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Os impactos de eventos climáticos extremos refletem o grau de

vulnerabilidade das populações

atingidas por esses eventos.

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localizadas no Campus da Mata Atlântica da Fiocruz, na região metropolitana do Rio de Janeiro.

Já na região metropolitana de Florianópolis, as chuvas de verão, quando associadas a fenômenos de grandes marés, provocam alagamentos como os que ocorrem na Comunidade da Tapera da Base. Nela, praticamente metade das moradias está situada em terrenos de baixa altitude, ocupando antigas áreas de mangues e, portanto, mais vulneráveis às inundações.

Quanto à saúde, o estudo indica que as variabilidades de temperatura ou preci-pitação podem aumentar o risco de incidência de doenças como dengue, febre amarela e malária, cujos vetores têm maior facilidade para se reproduzirem em condições de alta temperatura. Estima-se, ainda, o aumento do risco de ocorrência de doenças como cólera, salmonelose e outras doenças de veiculação hídrica.

Os cinco estudos de caso mostraram, indistintamente, que as respectivas comunidades identificam uma lacuna no acesso a informações sobre o fenômeno das mudanças climáticas de modo a que elas possam se organizar e melhor enfrentar as alterações de temperatura e precipitação futuras. Diante deste quadro, os pesquisadores apontam a necessidade de se promover, com urgência, uma educação ambiental crítica e transformadora e iniciativas que fomentem o empoderamento das populações envolvidas. “No entanto, o enfoque na vulnera-bilidade socioambiental implica, forçosamente, a compreensão de empoderamento que vai além do âmbito específico das questões climáticas. Isto porque para superar tais vulnerabilidades há que se enfrentar as causas que criam essa condição, em grande medida de origem econômica e social”, afirmam.

Ou seja, os pesquisadores perceberam que há coincidências entre a agenda da adaptação - visando enfrentar os impactos e repercussões de eventos cli-máticos - com a do enfrentamento da pobreza, o que pode ser benéfico quando fortalece ou reforça cada uma das agendas, especialmente no requerimento de ações de longo prazo.

Anexo

1. Barragem Subterrânea Incrementa Produção de Agricultores do Agreste Paraibano

A construção, em março de 2008, de uma barragem subterrânea no Assentamento Margarida Maria Alves, localizado no município de Juarez Távora, na Paraíba, incrementou a produção dos agricultores locais. A tecnologia, implantada por meio de uma iniciativa do COEP em parceria com a Financia-dora de Estudos e Pesquisas (Finep), já ajudou a melhorar a produtividade de outras seis comunidades nos estados da Paraíba, Ceará e Pernambuco.

No assentamento moram 50 famílias que vivem basicamente da agricultura e pecuária. A água que os moradores utilizam vem de um açude. No período de chuva, a barragem subterrânea concentra água no subsolo para que seja utilizada ao longo do período de estiagem, que vai de outubro a fevereiro, quan do as chuvas são escassas e as temperaturas, elevadas. Como conseguem assegurar a umidade do solo, as barragens possibilitam que os agricultores mantenham plantações de forragens, destinadas à alimentação animal, e produzam alimentos para consumo humano.

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Junto com a barragem foi construído também um poço onde as famílias pegam água do subsolo para alimentação animal e para regar as hortaliças. Existem casos na Paraíba em que esta técnica de barragens subterrâneas mudou comple-tamente a paisagem do local.

2. Nove Comunidades do Sergipe e Piauí obtêm Máquinas Forrageiras Por meio de uma iniciativa do COEP e parceiros, nove comunidades do Sergipe e Piauí receberam máquinas forrageiras elétricas, que são utilizadas para moer plantas e fazer ração para os animais, além de processar milho para consumo humano. As comunidades contempladas no Piauí foram Cacimba, Boa Vista, Solidão, Quixó, Pão de Açúcar e Baixa do Morro. Já em Sergipe, as comunidades beneficiadas foram Pioneira, José Ribamar e Cuiabá.

A associação de agricultores da comunidade COEP Solidão, situada no município de São Braz do Piauí (PI), mobilizou seus integrantes para a construção de um galpão exclusivo para a instalação da forrageira. O galpão foi construído em regime de mutirão pelos moradores, sócios da associação e beneficiários diretos da atividade. Os usuários já estão articulados para angariar recursos para a manutenção do equipamento.

