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2 AS ESTRATÉGIAS REGULATÓRIAS DE COMBATE AO

2.3 O modelo de governança ambiental no Brasil

2.3.2 A ENREDD+

Em razão da evolução nas discussões, no âmbito da UNFCCC, acerca do mecanismo de REDD+, especialmente após a aprovação do Marco de Varsóvia, em que cada país deveria implementar suas estratégias nacionais, o Brasil começa, em 2010, a desenvolver a sua estratégia

nacional.176 Em 2015, o Brasil apresentou na COP-21 a Estratégia Nacional de REDD+

(ENREDD+177) e, no mesmo ano ratificou o Acordo de Paris178, em que se comprometeu a

reduzir as emissões de gases e efeito estufa (GEE) por meio de ações no setor de mudança do uso da terra e florestas. Finalmente, em 2016, foi lançada pelo governo brasileiro, a ENREDD+.

A ENREDD+ tem como objetivo contribuir com a mitigação da mudança do clima por meio de ações voltadas à redução do desmatamento, degradação florestal e conservação

175 MINISTÉRIO DO MEIO AMBIENTE. Política nacional sobre mudança do clima. Disponível em:

<https://www.mma.gov.br/clima/politica-nacional-sobre-mudanca-do-clima.html>. Acesso em: 05 dez. 2019.

176 GEBARA, Maria Fernanda; MAY, Peter H.; MILLIKAN, Brent. O contexto de REDD+ no Brasil:

determinantes, atores e instituições. Publicação ocasional. Bogor, Indonésia: CIFOR, 2011. p.43. Disponível em: <http://www.cifor.org/library/3636/o-contexto-de-redd-no-brasil-determinantes-atores-e-instituicoes/>. Acesso em: 12 dez. 2019.

177 A Estratégia Nacional para REDD+ (ENREDD+) é o documento que formaliza, perante a sociedade brasileira e

os países signatários da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (UNFCCC, na sigla em inglês), como o governo federal tem estruturado esforços e como pretende aprimorá-los até 2020, com enfoque em ações coordenadas de prevenção e controle do desmatamento e da degradação florestal, a promoção da recuperação florestal e o fomento ao desenvolvimento sustentável. A partir das definições da Conferência de Varsóvia em 2013 (COP-19), concluiu-se o marco legal para REDD+ na UNFCCC, consagrando o sistema de pagamento por resultados, que reproduz a sistemática já adotada pelo BNDES, no âmbito do Fundo Amazônia, para a captação de recursos. (MINISTÉRIO DO MEIO AMBIENTE. REDD+ Brasil. A estratégia nacional para REDD+ do Brasil. Disponível em: <http://redd.mma.gov.br/pt/estrategia- nacional-para-redd>. Acesso em: 13 dez. 2019).

de ecossistemas florestais.179 A ENREDD+ definiu, como instrumentos financeiros, o Fundo

Amazônia, o Fundo Clima, o Fundo nacional de desenvolvimento florestal180 e Fundo de Áreas

Protegidas (FAP) do programa Áreas Protegidas da Amazônia (Arpa).181 Foi criada também, com

o objetivo de coordenar, acompanhar e monitorar a implementação da ENREDD+, a Comissão

Nacional para REDD+, instituída pelo Decreto n.o 8.576, de 26 de novembro de 2015.182

