4 O ESTUDO DO VOCABULÁRIO NUMA PERSPECTIVA SEMASIOLÓGICA
4.4 A MICROESTRUTURA E SEUS COMPONENTES
4.4.1 A entrada lexical
A primeira informação do verbete é a entrada lexical, também chamada de artigo. “Cada artículo se compone del ‘lema’ [...] que es la parte enunciativa de un artículo”57
(HAENSCH, 1982b, p. 462). Para indicar a entrada da lexia em um dicionário, vocabulário ou glossário, geralmente, as palavras flexivas eleitas como entrada de verbete passam pelo processo de lematização, que consiste na redução para uma forma canônica que represente todas as variantes de flexão, chamada de lema. No entanto, na organização do Vocabulário de
Eulálio Motta, priorizou-se como entrada a forma registrada no corpus, seguida das variantes
(quando há registro), de maneira que os usos linguísticos do escritor sejam valorizados. Neste caso, indica-se a escrita padrão entre parênteses58.
A forma lematizada também foi adotada como entrada, quando usada pelo escritor, observando os seguintes critérios para cada classe de palavras: a) os substantivos são representados pela forma masculina singular seguida da terminação feminina, quando esse apresenta variação de gênero. Exceto, quando for exclusivamente do gênero feminino e no caso dos pluralia tantum (substantivos empregados apenas no plural); b) os adjetivos e os advérbios lematizam-se na sua forma masculina singular; e c) os verbos são lematizados no infinitivo por ser a forma menos marcada semanticamente.
56 Traduzindo: “a extensão e o conteúdo de um artigo podem variar muito, segundo a finalidade e o grupo de
destino ou a natureza do léxico que é objeto de descrição”.
57 Traduzindo: “Cada artigo compõe-se do ‘lema’ [...] que é a parte enunciativa de um artigo”.
58 Toma-se como base o modelo do Dicionário do dialeto rural no Vale do Jequitinhonha – Minas Gerais
Ainda com respeito à identificação da lexia é preciso referir-se à dicotomia polissemia/homonímia. A maioria das lexias são polissêmicas; em geral só termos técnicos são monossêmicos. Para Pietroforte e Lopes (2010, p. 132), a linguagem humana é polissêmica, pois os signos nas relações com os outros signos, sofrem alterações de significado em cada contexto. O estudo dessas relações permite identificar tanto a diversidade linguística quanto a renovação lexical de uma língua. A grande questão é como registrar esses dados em obras lexicográficas. Principalmente, quando se utilizam como fonte de consulta documentos históricos, textos literários e relatos com a linguagem do cotidiano. Haensch (1982b) afirma que:
La solución práctica más viable en los diccionarios semasiológicos que no dan indicaciones sobre la etimología, es la de no hacer ninguna diferencia entre casos de homonimia y casos de polisemia, ya que los criterios alegados para distinguirlas son insuficientes e insatisfactorios59 (HAENSCH, 1982, p.
467).
De acordo com a proposta de Haensch (1982b), todos os significados de uma lexia seriam incluídos no mesmo verbete, mas é necessário que se estabeleça uma ordem das informações. Biderman (1984a, p. 36) afirma que a ordenação dos significados deve ser feita com base na sua maior frequência, ou seja, “dos sentidos mais comuns aos menos frequentes”, cabendo ao lexicógrafo o bom senso de captar os traços semânticos que distinguem os vários sentidos de um vocábulo. Os valores semânticos concretos ou primários devem anteceder os significados metafóricos.
Com relação às palavras homônimas homógrafas (possuem a mesma grafia e significados diferentes), o procedimento padrão é tratar cada uma dessas palavras como entradas independentes. Para Biderman (1984a, p. 39), “sempre que deparamos com vocábulos de forma idêntica, mas opostos por seus semas distintivos, devemos atribuir-lhes entradas diferentes no dicionário”. Neste caso, o contexto é fundamental para eleger as entradas, porém algumas palavras deixam dúvida se devem fazer parte da macroestrutura como entradas independentes ou da microestrutura como subentradas. Rey-Debove (1984) exemplifica com a palavra língua, que pode se referir a ‘órgão bucal’ ou a ‘sistema de expressão comum a um grupo social’ e faz a ressalva “aquém da polissemia coloca-se a questão da homonímia; pode-se perguntar, com efeito, se não é necessário considerar duas palavras língua homônimas de preferência a uma só palavra língua polissêmica” (REY-
59 Traduzindo: “A solução prática mais viável nos dicionários semasiológicos que não dão indicações sobre a
etimologia, é a de não fazer nenhuma diferença entre casos de homonímia e casos de polissemia, já que os critérios alegados para as diferenciar são insuficientes e insatisfatórios”.
