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ESPECIAIS NO BRASIL

2.6 A EMENDA CONSTITUCIONAL N° 45/2004 E A GARANTIA CONSTITUCIONAL DA CELERIDADE

Antes de entrar no processo que levou à sanção da Lei 12.153/2009, importante identificar, nesta sucinta contextualização histórica, a alteração trazida pela Emenda Constitucional 45, de 30 de dezembro de 2004, que alçou ao patamar de direito fundamental, no Art. 5o inc. LXXVIII da CRFB/88, a garantia expressa nos seguintes termos: ”a todos, no âmbito judicial e administrativo, são assegurados a razoável duração do processo e os meios que garantam a celeridade de sua tramitação” (BRASIL / Presidência da República, 2015[a].

Assim, a celeridade buscada pelos juizados especiais, a partir desta Emenda, se tornou um direito constitucionalmente garantido e não mais um direito previsto em legislação específica ou tratados3. Desta forma, os responsáveis pela gestão da administração dos serviços de justiça no Brasil estavam, a partir de então, obrigados a cumprir com o novo dispositivo sob pena de, no mínimo, se omitir no cumprimento do dever constitucional.

Todavia, na opinião de Sadek (2016, p. 41) a reforma mais importante que o Judiciário já teve, na perspectiva do acesso à justiça pelas classes populares, como citado anteriormente, foi a Lei 7244/84 que criou os Juizados de Pequenas Causas. A mudança que o Judiciário precisa, entre outros aspectos, destaca esta autora, deve ser

[...] capaz de provocar efeitos positivos na prestaç ão jurisdicional e na democratização do acesso à justiça, terá que lidar com o problema de qualificar o litigante, impedindo, ao máximo, o litigante de má-fé, ou litigante que sabe extrair

3 A Convenção Americana de Direitos Humanos prevê no Art. 8°.1 que “toda pessoa terá o direito de ser ouvida, com as devidas garantias e dentro de um prazo razoável, por um juiz ou Tribunal competente [...]”

benefícios das atuais características do Poder Judiciário. Deste ponto de vista, significa fechar algumas portas e construir outras portas, portas novas. Só assim, os integrantes do Poder Judiciário, funcionários públicos, pagos com o dinheiro do contribuinte, pelo povo em geral, estará prestando um serviç o que corresponderá, de fato, às atribuiç ões que lhe foram dadas pela Constituição, deixando de trabalhar para um setor muito pequeno da sociedade. Nas condiç ões atuais é como se os magistrados, os integrantes do Ministério Público, pagos pela sociedade como um todo, estivessem prestando serviç o para um setor muito restrito da sociedade.

Na avaliação de Droppa e Oliveira (2016, p. 10):

[...] a Reforma do Judiciário iniciada com a EC45/2004 introduz na agenda política a redefiniç ão do papel das instituições judiciais nacionais. O CNJ centraliza a formulaç ão e a execuç ão das políticas judiciárias nacionais. Todavia, são poucos os efeitos práticos. Pesquisas têm demonstrado que a populaç ão ainda percebe o Judiciário como lento, ineficaz e de difícil acesso. Apesar disso, 57,8%4 das pessoas recorre ao Judiciário para solucionar situação de conflito. Sem dúvida, somente a garantia legal, mesmo que em nível constitucional, da celeridade não viabiliza de fato a concretização da agilidade do trâmite processual nos juizados. No entanto, na avaliação do autor deste trabalho, se constitui em importante avanço na perspectiva da inscrição dos direitos nos textos jurídicos entendidos aqui também como espaços em que as especificidades das relações de força entre classes e grupos sociais encontram um momento particular de expressão e, que, portanto, não podem ser desconsiderados ou subestimados como meras declarações formais condenadas, ad eternum, ao esquecimento. A eficácia da norma, sobretudo daquelas de teor progressista que reconhecem direitos oriundos das lutas populares por democracia e justiça

4 Pesquisa IBGE/PNAD – 2009 – Vitimizaç ão e Justiça – Disponível em http://www.cnj.jus.br/images/programas/cnj-

academico/apres_ibge_amostra2009.pdf Acesso: 03/02/2016.