As máquinas darão suporte alimentar aos caprinos e ovinos, também doados pelo COEP a alguns produtores na região. O projeto de criação de caprinos e ovinos é baseado na distribuição de lotes de três ou seis animais (fêmeas) às famílias. Cada comunidade tem um reprodutor para cruzamento e quando a quantidade de crias fêmeas é igual à recebida, estas são repassadas para outra família, de forma que o projeto possa atender ao maior número possível de pessoas em diferentes comunidades. As crias fêmeas recebidas e os machos que nascerem são lucro das famílias, melhorando a renda ou até mesmo a alimentação, caso uti-lizem os animais para consumo.

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3. Comitê Mobilizador da Comunidade COEP Cacimba Cercada (AL) Conquista 16 Cisternas de Placa

Articulada pelo comitê mobilizador local, a comunidade COEP Cacimba Cercada, localizada no município de Mata Grande, em Alagoas, recebeu 16 cisternas de placa, que foram doadas a famílias selecionadas pela associação de moradores. A tecnologia foi implantada pelo Programa Um Milhão de Cisternas (P1MC), desenvolvido pela Articulação no Semi-Árido Brasileiro (ASA). O objetivo é que, futuramente, toda a comunidade seja contemplada.

A cisterna é construída por pedreiros das próprias localidades, formados e capacitados pelo P1MC e pelas próprias famílias, que executam os serviços gerais de escavação, aquisição e fornecimento de areia e água. Os pedreiros são remunerados, enquanto as famílias executam os trabalhos de construção como forma de contrapartida.

Cada cisterna tem capacidade de armazenar 16 mil litros de água. Essa água é captada das chuvas, através de calhas instaladas nos telhados. Com a cisterna, cada família fica independente, autônoma e com a liberdade de escolher seus próprios gestores públicos, buscar e conhecer outras técnicas de convivência com o Semiárido e com mais saúde e mais tempo para cuidar das crianças, dos estudos e da vida em geral. Se for utilizada de forma adequada (para beber, cozinhar e escovar os dentes), a água da cisterna dura, aproximadamente, oito meses.

O comitê mobilizador é um dos instrumentos previstos na metodologia de ação social adotada pelo COEP. É um grupo constituído por lideranças locais que tem o objetivo de fortalecer as associações comunitárias e o associativismo, incentivando as comunidades nas mobilizações em busca de alternativas para o seu desenvolvimento. Além de criar mobilizações independentes, eles são responsáveis pelo acompanhamento das atividades previstas nos projetos executados pelo COEP nas comunidades.

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4. Projeto Recupera Nascentes com Apoio da Comunidade de Uruçu (PB) Implantado em 2008, o Projeto de Recuperação e Manejo das Nascentes de Uruçu, comunidade COEP situada na cidade de Gurinhém, no Semiárido paraibano, pretende recuperar a mata ciliar do Riacho Uruçu, em especial de sua principal nascente, conhecida como “Chorona”.

A ideia surgiu a partir da percepção de que havia uma considerável diminuição de água na nascente, que chegava a secar em períodos de longa estiagem. Diante do problema, a escola e a associação locais se uniram à equipe do Projeto Univer-sidades Cidadãs - desenvolvido pelo COEP com diversas univerUniver-sidades, entre elas a Universidade Federal de Campina Grande (UFCG), que atuou na comunidade de 2006 a 2008 -, iniciando as atividades tanto na teoria quanto na prática.

O projeto conta com um viveiro florestal doado pelo COEP, que foi instalado e é mantido com o apoio da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural da Paraíba (Emater), no qual foram produzidas, entre 2008 e 2010, cerca de 3.250 mudas frutíferas e silvestres. Conta também com a colaboração de alunos e professores da Escola Anália Arruda da Silva.

Os alunos envolvidos participam de todas as etapas, desde a preparação da terra e produção do composto orgânico até o monitoramento do desenvolvimento das plantas. Para tanto, fazem o plantio de mudas, produzem o composto orgânico e plantam sementes no viveiro comunitário. A população contribui fornecendo instru-mentos de trabalho, disponibilizando meios de transporte (carros de mão e carroças), doando sacos de produtos alimentícios para a produção de mudas e, acima de tudo, dando autorização para a participação dos filhos na execução das ações.

5. Cisternas-Calçadão Melhoram Produção de Famílias da Comunidade COEP Pão de Açúcar (PI)

Cinco famílias da Comunidade COEP Pão de Açúcar, localizada no município piauiense de Várzea Branca, conquistaram cisternas-calçadão, utilizadas na irrigação de viveiros de mudas. Com capacidade para armazenamento de 52 mil litros de água, a cisterna oferece água com qualidade superior a que é retirada de poços artesianos, muito comuns nas comunidades.

