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TOT TRAM.

5.4 O TEMPO DESDE O PROTOCOLO DA INICIAL ATÉ A SENTENÇA

O tempo médio entre o protocolo da peça inicial e a prolação de sentença, na amostra desta pesquisa, foi, conforme dados da Tabela 37, de 285,40 dias, com um mínimo de 33 dias, em casos de desistência da ação, e um máximo de 986 dias. Este último número, muito distante dos 90 dias anunciados no discurso de inauguração do JEFP/SC14, resulta preocupante e será melhor entendido em análise comparativa a ser desenvolvida mais adiante.

O diagrama de caixas do Gráfico 52 permite visualizar a mediana da demora que ficou em 224,50 dias e a variação de 84,62% entre os processos que demoraram menos para ter sentença, na base do gráfico, e os mais demorados que se elevam ao topo ultrapassando os 900 dias.

Já no histograma do Gráfico 53 se tem a possibilidade de observar diversos subgrupos de processos, sendo que o que teve maior expressividade foi o dos que demoraram 76,32 dias (55 processos), seguido do que demorou 249,59 dias (18 processos) e daquele em que o tempo transcorrido foi de 336,23 dias (17 processos).

Obviamente estes números ajudaram a amenizar o dado alarmante, para os padrões razoáveis de duração do processo em juizado especial, da demora na prolação da sentença. Nos casos de maior gravidade, conforme identificados no Gráfico 53, é possível observar uma duração média de 769,41 dias ou 2,11 anos, (8 casos) e outros com maior demora ainda.

Tabela 37 (estatísticas descritivas) TEMPO ENTRE A INICIAL E A SENTENÇA

Estatísticas TEMPO INICIAL / SENTENÇA

Quantidade de processos 150 Média 285.40000 Desvio-padrão 241.51352 14 Ver p. 86.

Quando indagados sobre as atividades profissionais desenvolvidas com anterioridade à magistratura, houve uma série de respostas diferentes que foram, do exercício da docência à função de oficial do Corpo de Bombeiros da Polícia Militar de Santa Catarina, passando pelo serviço público federal, a assessoria no Tribunal de Justiça de Santa Catarina, e o exercício de funções no Ministério Público.

A atividade privativa de bacharel em direito que mais foi citada foi a advocacia, com 42% das respostas obtidas, conforme se evidencia no Gráfico 9. Este dado é muito próximo ao apontado pela pesquisa do IPEA sobre os JEFs, neste caso “as experiências mais comuns são como advogados privados (48,8%), serventuários da justiça (44,6%) e advogados públicos (39,5%) [...]” (BRASIL / IPEA, 2015, p. 78)

No total foram 13 atividades profissionais exercidas pelos 10 juízes e juízas entrevistados. Estas atividades, fora a situação excepcional do oficial da PM/SC, foram exercidas por curto período de tempo. A maioria ingressou relativamente novo na carreira, as idades variaram de 24 a 34 anos de idade, sendo que a idade média de ingresso foi de 28,5 anos.

Fonte e elaboração: Sergio Roberto Lema, 2015.

Advocacia privada 42% Ministério Público 25% Assessor no TJSC 9% Professor 8% Oficial do Corpo de Bombeiros da PM/SC 8% Servidor público federal 8%

O motivo destacado como predominante nas respostas das juízas e juízes, ao serem perguntados sobre qual fator prevaleceu na hora de assumir a função no JEFP/SC foi, conforme ilustra o Gráfico 10, a preferência pela matéria de competência da vara (50%) a esta resposta pode ser acrescentada a opção que indicou a identificação com os princípios que nortearam a criação do JEFP. Outra parcela expressiva (40%), embora minoritária, identificou como principal razão apenas o cumprimento da obrigação profissional de exercer uma substituição eventual.