Como é sabido, os princípios da efetividade, economia, celeridade processual, orientam ou deveriam orientar a atuação dos juizados especiais e, como afirmam Mello e Basso (2016, p. 175), “[...] o microssistema dos Juizados Especiais da Fazenda Pública por meio da Lei n. 12.153, de 22 de dezembro de 2009, tendo por escopo, justamente, o de dar efetividade e celeridade processual às demandas aforadas em face de entes públicos estaduais, municipais [...]” deverão se nortear por eles para cumprir com o previsto em lei.

Neste sentido, os dados já apresentados sobre esta etapa final do processo não se revelaram condizentes com o ideal almejado. No entanto, é possível apontar uma perspectiva de melhoria gradual se for analisado este momento da tramitação em perspectiva diacrónica, conforme o critério de classificação parcial proposto nesta subseção da tese.

Os dados que se observam na Tabela 48 indicam uma tendência positiva neste sentido, que se evidencia no tempo médio atual de 232, 61 dias em comparação com a média de demora no período anterior, que foi de 671,10 dias, isto é, na amostra desta pesquisa se identificou uma redução média de 438,49 dias no tempo transcorrido entre a sentença e o arquivamento definitivo dos autos.

Ainda na Tabela 48, se percebe que o tempo máximo registrado na atual gestão foi de 487 dias, isto é, 1.115 dias inferior ao máximo dos processos da amostra desta pesquisa que tiveram início no período anterior. Os tempos mínimos registrados devem ser relativizados devido a que foram obtidos em casos em que houve desistência da ação e, portanto, não servem como parâmetro para a análise aqui proposta.

O diagrama de caixas do Gráfico 81 permite visualizar com clareza a diminuição no tempo de tramitação pelas medianas de 248 dias da atual administração, em comparação com a de 598 dias das anteriores, bem como o menor grau de dispersão observado.

O histograma do Gráfico 82 indica que, de um total de 52 processos iniciados antes da atual gestão do JEFP/SC, o subgrupo que teve maior expressividade foi o que teve um tempo médio de tramitação, neste período, de 571,44 dias (27 processos), seguidos daqueles que demoram em média 758,81 dias (13 processos), 384,06 dias (5 processos) e 1.508,31 dias (4 processos).

Já no histograma do Gráfico 83 se percebe, em consonância com os números anteriores, a diminuição da média de tempo de duração de cada subgrupo com maior relevância. Assim, considerando que o total deste grupo foi composto por 92 processos, o que teve maior incidência

Gráfico 82 (histograma)

TEMPO ENTRE O PROTOCOLO DA INICIAL E A SENTENÇA x GESTÃO JUIZ = ANTES 08/13

Fonte: Sergio Roberto Lema. Elaboração: SEstatNet (2015).

Se o tempo transcorrido entre a inicial e a sentença tem tido uma considerável melhoria na atual gestão do JEFP/SC, muito embora ainda esteja distante do ideal almejado pelo princípio da celeridade, tem que ser analisada também a demora entre a sentença e o seu cumprimento ou, caso não constem dados acerca da efetividade da sentença, do fim da tramitação com o arquivamento definitivo.

5.10.4 O tempo entre a sentença e a baixa e arquivamento por gestão de juiz

Se a efetividade é um dos princípios que devem nortear a atividade de todo juizado especial e, em particular, do JEFP/SC, imprescindível que a decisão proferida pelo juiz seja cumprida em tempo razoável consonante com a eficácia do dispositivo legal.

social, depende da correlação de forças que se trava na base da sociedade em cada contexto geográfico e temporal específicos.

Pois bem, o sistema de juizados especiais viria se completar, posteriormente, com a publicação da Lei 12.153/2009 de que se trata a seguir