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A iniciativa é resultante do programa Uma Terra e Duas Águas (P1+2), implementado pela Articulação no Semi-Árido Brasileiro (ASA) em parceria com a Cáritas Diocesana de São Raimundo Nonato-Piauí. A cisterna chama a atenção pelo calçadão ao seu redor, utilizado para a captação direta de chuva, dife-rentemente da tradicional cisterna, que capta água do telhado das residências.

O programa prevê, ainda, a construção de três canteiros que serão utilizados para produção de verduras e hortaliças. Essa iniciativa visa incentivar a segurança alimentar e nutricional das famílias com a introdução de outros alimentos nas refeições.

Teresinha, integrante de uma das famílias que foi contemplada com a cisterna, disse que pretende produzir hortaliças para melhorar a qualidade da alimentação de seus filhos e netos e, se tudo correr bem, deseja vender parte da produção.

6. Comunidades COEP Implantam Viveiros de Mudas

Onze viveiros de mudas foram implantados em comunidades COEP, com apoio das equipes de campo, que acompanharam a preparação do substrato, o plantio e a posterior comercialização de sementes, e a gestão do trabalho coletivo.

Estão sendo produzidas mudas de frutíferas, hortaliças e de plantas forrageiras, e parte da produção destina-se à arborização das comunidades.

O objetivo é gerar renda para os agricultores familiares e conscientizar sobre a necessidade de se plantarem árvores com o objetivo de recuperar áreas degra-dadas e conservar o meio ambiente.

Na comunidade Espinheiros, no Ceará, o grupo produtivo, formado por jovens, recebeu capacitação, por meio de uma pareceria com a prefeitura, e está cultivando mudas frutíferas e arbóreas.

Os demais viveiros foram implantados em comunidades piauienses. Na maior parte delas estão sendo produzidas hortaliças, frutíferas e mudas de nim, muito utilizada devido as suas propriedades como inseticida natural. As comunidades envolvidas são: Boa Vista, Cacimba Cercada, Solidão, Pão de Açúcar, Baixa do Morro, Quixó, Barro Vermelho e Itaizinho.

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A comunidade de Quixó recebeu um kit de irrigação da Codevasf para trabalhar uma área de 500 m2, onde foram construídos oito canteiors com hortaliças, verduras e plantas frutíferas.

7. Comunidade Cacimba (PI) Inaugura Casa de Farinha

Integrantes da comunidade Cacimba, no município de Anísio de Abreu, no interior do Piauí, se uniram para melhorar suas condições de vida. Tradicional-mente, a localidade sempre teve na produção de mandioca a sua principal atividade econômica, mas a falta de uma Casa de Farinha (local onde a mandioca é proces-sada e gera farinha, tapioca e outros subprodutos) fez com que, ao longo dos últimos anos, a produção de mandioca decaísse e muitas pessoas deixassem o local.

Percebendo isso, os moradores aproveitaram um apoio financeiro recebido por meio do COEP para montar sua própria Casa de Farinha: compraram maquinário com o dinheiro recebido, pediram apoio da prefeitura para doação de materiais de construção e, por meio de mutirão, construíram eles próprios o estabelecimento, que é gerido por uma associação com 46 sócios. Os próprios moradores fabricaram os 18 mil tijolos utilizados na construção.

Com a Casa de Farinha, toda a mandioca é aproveitada. A farinha é vendida na cidade, e a maior parte da goma é destinada ao consumo das famílias. A maniva [rama da mandioca] é usada para fazer ração animal. A manipueira [líquido leitoso originário da prensagem da raiz] é aproveitada para fazer sabão e detergente. A técnica de aproveitamento da manipueira foi aprendida pelos moradores por meio de uma parceria com o Sebrae-Piauí.

Os moradores contam que, após a construção da Casa de Farinha, a produção de mandioca na comunidade aumentou muito e está ajudando a fixar as pessoas na terra.

8. Casa de Produção de Doces gera Emprego e Renda na Comunidade COEP Solidão (PI)

Para melhorar suas condições de vida e obter renda, integrantes da Comunidade COEP Solidão, em São Braz do Piauí, implantaram uma Casa

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de Produção de Doces. Com cerca de cinco mil habitantes, São Braz do Piauí fica a 430 Km da capital Teresina, no estado do Piauí. A maioria da população vive da agricultura familiar, cultivando feijão, milho, mandioca, mamona, mel, caju e plantas forrageiras, e criando animais de pequeno porte como ovinos, caprinos, galinha caipira e porcos. Apenas uma pequena minoria cria gado. A maior parte da população ainda vive abaixo da linha de pobreza, e um pequeno percentual ainda é analfabeto, apesar de algumas escolas para jovens e adultos figurarem em segundo lugar na microrregião em termos de alfabetização.