Conforme já foi levantado, parece difícil esperar de um magistrado que está apenas cumprindo a sua função em caráter temporário e eventual o engajamento na implementação de medidas que busquem atingir objetivos previstos a partir de planejamento de gestão da vara. Isto, reitera-se, parece somente ter vindo a ocorrer, pelo menos de maneira sistemática e constante, a partir do ano de 2013, quando o atual juiz titular assumiu o comando do juizado, muito embora uma juíza tenha informado que buscou implementar medidas em prol da celeridade da tramitação. Todavia, novamente importa reparar para o óbice apresentado pela ausência de dedicação exclusiva ao juizado do juiz titular já que, conforme anteriormente apontado, o fato de dividir seu expediente com as funções de juiz de Turma Recursal acaba por reproduzir uma dificuldade também observada no caso de alguns juízes federais de JEFs. Isto a pesquisa do IPEA já diagnosticou como uma dificuldade que “[...] tem implicações sobre a qualidade de sua atuação e sobre a rotina das varas pelas quais responde. Deve-se ressaltar que, como confirmado nas visitas às varas, muitos dos juízes que acumulam o cargo nas turmas recursais acabam se ausentando dos juízos para os quais foram designados” (BRASIL / IPEA, 2015, p. 80).

Fonte e elaboração: Sergio Roberto Lema, 2015. Preferência pela matéria de competência da vara… Identificação com os princípios que nortearam a criação do … Substituição eventual 40%

Gráfico 10 - Principal motivo que o levou a assumir o cargo no JEFP/SC

Gráfico 53 (histograma)

TEMPO ENTRE A INICIAL E A PRIMEIRA AUDIÊNCIA

Fonte: Sergio Roberto Lema. Elaboração: SEstatNet (2015).

Importante reiterar aqui, conforme o previsto no Art. 8º da Lei n. 12.153/2009: “Os representantes judiciais dos réus presentes à audiência poderão conciliar, transigir ou desistir nos processos da competência dos Juizados Especiais, nos termos e nas hipóteses previstas na lei do respectivo ente da Federação”.

No entanto, mais uma vez, como entendem Mello e Basso (2016, p. 177) a conciliação e a transação sofrem impedimento na ausência de legislação particular que autorize expressamente os procuradores do Estado e demais entes públicos a buscarem solução das demandas contra eles ajuizadas através da composição de interesses.

Pelos motivos aventados, o JEFP/SC, em menos de dois anos do início do seu funcionamento, deixou de chamar as partes para audiência prévia de conciliação, já que se assim o continuasse a fazer somente estaria a procrastinar a lide em função do insucesso das tentativas inicialmente ensaiadas.

Na amostragem desta pesquisa foi possível identificar três processos iniciados ainda naquele tempo (2010-2011) e que cumpriram o ritual de convocar as partes para comparecerem na audiência e o procurador do Estado de Santa Catarina manifestar formalmente que não havia proposta de conciliação. Assim, as três audiências resultaram infrutíferas no objetivo de conciliar as partes e, como alegado na fundamentação dos primeiros despachos de processos posteriores àquele período inicial, apenas serviam para dilatar a lide em prejuízo da celeridade.

Os dados da Tabela 36 mostram como a realização da primeira audiência de conciliação incidia no alongamento do processo: o tempo médio identificado foi de 92,33 dias, sendo que o mínimo foi de 62 dias e o máximo de 142 dias.

Ainda, no histograma do Gráfico 51 é possível identificar o subgrupo dos processos que tiveram um aumento médio de tempo de 83 dias com maior incidência (2 casos).

Tabela 36 (estatísticas descritivas)

TEMPO ENTRE A INICIAL E A PRIMEIRA AUDIÊNCIA

Estatísticas TEMPO IN. / 1ª AUD.

Quantidade de processos 3 Média 92.33333 Desvio-padrão 46.60830 Coeficiente de variação 50.48% Mediana 69.00000 Mínimo 62.00000 Máximo 146.00000 Intervalo 84.00000 1o. Quartil 62.00000 3o. Quartil 146.00000

Conforme Sousa Santos (1995, p. 180):

A contribuição maior da sociologia para a democratização da administração da justiça consiste em mostrar empiricamente que as reformas do processo ou mesmo do direito substantivo não terão muito significado se não forem complementadas com outros dois tipos de reformas. Por um lado, a reforma da organização judiciária [...] neste caso a democratização deve correr em paralelo com a racionalização da divisão do trabalho e com uma nova gestão dos recursos de tempo e capacidade técnica. Por outro lado, a reforma da formação e dos processos de recrutamento dos magistrados [...] As novas gerações de juízes e magistrados deverão ser equipadas com conhecimentos vastos e diversificados (econômicos, sociológicos, políticos) sobre a sociedade em geral e sobre a administração da justiça em particular [...] Na perspectiva de indagar em que direção se encontra o processo de democratização do Judiciário na perspectiva da formação dos juízes encarregados de implementar as inovações mais recentes, em particular no objeto específico desta pesquisa, como é o caso do JEFP/SC, foi perguntado aos juízes sobre a formação em conciliação e em gestão.

