PARTE I – FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA
1.2 A Educação a pensar no Ambiente – Educar para o Ambiente
Diariamente somos bombardeados com notícias acerca da poluição, abate indiscriminado de espécies animais e vegetais, destruição de árvores, degradação do ambiente urbano, a progressiva diminuição da camada de ozono, a ocorrência de grandes catástrofes naturais em diversas regiões do globo… Enfim, uma panóplia de problemas que afectam a qualidade e vida de todos nós. Resultando de desequilíbrios ambientais, em boa parte provocados pela acção humana, esses problemas, no nosso ponto de vista, parecem ter duas soluções aparentemente possíveis e complementares, sendo elas: medidas de curto prazo, por vezes drásticas, coercivas e punitivas e, por outro lado, medidas a longo prazo que passam pela Educação.
Os mais graves problemas ambientais estão ligados às actividades económicas e sociais que se praticam, pelo que só uma mudança profunda no âmbito dos valores e das atitudes pode conduzir ao sucesso, e isto só será possível através da educação, visto que constitui uma das “armas” fundamentais que consegue atacar, em profundidade, a crise mundial, no que concerne ao ambiente, (Fernandes, 1982).
O estado actual do sistema ambiental, que desperta hoje em dia preocupações, é a “consequência evolutiva duma longa disputa entre o homem e a natureza que não foi pródiga, pois só à força dum trabalho tenaz com a terra e as fragas e até com o mar de convívio difícil foi possível estabelecer as bases de uma nação” (Evangelista, 1999, p.25).
A verdade é que o Homem tem de deixar de pensar que tem o direito de dominar todos os outros seres vivos, e isto só será possível se ele se educar e se instruir. Caso isso aconteça, a melhoria da qualidade de vida e a preservação da natureza, bem como a resolução dos vários problemas ambientais será possível mas dependerá, na nossa perspectiva, de um desenvolvimento ambiental planificado pela educação.
Fernandes (2001, p.173) defende que “Crianças e adultos vivem num ambiente que é construído e destruído em cada instante (…) Todos somos solidariamente responsáveis por esse ambiente, mas, considerando que aos adultos cabe uma dupla responsabilidade, a de garantes da vida e de pedagogos desse mesmo ambiente” a Educação Ambiental deverá
A Importância da Educação Ambiental, no 1.º Ciclo do Ensino Básico – Um Estudo de Caso
_______________________________________________________________________________
extravasar os muros da escola e afirmar-se como um dever de todos enquanto aprendentes e educadores.
Segundo (Caride & Meira, 2004, p.149) a educação pode e deve contribuir para promover “valores, atitudes, comportamentos, etc.” em pessoas ou até colectividades sociais, ao longo te todo o seu ciclo vital, encarando “o meio ambiente como um bem a preservar ou a melhorar”. Nessa linha de pensamento, entendem que a educação se deve estender da infância até à velhice, com a necessidade de caminhar “para um sociedade ética e ecologicamente responsável, devendo constituir, a educação para a natureza ou para uma sociedade sustentável a via em que discorrem estes enquadramentos”.
Fien (1993, p.42, cit. por Caride & Meira, 2004, p.149) considera que a valorização do meio o meio como recurso, conteúdo ou via metodológica pode melhorar a preparação afectiva e intelectual dos educandos, sobretudo crianças e jovens. Afirma ainda que “A educação através do ambiente concebe o seu «uso» como um «meio para a educação»”.
É necessária educação, a fim de desenvolver cidadãos possuidores de conhecimentos relativos ao ambiente, visto ser nas escolas que os futuros líderes políticos, os cientistas, os homens de negócios se formam, podendo estes ser confrontados com uma verdadeira educação para o ambiente e cujos resultados sejam aplicados nas suas políticas, enquanto futuros líderes e pelos cidadãos capazes de encorajar e aceitar a adopção de tais políticas (Mayer, 1998).
Seguindo essa linha de pensamento, consideramos pertinente enunciar um provérbio chinês que remonta aos anos 500 a.c. (cit. por Alves & Caeiro, 1998, p.78):
“Se estás a pensar com um ano de avanço, semeia.
Se estás a pensar com dez anos de avanço, planta uma árvore. Se estás a pensar com cem anos de avanço, educa o povo.”