Antes mesmo da criação da ENREDD+, havia críticas por parte de representantes da sociedade civil, assim como dos governos dos Estados da Amazônia, a respeito de uma postura restritiva e centralizadora por parte do governo federal. Havia um desejo, por parte dos entes subnacionais, por “uma maior autonomia e descentralização da regulamentação e gestão do REDD+ com vistas a melhorar a estratégia de captação de recursos e proporcionar

maior controle dos Estados sobre seus territórios”.183 Entretanto, prevaleceu o entendimento de

centralizar os esforços junto ao governo federal, em linha com o que o havia sido estabelecido no Marco de Varsóvia, já que uma abordagem nacional “favorece a integridade dos resultados de REDD+, ao mesmo tempo em que incentiva ações de grande escala, evita a dupla contagem e

o vazamento de vetores”.184

179 No nível operacional a ENREDD+ contempla o Plano Nacional sobre Mudança do Clima e o Plano de Ação

nos biomas, como o Plano de Ação para Prevenção e Controle do Desmatamento na Amazônia Legal (PPCDAm) e o Plano de Ação para Prevenção e Controle do Desmatamento e das Queimadas no Cerrado (PPCerrado). (MINISTÉRIO DO MEIO AMBIENTE. REDD+ Brasil. A estratégia nacional para REDD+ do Brasil. Disponível em: <http://redd.mma.gov.br/pt/estrategia-nacional-para-redd>. Acesso em: 13 dez. 2019).

180 Instituído pela Lei n.o 11.284, de 2 de março de 2006.

181 “O ARPA (Áreas Protegidas da Amazônia) é um programa do Governo Federal, coordenado pelo Ministério do

Meio Ambiente (MMA), gerenciado financeiramente pelo FUNBIO (Fundo Brasileiro para a Biodiversidade) e financiado com recursos do Global Environment Facility (GEF) – por meio do Banco Mundial, do governo da Alemanha – por meio do Banco de Desenvolvimento da Alemanha (KfW), da Rede WWF – por meio do WWF-Brasil, e do Fundo Amazônia, por meio do BNDES. O Programa foi criado com o objetivo de expandir e fortalecer o Sistema Nacional de Unidades de Conservação (SNUC) na Amazônia, proteger 60 milhões de hectares, assegurar recursos financeiros para a gestão destas áreas a curto/longo prazo e promover o desenvolvimento sustentável na região”. (MINISTÉRIO DO MEIO AMBIENTE. ARPA - Programa Áreas Protegidas da Amazônia O que é o ARPA. Disponível em: <http://arpa.mma.gov.br/oquee/>. Acesso em: 15 dez. 2019).

182 A CONAREDD+ foi criada no meio de acusações de representatividade inadequada por parte de ONGs e

movimentos sociais. A insatisfação permaneceu mesmo após a instituição da CONAREDD. Havia o entendimento de que a sua composição limitava a participação da sociedade civil e afetava a legitimidade das suas decisões. (Cf. OBSERVATÓRIO DO CLIMA. Carta do Observatório do Clima: suspensão de

sua participação na CONAREDD+. São Paulo, fev. 2018. Disponível em:

<http://www.observatoriodoclima.eco.br/wp-content/uploads/2018/02/Carta-do-Observato%CC%81rio-do- Clima-suspensa%CC%83o-de-sua-participac%CC%A7a%CC%83o-na-CONAREDD-Fev-2018.pdf>. Acesso em: 13 dez. 2019).

183 EULER, Ana Margarida. O acordo de Paris e o futuro do REDD+ no Brasil. Cadernos Adenauer, v.17, n.2,

p.85-104, 2016. p.93.

184 MINISTÉRIO DO MEIO AMBIENTE. REDD+ Brasil. Perguntas frequentes. 2016. Disponível em:

<http://redd.mma.gov.br/pt/component/content/article/104-central-de-conteudos/542-perguntas-e-duvidas- frequentes>. Acesso em: 13 dez. 2019.

Conforme consulta à página do Ministério do Meio Ambiente na internet, verifica-se

que os últimos movimentos do governo federal relativos à ENREDD+ datam do final de 2018.185

Cabe acrescentar que, com a mudança de governo ocorrida no início de 2019, a CONAREDD+

havia sido extinta por meio do Decreto n.o 9.759, de 11/04/2019186, e foi recriada recentemente,

por meio do Decreto n.o 10.144, de 28/11/2019, mas com uma estrutura de governança diversa

da anterior.