ILUSTRAÇÕES 28 e 29: Exemplos de Sinopse
3.2 A escola e seu
Acreditamos que a construção do perfil da escola e do bairro onde ela está localizada e cuja clientela serve possibilita melhor compreensão do espaço social no qual se encontram inseridos professor e alunos. Assim tratamos de entender a concepção escolar vivenciada naquele ambiente real de aprendizagem.
A escola Taís Maria Bezerra Nogueira, desde 1986, é uma das 89 escolas do Distrito de Educação VI (Secretaria Regional VI), de um universo atual de 477 unidades escolares as quais compõem o parque escolar da Rede Municipal de Ensino de Fortaleza, no estado do Ceará. Localizada à rua Contorno Norte, no número 710, no Conjunto São Cristóvão, no bairro Jangurussu (CEP: 60866-190), ocupa um prédio de andar térreo, composto por 15 salas de aulas, 01 sala de diretoria, 01 sala de professores, 01 laboratório de informática, 01 sala de recursos multifuncionais para Atendimento Educacional Especializado (AEE), 01 quadra de esportes em processo de cobertura, 01 sala de secretaria, 02 banheiros com chuveiro, 01 cozinha, 01 biblioteca, 02 banheiros adequados à educação infanto-juvenil, 01 despensa, 01 almoxarifado e 01 pátio coberto. Em sua infraestrutura, conta ainda com água filtrada, água da rede pública, energia da rede pública, esgoto da rede pública, lixo destinado à
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VYGOTSKY (1998) propunha a Teoria da Zona de Desenvolvimento Proximal (ZDP), na qual defendia o con- vívio em sala de aula de crianças mais adiantadas com aquelas que ainda precisam de apoio para dar seus primei - ros passos. Ele propõe a existência de dois níveis de desenvolvimento infantil: o primeiro é chamado de real e engloba as funções mentais que já estão completamente desenvolvidas e o segundo nível, batizado por ele de proximal, consiste no momento quando uma criança só consegue fazer algo com a ajuda de alguém para, um pouco mais adiante, conseguir fazer sozinha.
coleta periódica, acesso à Internet e banda larga. Fazem parte do acesso tecnológico da escola 03 aparelhos de TV, 03 aparelhos de DVD, 01 máquina copiadora, 01 aparelho retroprojetor, 01 impressora, 02 projetores multimídia (datashow), 01 aparelho de fax e 01 câmera fotográfica/filmadora.
Em seu quadro funcional, a escola conta com 01 diretora, 01 vice-diretora, 01 secretária, 01 agente administrativo, 02 coordenadores pedagógicos, 01 apoio à coordenação, 43 professores, 05 funcionários de serviços em geral e 02 vigilantes (totalizando 57 funcionários, dentre efetivos, substitutos e terceirizados). Ressaltamos que a rotina administrativa da escola é disposta conforme a necessidade de cada turno, determinada em reunião bimestral do conselho escolar, objetivando sempre a permanência de pelo menos 02 representantes do núcleo gestor diuturnamente na escola.7
ILUSTRAÇÃO 4 – CMES Taís Maria Bezerra Nogueira, no bairro Jangurussu, em Fortaleza, Ceará.
FONTE: Produção do próprio autor.
A escola Taís Maria Bezerra Nogueira, até 2013, atuou com turmas do Ensino Fundamental I (do 1.º ao 5.º anos), parte constituinte da educação básica nacional, proposta na nova Lei de Diretrizes e Bases (9.394/96). Desde janeiro de 2014, a escola atende apenas aos demais níveis da Educação Regular (EF II e EJA – Educação de Jovens e Adultos),
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remanejando os demais alunos para escolas próximas, também componentes da Rede. Atende atualmente a 1103 alunos, dispostos nos três turnos escolares, sendo os turnos matutino e vespertino dedicados às turmas de EFII e o turno noturno, às turmas de EJA8, em sua maioria, moradores do bairro.
