2.5 GESTÃO DE COMPETÊNCIAS NA EMPREGABILIDADE
2.5.1 A EMPREGABILIDADE
Segundo a pesquisa nacional por amostra de domicílio (PNAD CONTÍNUA, 2019), realizada pelo IBGE, no terceiro trimestre de 2019, revela que o Brasil encontra-se com uma taxa média de 11,8% de desempregados, o que contabiliza 12,5 milhões de brasileiros sem empregos, conforme mostra a Figura 15.
Figura 15- Mapa do mercado de trabalho brasileiro.
Fonte: PNAD Contínua, 3 trimestre (2019).
Segundo Williams, et al. (2015), na literatura, encontra-se várias definições para o conceito de empregabilidade, apesar dessas definições virem mudando com o tempo, existe, entre todas elas, um consenso que há uma diferença entre empregabilidade e o emprego. Rich (2015) assevera em seu estudo que há uma distinção entre esses dois termos, o emprego pode ser visto como um estado relacionado ao mercado de trabalho e a empregabilidade como a capacidade de o indivíduo conseguir o emprego por meio de habilidades e conhecimentos. A
possibilidade de os alunos do ensino superior conseguirem seus primeiros empregos quando concluírem a graduação é uma meta, mas não a única, o mais importante seria garantir o desenvolvimento de habilidades e competências que iriam maximizar a sua empregabilidade (RICH, 2015).
Conforme Campos (2006), a definição de empregabilidade vem sendo disseminada efetivamente nas IES, com o objetivo de desenvolver ações que possam auxiliar os alunos a conquistarem uma posição de trabalho específica. Diante dessa premissa, o conceito de empregabilidade deve abranger as habilidades, características e ações do profissional e não mais às habilidades específicas de uma profissão (CAMPOS, 2006).
Segundo Marques et al. (2018), pesquisas realizadas com egressos de IES estão fornecendo informações relevantes sobre a inserção desses graduados no mercado de trabalho, revelando sua visão sobre a importância das IES na sua empregabilidade. Os autores ainda alertam para as grandes mudanças que estão ocorrendo de forma rápida e complexas no mundo do trabalho, e que a maioria das IES ainda não estão preparadas para proporcionar aos seus alunos ferramentas para enfrentar essa nova realidade do emprego.
Diante dessa realidade e com o objetivo de maximizar a possibilidade de transformar seus alunos em profissionais com competências e um alto potencial de empregabilidade, as IES precisam garantir aos seus graduandos, além do conhecimento acadêmico curricular, algumas habilidades específicas, entre essas habilidades destacam-se: recuperação e manipulação de informações; comunicação e apresentação; planejamento e resolução de problemas, desenvolvimento social e interação (FALLOWS; STEVEN, 2000).
Em relação as mudanças no mercado de trabalho, o simples fato de se ter um diploma acadêmico não é mais garantia para uma empregabilidade forte, é necessário várias competências e habilidade diversas que possam agregar valor ao conhecimento técnico recebido durante o curso de graduação, o mais importante é que a atualização do conhecimento necessariamente precisa ser feita de forma sistemática e abrangente, já que as mudanças provocadas pelos avanços tecnológicos afetam bruscamente os processos produtivos que precisam estarem constantemente se adaptando a essas mudanças (MALSCHITZKY, 2012).
Conforme Bettencourt (2014), o termo empregabilidade significa um método contínuo e crescente de competências, habilidades e captação de conhecimento ao
indivíduo com o objetivo de conquistar ou manter sua carreira profissional. Já de acordo com Jankovic e Picoli (2012), a empregabilidade é uma habilidade desenvolvida para que o indivíduo possa potencializar suas chances de emprego ou de receber promoções.
Nesse contexto, a empregabilidade vem se tornando um conceito de relevância para o mundo acadêmico e comercial em vários países, sendo objeto de pesquisas nas academias e entre os empregadores que irão absorver esses egressos (SAITO; PHAM, 2019).