DEBOVE, 1984, p. 62). Os sentidos diferentes tornam-se cada vez mais difíceis de descrever à medida que se afasta da palavra gramatical para o substantivo.
Para a elaboração do Vocabulário de Eulálio Motta adotou-se como critério que as lexias homógrafas terão mais de uma entrada em razão do sentido empregado pelo escritor.
4.4.2 Definição
Após a entrada lexical, tem-se a definição, também chamada de corpo do artigo. Para Werner (1982c), a “parte definitoria, es la definición semántica propiamente dicha, de la que se supone, a menudo, que ella sola ya cumple la función de una explicación del significado”60
(WERNER, 1982c, p. 259). A definição corresponde à parte mais importante e mais difícil de elaborar da microestrutura, podendo variar de acordo com o propósito da obra e do seu público alvo. Porto Dapena (2002) afirma que:
De todas las actividades del lexicógrafo la más difícil y a la vez más comprometida es sin duda la definición, la cual pese a ser el punto que siempre ha despertado mayor interés entre los estudiosos de la lexicografía teórica o metalexicografía, sigue constituyendo el principal escollo dentro de la redacción lexicográfica y, al mismo tiempo, el punto sobre el que se han venido centrando en buena medida las críticas dirigidas al diccionario monolingüe tradicional61 (PORTO DAPENA, 2002, p. 266).
Isto ocorre porque a definição é a essência do trabalho lexicográfico e figura quase exclusivamente nas obras monolíngues de tipo semasiológico. Nas bilíngues, só é utilizada quando não existe um termo equivalente na outra língua, sendo necessário explicar o seu sentido por meio de uma definição. Para Porto Dapena (2002, p. 269), a definição deve ser constituída por dois elementos: o definido ou definiendum, representado pela entrada do verbete, e o definidor ou definiens, que é a expressão explicativa, ou seja, a definição propriamente dita. Ambos serão representados na mesma língua por um texto metalinguístico. Ela deve ser constituída sempre por uma palavra ou conjunto de palavras, que estão sujeitas a certas restrições sintáticas. “Lo normal es que se trate de un sintagma nominal, verbal,
60 Traduzindo: “parte definitória, é a definição semântica propriamente dita, da que se supõe, frequentemente,
que ela por si só já cumpre a função de uma explicação do significado”.
61 Traduzindo: “De todas as atividades do lexicógrafo a mais difícil e ao mesmo tempo a mais comprometida é
sem dúvida a definição, a qual apesar de ser o ponto que sempre despertou maior interesse entre os estudiosos da lexicografia teórica ou metalexicografia, continua constituindo a principal armadilha dentro da redação lexicográfica e, ao mesmo tempo, o ponto sobre o qual vem se centrando em boa medida as críticas dirigidas ao dicionário monolíngue tradicional”.
adjetival, etc., según la naturaleza categorial de la palabra definida”62 (PORTO DAPENA,
2002, p. 269).
Porto Dapena (2002) retoma Rey-Debove (1967) e distingue o discurso metalinguístico em enunciado lexicográfico (ou metalíngua de signo) e enunciado definicional (metalíngua de conteúdo). A metalíngua de conteúdo é a mais frequente, sendo utilizada para atribuir um significado à palavra que serve como entrada para o verbete. Enquanto a metalíngua de signo é utilizada para definir a função ou os valores da palavra. É empregada, geralmente, com palavras gramaticais, que carecem de significado léxico. Porto Dapena (1999, p. 145) salienta que um enunciado lexicográfico é metalinguístico pelo simples fato de se referir a uma palavra-entrada, da qual indica alguma característica; mas como qualquer enunciado desse tipo pode, por sua vez, estar constituído de elementos que, em si mesmo, podem ser ou não metalinguísticos.
