o ginasial foram acoplados, eliminando o exame de admissão, e o ensino de 2º grau passa a ser profissionalizante.
Segundo Aranha, a LDBEN permaneceu em discussão no Congresso Nacional por 13 anos, de 1948-1961, período em que ampla campanha
de defesa da escola pública debateu a coexistência entre o ensino público e o particular. Porém, a campanha não levou em conta a transição do cenário político do país com a mudança da capital federal, nem o cenário econômico marcado pela industrialização, principalmente automotiva em São Paulo, que impunham novas exigências ao setor educacional. Quando foi promulgada, a LDBEN já estava ultrapassada.
O Brasil de 60 é um país urbano e em processo de industrialização, assim, a LDB sofreu reforma já em 1968 no que tangia ao ensino superior que passou a contar com legislação própria pela Lei Federal nº 5.540 de 28/11/1968.
José Cardoso Palma Filho destaca que entre 1964 e 1968 houve grande elevação no número de candidatos às escolas superiores, com número de vagas insuficiente para atender a forte demanda. Em 1968 havia 125 mil candidatos “excedentes” às vagas disponíveis.
Ocorreu então uma proliferação de Universidades Federais (14 entre 1965 a 1969), sobretudo faculdades de Filosofia Ciências e Letras.
De quem estamos falando?
Com desenhos do “Ciclo de Vida” sobre a mesa, o entrevistado pede um lápis e começa a desenhar procurando as datas e ocorrências nos papéis enquanto narra as histórias.
Eu saia daqui… Eu fazia isso quase diariamente… Eu saia daqui ia pra Bragança, de Bragança para Itatiba e de Itatiba vinha para São Paulo, Faculdades Integradas Santo Antonio, ou Santo Antonio, Itatiba, Bragança. Diariamente. Eu ia para Brasília, no MEC, de automóvel muitas vezes.90
90As palavras “aqui”, “daqui” aparecerão diversas vezes, pois as entrevistas ocorreram no prédio que abrigava o
Após conferir as datas nos ciclos e encontradas todas as que se referia está pronto para a entrevista: “Então vamos!” (Olhando para o ciclo de vida desenhado) “Qual é que você quer?”
Foi longo o processo de narração das histórias de Veronezi na área de educação. Afinal, é uma longa história.
Quando comentado sobre o trabalho constante no setor educacional responde com segurança: “É! De fato eu colaborei bastante! Acredito.”
De 1966 a 1967, havia sido, enquanto aluno na UMC, professor do colegial do Colégio OMEC, conforme explicitado em tópico anterior.
Em 1968, por aproximadamente 8 meses, teve sua primeira experiência como empreendedor do setor educacional. Assim que pediu demissão da Tréves montou um cursinho preparatório para o vestibular da UMC, conforme explicitado em tópico anterior de acordo com ciclo de vida.
Colégio Ateneu – Professor Diretor
No ano de 1968, aos 25 aos de idade, começou a dar aulas de química no Colégio Ateneu pela manhã, onde havia trabalhado como office-boy e saído há 7 anos.
Não fiquei ruminando o fato de ele não ter cumprido [a palavra] comigo, fui lá e propus que ele criasse o curso de Química Industrial, eu ia ser o diretor! Dai criei o curso de Química Industrial do Ateneu Rui Barbosa.
Comprou o equipamento, montou o laboratório, a grade curricular e o curso. Dirigia o curso de Química industrial no Ateneu “na prática, não no título.”
Colégio Claretiano – Professor
O Padre Jose Casa Grande, diretor do Colégio Claretiano, esperou-o à porta do Ateneu para convidá-lo para lecionar no colégio em Guarulhos, por indicação do Professor Milton Dini Maciel, que era professor de matemática do colégio e seu colega em Mogi.
Eu não tinha tempo, mas dei um jeito [...] o dia que eu dava duas aulas aqui era fácil, porque era o tempo de intervalo,20 minutos, e pegava um taxi na Penha, saia correndo e chegava aqui [...] para dar as últimas duas aulas. Mas no dia que era a última [...] convenci [os alunos] que era melhor terem o recreio sozinhos, fica mais tranquilo, então eles tinham o recreio antes da última aula, que era de outro professor, eu usava esses 20 minutos para chegar [em Guarulhos].
Simultaneamente atuou como professor de Química no Claretiano, entre 1969 e 1970, e no Ateneu entre 1968 e 1971, quando propôs ao professor Glady montar uma faculdade. Estudou a legislação, o regimento, como montar e fez o organograma para o Ateneu. Quando soube que não ser diretor desistiu.
Aí, um dia, esta história pouca gente sabe, eu propus ao professor Glady montar uma faculdade. Aí comecei a especular, ler a legislação, fiz todo o organograma, como montar, regimento, tudo… aí… já tinha passado alguns papéis para ele… eu falei: bom, qual vai ser o meu cargo nessa faculdade que nós vamos montar? Ele falou assim: ah você vai ser o secretário.
--- Espera... eu não vou ter nenhuma participação? Eu que vou montar tudo…
--- Você vai assumir o cargo de secretário, você acha pouco?
--- O senhor vai ser o diretor, e eu vou ser o seu empregado? Eu que estou montando? Então me faz um favor, me devolve tudo, me devolve os papéis…
--- Não, os papéis são meus…
--- Os papéis são meus, eu deixei o senhor ler, mas são meus, são anotações minhas, eu que estudei o assunto.