Já se fabricavam doces na comunidade, mas a produção não era feita em locais apropriados. Depois da construção da Casa de Produção de Doces. em regime de mutirão, com incentivo do COEP, que cedeu equipamentos e materiais, houve uma melhoria das condições de trabalho e higiene, o que fez com que os produtos fabricados fossem mais bem aceitos no mercado da região. Na produção são utilizadas matérias primas produzidas nas propriedades, como o leite, a massa da mandioca e a batata. Uma outra parte é adquirida no mercado regional.

O trabalho teve início com a criação de uma associação organizada pelos próprios agricultores. O que antes era uma fabricação caseira, tornou-se uma produção organizada, voltada para atingir novos mercados. Os produtos estão sendo comer-cializados na própria comunidade, em toda a microrregião de São Raimundo Nonato, e também no chamado Território da Cidadania da Serra da Capivara, no Piauí. A intenção da comunidade é fazer cursos técnicos de fabricação de doces de vários tipos, como de caju, umbu nativo e outros produtos típicos da região.

Pretendem também aperfeiçoar a técnica para que possam conseguir selos de qualidade e participar do Comércio Justo.

9. Pequenos Agricultores Piauienses se Unem para Plantio de Algodão Orgânico

A comunidade COEP Baixa do Morro, em Fartura do Piauí (PI), no Piauí, tem aproximadamente 37 famílias, com cerca de quatro pessoas por residência.

A maioria vive da agricultura de subsistência, e uma parte dos moradores cria caprinos e ovinos para ajudar na renda.

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Em 2008, o COEP propôs que a comunidade voltasse a plantar algodão, cultivo que havia sido abandonado no início dos anos 1980. Como as pessoas estavam desacreditadas e tinham preparado suas terras para plantarem milho, feijão e mamona, poucos quiseram aderir ao novo cultivo.

Os interessados, cerca de 30 pessoas, prepararam o solo, buscaram parceria do poder público para arar a terra, e de uma empresa local, que forneceu a semente de algodão. Do plantio até a colheita, foram realizados oito mutirões para limpeza, capina e plantio. A colheita foi realizada em duas etapas: na primeira, colheram 20 sacas e na segunda, 35, totalizando 55 sacas com cerca de 12 quilos cada, um resulta-do consideraresulta-do bom para início de plantio. O algodão é produziresulta-do sem agrotóxicos.

Desde a chegada do COEP, em 2007, os integrantes da comunidade promoveram uma grande organização comunitária. Reformaram a escola, terminaram a construção da associação de moradores, do posto de saúde e do posto telefônico comunitário, promoveram limpeza nas áreas comuns e passaram a se reunir com maior frequência.

10. Tear Implantado pelo COEP em Comunidade Rural gera Trabalho e Renda Ao passar de consumidores a produtores, os artesãos da comunidade Quixabeira, em Água Branca, Alagoas, vêm aos poucos conseguindo lucrar com os trabalhos produzidos no tear elétrico, implantado pelo COEP Nacional na comunidade.

Apesar de ter recebido a máquina em 2003, a comunidade só começou a utilizá-la em 2008, quando alguns moradores conseguiram apoio da prefeitura, por meio de um projeto de incentivo a atividades artesanais de pequenos grupos e associações produtivas.

Inicialmente, 40 pessoas se interessaram em aprender a manusear o tear. Foram promovidas capacitações teóricas e práticas oferecidas pelo Sebrae Alagoas e pelo Instituto Xingó. Os participantes aprenderam sobre associativismo, trabalho em grupo, produção artesanal, operação de teares manuais, além de produção, confecção e montagem de peças. O curso durou cerca de um mês, e os artesãos passaram a produzir redes, tapetes e mantas.

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Em março de 2009, participaram de um evento em Salvador, para onde levaram cerca de 20 peças para exposição. A visibilidade alcançada resultou em várias oportunidades de venda e depois de então eles têm participado de diversos eventos.

Para aumentar a visibilidade de seus produtos, os artesãos fecharam uma parceria com uma rádio comunitária da região para divulgar as atividades da associação e as peças que produzem.

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Fotografias: Marcelo Valle

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© Marcelo Valle

Parte 2

Populações Vulneráveis e Agenda