A empregabilidade pode ser definhada e identificada através de características pessoais como a proatividade individual aplicada em um determinado contexto que que a leve ao encontro e a permanência do emprego (BETTENCOURT, 2014).
As IES desempenham um papel fundamental para a inserção dos seus egressos no mercado de trabalho, concebendo uma associação entre a boa qualidade do curso oferecido pela instituição e a facilidade da empregabilidade do seu graduando (JAYAWARDENA; GREGAR, 2013).
Segundo Crossman e Clarke (2010), percebe-se que, além do conhecimento explícito, há a necessidade do desenvolvimento de habilidades sociais, culturais e pessoais para descomplexificar a relação com a empregabilidade, sendo assim, pode-se elaborar diferenciais na capacitação dos graduados com foco na empregabilidade, trazendo valor agregado à IES.
Entre as várias habilidades que podem ser desenvolvidas, capacitar o aluno para o empreendedorismo é uma ação que o leva a conquistar sua empregabilidade de uma forma mais independente, podendo contribuir também para o desenvolvimento econômico do seu entorno (SOFOLUWE, et al., 2013).
Segundo Artess, et al., (2017), pode-se encontrar várias percepções diferentes da responsabilidade das instituições de ensino superior proverem aos seus alunos capacidades que maximizem sua empregabilidade.
Os resultados da pesquisa de Campos et al., (2008) destacam que a fase da entrevista é a etapa na qual os candidatos ao emprego tem maiores dificuldades, ficou evidente também na pesquisa que as principais limitações das empresas ao contratar é encontrar candidatos com qualificação profissional, experiência e capacidade técnica, além de características emocionais e sociais como iniciativa, motivação e interesse, além de um maior preparo acadêmico através de cursos
complementares e de atualização. A pesquisa concluiu que a maioria das empresas pesquisadas priorizam candidatos com elevado comprometimento e interesse e alto grau de responsabilidade.
De acordo com Dacre Pool e Sewell (2007), a mensuração da efetiva empregabilidade dos agressos das IES não pode ser medida apenas com base na informação se graduado, após sua formação, conseguiu se inserir no mercado de trabalho, a empregabilidade deve ser avaliada de formas mais complexas, para que se possa perceber se os graduados estão usando ou não as habilidades, conhecimentos e competências que foram adquiridos durante sua graduação. Ainda segundo os autores, a empregabilidade é muito mais complexa do que simplesmente garantir um emprego, mas sim se este emprego está condizente com as habilidades e competências e se está suprindo suas necessidades pessoais e profissionais de forma digna e em evolução.
O modelo da Figura 16, demonstra os componetentes indispensáveis para a empregabilidade e a forma como eles se relacionam e interagem, é importante que os graduados tenham acesso e desenvolvam todas as habildiades do nível inferior para que seja possível refletir e avaliar as experiências o que levará aos níveis superiores até chegar na empregabildiade (DACRE POOL; SEWELL, 2007).
Figura 16- Os componentes essenciais da empregabilidade
De acodo com Finch et al. (2013), os empregadores na hora da contratação de jovens egressos das IES dão preferência por indivíduos que tenham melhores habilidades sócios emocionais do que propriamente ao seu currículo acadêmico. Os autores ainda revelam que para se obter uma maior empregabilidade dos graduados as IES devem focar mais no desenvolvimento das habilidades da inteligência emocional.
Figura 17- Mapa mental do referencial teórico da pesquisa e seus relacionamentos
Originalmente a empregabilidade era algo tratado apenas quando relacionado a pesquisas sobre desemprego, ultimamente tem sido um assunto tratado com relevância, sinônimo de gantia de inserção do mercado de trabalho e no padrão de carreiras individuais, estas estão cada vez mais sob o domínio do indvíduo do que das empresas (FORRIER et al., 2015).
Através da figura 17 representa-se o mapa mental do fundamento teórico utilizado para embasar cientificamente o estudo, revelando de uma forma interligada as influências dos autores pesquisados e a relação de cada construto, deste modo é apresentada de forma cronológica os autores, possibilitando maior compreensão da pesquisa.