O bairro Jangurussu fica à periferia da capital cearense. Atualmente mais de 60 mil moradores vivem no local. O Conjunto São Cristóvão nasceu no início dos anos 90, através das políticas de Casas Populares do então Governo Fernando Collor de Melo. Em princípio, eram embriões (pequenos espaços medindo 21m²) que abrigavam sala, banheiro e cozinha. Com material de construção de baixo custo, as pias da cozinha e da lavanderia eram de concreto, as paredes caiadas sem reboco, em uma infraestrutura de ruas em piçarra que, nas épocas de chuva, tornavam-se um grande atoleiro. Após a conclusão do projeto de integração de ônibus através de terminais, na então prefeitura de Juraci Magalhães, o fluxo e a frota de ônibus que servia a localidade passou a atender melhor a demanda de moradores que aumentava ano a ano, mas ainda ineficiente, o que deu espaço na comunidade, circulada pelo Conjunto Almirante Tamandaré e Conjunto Palmeiras, ao transporte público por Vans clandestinas, posteriormente legalizadas e inseridas no panorama de transporte público municipal.
ILUSTRAÇÃO 5 – Visão aérea do conj. São Cristóvão, no bairro Jangurussu, e localização da CMES Taís Maria Bezerra Nogueira ( )
FONTE: Produção do próprio autor.
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De início, o conjunto São Cristóvão era um conjunto-dormitório, daí tamanha “dependência” dos grandes centros comerciais fortalezenses. Com o passar dos anos, pequenas quitandas e mercadinhos foram abertos e com eles pontos de conserto de pequenos eletrodomésticos, como ventiladores, televisores, etc. Uma churrascaria e uma sorveteria foram pioneiras ao conjunto diverso de pontos comerciais que atendem à clientela cada vez mais independente. Hoje a região pode ser considerada autossuficiente no que consiste a comércio de pequenos produtos e prestação de serviços, além de contar com os seguintes e principais aparelhos municipais: uma Unidade de Pronto-Atendimento 24h (UPA24h), um Centro Urbano de Cultura, Arte, Ciência e Esporte (CUCA Jangurussu), um Distrito Policial (30.º DP), dentre outros.
Com o progresso, logo se instalaram dois fatores comuns aos grandes centros comerciais do país: a violência e o comércio ilícito. No mapa da criminalidade, o bairro Jangurussu foi o primeiro da Capital no ranking de homicídios dolosos (quando há intenção de matar) nos seis primeiros meses do ano de 2012, segundo balanço divulgado pela Secretaria de Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS). Outrossim são reticentes na mídia televisiva e na imprensa em geral os casos de envolvimento de jovens moradores do Conjunto São Cristóvão envolvidos com o tráfico de drogas ilícitas e entorpecentes e com o comércio de produtos falsificados, ou “pirateados”, como artigo de confecção e calçados, CD’s e DVD’s. Os números revelam uma estatística de cinco a dez jovens entre 14 e 21 anos assassinados, vitimados pela violência instalada na região.
São, pois, diversos os caminhos para o jovem de São Cristóvão rumar sua vida – desde os lícitos até os que confrontam a lei. O tráfico é um dos grandes responsáveis pelo recrutamento de jovens na região. A escola aparece como aquele para o qual direcionam os pais seus filhos já em tenra idade. Cabe principalmente à escola a manutenção dessa presença durante os dezessete anos previstos aos ensinos de Escola Regular. No ambiente escolar, a criança precisa perceber o terreno fértil para a propagação de sua vida, adquirindo conhecimento, aperfeiçoando habilidades e desenvolvendo o senso de cidadania para o convívio e a sobrevivência em sociedade. A proposta moderna de educação prevê a realidade que vivencia o aluno do século XXI; o agir professoral deve tecer suas estratégias interventivas a partir da mesma previsibilidade, agindo e reagindo positivamente diante das intempéries dos caminhos do processo de ensino e aprendizagem. Revela a positividade desse escrito o fato de que comumente se pode ver pelos corredores, pátio e quadra da escola, fora do turno de aula alunos usufruindo de um espaço que, muitas vezes, lhes permitem
experiências impossíveis de serem vividas onde moram, estejam elas engajadas no processo de ensino e aprendizagem ou apenas num momento de interação social não previsto para a escola. A escola, assim, se posta de volta à concepção de segunda casa, segundo lar, segunda família, tão perdido ao longo dos tempos modernos.
Uma vez descrito o cenário da pesquisa, tecemos a seguir os perfis dos sujeitos envolvidos.