Porto Dapena (2002) afirma que a definição lexicográfica deve fundamentar-se em seis princípios, uns que se referem ao conteúdo e outros somente à forma:
[…] uno de carácter general, que es el de equivalencia, junto a otros más particulares, representados por el de conmutabilidad o sustitución, el de
identidad categorial o funcional, el de análisis, el de transparencia y,
finalmente, el de autosuficiencia63 (PORTO DAPENA, 2002, p. 271).
De acordo com o princípio de equivalência, o definiens deve conter todo e tão somente o definiendum, tanto em extensão quanto em compreensão, para que uma definição seja correta. Segundo o princípio de comutabilidade ou substituição é possível trocar o definiens pelo definiendum sem prejuízo, quando a definição está formulada em metalíngua de conteúdo com equivalência semântica. Neste caso, tanto a entrada quanto a definição devem pertencer à mesma categoria gramatical, de modo que a definição de um adjetivo corresponda a outro adjetivo ou a um sintagma adjetivo, a definição de um substantivo corresponda a um substantivo ou a um sintagma substantivo e assim sucessivamente. Porto Dapena adverte que em alguns casos não é possível se cumprir de fato o princípio da comutabilidade, mas isto não inviabiliza o fato de uma definição ser tomada como correta, uma vez que:
62 Traduzindo: “O normal é que se trate de um sintagma nominal, verbal, adjetival, etc., segundo a natureza
categorial da palavra definida”.
63 Traduzindo: “[...] um de caráter geral, que é o de equivalência, junto a outros mais particulares, representados
pelo de comutabilidade ou substituição, o de identidade categorial ou funcional, o de análise, o de transparência e, finalmente, o de autossuficiência”.
[...] este principio no constituye una prueba indispensable para determinar la idoneidad de una definición lexicográfica, dado que la sinonimia o equivalencia semántica entre definiendum e definiens no tiene por qué ir indefectiblemente asociada a la posibilidad de conmutación64 (PORTO
DAPENA, 2002, p. 273).
Conforme o princípio da identidade categorial ou funcional, a categoria gramatical do
definiens deve coincidir com a categoria gramatical do definiendum. Este princípio, assim
como o da comutabilidade, só pode ser cumprido se a definição estiver em metalíngua de conteúdo. Já os princípios de análise, de transparência e de autossuficiência pressupõem que a verdadeira definição deve ser representada por uma frase ou enunciado submetido às regras sintáticas da língua em questão e ser composta por palavras mais compreensíveis do léxico comum. Vale ressaltar que nem todos os vocábulos podem ser definidos de acordo com todos os princípios elencados.
Segundo Werner (1982c, p. 275), “una de las posibilidades de definir el contenido referencial de una unidad léxica consiste en parafrasear el semema que le corresponde mediante un sintagma cuyo contenido referencial es idéntico al del semema que hay que definir”65. Embora sejam importantes para delimitar a unidade léxica, deve-se ter cuidado
com a paráfrase e os sinônimos para não se apresentarem definições circulares, na qual um sinônimo remete ao outro e este, por sua vez, ao primeiro, dificultando o entendimento para o leitor. O essencial é que possam não somente compreender como também usar as lexias definidas. Nesse sentido, é o definiendum que determinará a adequação do tipo de definição a se empregar. Porto Dapena (2002, p. 277-296) assinala quatro tipos de definições lexicográficas: a enciclopédica, a linguística, a sinonímica e a perifrástica.
A definição enciclopédica ou ‘definição das coisas’, geralmente, é uma descrição pormenorizada do objeto ao qual uma palavra remete. Esse tipo de definição é apresentado tradicionalmente em enciclopédias, porém não são exclusivas, pois, inevitavelmente, aparecem também nos dicionários da língua (PORTO DAPENA, 2002, p. 277-278).
