ambiental e cultural do país e a localização
em áreas de atuação do COEP.
130 | Coleção Coep Cidadania eM rede. noV 2011
quisa, a saber, contemplar os vários biomas brasileiros e ter em conta populações rurais e habitantes de áreas urbanas em regiões metropolitanas.
Como resultado da aplicação desses critérios, chegou-se a cinco áreas de estudo cujas populações apresentam características de vulnerabilidade socioam-biental tanto em áreas urbanas como rurais, estando localizadas nos biomas da Amazônia, da Mata Atlântica, do Cerrado e da Caatinga. As comunidades estudadas são as seguintes:
1. Quatro comunidades (Caminho da Cachoeira, Sampaio Corrêa, Faixa Azul e Viana do Castelo) localizadas dentro da área do Campus Fiocruz da Mata Atlântica, localizado na área de amortecimento do Parque Estadual da Pedra Branca, XVI Região Administrativa – Jacarepaguá, região oeste da cidade do Rio de Janeiro (RJ). O estudo de caso foi desenvolvido por uma equipe de pesquisadores da Fiocruz (RJ), coordenada pela Dra. Andréa Vanini.
2. Duas comunidades de agricultores familiares (Comunidade de Pilões, município de Cumaru; Assentamento de São João do Ferraz, município de Vertentes), ambas situadas na Mesorregião do Agreste Setentrional Per-nambucano (Alto e Médio Capibaribe). A equipe responsável por este estudo de caso é composta por professores-pesquisadores da Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE), coordenada pelo Prof. Guilherme Soares.
3. Comunidade de população ribeirinha integrante do Projeto de Assentamento Gleba Aliança, município de Porto Velho (RO). Este estudo de caso foi realizado por ume equipe multi-institucional, envolvendo professores da Universidade Federal de Rondônia/UNIR e da Faculdade de Rondônia/
FARO e profissionais do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária/Incra, coordenada pelo Eng. Florestal Joel Mauro Magalhães (Incra / FARO) e pela Profa. Kátia Zuffo.
4. Comunidade quilombola “Chácara Buriti”, situada na área rural do município de Campo Grande (MS). Esta comunidade foi estudada pela equipe de professores e pesquisadores da Universidade Federal do Mato Grosso do Sul (UFMS), coordenada pelos professores Dario de Oliveira Lima Filho e José Carlos de Jesus Lopes.
estudos de Caso | 131
5. Comunidade da Tapera da Base, localizada em área de loteamentos resultante de ocupação irregular e precária na parte sul da Ilha de Santa Catarina, município de Florianópolis (SC). Este estudo de caso foi desenvolvido por equipe de professores e pesquisadores da Universidade Federal de Santa Catarina, coordenada pelo Prof. Luiz Renato D´Agostini.
Os estudos de caso chegam ao plano das comunidades e, mesmo, de seus indivíduos, como é sugerido pela literatura sobre mudanças climáticas devido a que as tecnologias sociais de adaptação aos eventos climáticos extremos se diferenciam daquelas visando a mitigação. Estas últimas são compostas, majori-tariamente, por técnicas e equipamentos enquanto que as primeiras compreendem, também, as diversas formas de habilidade e conhecimento locais empregados através de gerações para fazerem frente a variabilidades climáticas (UNFCC, 2006). Isto implica aproximar a pesquisa da comunidade, seu território e sua cultura, muitas vezes, sendo esta o resultado de um processo longo de interação entre a população e o seu meio.
Na parte conceitual vimos que adaptação e mitigação, no enfoque aqui adotado, não constituem duas estratégias completamente independentes, apesar de a mitigação ser mais usualmente mencionada por se referir à redução da emissão de GEE. Mais complexa, a adaptação é compreendida como sendo o enfrentamento pelos (ou o ajustamento dos) sistemas humanos aos atuais/esperados estímulos climáticos ou aos seus efeitos com vistas a diminuir os impactos e, ainda, de explorar as oportunidades que daí puderem decorrer (IPCC, 2007, WG II, p.
869). Por isto, ela exige um conhecimento das comunidades, de como elas percebem, conhecem e reconhecem as mudanças climáticas e seus impactos sobre os seus modos de vida. A abordagem no plano local ou das comunidades se justifica, portanto, pela necessidade de identificar a capacidade das mesmas se articularem com instituições e de engajarem seus membros em reação às alterações climáticas apontadas na literatura.
Os estudos de caso foram orientados por quatro questões chaves apontadas por Smit et al (apud FüSSEL e KLEIN, 2004) como sendo fundamentais para estudos com recorte social3, as quais foram adaptadas a presente pesquisa. São elas:
3 Recorreu-se também
132 | Coleção Coep Cidadania eM rede. noV 2011
1. Adaptar-se a quê? Identificação das variabilidades climáticas segundo os padrões projetados por modelos climáticos de temperatura e de precipitação, ameaças, vulnerabilidades e riscos.
2. Quem será afetado? Levantar as condições socioeconômicas das comunidades, compreendendo-as como potenciais grupos vulneráveis ou populações em situação particular de risco.
3. O quê será afetado? Mapear as ameaças e os impactos observáveis pelas comu-nidades com relação aos cinco setores de impacto da pesquisa (biodiversidade, água, agricultura/alimento, saúde humana e moradia), bem como aferir o conhecimento dos entrevistados sobre as causas possíveis ou possíveis fatores de vulnerabilidade.
4. Como se adaptar? Medidas de redução de vulnerabilidade ou de gestão de risco já empregadas na comunidade, outras medidas de adaptação possíveis de serem adotadas, oportunidades e dificuldades, atores/parceiros que podem ser envolvidos.
5. Quão adequada é a proposta de adaptação? Avaliar as várias possibilidades de adaptação para reduzir vulnerabilidades e riscos e aumentar as capacidades de resiliência tendo em conta os contextos nos quais deverão ser implementadas e os princípios anteriormente listados, analisar as práticas locais já empregadas e considerar os incentivos para ações desse tipo, custos e recursos disponíveis.
A pesquisa de campo compreendeu quatro procedimentos comuns:
i. identificação de atores e de programas com incidência nas comunidades estudadas;
ii. conformação de grupos focais para a discussão de temas pré-estabelecidos;
iii. entrevistas com atores locais relevantes;
iv. aplicação de questionário padrão junto às famílias que compõem a amostra.
estudos de Caso | 133