Face a este pensamento, podemos salientar as medidas que visam desenvolver, nas pessoas, atitudes e formas de comportamentos mais favoráveis, sendo elas:
• Políticas (desempenham estratégias e estabelecem planos de acção);
• Legislativas (obrigam os cidadãos a pôr em prática determinadas atitudes ou proibir certos comportamentos);
• Judiciais (determinam a seriedade das infracção e punem os culpados);
• Científicas (estudam os problemas e encontram, para eles, soluções técnicas avançadas em prol do Ambiente);
A Importância da Educação Ambiental, no 1.º Ciclo do Ensino Básico – Um Estudo de Caso
_______________________________________________________________________________
• Económicas (fazem relevar os comportamentos benéficos ao Ambiente, como fonte atractiva do meio financeiro, proporcionam o desenvolvimento harmonioso entre a Humanidade e o Ambiente);
• Educativas. (desenvolvem nos cidadãos conhecimentos relativos ao Ambiente – informação, formação e educação ambientais).
Consideramos, porém, e de encontro ao provérbio anteriormente citado, que as educativas para além de serem as mais eficazes, constituem a base para um bom desenvolvimento e eficácia de todas as outras medidas referidas.
Continuando com a defesa das medidas educativas, ao interpretarmos a Lei de Bases do Ambiente (LBA), (Lei n.º 11/87, de 7 de Abril), podemos constatar que uma das orientações estratégicas que a política educativa de Ambiente tem vindo a tentar adoptar para atingir essas finalidades (moldar comportamentos e atitudes em prol do ambiente), é a Educação.
Também é visível essa preocupação no diploma acima mencionado, relativo aos “Organismos Responsáveis”, reforçando a importância da educação e informação dos cidadãos, criando um organismo, designado por Instituto Nacional do Ambiente, cujo âmbito de acção tem a ver com a informação, educação e formação dos cidadãos, na área do ambiente (LBA, Cap. VI, Art.º 39.º).
Fazemos ainda referência ao relatório “O Nosso Futuro Comum”, de Gro Harlen Brundtland, ex-presidente da Comissão Mundial das Nações Unidas para o Ambiente e o Desenvolvimento, que defende que os problemas ambientais só poderão ser resolvidos com uma mudança de comportamentos, o que dependerá de atitudes, só conseguidas por meio da Educação (Alves & Caeiro, 1998).
Analisando a LBA, podemos verificar que a política de ambiente obterá mais sucesso se se verificar uma introdução de temas relacionados com o ambiente, em todos os currículos dos diferentes graus e níveis de ensino, assim como introduzir a dimensão ambiental na formação básica e contínua dos docentes. Curioso é o facto de neste diploma se demonstrar a importância na introdução de temas ambientais noutros sectores, mas sempre por meio da informação e educação, como exemplo, ao nível das acções empresariais e industriais.
A Importância da Educação Ambiental, no 1.º Ciclo do Ensino Básico – Um Estudo de Caso
_______________________________________________________________________________
Podemos, assim, afirmar que a informação, educação e formação ambientais, permitirão que a sociedade adquira, com sucesso, princípios de prevenção, participação e responsabilidade, com intuito de alcançar o equilíbrio entre o Homem e o Ambiente.
Assumindo a realidade de que a Política de Ambiente “usa” a educação como estratégia principal a fim de mudar atitudes, comportamentos e mentalidades nefastos do Homem perante a Natureza/Ambiente, com intuito de atingir os seus objectivos, consideramos que a escola é o meio mais eficaz (visto proporcionar Educação, Formação, Participação, Informação, Instrução e Responsabilização ao cidadão), com vista numa boa aplicação da Política de Ambiente.
O Ambiente tem de ser uma preocupação de todos, todos os dias. E não nos devemos esquecer que “Uma Educação que se relacione com o ambiente não pode ser dada sob a forma de lições” (Giordan & Souchon, 1997, p.193). É, antes de mais, “uma Educação e sobretudo uma Educação para a responsabilidade.” (Idem, p.4)
Face a tudo o que referimos, e perante a experiência que diariamente vivenciamos, pensamos que as medidas educativas são de difícil concretização pelo facto de recursos humanos, físicos e pedagógico – didácticos, existentes nas escolas, não estarem vocacionadas para o aprofundamento da problemática ambiental.