A partir da tipologia de definições proposta por Porto Dapena (2002), Cunha (2013) sintetiza a definição linguística no esquema da Figura 36:
64 Traduzindo: “[...] este princípio não constitui uma prova indispensável para determinar a idoneidade de uma
definição lexicográfica, dado que a sinonímia ou equivalência semântica entre definiendum e definiens não tem porque estar indefectivelmente associada à possibilidade de comutação”.
65 Traduzindo: “Uma das possibilidades de definir o conteúdo referencial de uma unidade léxica consiste em
parafrasear o semema que lhe corresponde mediante um sintagma cujo conteúdo referencial é idêntico ao do semema que tem que definir”.
Figura 36 – Síntese da definição linguística
Fonte: Cunha (2013, p. 72).
A definição linguística tem por objetivo explicar as unidades léxicas em geral, enumerando os traços semânticos mais importantes para distingui-las das outras unidades. Trata-se da definição lexicográfica propriamente dita, que “deve ser suficientemente geral para que possa incluir todas as possibilidades sem determiná-las” (MURAKAWA, 2006). Ela se distingue em conceitual – formulada em metalíngua de conteúdo, na qual se pretende expressar o conteúdo significativo ou conceitual do definiendum – e funcional ou explicativa – formulada em metalíngua de signo, na qual são expressos os valores, funções, ou usos das palavras a serem definidas.
A definição linguística conceitual, por sua vez, divide-se em sinonímica e perifrástica. Na definição conceitual sinonímica a definição da palavra-entrada é apresentada por um sinônimo. Esta, por sua vez, pode ser simples, constituída por um único sinônimo, complexa, ou acumulativa, formada por mais de um sinônimo, e mista, quando é representada por um sinônimo e uma definição perifrástica. Na definição conceitual perifrástica, a definição é formada por uma frase ou sintagma. Devido a sua complexidade formal, quer do ponto de vista semântico quer do sintático, a definição perifrástica distingue-se em diversas classes. Porto Dapena (2002, p. 290-291), retoma a distinção feita por Rey-Debove em duas classes gerais: a substancial e a relacional. A definição conceitual perifrástica substancial é formada por um sintagma cujo núcleo pertence à mesma categoria gramatical da palavra-entrada,
enquanto a relacional não possui um núcleo, mas um transpositor que pode ser representado por um pronome relativo ou por uma preposição.
A definição substancial é a mais frequente nos dicionários e é classificada, a partir da sua estrutura lógica, em cinco subtipos: inclusiva (que pode ser positiva ou negativa);
excludente; participativa; aproximativa e aditiva. A inclusiva positiva, também chamada de hiperonímica, é constituída por um gênero próximo (hiperônimo) e uma diferença específica.
Porto Dapena (2002, p. 292-293) informa que:
[…] este el tipo ideal de definición lexicográfica hasta el punto de que, como observa I. Bosque, “el hipotético diccionario que estuviera constituido únicamente por definiciones hiperonímicas con un índice mínimo de circularidad sería probablemente el diccionario perfecto”66 (PORTO
DAPENA, 2002, p. 292-293).
A definição inclusiva negativa diferencia-se da positiva por possuir um hiperônimo com sentido negativo. Esta, por sua vez, não se confunde com a definição substancial
excludente (ou antonímica), visto que a negação é feita por uma simples partícula negativa.
As classes particulares de definição substancial, relativamente frequentes nos dicionários, são as chamadas participativas (metonímica) e aproximativas (analógica). Na primeira, o núcleo do sintagma é constituído por uma palavra de sentido geral como parte, órgão, peça ou com significado distributivo e na segunda por uma palavra que indique aproximação ou semelhança como, por exemplo, espécie, tipo e qualidade. A mais importante por sua frequência de uso é a definição substancial aditiva, que consiste em uma análise do significado mediante a adição ou associação de vários lexemas que, sintaticamente, se unem por coordenação aditiva.
É evidente que vários tipos de definições lexicográficas são possíveis e usuais. Contudo, diante das especificidades, nota-se que não há uma tipologia que abarque todas as características das diferentes classes de palavras e que seja capaz de esgotar todas as nuanças semânticas. Cabe, então, ao lexicógrafo escolher o tipo de definição que melhor se ajuste ao seu corpus. Quando o tipo escolhido não consegue elucidar satisfatoriamente o significado ou a funcionalidade de uma palavra, deve-se recorrer a outras tipologias.
