CAPITULO II: O NORTE DO ESTADO DO ESPIRITO SANTO:
2.4.1. A EFAJ
A EFAJ localiza-se a 300 metros do centro da cidade de Jaguaré. Atualmente, para a manutenção da escola, há recursos advindos de três fontes: a) Associação de pais responsáveis, em parte, por suprir a alimentação dos estudantes; b) Prefeitura de Jaguaré, que tem se responsabilizado com a manutenção do prédio e na contratação de pessoas para a segurança, ajudante na manutenção do espaço físico, cozinheira e a secretaria da escola; e c) Movimento de Educação Promocional do Espírito Santo (MEPES) a responsabilidade, a partir de um convênio com o governo do estado, sobre a folha de pagamento dos monitores e gestores da escola.
Desde a década de 1970, essa escola tem sido muito importante na formação dos agricultores de Jaguaré, bem como dos seus filhos e das suas filhas, dos distritos da cidade e dos municípios como São Mateus, Linhares, dentre outros.
Segue abaixo o mapa de Jaguaré em que podemos observar o raio de abrangência da escola no município e nos municípios do entorno das vilas atendidas pela escola.
(Figura 03) – Mapa do município de Jaguaré
(Figura 04) Organização das regiões e comunidades atendidas pela EFAJ – 2011
Fonte: Documento cedido pela secretaria da EFAJ no período da pesquisa de campo
A EFAJ tem uma história que também se aproxima da história da cidade no seu desenvolvimento. Foi criada pela comunidade, em 1973, com a ajuda do Comitê de Desenvolvimento de Jaguaré. Desde o início a escola se voltava para a formação dos jovens filhos de agricultores e tinha como principal objetivo qualificar e escolarizar estes sujeitos para o trabalho no campo por meio da oferta do curso de “Agricultor Técnico”, autorizado de acordo com a legislação vigente como Supletivo de Suplência em nível de 1º Grau, como ilustra a foto abaixo.
(Fotografia 03) – Ficha de matrícula de 1º Grau de estudante da EFA do MEPES
Fonte: Arquivos liberados/autorizados pela secretaria da EFA de Jaguaré - das pastas de
matrículas e conclusão de curso do ano de 1975
(Fotografia 04.) Certificado de conclusão do curso de agricultor técnico do MEPES
Fonte: Arquivos liberados/autorizados da Secretaria da EFA de Jaguaré – das pastas de
Na análise das fichas acima, constatamos que a escola tinha como ênfase a formação profissional como um dos componentes da proposta de formação dos sujeitos por ela atendidos, o que nos leva a observar que a relação trabalho/educação já se fazia presente na prática da escola desde as séries iniciais do 1º grau. Observa-se também a presença de sujeitos cursando o então 1º grau, com idade de 18 anos ou mais, o que caracteriza a condição de defasagem na escolarização de sujeitos considerados integrantes do segmento da EJA.
Somente a partir de 1991 a EFA de Jaguaré passa a ofertar o segundo grau vinculado ao curso técnico (Fotografia 05). Porém, de acordo com os dados da ficha de matrícula, a mudança do público de faixa etária mais jovem (com acesso “regular” à escola) começa a ocorrer de forma gradativa, intensificando- se nos últimos anos da década de 1990 e configurando, na atualidade, outro público atendido (jovens com faixa etária “regular” de escolarização). Segue abaixo (figuras 5 e 6) a ficha de matrícula e o diploma de conclusão do curso Técnico em Agropecuária de um sujeito com percurso considerado regular, no que se refere à relação idade-série.
(Fotografia 05) – Ficha de matrícula dos estudantes das EFA’s do MEPES
Fonte: Arquivos liberados/autorizados da Secretaria da EFA de Jaguaré - das pastas de
(Fotografia 06) – Diploma do Curso de Habilitação Profissional em Agropecuária das EFA’s do MEPES
Fonte: Arquivos liberados/autorizados da Secretaria da EFA de Jaguaré – das pastas de
matrículas e conclusão de curso do ano de 1994).
O perfil dos sujeitos atualmente atendidos pelas EFA’s, no que se refere à idade-série, leva-nos à seguinte questão: Qual o lugar dos sujeitos da EJA na oferta da Educação Profissional pelas EFA’s do Espírito Santo? Essa pergunta se faz pertinente na atual conjuntura da rede do MEPES, em especial na EFAJ, considerando a demanda de educação básica na fronteira entre no campo e cidade, principalmente o alcance da oferta dessa rede para jovens e adultos trabalhadores com descontinuidade de escolarização na perspectiva da formação profissional.
Com a abrangência no atendimento da EFA de Jaguaré, apontada no quadro acima, no que tange aos sujeitos que passam a configurar um percurso de escolarização regular, a escola passa a receber estudantes de todas as regiões de Jaguaré e ainda se abre para estudantes de outros municípios do estado. Entretanto, há ao lado da escola aproximadamente 1.500 pessoas, de acordo com dados do Serviço Autônomo de Água e Esgoto - Jaguaré/ES (SAAE, 2010), não atendidas pelo Estado, o que representa uma demanda potencial de atendimento de educação básica com formação profissional que considere as demandas de formação dos sujeitos e suas condições de vida digna no campo e/ou na cidade. Este fato implica considerar que tipo de formação profissional é
demandada hoje no campo, quando observamos a hegemonia de um projeto de desenvolvimento do campo, segundo o qual o uso da terra é um negócio, a monocultura - que referenda e fortalece o agronegócio - é uma realidade e a mão de obra dos trabalhadores é expropriada. Além disso, esse projeto é o responsável pela expulsão dos pequenos agricultores do campo e pelos conflitos entre os projetos de desenvolvimento distintos. Nesse sentido, a educação como prática social assume uma importância fundamental na mediação das relações entre trabalho e educação, uma vez que é através da educação, na perspectiva da emancipação social e do desenvolvimento da consciência dos direitos sociais, que homens e mulheres passam a se assumir como sujeitos de direitos, na transformação das suas condições de vida.
CAPITULO III: ENTRE O CAMPO E A CIDADE: O HIBRIDISMO CULTURAL