Como evidencia o Gráfico 11, 40% dos juízes e juízas que atuam ou atuaram no JEFP/SC concluíram curso de capacitação em conciliação. Se cruzado este dado com o motivo que os levou a assumir a função no juizado tem-se que outros 40%, isto é, os quatro que declararam que o fizeram por cumprir com uma substituição eventual não frequentaram, em curso presencial ou à distância, formação em conciliação, assim como o magistrado que informou como motivo para assumir o cargo a identificação com os princípios que nortearam a criação do JEFP também não o fez. Ainda, resta mais um juiz que declarou a preferência pela matéria e não fez curso de conciliação.

O atual titular do juizado, mais duas juízas e um juiz concluíram a sua formação em conciliação, os dois primeiros no ano de 2008, e os demais em 2005 e 2010 respectivamente. Em síntese, os quatro magistrados que frequentaram cursos de capacitação em conciliação concluíram os mesmos no período compreendido entre os anos de 2005 e 2010.

Fonte e elaboração: Sergio Roberto Lema, 2015.

Sobre a capacitação em gestão, com o claro objetivo de aprimorar e/ou se capacitar nas competências específicas que um juiz, na condição de administrador da vara sob a sua responsabilidade, deve desenvolver, se tem, conforme o Gráfico 12, que a maioria (60%) concluiu curso de capacitação em gestão.

O juiz que declarou ter assumido a função por identificação com os princípios que nortearam a criação do JEFP/SC e que foi o primeiro a atuar neste juizado, foi quem fez a capacitação há mais tempo, especificamente, há dez anos atrás. Os demais, que frequentaram cursos de capacitação em gestão, o fizeram no período de 2010 a 2014.

Os que ocuparam o cargo como substituição eventual são os que menos se prepararam para a gestão da vara. Isto talvez possa ser explicado, como já dito, pela ausência de comprometimento com a mesma, devido à sua rápida estadia (em particular nos dois casos de substituições, como já aventado, de apenas dois dias) sem perspectiva de deixar o seu nome associado à eficiência e/ou produtividade do lugar onde se está de passagem.

No entanto, se for levado em consideração o que opina a magistratura catarinense sobre a formação continuada para o aprimoramento da atividade profissional, os dados do Primeiro Censo do Poder Judiciário de 2013 indicam que aqui, dos juízes que participaram da pesquisa (43% do total) “78,8% concordam que os cursos de aperfeiçoamento promovidos pelo tribunal em que atuam contribuem

0 4 0 1 1 4 I D E N T I F I C A Ç Ã O C O M O S P R I N C Í P I O S Q U E N O R T E A R A M A C R I A Ç Ã O D O J E F P P R E F E R Ê N C I A P E L A M A T É R I A D E C O M P E T Ê N C I A D A V A R A S U B S T I T U I Ç Ã O E V E N T U A L G r á f i c o 1 1 - C a p a c i t a ç ã o e m c o n c i l i a ç ã o , d e a c o r d o c o m o m o t i v o p a r a a s s u m i r o c a r g o SIM NÃO Gráfico 52 (histograma) TEMPO ENTRE A INICIAL E A DECISÃO SOBRE TUTELA ANTECIPADA

Fonte: Sergio Roberto Lema. Elaboração: SEstatNet (2015).

Conforme se observa nos Gráficos 49 e 50 acima, em 63% dos casos o tempo médio de decisão sobre a tutela antecipada foi de 23,6 dias, os pontos de maior concentração, visualizados no Gráfico 49, vão de 6 a 81,4 dias, sendo que a média geral da amostra resultou, como é possível visualizar na Tabela 35, em 27,48 dias.

Ainda, o tempo mínimo para decisão sobre a tutela antecipada foi de 0 dia, isto é, no mesmo dia em que a inicial foi protocolizada o juiz já despachou e se manifestou sobre a tutela. No extremo oposto, houve o caso de demora maior entre a inicial e a decisão sobre a tutela, que foi de 425 dias.

5.3 O TEMPO ENTRE A INICIAL E A PRIMEIRA AUDIÊNCIA DE