Para a redação das definições dos verbetes do Vocabulário de Eulálio Motta elegeu-se a definição linguística conceitual perifrástica substancial inclusiva positiva, também
66 Traduzindo: “[...] este é o tipo ideal de definição lexicográfica até o ponto de que, como observa I. Bosque, “o
hipotético dicionário que esteja constituído unicamente por definições hiperonímicas com um índice mínimo de circularidade seria provavelmente o dicionário perfeito””.
denominada de hiperonímica, na qual se deve estabelecer o gênero próximo e a diferença específica como no exemplo abaixo:
Figura 37 – Exemplo de definição hiperonímica
Fonte: Elaborada pela pesquisadora.
A definição hiperonímica é a mais utilizada principalmente quando se trata da definição dos substantivos. No entanto, esse tipo de definição não atendeu a todas as entradas, visto que o vocabulário é composto por classes de palavras distintas. Nesse sentido, privilegiaram-se as tipologias que fazem parte do grupo de definição linguística conceitual
perifrástica substancial e, quando necessário, a definição sinonímica de modo que
atendessem melhor as particularidades.
4.4.3 Abonação
Houaiss e Villar (2001) definem abonação como: “atestação, por meio de documento, da ocorrência de uma palavra ou de uma acepção numa determinada data” (HOUAISS; VILLAR, 2001, p. 23). Assim sendo, abonação pode ser concebida como a mesma coisa que exemplo, se este for uma frase ou trecho de frase, que serve para exemplificar, encontrada em um texto autêntico. Segundo Biderman (1984a, p. 22-23):
[...] o lexicógrafo deverá extrair da sua concordância os melhores exemplos, de forma que o contexto citado explicite bem o significado, uso ou construção em epígrafe e também registre o nível de linguagem descrito quando for necessário. [...] um contexto pouco original mas que ilustre bem a norma linguística pode ser o mais indicado (BIDERMAN, 1984a, p. 22-23).
Nesse sentido, apresentam-se no Vocabulário de Eulálio Motta abonações, destacadas em itálico, encontradas no corpus selecionado. Assim, comprova-se, de fato, que a lexia ocorre na respectiva acepção, contextualizando-a em um discurso real.
Cada abonação é identificada com um código, sublinhado, correspondente ao texto consultado (JMN180[1931] a JMN223[1932] para o jornal Mundo Novo, JL3[1933] a JL96[1935] para o jornal O Lidador, JS1[1950] a JS49[1951] para o jornal O Serrinhense, JGP64[1960] a JGP105[1961] para o jornal Gazeta do Povo, P1[1949] a P48[1983] para os
panfletos e C1[1933] a C50[1933] para os causos)67. O FLEx acrescentou, automaticamente, no código de identificação da abonação o número corresponde a cada uma das sentenças, conforme o exemplo que segue abaixo:
Figura 38 – Exemplo de abonação
Fonte: Elaborada pela pesquisadora.
Como pode-se notar, no exemplo acima, o código gerado no banco de dados do FLEx, fica destacado em azul, pois é um hiperlink que dá acesso ao texto completo dentro do sistema eletrônico. No entanto, para a versão impressa do Vocabulário de Eulálio Motta não foi mantida a cor azul por não se tratar de uma edição eletrônica.
4.5 AS LEXIAS
A lexia é a unidade lexical que se manifesta no discurso, através de formas ora fixas, ora variáveis (BIDERMAN, 1978, p. 130). Pottier (1977, p. 324), por sua vez, afirma que a “lexía es la unidad lexical memorizada. Pertenece a una categoría (forma del significado) o a clases superiores [...] nace de un hábito asociativo. En general se trata de un lento proceso de lexicalización de una secuencia”68. Portanto, a lexia é uma unidade funcional, que pode ser
classificada em simples, composta e complexa, conforme a proposta conceitual e terminológica de Pottier (1977, p. 325-326), que será adotada neste trabalho.